Nesta onda de quedas sucessivas, perigosas e derrapantes, quase só o desemprego contraria esta lei de uma gravidade que não desejaríamos: se esta é quase a única mas triste subida, tudo o mais leva o carimbo do desastre, do descontrolo, o que se não pode dizer, como é óbvio, em termos de quem deve, de os juros terem essa - aí feliz - coincidência. Mas para quem vive das suas economias, a Euribor em derrapagem torna-se uma forte dor de cabeça.
Perante a dupla significação das diversas situações, quem não gosta mesmo nada de se ver a escorregar é o Quaresma, que, de menino bonito em Portugal, passou por um mau bocado na Itália, joga agora nas reservas do Chelsea, na Inglaterra, lugar que não lhe calha nada bem.
Há, neste caso, uma lição a tirar: nada é definitivo e a glória de hoje pode muito bem ser a tristeza de amanhã. A viver essa angústia, desejamos ao Quaresma, que até nem militava num clube que nos fosse, aqui, particularmente grato, toda a sorte do mundo e um rápido regresso à ribalta da alta roda do futebol, para que Portugal possa ver aplicadas as suas famosas "trivelas".
Em grande subida esteve, valha-nos isso, a Suissa que soube honrar a liberdade ao votar SIM no referendo sobre a livre circulação de gente da União Europeia, dando seguimento a legislação de 2002.
É um claro sinal de alívio para os muitos milhares de nossos compatriotas que ali vivem e ganham o seu pão, ao mesmo tempo que representa uma merecida bofetada nas pérfidas ideias que germinam lá mais acima, no Reino Unido e que queremos ver erradicadas de vez, porque, essa sim, é uma queda de todo o tamanho.
Quando o mundo tende para o seu desabamento, a consolação que nos chegou da Suissa veio na hora: em maré de crise o saloio proteccionismo levou ali uma boa tareia, que se saúda e se aplaude.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Em branco
Nesta mesa de trabalho, tenho uma folha em branco. Sei que quero escrever qualquer coisa, mas pouco me sai que tenha jeito e que valha a pena. Olho para o lado e só vejo crise, crise, crise, tricas e mais tricas, políticos aos berros e assanhados na Assembleia da República, partidos em busca de tudo e de nada, desemprego por todo o lado, nada de novas empresas, grande escassez de arrojo, gente que não cala a sua tristeza e desânimo, candidatos a candidatos, hoje és tu, amanhã talvez seja eu e no meio desta salgalhada, que causa tensão elevada e perigoso colesterol, só me apetece agarrar em José Saramago, que nunca li em profundidade, e tentar ser capaz de o entender, de o ouvir, ou então Eça de Queirós, que me parece sempre actual.
Desta minha varanda, que à serra chega sempre com um simples olhar, procuro um outro mundo e só me sai este que anda apodrecido, que vê as bolsas vazias, o petróleo a descer na origem e a subir nas bombas, o senado e a câmara dos representantes na América a darem razão a Obama, que perde, entretanto, em Israel a oportunidade, talvez, de encontrar uma nesga para a paz, os soldados em Mirandela a pensar no Kosovo, o meu país a ver que as janelas se fecham e que as novas oportunidades, amanhã, devem ser um outro qualquer engano, a educação sem professores ou em guerra aberta com a tutela e uma sociedade civil que tem um longo caminho a percorrer para conseguir a sua emancipação.
Razão têm as minhas filhas que se enriquecem com Saramago e outros vultos da nossa cultura, ou que lêem nas artes aquilo que eu não enxergo, mesmo com os olhos bem abertos, ficando assim sem compreender as profundezas do escritor que vive em Lanzarote, descontente com a azinhaga grande onde nasceu, ou as subtilezas de um Picasso que, em duas pinceladas, diz tudo aquilo que lhe vai na alma e eu, às vezes, não sou capaz de expressar o que me vai cá dentro, porque este mundo em que vivo anda às avessas e eu não quero que assim aconteça, mas não sou capaz de o mudar.
Calo-me, por hoje, com este desabafo, à espera que haja melhores dias.
Acredito piamente que eles não deixarão de bater às nossas portas. Venham!
