Se o Bastonário das Ordem dos Advogados diz o que diz da justiça portuguesa, que dela pensarão os comuns mortais, aqueles que são a maioria de todos nós?
Quando tudo isto se ouve à descarada, olhos nos olhos, como acentuou Francisco Louçã, no Parlamento, mas a propósito de um outro tema, somos levados a concluir que esta carruagem fundamental do nosso dia a dia está prestes a descarrilar, arrastando com ela, nessa perigosa descida ao abismo, todo o comboio.
Ao vermos com desconfiança esta procissão que, ao que parece, ainda vai no adro, não ficamos lá muito descansados, porque estamos a falar de um dos mais importantes pilares da nossa vida colectiva. Assim, nem as palavras do Procurador Geral da República nos trouxeram o desejado sossego, pois aquele discurso saiu de quem saiu(...) e para toda a gente escutar, ou mesmo interiorizar, o que é um problema bem maior.
Perante este cenário, que interesse teve a discussão do Estado da Nação, que se esqueceu de abordar estas questões fundamentais, perdendo-se por um diálogo sem conversa nem silêncios, antes se prolongando por alaridos sem fim?
Com um esgar de espanto, que estranha terra é esta, que se perde, vezes demais, com os dedos espetados em plena discussão ao mais alto nível e não trata de falar de si, daquilo que é verdadeiramente sério e importante? Que nos valem as sonoras ninharias, anunciadas com pompa e festa, em redor de pequenos trocos, pagos com a sopa do Robim dos Bosques sobre as petrolíferas, ainda que isto mereça toda a nossa aprovação, comparado com este quadro negro que a (ex ou in)justiça nos apresenta?
De que vale tudo isso, se não temos quem nos defenda, quem esteja ao nosso lado, sempre que nos sintamos ofendidos? De que vale, Senhor?
sábado, 12 de julho de 2008
terça-feira, 8 de julho de 2008
Códigos
Agora, mesmo em tempo de férias, é tempo de nos debruçarmos sobre o Código da Estrada, quando se preparam alterações, ainda que ligeiras, ao seu conteúdo. Tudo o que se venha a fazer em prol da segurança de todos e de cada um de nós, obviamente, vem por bem e, como tal, deve ser aceite com palmas e com interesse.
As propaladas mudanças parecem-nos adequadas e justas, mas não estão isentas de críticas. À semelhança com o que acontece com o sector da educação, importa distinguir-se, claramente, aquilo que é a pequena fuga à norma e os aspectos substanciais. Assim, não cremos que meter no mesmo saco o esquecimento do cinto e uma manobra perigosa seja o caminho certo. Mas isto é apenas a nossa opinião e nada mais do que isso.
Indo um pouco mais longe, temos de discordar, aberta e frontalmente, com a intenção, como se viu na imprensa, de considerar a passagem de um traço contínuo uma falta muito grave e a circulação em contra-mão se ficar só com a classificação de grave.
Se o primeiro caso até pode acontecer quase por obrigação, em virtude de um impedimento qualquer e, às vezes, nem provoca algo de perigo, a entrada na via contrária assusta e tem implícito um ilícito bem perigoso, porque, a qualquer momento, o desastre espreita com grande possibilidade de carga eventualmente letal, ou perto disso.
Desta forma, em geral, este documento deve avançar e depressa, mas tem de ser mais burilado, para o seu aperfeiçoamento, visando um melhor campo se segurança na estrada, onde Portugal, também aqui, se encontra na cauda da nossa Europa
As propaladas mudanças parecem-nos adequadas e justas, mas não estão isentas de críticas. À semelhança com o que acontece com o sector da educação, importa distinguir-se, claramente, aquilo que é a pequena fuga à norma e os aspectos substanciais. Assim, não cremos que meter no mesmo saco o esquecimento do cinto e uma manobra perigosa seja o caminho certo. Mas isto é apenas a nossa opinião e nada mais do que isso.
Indo um pouco mais longe, temos de discordar, aberta e frontalmente, com a intenção, como se viu na imprensa, de considerar a passagem de um traço contínuo uma falta muito grave e a circulação em contra-mão se ficar só com a classificação de grave.
Se o primeiro caso até pode acontecer quase por obrigação, em virtude de um impedimento qualquer e, às vezes, nem provoca algo de perigo, a entrada na via contrária assusta e tem implícito um ilícito bem perigoso, porque, a qualquer momento, o desastre espreita com grande possibilidade de carga eventualmente letal, ou perto disso.
