Por nos terem chegado sinais altamente preocupantes do sistema escolar alemão, como já aconteceu nos EUA, no Canadá, na Finlândia e tantos outros países ditos desenvolvidos, somos levados a concluir que algo de extraordinário tem de ser repensado: quando a morte chega, brutal e repentinamente aos estabelecimentos de ensino, com as vítimas a tombarem às mãos de alguém que assim procede sem que nada o faça adivinhar, ou evitar, há um grito de revolta e de alerta que importa activar.
Morrer desta forma não é a melhor recomendação para a instituição educativa, para tudo quanto o homem sonhou, projectou e pôs em marcha nas últimas centenas de anos. Aqueles que assim partiram, que merecem uma palavra de recordação e um voto de solidariedade enviado aos familiares enlutados, obrigam a que partamos para outros modelos que este, assim se deve deduzir, enterrou-se por completo.
Talvez seja a escola de massas, que mostra, pelos trágicos acontecimentos, estar em decadência, o motor da discórdia, talvez se devam tais atitudes ao amontoar de alunos, em despejá-los dentro de quatro paredes rodeadas de arame farpado e controladas por policiamento armado - triste ironia, infeliz desfecho! -, talvez a sociedade ande demasiado ocupada com questões menores, talvez seja a família que, ao implodir, se afastou de todos os seus rebentos, talvez sejam as diversas entidades governativas a deixarem de fazer o que devem, talvez sejam todas as novas pedagogias a rebentarem pelas costuras de tanta teoria, talvez sejamos nós todos que não sabemos encarar o mundo em que vivemos. Talvez... Talvez... Talvez...
Neste mar de dúvidas, voltamo-nos para a escola de proximidade, para a educação pessoalizada, personalidade e absolutamente humanizada, para instituições controláveis, para mecanismos que tenham a família muito perto, para programas de formação de educadores que se apliquem e entreguem a valores e conhecimentos, por esta ordem e não a inversa, para, enfim, uma nova escola que reinvente o espírito grego, a mensagem cristã e as referências que herdámos e, aos poucos, temos vindo a desprezar.
É preciso a escola da vida, que só ela pode evitar o desastre, que assim se prevê altamente catastrófico e lamentável, pelo que é urgente voltar estas páginas de uma enorme tristeza e encontrar novos e melhores caminhos.
quarta-feira, 11 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
A mulher no centro do mundo
Demorou, mas chegou: a mulher, um dia, começou a avançar para a cidadania plena, que lhe era recusada sistematicamente, como tantas outras injustiças que ainda hoje se mantêm, para ver que podia fazer o caminho da igualdade total e sem quaisquer pontos de interrogação, ou de dúvidas habilidosamente colocadas por quem se sentia dono e senhor do mundo.
Deu-se essa saudável ruptura com uma tradição obsoleta - prova de que nem tudo o que herdámos faz regra -no dia oito de Março de um ano que já lá vai há muito tempo. Por isso, neste domingo, as mulheres da minha casa, que muito amo e admiro, deixaram-me aqui sozinho, mas não desamparado, para festejarem um tempo que lhes pertence por inteiro. Quero, aqui e agora, pedir-lhe desculpa por tantos dias de saída de casa, de idas para todo o lado e lado nenhum, de fugas para quanto era canto de escapadela, política e social, para as reuniões partidárias, dos bombeiros, das bandas, dos futebóis, da escola, dos jornais, das rádios, das faculdades, das formações, dos encontros com amigos, das jantaradas, das noitadas e coisas que tais.
Ao usar esses " privilégios ", as damas da minha casa viram-se sem mim tempos atrás de tempos, estatuto de que talvez tenha usado e abusado de uma forma desmesurada e até inaceitável, pelo que um dia de consagração do seu lugar como gente da minha gente é pouco, é muito pouco, é uma espécie de migalha, porque merecem muito mais: o tempo que usei a mais devo pagar-lho com juros de maré alta e nunca de taxas " Euribor " de meia tigela.
Às mulheres da minha vida, olhos nos olhos, digo francamente: agarrem este oito de Março, mas desfaçam-se dele quanto antes, porque, tal como o Natal acontece todos os dias, estas comemorações só são boas, só têm significado absoluto, quando desaparecerem de vez.