Desta minha varanda, que à serra chega sempre com um simples olhar, procuro um outro mundo e só me sai este que anda apodrecido, que vê as bolsas vazias, o petróleo a descer na origem e a subir nas bombas, o senado e a câmara dos representantes na América a darem razão a Obama, que perde, entretanto, em Israel a oportunidade, talvez, de encontrar uma nesga para a paz, os soldados em Mirandela a pensar no Kosovo, o meu país a ver que as janelas se fecham e que as novas oportunidades, amanhã, devem ser um outro qualquer engano, a educação sem professores ou em guerra aberta com a tutela e uma sociedade civil que tem um longo caminho a percorrer para conseguir a sua emancipação.
Razão têm as minhas filhas que se enriquecem com Saramago e outros vultos da nossa cultura, ou que lêem nas artes aquilo que eu não enxergo, mesmo com os olhos bem abertos, ficando assim sem compreender as profundezas do escritor que vive em Lanzarote, descontente com a azinhaga grande onde nasceu, ou as subtilezas de um Picasso que, em duas pinceladas, diz tudo aquilo que lhe vai na alma e eu, às vezes, não sou capaz de expressar o que me vai cá dentro, porque este mundo em que vivo anda às avessas e eu não quero que assim aconteça, mas não sou capaz de o mudar.
Calo-me, por hoje, com este desabafo, à espera que haja melhores dias.
Acredito piamente que eles não deixarão de bater às nossas portas. Venham!
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Manuela Ferreira Leite em dois tempos
Começo por dizer que simpatizo com o ar sereno e calmo da Dra. Manuela Ferreira Leite e que sinto que, intimamente, pensa conseguir para Portugal o que para nós, cidadãos e portugueses, é o melhor caminho.
O seu percurso, os seus conhecimentos, o seu curriculum dão-nos alguma tranquilidade. O que diz e o que omite, talvez até mais neste último aspecto, são a prova disso mesmo. Sem embarcar em montra para inglês ver, sei que quer governar bem e com certeza nas medidas a tomar.
Mas há um problema: o desfasamento entre a história que, um dia, lhe dará razão e o tempo actual, aquele que interessa ao nosso dia a dia e que exige uma outra postura, com muito mais energia e menos reflexão.
Hora a hora, estamos à espera de ver sair do fundo do túnel uma qualquer luz que ilumine as trevas que estamos a viver. É isso que tarda na Dra.Manuela Ferreira Leite. A citada história apreciará as suas ideias, mas o país, agora, precisa de uma atitude diferente, um caminho imediato que nos mostre que é possível sair deste impasse, deste andar para trás, deste desânimo, deste desassossego.
Aqui reside o âmago da questão: ou mostra tal capacidade, ou então ter-se-á de procurar outro alguém que a história talvez não venha a entender, mas os portugueses acabam, no imediato, por aceitar, porque é de pressa, é de uma acelerada urgência que se faz o seu futuro.
Ficar a aguardar a escrita da história é bonito, mas não enche barriga, nestes momentos.
Tenho pena que assim aconteça, mas há outras vias que não podem deixar de aparecer, se MFL não quiser deixar, por uns dias, de ser ela própria, para se afirmar como a líder que urge pôr em funcionamento a todo o vapor.
É de velocidade e premência que se fala, não de história, infelizmente. Essa ficará para mais tarde, claro.
O seu percurso, os seus conhecimentos, o seu curriculum dão-nos alguma tranquilidade. O que diz e o que omite, talvez até mais neste último aspecto, são a prova disso mesmo. Sem embarcar em montra para inglês ver, sei que quer governar bem e com certeza nas medidas a tomar.
Mas há um problema: o desfasamento entre a história que, um dia, lhe dará razão e o tempo actual, aquele que interessa ao nosso dia a dia e que exige uma outra postura, com muito mais energia e menos reflexão.
Hora a hora, estamos à espera de ver sair do fundo do túnel uma qualquer luz que ilumine as trevas que estamos a viver. É isso que tarda na Dra.Manuela Ferreira Leite. A citada história apreciará as suas ideias, mas o país, agora, precisa de uma atitude diferente, um caminho imediato que nos mostre que é possível sair deste impasse, deste andar para trás, deste desânimo, deste desassossego.