Desta forma, em geral, este documento deve avançar e depressa, mas tem de ser mais burilado, para o seu aperfeiçoamento, visando um melhor campo se segurança na estrada, onde Portugal, também aqui, se encontra na cauda da nossa Europa
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Socorro
Ao passarem as viaturas dos Bombeiros, sinto que, naquelas casas de bem-fazer, nem tudo vai como convém. Habituados a logo saírem, quando alguém se sente aflito e precisa de socorro, agora chegou a sua vez de nos apelarem ao coração, porque são eles que precisam de ajuda, a ponto de encetarem uma campanha com esse fim.
Sabendo que este gesto carrega um pouco da dor que lhes vai na alma, por falta de apoios e por verem os combustíveis a encaminhá-los para o lodaçal, não esquecemos que o seu mal é o nosso mal, sobretudo agora que o Verão está a aquecer. Pedimos, por isso, que as suas vozes sejam ouvidas, tão grande é o seu mérito.
Mas, para que tudo isto seja ainda mais negro, quem deve gritar por socorro somos todos nós, que a vida anda de mal para pior. Para lhe fazer frente, quer o governo deitar mão aos dinheiros alheios, indo buscar o que lhe falta à algibeira das autarquias, que a têm já bastante depenada. Assim, será fácil mostrar obra, mas à custa de quem também se vê na obrigação de estender a mão à caridade.
Com este falso " Robim dos Bosques", por se tratar de pobres a tirarem a pobres, não se chega a levar a carta a Garcia, nem para lá se caminha. Assim sendo, só as falsas soluções nos calham na rifa da tristeza em que vivemos.
Enquanto isto acontece, o Parlamento dá uma imagem de si mesmo que não deixa de nos envergonhar, quase como o Conselho de Justiça da FPF. Agora, assistimos a uma votação incrível: um partido propõe uma emenda e logo a vê rejeitada; um outro pega nela, sem uma vírgula a mais ou a menos, e tem o descaramento de a aprovar. Se isto não é brincar com coisas sérias, que será então?
Sem fazer destes desmandos a regra que se deve seguir, partamos para outras vias, que estas já passaram à história, ou, no mínimo, para aí deveriam ir; isto é, para o baú das más recordações, até para ver se com elas, mesmo recusáveis, aprendemos as boas lições, que tardam em chegar.
Venham elas, já!
Sabendo que este gesto carrega um pouco da dor que lhes vai na alma, por falta de apoios e por verem os combustíveis a encaminhá-los para o lodaçal, não esquecemos que o seu mal é o nosso mal, sobretudo agora que o Verão está a aquecer. Pedimos, por isso, que as suas vozes sejam ouvidas, tão grande é o seu mérito.
Mas, para que tudo isto seja ainda mais negro, quem deve gritar por socorro somos todos nós, que a vida anda de mal para pior. Para lhe fazer frente, quer o governo deitar mão aos dinheiros alheios, indo buscar o que lhe falta à algibeira das autarquias, que a têm já bastante depenada. Assim, será fácil mostrar obra, mas à custa de quem também se vê na obrigação de estender a mão à caridade.
Com este falso " Robim dos Bosques", por se tratar de pobres a tirarem a pobres, não se chega a levar a carta a Garcia, nem para lá se caminha. Assim sendo, só as falsas soluções nos calham na rifa da tristeza em que vivemos.
Enquanto isto acontece, o Parlamento dá uma imagem de si mesmo que não deixa de nos envergonhar, quase como o Conselho de Justiça da FPF. Agora, assistimos a uma votação incrível: um partido propõe uma emenda e logo a vê rejeitada; um outro pega nela, sem uma vírgula a mais ou a menos, e tem o descaramento de a aprovar. Se isto não é brincar com coisas sérias, que será então?
Sem fazer destes desmandos a regra que se deve seguir, partamos para outras vias, que estas já passaram à história, ou, no mínimo, para aí deveriam ir; isto é, para o baú das más recordações, até para ver se com elas, mesmo recusáveis, aprendemos as boas lições, que tardam em chegar.
Venham elas, já!
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Os meus incómodos
Neste mundo, parece que todos nascemos para carregar com pesadelos e incómodos, aqueles mais pesados que estes, como se tivéssemos de sofrer em cada minuto que passa. De momento, a natureza social e os poderes públicos, de dentro e de fora de portas, teimam em não nos deixar sossegar. A eles, junta-se toda a categoria de especuladores, de criadores de riqueza fácil e desconchavada, nada e criada em reinos fora-de-lei, como acontece com os "off-shores", ou lá que é, de modo a tornar doloroso o nosso dia a dia.