Dias disto ou daquilo cheiram-me sempre a falta de uma dimensão essencial no campo da humanidade que devemos viver: são um espinho cravado nas consciências de quem sente que tem culpas no cartório. Só a vivência total e em comum de tudo quanto é valor universal tem a marca de uma sociedade justa e humana, que, infelizmente, ainda não atingimos.
Venha ela, hoje mesmo!
Deu-se essa saudável ruptura com uma tradição obsoleta - prova de que nem tudo o que herdámos faz regra -no dia oito de Março de um ano que já lá vai há muito tempo. Por isso, neste domingo, as mulheres da minha casa, que muito amo e admiro, deixaram-me aqui sozinho, mas não desamparado, para festejarem um tempo que lhes pertence por inteiro. Quero, aqui e agora, pedir-lhe desculpa por tantos dias de saída de casa, de idas para todo o lado e lado nenhum, de fugas para quanto era canto de escapadela, política e social, para as reuniões partidárias, dos bombeiros, das bandas, dos futebóis, da escola, dos jornais, das rádios, das faculdades, das formações, dos encontros com amigos, das jantaradas, das noitadas e coisas que tais.
Ao usar esses " privilégios ", as damas da minha casa viram-se sem mim tempos atrás de tempos, estatuto de que talvez tenha usado e abusado de uma forma desmesurada e até inaceitável, pelo que um dia de consagração do seu lugar como gente da minha gente é pouco, é muito pouco, é uma espécie de migalha, porque merecem muito mais: o tempo que usei a mais devo pagar-lho com juros de maré alta e nunca de taxas " Euribor " de meia tigela.
Às mulheres da minha vida, olhos nos olhos, digo francamente: agarrem este oito de Março, mas desfaçam-se dele quanto antes, porque, tal como o Natal acontece todos os dias, estas comemorações só são boas, só têm significado absoluto, quando desaparecerem de vez.
Dias disto ou daquilo cheiram-me sempre a falta de uma dimensão essencial no campo da humanidade que devemos viver: são um espinho cravado nas consciências de quem sente que tem culpas no cartório. Só a vivência total e em comum de tudo quanto é valor universal tem a marca de uma sociedade justa e humana, que, infelizmente, ainda não atingimos.
Venha ela, hoje mesmo!
sábado, 7 de março de 2009
Magalhães e Assembleia da República
Aqui estão dois temas que parecem nada ter a ver um com o outro. À primeira vista, assim é. Mas, na verdade, estamos perante algumas semelhanças e outras tantas condições: na Assembleia da República são, ao que pudemos apurar nos últimos dias, velhos os métodos, quase a descambarem para o duelo, enquanto que o novo " Magalhães " , uma das bandeiras içadas bem alto deste nosso governo, também nasceu com vícios de outrora - o mal do improviso, o deixa-andar, o pouco cuidado que pomos nas causas públicas, o fraquíssimo grau de exigência que temos connosco próprios... Só se compreendem as grosseiras falhas, agora detectadas, a esta luz, por sinal bem fraca e demasiado " morriça ". De outra forma, o computador milagreiro não sairia com erros de palmatória, com aquele estendal de mau português, com programas de deitar ao lixo e pedidos de desculpas um tanto esfarrapados.
Se me envergonha o que se passou na AR, que é de repudiar e de criticar asperamente, para não dizer que aqueles deputados deram um péssimo contributo à democracia, as peripécias em que vemos envolvido o "querido Magalhães" são bem mais graves, porque se espalham por tudo quanto é sítio e as actas da AR disso nada farão constar, que as gravações pifaram em cima do acontecimento, o tal da quase bordoada de todo o tamanho...
Se nos nossos representantes algo vai mal - talvez , desde logo, pelo mecanismos de acesso - nas novas tecnologias estamos a provar que não somos grandes peritos, antes pelo contrário.
Com linguagem a mais e despropositada num sítio onde ela deveria primar pela beleza de um português de primeira água , pela elegância e pela sua apurada qualidade, no outro, é a escrita de base que anda pelas ruas da amargura.
Com tanta fartura de asneiras, venha o diabo e escolha.
Por nós, a opção está feita: "va de retro" quem assim se comporta e quem permitiu que, no Magalhães, entrasse tal vírus, o mais perigoso de todos, porque cheira demasiado a crassa ignorância.
