Combinando o Tejo com o Oceano Atlântico, que está a uma meia dúzia, esticadinha, é certo, de quilómetros, esta cidade de Lisboa, comparada com o Caramulo e a Estrela, é uma espécie de aquecedor ambulante.
Mas em dias de frio um pouco mais atrevido, como está a acontecer, não é assim pera doce,nem flor que se cheire e se goste em excesso: sem exigir que se tapem a cara e as mãos, também se não pode andar ao léu.
Nesta quadra, que o Natal deixou para trás, com todas as letras e significações, ainda que outros o festejem mais tardiamente, o que muito nos dói e esfrangalha a alma é a existência perdida de tanta gente sem tecto, sem abrigo, sem um aceno de simpatia, sem esperança, sem pensar em qualquer crise que a sua vida dela não escapa um minuto sequer. Ver esses irmãos, agarrados a sacos de papéis e a olhar o horizonte vazio, é um sinal que devia despertar em nós um sentimento de acção e não um choradinho que o vento se enacrrega de levar para onde quiser, talvez nunca para onde seria mais aconselhável.
Sensíveis a esta chaga social, agrada-nos imenso saber que há pessoas e entidades que, de uma forma voluntariosa e altruísta, a eles se dedicam de corpo inteiro, numa entrega que temos de louvar e apreciar. Mas, apesar disso, há sempre nesgas que ficam para trás e, se assim é, porque cada ser humano é um pedaço de nós próprios, tudo é pouco e nada é muito.
Nestes dias de frio em Lisboa, há quem sofra muito mais que todos nós, aqui e em toda a parte.
Acudir a esses gritos calados de dor, que tocam o céu e não são ouvidos na terra, é um dever e uma necessidade absoluta. Bem haja, então, a quem cuida de sarar essas feridas, esquecendo-se de si mesmo.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Para Gaza com preocupação
Se por estas nossas terras de Lafões se respira um certo ar de saúde, que a crise belisca, mas não destrói, é triste sabermos que, em Gaza, ali por onde tanto andou Jesus Cristo, se está a morrer com guerra, com fome, com violência, com uma severidade e uma cegueira verdadeiramente arrepiantes, a ponto de termos de culpar tudo e todos pelo que ali se passa.
Com ancestrais origens, o berço das religiões monoteístas, aquelas que olham para um mesmo Deus, converteu-se num constante barril de pólvora, que se agravou depois da Segunda Guerra Mundial, com a criação do estado de Israel(1948), se estendeu pelos finais dos anos sessenta, praticamente sem nunca mais parar.
Mesmo que não queiramos procurar agora o lado da razão - e todos estão a perdê-la - esta hora exige que as partes se entendam, de modo a evitar-se o horror e o massacre, que vitima sempre os mais frágeis e os mais vulneráveis. Perante tão grave cenário, é até ridículo que, agora, nos preocupemos com a pequenez dos nossos problemas.
Com Gaza a ferro e fogo, calem-se as armas, falem os corações, por mais empedernidos que sejam e, ali, mais parecem de pedra dura que de material humano. Estancar a hemorragia que por aquelas bandas se vive é uma urgência e uma imperiosa necessidade.
Que entrem em cena as diplomacias, mas que se faça sentar à mesa, com vocação negocial, aqueles que tanto esticam a corda, sem apelo nem agravo: sem a sua vontade própria e assumidamente responsável, nada ali será duradouro, a não ser um estado de guerra total, que só nos põe, a todos, a perder. Neste mundo, já nada nos é estranho, muito menos o sofrimento dos povos e de suas gentes. Israel e a Palestina - ou as suas facções - sem esquecer todos os árabes devem ao mundo um esforço de gigantes: entenderem-se, repita-se. Só assim teremos paz, a paz que Cristo ali pregou, talvez em vão... Mas é sempre tempo de a alcançar e este momento exige-a.
Com ancestrais origens, o berço das religiões monoteístas, aquelas que olham para um mesmo Deus, converteu-se num constante barril de pólvora, que se agravou depois da Segunda Guerra Mundial, com a criação do estado de Israel(1948), se estendeu pelos finais dos anos sessenta, praticamente sem nunca mais parar.
Mesmo que não queiramos procurar agora o lado da razão - e todos estão a perdê-la - esta hora exige que as partes se entendam, de modo a evitar-se o horror e o massacre, que vitima sempre os mais frágeis e os mais vulneráveis. Perante tão grave cenário, é até ridículo que, agora, nos preocupemos com a pequenez dos nossos problemas.
