Meu caro Provedor de Justiça:
Sinto muito que os dois partidos, que deveriam arranjar a solução para o seu sucessor, se não entendam e, com essa vesga teimosia, o obriguem a continuar num cargo, praticamente sem nada poder fazer ou dizer, tal o vazio que o rodeia.
Entendo que esta falta de uma atitude conjunta é mais um sinal de que, em questões essenciais e de grande amplitude, o PS e o PSD estão longe de serem capazes de olhar a nossa terra com a atenção e o cuidado que ela nos deve merecer. Precisam, neste caso, duma severa reprimenda e dum bom esticão de orelhas, daqueles que doem de verdade e as deixam vermelhas, para mostrar a toda a gente a sua grande falta de bom senso...
Será assim tão difícil encontrar o consenso necessário, de modo a prover aquele cargo com a pessoa indicada e com o perfil certo? Será? Se assim acontece, o que dizer de outras esferas da nossa governação... Quem não serve para unir esforços, quando isso é absolutamente necessário, também não presta para desempenhar outras tarefas. Olhar o país apenas com o pensamento centrado na guerrilha política é pouco, é muito pouco para quem se perfila no horizonte para nos governar.
Meu caro Provedor:
Sei que está altamente descontente com tudo isto. Tem sobejas razões para assim se sentir. Mas não desanime: com esta gente, mostre ser bem melhor que todos eles. Aguente!
Se quer a minha opinião, ela aqui fica: mostre-lhe um sorriso, ainda que a custo, dizendo-lhes, de seguida, que a sua(deles) fraca figura só faz de si muito mais forte. E espere. Amanhã também será dia e o sol não deixará de aparecer. Tenha paciência!...
Dou-lhes uma sugestão, a eles que nem atam, nem desatam: escolham alguém que não se canse de lutar por uma justiça bem melhor que esta que temos à nossa frente. Venham ao povo e perguntem quem esta gente quer. Ouvirão dizer que assim não vamos a lado nenhum. Talvez isso os faça pensar e agir...
terça-feira, 17 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
Menino de Aveiro
Quem desaparece deixa sempre um traço amargo, que dificilmente se apagará. Mas o Menino de Aveiro, que a morte encontrou ali, mais inesperada que qualquer outra, mais dramática que aquelas que todos os dias nos batem à porta, mais dolorosa que quase todas as demais, não nos sai do pensamento.
Ao recordar aqueles momentos, que a comunicação social se encarregou de colocar à nossa frente, ainda tudo parece mentira, assemelha-se a um pesadelo que destrói tudo enquanto dura, mas que nos abandona no segundo em que se acorda. Infelizmente, agora estamos mesmo perante uma realidade que não se pode negar.
Tal como se fosse nosso, sentimos a sua falta, nunca mais o vemos sorrir. E isto dói-nos, fortemente, porque a certeza da morte já nós a assumimos há muito tempo, mas não desta forma tão precoce, tão injusta, tão cruel.
Mas é também imposssível não estarmos, nestes tempos de uma mágoa e de uma angústia sufocante, com os seus pais, acompanhando-os e, na medida do possível, consolando-os.
Hesitámos alguns dias antes de termos a coragem de aqui estamparmos o nosso desabafo e as nossas emoções. Mas acabámos por não resistir, como aqui se comprova.
É que, por entre todo este drama de dimensões incalculáveis, estamos a ver um pai destroçado, com uma cruz de um peso esmagador, que carregará por todos os seus dias, gostando de o ajudar a suportar essa tristeza, que deve ser duríssima a dor que sente. Bem maior que todas as outras, assim o presumimos.
Se pouco ou nada podemos fazer, aceite, Pai do Menino de Aveiro, nosso quase vizinho, um sinal de viva solidariedade, que temos o dever, por imperativo de seres humanos e cristãos, de o ajudar a suportar as picadas que lhe assolam o coração.
Sem conseguirmos imaginar, sequer, o que lhe vai na alma, adivinhamos que passa por tempos de pesadíssimas dificuldades e incertezas. Por isso, receba este nosso humilde apoio, crendo que o seu Filho, lá onde está, se sente bem, de certeza, apesar de ter partido, assim, em tão tenra idade.
A sua família, estendemos este sinal de simpatia, de solidariedade e até de uma amizade que este destino tão negro nos fez sentir por todos vós.
Coragem se é possível que isso possa acontecer. Que Deus vos ajude!