Aqui reside o âmago da questão: ou mostra tal capacidade, ou então ter-se-á de procurar outro alguém que a história talvez não venha a entender, mas os portugueses acabam, no imediato, por aceitar, porque é de pressa, é de uma acelerada urgência que se faz o seu futuro.
Ficar a aguardar a escrita da história é bonito, mas não enche barriga, nestes momentos.
Tenho pena que assim aconteça, mas há outras vias que não podem deixar de aparecer, se MFL não quiser deixar, por uns dias, de ser ela própria, para se afirmar como a líder que urge pôr em funcionamento a todo o vapor.
É de velocidade e premência que se fala, não de história, infelizmente. Essa ficará para mais tarde, claro.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
" Chipado" de todo
Só me faltava mais esta: ter um "chip" no carro para saber meus passos, para poder aceder aos meus bolsos, via SCUT, assim que seja oportuno - talvez não em 2009, valha-nos isso!
De controlo em controlo, a minha radiografia está sempre na ordem do dia. Sou controlado no banco, no supermercado, nos CTT, nas finanças, na missa, no cemitério, no cinema, na associação, no departamento governamental, no tribunal, na rua, no metro, no autocarro, não sei se no telefone, para agora me virem, por seis meses, oferecer de borla mais um instrumento de quebra da minha liberdade!... Bolas, isto é demais.
Com tanta gana em tudo saber de mim, qualquer dia pedem-me um raio X ao estômago, uma ecografia do coração, uma TAC da cabeça, um atestado de sanidade mental, um registo criminal, um BI cheio de informações que as máquinas até terão dificuldades em descodificar. Carregado até às orelhas com esta tralhada, não me sobra espaço para ser eu próprio, um sujeito individualizado, uma pessoa, um cidadão, um ser pensante. Sou apenas aquilo que os outros querem que eu venha a ser. Não. Não. Não.
Se teimam em levar por diante este apagamento de mim mesmo, que pouco mais espaço livre tenho que a casa de banho ( por enquanto ) e talvez a pacatez da cama, mais tarde ou mais cedo não tardará em que me venha a filiar num qualquer movimento anarquista, daqueles que me permitem respirar, refilar, andar por onde quiser, recusar, como Agostinho da Silva, qualquer documento, desde o citado BI ao todo poderoso e devassador número de contribuinte.
Com esta pressa em me esmagar, antes de ter o pé em cima do pescoço, é hora de gritar: BASTA!
Já agora, se querem fazer um favor completo, tragam-me essa grilheta a casa, aqui bem perto do A25, onde cheira a Oliveira de Frades, quando do mar se vai para a serra.
Mas perguntem primeiro se podem entrar. Como não vêm por bem, ficam à porta, de certeza, ainda que, com tal descortesia, pareça mal educado. Mas antes assim que amordaçado, atolhado de "açaimos" que um ser humano não pode aceitar de bom grado.
De controlo em controlo, a minha radiografia está sempre na ordem do dia. Sou controlado no banco, no supermercado, nos CTT, nas finanças, na missa, no cemitério, no cinema, na associação, no departamento governamental, no tribunal, na rua, no metro, no autocarro, não sei se no telefone, para agora me virem, por seis meses, oferecer de borla mais um instrumento de quebra da minha liberdade!... Bolas, isto é demais.
Com tanta gana em tudo saber de mim, qualquer dia pedem-me um raio X ao estômago, uma ecografia do coração, uma TAC da cabeça, um atestado de sanidade mental, um registo criminal, um BI cheio de informações que as máquinas até terão dificuldades em descodificar. Carregado até às orelhas com esta tralhada, não me sobra espaço para ser eu próprio, um sujeito individualizado, uma pessoa, um cidadão, um ser pensante. Sou apenas aquilo que os outros querem que eu venha a ser. Não. Não. Não.