Com Gaza a ferro e fogo, calem-se as armas, falem os corações, por mais empedernidos que sejam e, ali, mais parecem de pedra dura que de material humano. Estancar a hemorragia que por aquelas bandas se vive é uma urgência e uma imperiosa necessidade.
Que entrem em cena as diplomacias, mas que se faça sentar à mesa, com vocação negocial, aqueles que tanto esticam a corda, sem apelo nem agravo: sem a sua vontade própria e assumidamente responsável, nada ali será duradouro, a não ser um estado de guerra total, que só nos põe, a todos, a perder. Neste mundo, já nada nos é estranho, muito menos o sofrimento dos povos e de suas gentes. Israel e a Palestina - ou as suas facções - sem esquecer todos os árabes devem ao mundo um esforço de gigantes: entenderem-se, repita-se. Só assim teremos paz, a paz que Cristo ali pregou, talvez em vão... Mas é sempre tempo de a alcançar e este momento exige-a.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
2009: chuva em Lafões
Cá estou eu em 2009. Tudo igual: chuva assim-assim, céu carregado e algo carrancudo, um ar de inverno, que não destoa de 2008, esse tempo que já nos deixou.
Nesta minha terra de Lafões, que Deus abençoou e os homens e mulheres tanto valorizaram, nada parece ter mudado. Só a folha do calendário teve de ser alterada, rasgando-se a anterior, praticamente sem dor, nem nostalgia. É que o ano de 2008 foi um pouco travesso e, por isso, apenas se tem saudades daquilo que nos é grato, o que não aconteceu com esses últimos 365 dias.
Agora, ao ouvir as palavras do Presidente da República, sei que vamos sofrer, na carne, os efeitos de asneiras próprias e alheias, que 2009 se não compadece com falsas ilusões, mas que, pelo contrário, exige rigor, criatividade, muito trabalho e uma exigente seriedade.
Ou seja: colocou-nos em cima da mesa uma tarefa de gigantes - a execução de uma rigorosa entrega à procura das soluções adequadas ao combate à crise e às nossas próprias fraquezas, que vêm de longe e que não desarmam facilmente.
Sem alarmes em demasia, o Professor Cavaco Silva, que tocou na ferida dos que mais sofrem, nomeadamente os agricultores e os pequenos comerciantes ( isto é, o grosso da coluna também em Lafões, que tem no seu seio, diga-se, por ser verdade insofismável, o melhor que se faz em inovação, empreendedorismo e turismo), deixou suficientes alertas e recados.
Ouvi-los é nosso dever. Mas quem mais deve escutar estas lições são aqueles que nos governam, esse por obrigação e por função.
Hoje está a chover. Mas é de sol que todos precisamos. Venha ele !
Nesta minha terra de Lafões, que Deus abençoou e os homens e mulheres tanto valorizaram, nada parece ter mudado. Só a folha do calendário teve de ser alterada, rasgando-se a anterior, praticamente sem dor, nem nostalgia. É que o ano de 2008 foi um pouco travesso e, por isso, apenas se tem saudades daquilo que nos é grato, o que não aconteceu com esses últimos 365 dias.
Agora, ao ouvir as palavras do Presidente da República, sei que vamos sofrer, na carne, os efeitos de asneiras próprias e alheias, que 2009 se não compadece com falsas ilusões, mas que, pelo contrário, exige rigor, criatividade, muito trabalho e uma exigente seriedade.
Ou seja: colocou-nos em cima da mesa uma tarefa de gigantes - a execução de uma rigorosa entrega à procura das soluções adequadas ao combate à crise e às nossas próprias fraquezas, que vêm de longe e que não desarmam facilmente.
Sem alarmes em demasia, o Professor Cavaco Silva, que tocou na ferida dos que mais sofrem, nomeadamente os agricultores e os pequenos comerciantes ( isto é, o grosso da coluna também em Lafões, que tem no seu seio, diga-se, por ser verdade insofismável, o melhor que se faz em inovação, empreendedorismo e turismo), deixou suficientes alertas e recados.
Ouvi-los é nosso dever. Mas quem mais deve escutar estas lições são aqueles que nos governam, esse por obrigação e por função.
Hoje está a chover. Mas é de sol que todos precisamos. Venha ele !