Ao recordar aqueles momentos, que a comunicação social se encarregou de colocar à nossa frente, ainda tudo parece mentira, assemelha-se a um pesadelo que destrói tudo enquanto dura, mas que nos abandona no segundo em que se acorda. Infelizmente, agora estamos mesmo perante uma realidade que não se pode negar.
Tal como se fosse nosso, sentimos a sua falta, nunca mais o vemos sorrir. E isto dói-nos, fortemente, porque a certeza da morte já nós a assumimos há muito tempo, mas não desta forma tão precoce, tão injusta, tão cruel.
Mas é também imposssível não estarmos, nestes tempos de uma mágoa e de uma angústia sufocante, com os seus pais, acompanhando-os e, na medida do possível, consolando-os.
Hesitámos alguns dias antes de termos a coragem de aqui estamparmos o nosso desabafo e as nossas emoções. Mas acabámos por não resistir, como aqui se comprova.
É que, por entre todo este drama de dimensões incalculáveis, estamos a ver um pai destroçado, com uma cruz de um peso esmagador, que carregará por todos os seus dias, gostando de o ajudar a suportar essa tristeza, que deve ser duríssima a dor que sente. Bem maior que todas as outras, assim o presumimos.
Se pouco ou nada podemos fazer, aceite, Pai do Menino de Aveiro, nosso quase vizinho, um sinal de viva solidariedade, que temos o dever, por imperativo de seres humanos e cristãos, de o ajudar a suportar as picadas que lhe assolam o coração.
Sem conseguirmos imaginar, sequer, o que lhe vai na alma, adivinhamos que passa por tempos de pesadíssimas dificuldades e incertezas. Por isso, receba este nosso humilde apoio, crendo que o seu Filho, lá onde está, se sente bem, de certeza, apesar de ter partido, assim, em tão tenra idade.
A sua família, estendemos este sinal de simpatia, de solidariedade e até de uma amizade que este destino tão negro nos fez sentir por todos vós.
Coragem se é possível que isso possa acontecer. Que Deus vos ajude!
quarta-feira, 11 de março de 2009
A escola a falhar
Por nos terem chegado sinais altamente preocupantes do sistema escolar alemão, como já aconteceu nos EUA, no Canadá, na Finlândia e tantos outros países ditos desenvolvidos, somos levados a concluir que algo de extraordinário tem de ser repensado: quando a morte chega, brutal e repentinamente aos estabelecimentos de ensino, com as vítimas a tombarem às mãos de alguém que assim procede sem que nada o faça adivinhar, ou evitar, há um grito de revolta e de alerta que importa activar.
Morrer desta forma não é a melhor recomendação para a instituição educativa, para tudo quanto o homem sonhou, projectou e pôs em marcha nas últimas centenas de anos. Aqueles que assim partiram, que merecem uma palavra de recordação e um voto de solidariedade enviado aos familiares enlutados, obrigam a que partamos para outros modelos que este, assim se deve deduzir, enterrou-se por completo.
Talvez seja a escola de massas, que mostra, pelos trágicos acontecimentos, estar em decadência, o motor da discórdia, talvez se devam tais atitudes ao amontoar de alunos, em despejá-los dentro de quatro paredes rodeadas de arame farpado e controladas por policiamento armado - triste ironia, infeliz desfecho! -, talvez a sociedade ande demasiado ocupada com questões menores, talvez seja a família que, ao implodir, se afastou de todos os seus rebentos, talvez sejam as diversas entidades governativas a deixarem de fazer o que devem, talvez sejam todas as novas pedagogias a rebentarem pelas costuras de tanta teoria, talvez sejamos nós todos que não sabemos encarar o mundo em que vivemos. Talvez... Talvez... Talvez...
Neste mar de dúvidas, voltamo-nos para a escola de proximidade, para a educação pessoalizada, personalidade e absolutamente humanizada, para instituições controláveis, para mecanismos que tenham a família muito perto, para programas de formação de educadores que se apliquem e entreguem a valores e conhecimentos, por esta ordem e não a inversa, para, enfim, uma nova escola que reinvente o espírito grego, a mensagem cristã e as referências que herdámos e, aos poucos, temos vindo a desprezar.
É preciso a escola da vida, que só ela pode evitar o desastre, que assim se prevê altamente catastrófico e lamentável, pelo que é urgente voltar estas páginas de uma enorme tristeza e encontrar novos e melhores caminhos.