Isto já não andava nada bem com os combustíveis e não há meio de estancar o apetite pelo adivinhado descalabro. Agora até a EDP, a santa de um altar só, chega com uma ideia que nem ao diabo lembra, que isto de fazer pagar aos consumidores, sérios, honestos, cumpridores, o gosto pela calotice de quem esquece os seus deveres é matéria de nos deixar sem fôlego, uma vergonha de todo o tamanho. Como é que alguém deste calibre se atreve a atirar para o ar tanto despudor? Quem, meu Deus?
Só um ser sem escrúpulos, que agora nos faz desconfiar do facto de já podermos estar, pela calada, a suportar tais custos - longe vá o agoiro! - seria capaz de alvitrar tão monstruosa leviandade. Se isto acontecer, aqui vai o antídoto necessário: se cada um deixar de pagar, alguém tem de fechar a porta e já estamos a adivinhar quem vai ser. Perante o incumprimento generalizado, só uma entidade terá força para o fazer: o Estado, como é óbvio, isto é, cada um e todos nós, para mal geral e incontrolável.
Para evitar a bancarrota, ponha-se de lado esta calinada, que, ao falarmos dela, até nos dá vontade de sermos os primeiros a pôr em prática o preceito do mau pagador, que queremos evitar a todo o custo.
Avançando um pouco mais, também é incómodo o sentimento de sabermos que os exames pouco avaliam, de verdade, que os juízes não estão a salvo de ofensas físicas, que os juros vão dar mais um salto, que o investimento pouco ou nada cresce, que o clima caminha para tempos difíceis, também ele, que o Ministro da Agricultura não vê a razão dos agricultores, que o pavilhão do comício do PS, no Algarve, sofreu a investida de alguns energúmenos, aos tiros, que a UE está sem respostas para o problema nascido na Irlanda.
Bom, muito bom mesmo,é sabermos que ainda há quem possa passar férias, até em Nova Iorque. Que, aí e noutros lados todos, sejam felizes, porque, por aqui, isto também vai ter de mudar, um dia ....
Isto já não andava nada bem com os combustíveis e não há meio de estancar o apetite pelo adivinhado descalabro. Agora até a EDP, a santa de um altar só, chega com uma ideia que nem ao diabo lembra, que isto de fazer pagar aos consumidores, sérios, honestos, cumpridores, o gosto pela calotice de quem esquece os seus deveres é matéria de nos deixar sem fôlego, uma vergonha de todo o tamanho. Como é que alguém deste calibre se atreve a atirar para o ar tanto despudor? Quem, meu Deus?
Só um ser sem escrúpulos, que agora nos faz desconfiar do facto de já podermos estar, pela calada, a suportar tais custos - longe vá o agoiro! - seria capaz de alvitrar tão monstruosa leviandade. Se isto acontecer, aqui vai o antídoto necessário: se cada um deixar de pagar, alguém tem de fechar a porta e já estamos a adivinhar quem vai ser. Perante o incumprimento generalizado, só uma entidade terá força para o fazer: o Estado, como é óbvio, isto é, cada um e todos nós, para mal geral e incontrolável.
Para evitar a bancarrota, ponha-se de lado esta calinada, que, ao falarmos dela, até nos dá vontade de sermos os primeiros a pôr em prática o preceito do mau pagador, que queremos evitar a todo o custo.
Avançando um pouco mais, também é incómodo o sentimento de sabermos que os exames pouco avaliam, de verdade, que os juízes não estão a salvo de ofensas físicas, que os juros vão dar mais um salto, que o investimento pouco ou nada cresce, que o clima caminha para tempos difíceis, também ele, que o Ministro da Agricultura não vê a razão dos agricultores, que o pavilhão do comício do PS, no Algarve, sofreu a investida de alguns energúmenos, aos tiros, que a UE está sem respostas para o problema nascido na Irlanda.
Bom, muito bom mesmo,é sabermos que ainda há quem possa passar férias, até em Nova Iorque. Que, aí e noutros lados todos, sejam felizes, porque, por aqui, isto também vai ter de mudar, um dia ....
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Pão ou obra
Estamos todos entretidos com a discussão acerca da polémica entre construir e construir obras públicas ou deixá-las de lado e começar a distribuir pão a quem dele precisa, como, infelizmente, é o caso de muitos portugueses. Mas isto é sério e não pode ser visto como um devaneio. Efectivamente, é chegada a hora de nos sentarmos à mesa e repensar tudo aquilo que há a fazer.
Pensamos nós que não se deve colocar aqui uma espécie de alternativa, porque uma e outra destas funções têm de ser levadas a cabo. Atender à emergência social é um imperativo de consciência e um dever de solidariedade e ainda bem que este assunto - que se impunha - veio à tona de água.