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Adeus, 2008
Sem grandes saudades, o ano de 2008 está prestes a deixar-nos, o que se insere na ordem natural do universo e da sua mecânica. 365 dias se passaram e, deles, pouca pitada de recordações positivas: a crise assolou às nossas portas e entrou pela casa dentro; a condição de vida piorou; o petróleo, agora mole, foi de uma dureza de aço, que nos deitou por terra; o Tratado de Lisboa encalhou na Irlanda; o ralie Paris-Dakar não pôde partir para as areias africanas, por razões de segurança; o país viu-se grego para ultrapassar as suas dificuldades; a Grécia esteve vai não vai para cair; a UE não nos deu nada de novo e só da América vieram boas notícias com a eleição de Obama.
Em Portugal, até Cavaco Silva acompanhou o movimento dos professores, dos juízes, do Bastonário da Ordem dos Advogados, dos médicos, dos funcionários públicos, dos reformados, dos agricultores, dos camionistas, dos operários, dos escriturários e afins, dos mineiros, dos políticos, dos autarcas, dos jornalistas, caminhando no sentido de mostrar descontentamento com o governo que temos.
Imparáveis, só as sondagens lhe têm dado razão e isso é que, talvez, venha a contar em 2009.
Se uns pouco fazem para merecer a alegria da vitória e outros dificilmente lá podem chegar, é certo e sabido que, a ser assim, nada mudará, mesmo com a previsão de três eleições pelo meio.
Com este cenário, de 2009, por pessimismo estrutural, é reduzida a margem de manobra quanto a novos e melhores tempos. Nesta ordem de ideias, apenas o calendário será capaz de dar um salto, menor que um segundo,um segundo apenas, mas que faz toda a diferença: foi-se 2008, vem aí 2009.
Que Deus o traga em boa hora!
Em Portugal, até Cavaco Silva acompanhou o movimento dos professores, dos juízes, do Bastonário da Ordem dos Advogados, dos médicos, dos funcionários públicos, dos reformados, dos agricultores, dos camionistas, dos operários, dos escriturários e afins, dos mineiros, dos políticos, dos autarcas, dos jornalistas, caminhando no sentido de mostrar descontentamento com o governo que temos.
Imparáveis, só as sondagens lhe têm dado razão e isso é que, talvez, venha a contar em 2009.
Se uns pouco fazem para merecer a alegria da vitória e outros dificilmente lá podem chegar, é certo e sabido que, a ser assim, nada mudará, mesmo com a previsão de três eleições pelo meio.
Com este cenário, de 2009, por pessimismo estrutural, é reduzida a margem de manobra quanto a novos e melhores tempos. Nesta ordem de ideias, apenas o calendário será capaz de dar um salto, menor que um segundo,um segundo apenas, mas que faz toda a diferença: foi-se 2008, vem aí 2009.
Que Deus o traga em boa hora!
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Obama e o humu-humu-nuku-nuku-apuaa
Neste quase fim de ano, dei de caras, numa leitura agradável, escrita por Obama, aquele que é, pensamos que para felicidade nossa, o presentefuturo Presidente dos EUA, com um texto que nos interpela a todos. Oferta das minhas queridas filhas, que comigo partilham ideias e sentimentos e que sabem quanto admiro este homem, tenho de confessar que, nesse livro de " A minha herança", me senti particularmente honrado quando li o seu encontro familiar com um português, no Havai, que o levou à pesca.
O esquisito peixe que responde pelo nome acima estampado, e que veio no arpão em Kailua Bay, vai ficar na minha memória, porque juntou um compatriota nosso com Obama, seu avô e família, quando ninguém sonhava, sequer, o destino que lhe estava traçado.
Nesta diáspora constante, em que Portugal se tem metido, por vocação e por necessidade, o humu-humu-nuku-nuku-apuaa é o símbolo de uma cultura que tem no mundo a sua medida, pois este peixe daquelas águas não passou despercebido ao amigo português, nem ao Obama que, no dia 20 de Janeiro, vai ocupar o lugar maior da Casa Branca e do mundo.
Sei que, nesse dia ou noutro, não deixará de recordar este episódio, que muito me encanta.
O esquisito peixe que responde pelo nome acima estampado, e que veio no arpão em Kailua Bay, vai ficar na minha memória, porque juntou um compatriota nosso com Obama, seu avô e família, quando ninguém sonhava, sequer, o destino que lhe estava traçado.
Nesta diáspora constante, em que Portugal se tem metido, por vocação e por necessidade, o humu-humu-nuku-nuku-apuaa é o símbolo de uma cultura que tem no mundo a sua medida, pois este peixe daquelas águas não passou despercebido ao amigo português, nem ao Obama que, no dia 20 de Janeiro, vai ocupar o lugar maior da Casa Branca e do mundo.