Se me envergonha o que se passou na AR, que é de repudiar e de criticar asperamente, para não dizer que aqueles deputados deram um péssimo contributo à democracia, as peripécias em que vemos envolvido o "querido Magalhães" são bem mais graves, porque se espalham por tudo quanto é sítio e as actas da AR disso nada farão constar, que as gravações pifaram em cima do acontecimento, o tal da quase bordoada de todo o tamanho...
Se nos nossos representantes algo vai mal - talvez , desde logo, pelo mecanismos de acesso - nas novas tecnologias estamos a provar que não somos grandes peritos, antes pelo contrário.
Com linguagem a mais e despropositada num sítio onde ela deveria primar pela beleza de um português de primeira água , pela elegância e pela sua apurada qualidade, no outro, é a escrita de base que anda pelas ruas da amargura.
Com tanta fartura de asneiras, venha o diabo e escolha.
Por nós, a opção está feita: "va de retro" quem assim se comporta e quem permitiu que, no Magalhães, entrasse tal vírus, o mais perigoso de todos, porque cheira demasiado a crassa ignorância.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Inverno tardio
Cá em casa, já as roupas de inverno tinham caminhado para o sótão, quando, agora, esta pesada estação do ano se lembrou de reaparecer, ventanosa, áspera, tão dura como os tempos idos de há dias. Lembrei-me, então, de um velho ditado, aqui meio improvisado: "não corras antecipadamente demais, que não sabes o que vem aí"... Sei que assim não falou ningúem que tenha feito escola popular, mas tem de haver sempre uma primeira vez. Para este "provérbio",
esse tempo chegou agora mesmo.
Com o céu revoltado, com sopros de meter medo, com árvores a caírem de pé, com ribanceiras e muros a não serem capazes de aguentar a força da natureza, que nem sempre é meiga, dei comigo, passando para além de tudo isso, a ir até terras que, a partir de um dia qualquer, iniciaram um percurso comum connosco próprios: fui ter à Guiné-Bissau.
Ali, a atmosfera é, nestes momentos e desde há tempos infindos, um mar de problemas. Tudo parece desabar e não apenas uma árvore, uma parede, um telhado. De repente e uma vez mais, sente-se que, infelizmente, é todo um país a afundar-se, é todo um sonho a enterrar-se, é a nossa cultura, parte dela, a mostrar que também fracassou um pouco, porque não foi capaz de ajudar a criar o homem novo, nem deixou um legado que estivesse à altura de evitar que estas acções macabras algum dia pudessem continuar a repetir-se.
As mortes de Nino Vieira, Presidente da República de uma nação irmã, do Chefe das Forças Armadas do mesmo recanto, nas condições em que aconteceram e com a malvadez demonstrada, sobretudo, com a mais alta figura do estado da Guiné-Bissau, são uma das muitas vergonhas da nossa civilização, dita moderna.
Este é o mais triste de todos os invernos, por nos revelar que os homens, mesmo aqueles que connosco conviveram, não aprenderam elementares lições. Quando se nota, por actos, que se desce tão baixo, muito do que apregoámos veio a falhar redondamente. Perderam-se noções de reconhecimento das mais elementares regras de bom senso que pensávamos interiorizadas, sente-se, uma e outra vez, que, em África, por muito que nos custe assumir isto, se não fez tudo o que deveria ser feito, ou fomos maus pedagogos, maus exemplos, maus conselheiros e até maus irmãos, ou estamos a assistir, de novo, a um mundo tão hediondo, que nos faz interrogar tudo: afinal, valeu a pena por ali termos andado, ou nunca lá deveríamos ter ido?
Como quer que seja, naquele continente, noutro e noutro, está parte da nossa alma e, por isso, apetece-me desabafar: nunca pensei que, passados tantos anos, a morte, que sabemos ser um destino de todos nós, pudesse vir a ser encontrada de uma forma tão bárbara e tão cruel, pelo que é nosso dever dizer que os acontecimentos da Guíné nos entristecem, condenando-os de uma foram clara e sem tibiezas.
Não é esta a África que tenho, porque tenho, no coração.
Não é esta a cultura que abraço.
Não é esta a terra que defendemos como porta-estandarte daquilo que invadiu sempre a nossa alma: quisemos ajudar a conquistar a dignidade de todos os povos e o que se passou, ali, deixa muito a desejar.
Mesmo que não haja pão, nunca esta postura pode fazer caminho, pelo que é hora de a Guiné enveredar por outras vias, o que já tarda demais.
esse tempo chegou agora mesmo.