Mas descurar o equilíbrio a atingir em matéria de investimento público será grossa asneira e um desperdício que não ajuda a ninguém. Ouçamos : até os financiamentos obrigam a que assim seja. As verbas que, por hipótese, nos chegam para o aeroporto são alocadas dessa forma. Não há meio de as desviarmos e, se as não utilizarmos, ei-las que partem num sonoro adeus...
Assim sendo, temos de combinar o apoio aos carenciados e os trabalhos a fazer. Estes, se bem organizados, podem ser a cana que se põe na mão de quem dela carece, em vez de se lhe dar o peixe, que só se come uma vez.
Nem todos os projectos serão prioritários. Em tese é sempre assim. Mas, quando se desce ao pormenor, abundam os problemas e as queixas de quem se vê posto à margem desses processos. Falemos por nós mesmos: hoje, temos o A25 à porta. Ontem, assim não acontecia. Se, por acaso, este estivesse em perigo, não deixaríamos de berrar por todo o lado, atitude que tomaremos se nos tirarem a Barragem de Ribeiradio.
Desta forma, obra a obra, vamos apreciá-las, elencá-las e passar às decisões. Umas merecem uma resposta imediata, outras, eventualmente, podem esperar e há mesmo algumas que devem ser anuladas. Quais? Talvez parte do TGV e um ou outro troço de auto-estrada, menos o nosso, claro ...
Agora é tempo de dar pão. Urgentemente, que a crise está instalada. Mas é também hora de Portugal não perder a oportunidade de agarrar os meios que, por exemplo, ainda vêm de Bruxelas e com eles partir para os investimentos que se mostram necessários.
Pão ou obra? Não. Pão e obra, sim. Um "e" e um "ou" fazem toda a diferença. Mas temos obrigação, todos, de saber aquilo que é um bom português.
Esperamos que este seja o raciocínio a seguir, para bem daqueles que, neste momento, têm fome e de um país, que ainda se não pode dar ao luxo de atirar aviões pela janela fora, ou outros equipamentos também de primeira necessidade.
Pensamos nós que não se deve colocar aqui uma espécie de alternativa, porque uma e outra destas funções têm de ser levadas a cabo. Atender à emergência social é um imperativo de consciência e um dever de solidariedade e ainda bem que este assunto - que se impunha - veio à tona de água.
Mas descurar o equilíbrio a atingir em matéria de investimento público será grossa asneira e um desperdício que não ajuda a ninguém. Ouçamos : até os financiamentos obrigam a que assim seja. As verbas que, por hipótese, nos chegam para o aeroporto são alocadas dessa forma. Não há meio de as desviarmos e, se as não utilizarmos, ei-las que partem num sonoro adeus...
Assim sendo, temos de combinar o apoio aos carenciados e os trabalhos a fazer. Estes, se bem organizados, podem ser a cana que se põe na mão de quem dela carece, em vez de se lhe dar o peixe, que só se come uma vez.
Nem todos os projectos serão prioritários. Em tese é sempre assim. Mas, quando se desce ao pormenor, abundam os problemas e as queixas de quem se vê posto à margem desses processos. Falemos por nós mesmos: hoje, temos o A25 à porta. Ontem, assim não acontecia. Se, por acaso, este estivesse em perigo, não deixaríamos de berrar por todo o lado, atitude que tomaremos se nos tirarem a Barragem de Ribeiradio.
Desta forma, obra a obra, vamos apreciá-las, elencá-las e passar às decisões. Umas merecem uma resposta imediata, outras, eventualmente, podem esperar e há mesmo algumas que devem ser anuladas. Quais? Talvez parte do TGV e um ou outro troço de auto-estrada, menos o nosso, claro ...
Agora é tempo de dar pão. Urgentemente, que a crise está instalada. Mas é também hora de Portugal não perder a oportunidade de agarrar os meios que, por exemplo, ainda vêm de Bruxelas e com eles partir para os investimentos que se mostram necessários.
Pão ou obra? Não. Pão e obra, sim. Um "e" e um "ou" fazem toda a diferença. Mas temos obrigação, todos, de saber aquilo que é um bom português.
Esperamos que este seja o raciocínio a seguir, para bem daqueles que, neste momento, têm fome e de um país, que ainda se não pode dar ao luxo de atirar aviões pela janela fora, ou outros equipamentos também de primeira necessidade.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
A saudade dos comboios
Na zona em que vivo cheira um pouco ao velho comboio do Vale do Vouga, que fazia circular pessoas, que transportava tudo o que era mercadoria, que nos regalava com notícias ou nos punha a chorar, que unia o mar e a serra, que cortava a meio a distância entre a Barra e Vilar Formoso. Contam muitas vozes que também lhe cabia uma parte no despoletar dos incêndios de todos os verões - os do seu tempo e os actuais, pelo que pode disso estar absolvido - e que nem sempre andava a horas.