Se teimam em levar por diante este apagamento de mim mesmo, que pouco mais espaço livre tenho que a casa de banho ( por enquanto ) e talvez a pacatez da cama, mais tarde ou mais cedo não tardará em que me venha a filiar num qualquer movimento anarquista, daqueles que me permitem respirar, refilar, andar por onde quiser, recusar, como Agostinho da Silva, qualquer documento, desde o citado BI ao todo poderoso e devassador número de contribuinte.
Com esta pressa em me esmagar, antes de ter o pé em cima do pescoço, é hora de gritar: BASTA!
Já agora, se querem fazer um favor completo, tragam-me essa grilheta a casa, aqui bem perto do A25, onde cheira a Oliveira de Frades, quando do mar se vai para a serra.
Mas perguntem primeiro se podem entrar. Como não vêm por bem, ficam à porta, de certeza, ainda que, com tal descortesia, pareça mal educado. Mas antes assim que amordaçado, atolhado de "açaimos" que um ser humano não pode aceitar de bom grado.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
UMJA - Oliveira de Frades
Descobri há dias uma Banda Filarmónica que me pareceu um doce: a UMJA - União Musical Juventude e Amizade, da Sobreira - Oliveira de Frades.
Composta por gente nova e cheia de valor, ali se aprende, se ensaia e toca música de primeira, mesmo que esteja a "viver" em instalações emprestadas, com cara de garagem, fruto de muita carolice colectiva e individual e grande vontade cultural.
Com dez anos de grande animação, conseguiu agora o sonho de encontrar, ao que me disseram, uma casa nova, em parceria com outra Associação local, que acaba de ser construída, a partir de um projecto aprovado e financiado pela ADDLAP e Câmara Municipal de Oliveira de Frades, nos anos de 20032004 e agora concluída.
Esta é uma boa prenda, mas, dizem-nos, falta dar grandes passos, de modo a mobilar e apetrechar o citado edifício. É aqui que cabe bem este apelo: um pedido de ajuda a todas aquelas entidades públicas e aos particulares que queiram colaborar com um projecto feito por gente de pouca idade, mas de muito valor, dedicação, coragem e desprendimento, porque só assim se consegue manter de pé uma colectividade com tal envergadura, que se associa a outra com um pouco mais de idade, mas que mostrou assim boa vontade, cedendo as suas instalações, por protocolo entre as duas intervenientes.
Para que a UMJA possa ser feliz e para nosso enriquecimento colectivo, venham daí os apoios, que aquela gente agradece e bem merece.
Composta por gente nova e cheia de valor, ali se aprende, se ensaia e toca música de primeira, mesmo que esteja a "viver" em instalações emprestadas, com cara de garagem, fruto de muita carolice colectiva e individual e grande vontade cultural.
Com dez anos de grande animação, conseguiu agora o sonho de encontrar, ao que me disseram, uma casa nova, em parceria com outra Associação local, que acaba de ser construída, a partir de um projecto aprovado e financiado pela ADDLAP e Câmara Municipal de Oliveira de Frades, nos anos de 20032004 e agora concluída.
Esta é uma boa prenda, mas, dizem-nos, falta dar grandes passos, de modo a mobilar e apetrechar o citado edifício. É aqui que cabe bem este apelo: um pedido de ajuda a todas aquelas entidades públicas e aos particulares que queiram colaborar com um projecto feito por gente de pouca idade, mas de muito valor, dedicação, coragem e desprendimento, porque só assim se consegue manter de pé uma colectividade com tal envergadura, que se associa a outra com um pouco mais de idade, mas que mostrou assim boa vontade, cedendo as suas instalações, por protocolo entre as duas intervenientes.
Para que a UMJA possa ser feliz e para nosso enriquecimento colectivo, venham daí os apoios, que aquela gente agradece e bem merece.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Alcochete na moda
Esta é uma terra que, por um motivo ou por outro, tem a sina de andar sempre nos píncaros da lua, ora positiva, ora negativamente.
Há meses, ganhou o Aeroporto à Ota, depois de ter ali visto chegar, nos anos noventa do milénio anterior, uma grande ponte. Com estas conquistas, umas passadas, outras em carteira, se o pacote das grandes obras não for por água abaixo, Alcochete pode dar-se por muito feliz e contente, batendo palmas a torto e a direito.