Com o céu revoltado, com sopros de meter medo, com árvores a caírem de pé, com ribanceiras e muros a não serem capazes de aguentar a força da natureza, que nem sempre é meiga, dei comigo, passando para além de tudo isso, a ir até terras que, a partir de um dia qualquer, iniciaram um percurso comum connosco próprios: fui ter à Guiné-Bissau.
Ali, a atmosfera é, nestes momentos e desde há tempos infindos, um mar de problemas. Tudo parece desabar e não apenas uma árvore, uma parede, um telhado. De repente e uma vez mais, sente-se que, infelizmente, é todo um país a afundar-se, é todo um sonho a enterrar-se, é a nossa cultura, parte dela, a mostrar que também fracassou um pouco, porque não foi capaz de ajudar a criar o homem novo, nem deixou um legado que estivesse à altura de evitar que estas acções macabras algum dia pudessem continuar a repetir-se.
As mortes de Nino Vieira, Presidente da República de uma nação irmã, do Chefe das Forças Armadas do mesmo recanto, nas condições em que aconteceram e com a malvadez demonstrada, sobretudo, com a mais alta figura do estado da Guiné-Bissau, são uma das muitas vergonhas da nossa civilização, dita moderna.
Este é o mais triste de todos os invernos, por nos revelar que os homens, mesmo aqueles que connosco conviveram, não aprenderam elementares lições. Quando se nota, por actos, que se desce tão baixo, muito do que apregoámos veio a falhar redondamente. Perderam-se noções de reconhecimento das mais elementares regras de bom senso que pensávamos interiorizadas, sente-se, uma e outra vez, que, em África, por muito que nos custe assumir isto, se não fez tudo o que deveria ser feito, ou fomos maus pedagogos, maus exemplos, maus conselheiros e até maus irmãos, ou estamos a assistir, de novo, a um mundo tão hediondo, que nos faz interrogar tudo: afinal, valeu a pena por ali termos andado, ou nunca lá deveríamos ter ido?
Como quer que seja, naquele continente, noutro e noutro, está parte da nossa alma e, por isso, apetece-me desabafar: nunca pensei que, passados tantos anos, a morte, que sabemos ser um destino de todos nós, pudesse vir a ser encontrada de uma forma tão bárbara e tão cruel, pelo que é nosso dever dizer que os acontecimentos da Guíné nos entristecem, condenando-os de uma foram clara e sem tibiezas.
Não é esta a África que tenho, porque tenho, no coração.
Não é esta a cultura que abraço.
Não é esta a terra que defendemos como porta-estandarte daquilo que invadiu sempre a nossa alma: quisemos ajudar a conquistar a dignidade de todos os povos e o que se passou, ali, deixa muito a desejar.
Mesmo que não haja pão, nunca esta postura pode fazer caminho, pelo que é hora de a Guiné enveredar por outras vias, o que já tarda demais.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Um dia depois...
Ontem o sol em Espinho, se é que ele apareceu, veio-nos sorrateiro pela voz do Eng.José Sócrates. No céu escuro das nossas vidas, das suas palavras se conclui que, em 2009, ou temos esses raios luminosos, ou o dilúvio. Não há meio termo: ou uma confortável maioria absoluta, ou a desgraça nacional. Mas a haver esse resultado, é claro, só pode ser do seu PS, que a oposição, disse, é um deserto, para onde quer que se olhe.
Para não haver qualquer espécie de dúvida a esse propósito, o PCP não serve, porque toca sempre o mesmo sino, o BE é um ninho de ratos - veja-se o que aconteceu ao Zé que tanta falta fazia - o PSD repescou dirigentes de um passado tenebroso, o CDS-PP seguiu esse triste exemplo, o PEV não passa de um apêndice e montra do citado PCP, logo, para tratar da querida pátria só temos o PS, só o partido da rosa, agora mais vermelha e/ou encarnada, de acordo com o salvador das Europeias e da esquerda ressuscitada, Dr. Vital Moreira, o homem da Coimbra académica e da Bairrada do espumante e do leitão, numa resposta ao vizinho Manuel Alegre, um aguedense de quatro costados e um neto do patrono do velho estádio do Beira-Mar, o conhecido " Mário Duarte ".