Dele guardo, acima de tudo, a alegria de conhecer novos mundos, mesmo que a camisa chegasse ao destino com os colarinhos pintados de preto, cor de um carvão que o punha a marchar sobre os estreitos carris. Dele retenho o ar de relógio, a ideia de mil lágrimas, ora de alegrias, ora de tristezas, o aspecto de idas e vindas, para terras de França e Aragança, para os confins de uma África a ferro e fogo, para uma Lisboa, que a todos atraía, para lugares e recantos que, pelo comboio, nos entravam pela alma dentro.
Mas um dia, depois de mil anunciadas mortes, abeirou-se do caixão e partiu para sempre. Aquilo foi uma dor de alma, mas nada havia a fazer.
Hoje, quando vejo que a energia petrolífera é um barril de pólvora que tudo pode aniquilar, mais me vem à memória esse querido meio de transporte, que os homens destes dias acabaram por matar de morte violenta e difícil de perdoar. Foi esse um passo que hoje se está a pagar com língua de palmo.
A dependência dos meios rodoviários, como agora se viu, deixa-nos a pensar que a ferrovia podia e devia ser a alternativa, sempre à mão de semear. Mas o comboio, que ontem fugiu, um dia tem de voltar.
Sem que defendamos o aparecimento da alta velocidade como o saudável milagre, apetece-nos gritar por comboios modernos, de médio e normal andamento, para que voltem ao nosso convívio e serviço. A reposição das velhas linhas, o lançamento de outras novas são vias que, mais cedo ou mais tarde, teremos de trilhar.
A crise, que está em banho-maria, por agora, prova isto e muito mais.
Entender estes sinais é que é boa governação. Tudo o mais é uma espécie de gestão em tempo de nada decidir, um tempo de empatas que nada adiantam.
Quando estas matérias nos apoquentam, até a passagem aos quartos-de-final da nossa selecção nos não alegra como devia. E, face àquilo que os camionistas demonstraram, a ida de Scolari para o Chelsea é um pequenino caso, um não-acontecimento. Tudo o mais que se venha a dizer de pouco importa, tendo em conta a gravidade dos dias que estamos a viver.
Mas, no meio disto tudo, mais comboios vinham mesmo a calhar.
Dele guardo, acima de tudo, a alegria de conhecer novos mundos, mesmo que a camisa chegasse ao destino com os colarinhos pintados de preto, cor de um carvão que o punha a marchar sobre os estreitos carris. Dele retenho o ar de relógio, a ideia de mil lágrimas, ora de alegrias, ora de tristezas, o aspecto de idas e vindas, para terras de França e Aragança, para os confins de uma África a ferro e fogo, para uma Lisboa, que a todos atraía, para lugares e recantos que, pelo comboio, nos entravam pela alma dentro.
Mas um dia, depois de mil anunciadas mortes, abeirou-se do caixão e partiu para sempre. Aquilo foi uma dor de alma, mas nada havia a fazer.
Hoje, quando vejo que a energia petrolífera é um barril de pólvora que tudo pode aniquilar, mais me vem à memória esse querido meio de transporte, que os homens destes dias acabaram por matar de morte violenta e difícil de perdoar. Foi esse um passo que hoje se está a pagar com língua de palmo.
A dependência dos meios rodoviários, como agora se viu, deixa-nos a pensar que a ferrovia podia e devia ser a alternativa, sempre à mão de semear. Mas o comboio, que ontem fugiu, um dia tem de voltar.
Sem que defendamos o aparecimento da alta velocidade como o saudável milagre, apetece-nos gritar por comboios modernos, de médio e normal andamento, para que voltem ao nosso convívio e serviço. A reposição das velhas linhas, o lançamento de outras novas são vias que, mais cedo ou mais tarde, teremos de trilhar.
A crise, que está em banho-maria, por agora, prova isto e muito mais.
Entender estes sinais é que é boa governação. Tudo o mais é uma espécie de gestão em tempo de nada decidir, um tempo de empatas que nada adiantam.
Quando estas matérias nos apoquentam, até a passagem aos quartos-de-final da nossa selecção nos não alegra como devia. E, face àquilo que os camionistas demonstraram, a ida de Scolari para o Chelsea é um pequenino caso, um não-acontecimento. Tudo o mais que se venha a dizer de pouco importa, tendo em conta a gravidade dos dias que estamos a viver.
Mas, no meio disto tudo, mais comboios vinham mesmo a calhar.
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