Mas, no lado negro desta sua moeda, eis que chega o Freeport com toda a carga de complicações, de dúvidas, de incertezas, de inquietações. De um momento para o outro, desta terra ribatejana tanto nasce o sol quente, como chove uma água fria e arrasadora, uma neve escura, um granizo devastador, acompanhado de ventos ciclónicos, que tudo varrem na sua frente.
Agora, está-se na fase má da sua existência. Toda a gente fala de Alcochete, mas pelos piores motivos. Dali, que esse não seja o desfecho desta contenda luso-britânica, tanto se pode aceder à bonança, mas com marcas negativas, como à derrocada final, com o governo - e esse é um cenário que não deve ficar de fora de todas as conjecturas - a estatelar-se no chão, sem honra nem glória.
Defensores da subida ao poder pela porta grande, esta não é, de maneira nenhuma, aquela que queremos ver aberta. Confiando na justiça, dela esperamos verdade, seriedade e celeridade.
Desejamos, no entanto, que os maus presságios se não confirmem, porque não queremos assistir à passagem à história esta linda zona de Alcochete, que cheira a Tejo e a touros por todos os lados, como a portadora de um motivo que nos preocupa: a possível queda do Eng. José Sócrates...
Que assim não venha a acontecer, sinal de que o fumo agora denso não corresponde a qualquer chama. É bom para o Primeiro-Ministro e para o país, que tem muito mais com que se preocupar.
A haver mudança, que seja pela disputa eleitoral e pela existência de alternativas, nunca por caminhos ínvios, que são tudo menos verdade eleitoral.
Há meses, ganhou o Aeroporto à Ota, depois de ter ali visto chegar, nos anos noventa do milénio anterior, uma grande ponte. Com estas conquistas, umas passadas, outras em carteira, se o pacote das grandes obras não for por água abaixo, Alcochete pode dar-se por muito feliz e contente, batendo palmas a torto e a direito.
Mas, no lado negro desta sua moeda, eis que chega o Freeport com toda a carga de complicações, de dúvidas, de incertezas, de inquietações. De um momento para o outro, desta terra ribatejana tanto nasce o sol quente, como chove uma água fria e arrasadora, uma neve escura, um granizo devastador, acompanhado de ventos ciclónicos, que tudo varrem na sua frente.
Agora, está-se na fase má da sua existência. Toda a gente fala de Alcochete, mas pelos piores motivos. Dali, que esse não seja o desfecho desta contenda luso-britânica, tanto se pode aceder à bonança, mas com marcas negativas, como à derrocada final, com o governo - e esse é um cenário que não deve ficar de fora de todas as conjecturas - a estatelar-se no chão, sem honra nem glória.
Defensores da subida ao poder pela porta grande, esta não é, de maneira nenhuma, aquela que queremos ver aberta. Confiando na justiça, dela esperamos verdade, seriedade e celeridade.
Desejamos, no entanto, que os maus presságios se não confirmem, porque não queremos assistir à passagem à história esta linda zona de Alcochete, que cheira a Tejo e a touros por todos os lados, como a portadora de um motivo que nos preocupa: a possível queda do Eng. José Sócrates...
Que assim não venha a acontecer, sinal de que o fumo agora denso não corresponde a qualquer chama. É bom para o Primeiro-Ministro e para o país, que tem muito mais com que se preocupar.
A haver mudança, que seja pela disputa eleitoral e pela existência de alternativas, nunca por caminhos ínvios, que são tudo menos verdade eleitoral.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Abertura do ano judicial
Com pompa e muita circunstância " abriu " hoje o ano judicial português. Não fosse algo irónico, diríamos que a justiça tem estado fechada tempo demais e, agora, quando dela se fala é dela mesmo que se trata, quando, tal como os árbitros, será tanto melhor quanto mais se esconder.
Mas não é isso, infelizmente, que tem acontecido: ora são os advogados a vociferar contra os juízes e procuradores, ora são estes a responder em tom muito sindical e pouco judicial, ora é tudo ao molho e fé em Deus...