Conhecedor destas rivalidades e necessidades, de modo a contentar todos os flancos, o Eng. José Sócrates baralhou, deu, tirou, voltou a dar, pôs as cartas na mesa e proclamou: aqui, neste pedestal, o sol sou eu e mais ninguém. No túmulo, revirou-se Luís XIV, sentindo que estava prestes a perder esse pendor astral.
Foi assim o dia de ontem, o de anteontem, o de anteanteontem, os anteriores próximos e, talvez, os tempos que aí vêm. Dali saiu, forte e vitorioso, o homem de todas as forças, porque ninguém ousou contestá-lo. Num Congresso de mudos e de palmas, nada mais seria de esperar.
Mas hoje é outro dia.
É o amanhã de Espinho e agora toca a andar.
Mas de sol pouco vemos, porque até os homens e as mulheres do tempo vêm-nos dizer que vai chover, que os aguaceiros e o frio ainda não fizeram as malas.
Aguardemos.
Para não haver qualquer espécie de dúvida a esse propósito, o PCP não serve, porque toca sempre o mesmo sino, o BE é um ninho de ratos - veja-se o que aconteceu ao Zé que tanta falta fazia - o PSD repescou dirigentes de um passado tenebroso, o CDS-PP seguiu esse triste exemplo, o PEV não passa de um apêndice e montra do citado PCP, logo, para tratar da querida pátria só temos o PS, só o partido da rosa, agora mais vermelha e/ou encarnada, de acordo com o salvador das Europeias e da esquerda ressuscitada, Dr. Vital Moreira, o homem da Coimbra académica e da Bairrada do espumante e do leitão, numa resposta ao vizinho Manuel Alegre, um aguedense de quatro costados e um neto do patrono do velho estádio do Beira-Mar, o conhecido " Mário Duarte ".
Conhecedor destas rivalidades e necessidades, de modo a contentar todos os flancos, o Eng. José Sócrates baralhou, deu, tirou, voltou a dar, pôs as cartas na mesa e proclamou: aqui, neste pedestal, o sol sou eu e mais ninguém. No túmulo, revirou-se Luís XIV, sentindo que estava prestes a perder esse pendor astral.
Foi assim o dia de ontem, o de anteontem, o de anteanteontem, os anteriores próximos e, talvez, os tempos que aí vêm. Dali saiu, forte e vitorioso, o homem de todas as forças, porque ninguém ousou contestá-lo. Num Congresso de mudos e de palmas, nada mais seria de esperar.
Mas hoje é outro dia.
É o amanhã de Espinho e agora toca a andar.
Mas de sol pouco vemos, porque até os homens e as mulheres do tempo vêm-nos dizer que vai chover, que os aguaceiros e o frio ainda não fizeram as malas.
Aguardemos.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Uma dica para a polícia
Com óbvia extensão a todas as forças de segurança que operam na área de controle de trânsito, aqui oferecemos, com gosto, uma achega que nos parece interessante: por cada viatura observada, a emissão de um documento escrito, que, se for esse o caso, ateste o bom comportamento do seu condutor.
Assim, de uma forma simples, simpática e clara facultar-se-á um meio de prova que enche de orgulho quem o recebe e incita a que se prossiga na busca de mais diplomas desse teor. Em vez de se receber apenas os papéis com reprimendas e afins, esta actuação pela positiva dá muito mais gozo e mostra uma polícia com rasgos de pedagogia, atitude que é sempre de louvar.
Trata-se de um novo paradigma, que deixa de citar apenas as infracções, para destacar as boas práticas. É como se, em vez de se falar, por exemplo, em 8% de desempregados, se venha a colocar o enfoque em 92% de gente com trabalho...
Será, então, preciso mudar tudo: mentalidades, formação, empenho e consideração pelo cidadão, que, estamos certos, muito mais colaborante se tornará, ao ver que são recompensados os seus esforços em cumprir aquilo que é, afinal, uma sua obrigação, mas que, pelo reforço, poderá ser sempre melhorada.
Já nos vão dizer que não há papel para tudo isso. Aceitamos parcialmente o argumento, mas contrapomos de imediato: envie-se uma mensagem por telemóvel, por " email ", ou utilize-se material reciclado, o que é duplamente vantajoso.
Vá lá: não custa nada! É só começar... Boa sorte!
Assim, de uma forma simples, simpática e clara facultar-se-á um meio de prova que enche de orgulho quem o recebe e incita a que se prossiga na busca de mais diplomas desse teor. Em vez de se receber apenas os papéis com reprimendas e afins, esta actuação pela positiva dá muito mais gozo e mostra uma polícia com rasgos de pedagogia, atitude que é sempre de louvar.