Sei que, nesse dia ou noutro, não deixará de recordar este episódio, que muito me encanta.
domingo, 28 de dezembro de 2008
Barragem de Ribeiradio
Depois de ter andado num bailinho sem sucesso, só para romper sapatos, com sucessivas partidas, que músicas perras logo vinham fazer parar, dizem-nos, agora, que a Barragem de Ribeiradio, em Oliveira de Frades, sempre vai arrancar. Parece então chegada a hora de se saber aproveitar as águas soltas do Rio Vouga, que, até este momento, vão direitinhas ao mar, inundando na passagem as zonas de Aveiro, no Inverno, e secando de sede as mesmas gentes, no Verão.
Finalmente, parece que a luz ao fundo do túnel vai dar lugar a uma grande claridade, para gáudio de quem espera há largas décadas por este investimento, que vem fornecer energia, regularizar o respectivo caudal e criar ondas de turismo, uma outra vertente que se não pode desprezar.
Numa ironia de um destino, que agora se prevê com um final feliz, pouco se fica a dever ao Estado, que brincou demais com esta Barragem. Se uma vez a anunciava, outra a punha a avançar, para, cobardemente, lhe pôr travões às quatro rodas, colocando um ponto final nas obras que se chegaram a iniciar. Merece, por isso, o nosso vivo desagrado.
Entretanto, a entrada em cena dos irmãos Martins, da Martifer, em conjunto com a EDP, dizem que foi a cereja num bolo que já estava ressequido e bolarento. Agora é um regalo saber que serão os construtores desse emprendimento, que muito trará de bom para os concelhos de Oliveira de Frades e Sever do Vouga, que ganha mesmo uma outra prenda: a Ermida.
A fechar 2008 e a iniciar-se 2009, como diria La Palisse, este é um bom sinal. Que ande para a frente é o que mais desejamos. Força!
Finalmente, parece que a luz ao fundo do túnel vai dar lugar a uma grande claridade, para gáudio de quem espera há largas décadas por este investimento, que vem fornecer energia, regularizar o respectivo caudal e criar ondas de turismo, uma outra vertente que se não pode desprezar.
Numa ironia de um destino, que agora se prevê com um final feliz, pouco se fica a dever ao Estado, que brincou demais com esta Barragem. Se uma vez a anunciava, outra a punha a avançar, para, cobardemente, lhe pôr travões às quatro rodas, colocando um ponto final nas obras que se chegaram a iniciar. Merece, por isso, o nosso vivo desagrado.
Entretanto, a entrada em cena dos irmãos Martins, da Martifer, em conjunto com a EDP, dizem que foi a cereja num bolo que já estava ressequido e bolarento. Agora é um regalo saber que serão os construtores desse emprendimento, que muito trará de bom para os concelhos de Oliveira de Frades e Sever do Vouga, que ganha mesmo uma outra prenda: a Ermida.
A fechar 2008 e a iniciar-se 2009, como diria La Palisse, este é um bom sinal. Que ande para a frente é o que mais desejamos. Força!
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Os natais
Pronto, amanhã será, aqui, dia de Natal. Boas e santas festas!
Mas, ali, talvez se tenha optado por uma outra opção, uma outra tradição, uma outra fé, uma ausência dela, uma outra forma de ver e encarar a vida e o além. Na tolerância e na liberdade, todos somos iguais e todos temos o direito a, dessa forma, a nossa, sermos felizes e cidadãos de corpo inteiro.
Acredito no meu Natal, este que, daqui a pouco, se festejará, mas aceito, sem qualquer preconceito, quem pensar e agir de outro qualquer modo, desde que preze um valor essencial, o do respeito pela vida e pelo outro.
Nesta escala, Boas Festas para todos os povos do mundo, onde quer que seja, como quer que pensem. Que todos sejam felizes!
Mas, ali, talvez se tenha optado por uma outra opção, uma outra tradição, uma outra fé, uma ausência dela, uma outra forma de ver e encarar a vida e o além. Na tolerância e na liberdade, todos somos iguais e todos temos o direito a, dessa forma, a nossa, sermos felizes e cidadãos de corpo inteiro.
Acredito no meu Natal, este que, daqui a pouco, se festejará, mas aceito, sem qualquer preconceito, quem pensar e agir de outro qualquer modo, desde que preze um valor essencial, o do respeito pela vida e pelo outro.
Nesta escala, Boas Festas para todos os povos do mundo, onde quer que seja, como quer que pensem. Que todos sejam felizes!
Subscrever:
Mensagens (Atom)