Numa altura em que se exige e se pede, quase encarecidamente, que a senhora digna de olhos vendados se porte à altura dos seus pergaminhos, não é bom sabermos que por ali se vive um clima de excessiva agitação interna, pois até a judiciária não deixa de, com alguma frequência, mandar a sua bicada.
Foi então num tom que não gostamos de ouvir que cada "capelinha" defendeu a sua dama, para aparecer alguma água por cima desta fervura, saída do cântaro presidencial, a voz das vozes que ali se escutaram. Fora isso, a não ser a ausência do primeiro-ministro, por entre aquele aparato e passagem de modelos, pouco se viu de diferente das edições anteriores.
Estranhamos ainda que esta cerimónia tenha surgido largos meses depois da abertura na prática dos respectivos trabalhos anuais. Será que, assim, se quis confirmar o proverbial atraso das decisões judiciais, ou tal veio a suceder porque estiveram à espera que o Eng. José Sócrates tivesse a agenda sobrecarregada, ele que tanto correu, há meses atrás, duma ponta a outra do mundo, quando presidiu à UE?
Mas o que mais me incomoda, para além das quesílias referidas, é o facto de, em Abril, se lançar o novo e experimental mapa judiciário, que junta, que cria super comarcas, que divide tarefas e competências por vários locais, que põe o cível em Vila Velha da Raia e as causas menores em Á-do-Mar e assim sucessivamente, a ponto de forçar o cidadão, para tratar dos seus casos, a repartir-se por localidades sem fim dessa nova organização espacial e funcional.
Se queremos e devemos ter uma justiça célere, justa ( com um pleonasmo bem reforçado ), equitativa, igual quanto puder ser, não é menos verdade que também deve primar pela proximidade. Afastá-la dos seus eventuais utentes é desviá-los de a ela se aceder, assim se perdendo aquilo que ela tem de mais nobre: a sua postura universal, a sua acessibilidade facilitada.
Como sentimos que, às vezes, as experiências ficam em águas de bacalhau, que assim seja também neste caso.
Mas não é isso, infelizmente, que tem acontecido: ora são os advogados a vociferar contra os juízes e procuradores, ora são estes a responder em tom muito sindical e pouco judicial, ora é tudo ao molho e fé em Deus...
Numa altura em que se exige e se pede, quase encarecidamente, que a senhora digna de olhos vendados se porte à altura dos seus pergaminhos, não é bom sabermos que por ali se vive um clima de excessiva agitação interna, pois até a judiciária não deixa de, com alguma frequência, mandar a sua bicada.
Foi então num tom que não gostamos de ouvir que cada "capelinha" defendeu a sua dama, para aparecer alguma água por cima desta fervura, saída do cântaro presidencial, a voz das vozes que ali se escutaram. Fora isso, a não ser a ausência do primeiro-ministro, por entre aquele aparato e passagem de modelos, pouco se viu de diferente das edições anteriores.
Estranhamos ainda que esta cerimónia tenha surgido largos meses depois da abertura na prática dos respectivos trabalhos anuais. Será que, assim, se quis confirmar o proverbial atraso das decisões judiciais, ou tal veio a suceder porque estiveram à espera que o Eng. José Sócrates tivesse a agenda sobrecarregada, ele que tanto correu, há meses atrás, duma ponta a outra do mundo, quando presidiu à UE?
Mas o que mais me incomoda, para além das quesílias referidas, é o facto de, em Abril, se lançar o novo e experimental mapa judiciário, que junta, que cria super comarcas, que divide tarefas e competências por vários locais, que põe o cível em Vila Velha da Raia e as causas menores em Á-do-Mar e assim sucessivamente, a ponto de forçar o cidadão, para tratar dos seus casos, a repartir-se por localidades sem fim dessa nova organização espacial e funcional.
Se queremos e devemos ter uma justiça célere, justa ( com um pleonasmo bem reforçado ), equitativa, igual quanto puder ser, não é menos verdade que também deve primar pela proximidade. Afastá-la dos seus eventuais utentes é desviá-los de a ela se aceder, assim se perdendo aquilo que ela tem de mais nobre: a sua postura universal, a sua acessibilidade facilitada.
Como sentimos que, às vezes, as experiências ficam em águas de bacalhau, que assim seja também neste caso.
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