Trata-se de um novo paradigma, que deixa de citar apenas as infracções, para destacar as boas práticas. É como se, em vez de se falar, por exemplo, em 8% de desempregados, se venha a colocar o enfoque em 92% de gente com trabalho...
Será, então, preciso mudar tudo: mentalidades, formação, empenho e consideração pelo cidadão, que, estamos certos, muito mais colaborante se tornará, ao ver que são recompensados os seus esforços em cumprir aquilo que é, afinal, uma sua obrigação, mas que, pelo reforço, poderá ser sempre melhorada.
Já nos vão dizer que não há papel para tudo isso. Aceitamos parcialmente o argumento, mas contrapomos de imediato: envie-se uma mensagem por telemóvel, por " email ", ou utilize-se material reciclado, o que é duplamente vantajoso.
Vá lá: não custa nada! É só começar... Boa sorte!
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Novamente, a Barragem de Ribeiradio
Há anos assistimos ao lançamento desta mesma Barragem, a de Ribeiradio, agora acrescentada com a da Ermida, na localidade onde esteve, esperemos que de vez, o Primeiro-Ministro, Eng. José Sócrates. Cremos que, então, ali se deslocou também, na sua qualidade de Ministro do Ambiente.
Vimo-la nascer, contactámos com os primeiros movimentos de terras, descobrimos mesmo um túnel que se escavava na encosta, rejubilámos com o início das obras, mas a justiça veio matar a nossa esperança. Um dia, as máquinas partiram, os operários cruzaram os braços, por força de decisões estranhas, os poderosos esgrimiram argumentos e quem perdeu foram as gentes de Ribeiradio e Couto de Esteves, os concelhos de Oliveira de Frades e Sever do Vouga e os povos do Baixo-Vouga que se viram, por anos, na contingência de ficar sem água no Verão.
Finalmente, eis o momento em que, de novo, se faz luz. Porque acreditamos na capacidade da parceria encontrada, mormente na Martifer e na EDP, vamos ter duas Barragens, de uma penada só e uma estrada a ligar as margens.
Concretiza-se um sonho de mais de sete décadas, homenageia-se o Eng. João Maia, que já não pode ver a "sua" obra, premeia-se o esforço do Dr. Manuel Soares e, passe a modéstia, do autor destas linhas, mas os vencedores são todos aqueles que sempre souberam esperar e desejar, trabalhando duro no sentido de este empreendimento, um dia - o que agora parece vir a acontecer - nascer em todo o seu esplendor.
O ambiente e a energia agradecem. A economia pode sentir-se mais animada.
O desemprego pode aqui levar um bom safanão. O turismo sorri.
E nós batemos palmas, muitas palmas.
Vive-se a festa. Venham depressa as Barragens!
Vimo-la nascer, contactámos com os primeiros movimentos de terras, descobrimos mesmo um túnel que se escavava na encosta, rejubilámos com o início das obras, mas a justiça veio matar a nossa esperança. Um dia, as máquinas partiram, os operários cruzaram os braços, por força de decisões estranhas, os poderosos esgrimiram argumentos e quem perdeu foram as gentes de Ribeiradio e Couto de Esteves, os concelhos de Oliveira de Frades e Sever do Vouga e os povos do Baixo-Vouga que se viram, por anos, na contingência de ficar sem água no Verão.
Finalmente, eis o momento em que, de novo, se faz luz. Porque acreditamos na capacidade da parceria encontrada, mormente na Martifer e na EDP, vamos ter duas Barragens, de uma penada só e uma estrada a ligar as margens.
Concretiza-se um sonho de mais de sete décadas, homenageia-se o Eng. João Maia, que já não pode ver a "sua" obra, premeia-se o esforço do Dr. Manuel Soares e, passe a modéstia, do autor destas linhas, mas os vencedores são todos aqueles que sempre souberam esperar e desejar, trabalhando duro no sentido de este empreendimento, um dia - o que agora parece vir a acontecer - nascer em todo o seu esplendor.
O ambiente e a energia agradecem. A economia pode sentir-se mais animada.
O desemprego pode aqui levar um bom safanão. O turismo sorri.
E nós batemos palmas, muitas palmas.
Vive-se a festa. Venham depressa as Barragens!
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