Morrer desta forma não é a melhor recomendação para a instituição educativa, para tudo quanto o homem sonhou, projectou e pôs em marcha nas últimas centenas de anos. Aqueles que assim partiram, que merecem uma palavra de recordação e um voto de solidariedade enviado aos familiares enlutados, obrigam a que partamos para outros modelos que este, assim se deve deduzir, enterrou-se por completo.
Talvez seja a escola de massas, que mostra, pelos trágicos acontecimentos, estar em decadência, o motor da discórdia, talvez se devam tais atitudes ao amontoar de alunos, em despejá-los dentro de quatro paredes rodeadas de arame farpado e controladas por policiamento armado - triste ironia, infeliz desfecho! -, talvez a sociedade ande demasiado ocupada com questões menores, talvez seja a família que, ao implodir, se afastou de todos os seus rebentos, talvez sejam as diversas entidades governativas a deixarem de fazer o que devem, talvez sejam todas as novas pedagogias a rebentarem pelas costuras de tanta teoria, talvez sejamos nós todos que não sabemos encarar o mundo em que vivemos. Talvez... Talvez... Talvez...
Neste mar de dúvidas, voltamo-nos para a escola de proximidade, para a educação pessoalizada, personalidade e absolutamente humanizada, para instituições controláveis, para mecanismos que tenham a família muito perto, para programas de formação de educadores que se apliquem e entreguem a valores e conhecimentos, por esta ordem e não a inversa, para, enfim, uma nova escola que reinvente o espírito grego, a mensagem cristã e as referências que herdámos e, aos poucos, temos vindo a desprezar.
É preciso a escola da vida, que só ela pode evitar o desastre, que assim se prevê altamente catastrófico e lamentável, pelo que é urgente voltar estas páginas de uma enorme tristeza e encontrar novos e melhores caminhos.
domingo, 8 de março de 2009
A mulher no centro do mundo
Demorou, mas chegou: a mulher, um dia, começou a avançar para a cidadania plena, que lhe era recusada sistematicamente, como tantas outras injustiças que ainda hoje se mantêm, para ver que podia fazer o caminho da igualdade total e sem quaisquer pontos de interrogação, ou de dúvidas habilidosamente colocadas por quem se sentia dono e senhor do mundo.
Deu-se essa saudável ruptura com uma tradição obsoleta - prova de que nem tudo o que herdámos faz regra -no dia oito de Março de um ano que já lá vai há muito tempo. Por isso, neste domingo, as mulheres da minha casa, que muito amo e admiro, deixaram-me aqui sozinho, mas não desamparado, para festejarem um tempo que lhes pertence por inteiro. Quero, aqui e agora, pedir-lhe desculpa por tantos dias de saída de casa, de idas para todo o lado e lado nenhum, de fugas para quanto era canto de escapadela, política e social, para as reuniões partidárias, dos bombeiros, das bandas, dos futebóis, da escola, dos jornais, das rádios, das faculdades, das formações, dos encontros com amigos, das jantaradas, das noitadas e coisas que tais.
Ao usar esses " privilégios ", as damas da minha casa viram-se sem mim tempos atrás de tempos, estatuto de que talvez tenha usado e abusado de uma forma desmesurada e até inaceitável, pelo que um dia de consagração do seu lugar como gente da minha gente é pouco, é muito pouco, é uma espécie de migalha, porque merecem muito mais: o tempo que usei a mais devo pagar-lho com juros de maré alta e nunca de taxas " Euribor " de meia tigela.
Às mulheres da minha vida, olhos nos olhos, digo francamente: agarrem este oito de Março, mas desfaçam-se dele quanto antes, porque, tal como o Natal acontece todos os dias, estas comemorações só são boas, só têm significado absoluto, quando desaparecerem de vez.
Dias disto ou daquilo cheiram-me sempre a falta de uma dimensão essencial no campo da humanidade que devemos viver: são um espinho cravado nas consciências de quem sente que tem culpas no cartório. Só a vivência total e em comum de tudo quanto é valor universal tem a marca de uma sociedade justa e humana, que, infelizmente, ainda não atingimos.
Venha ela, hoje mesmo!
Deu-se essa saudável ruptura com uma tradição obsoleta - prova de que nem tudo o que herdámos faz regra -no dia oito de Março de um ano que já lá vai há muito tempo. Por isso, neste domingo, as mulheres da minha casa, que muito amo e admiro, deixaram-me aqui sozinho, mas não desamparado, para festejarem um tempo que lhes pertence por inteiro. Quero, aqui e agora, pedir-lhe desculpa por tantos dias de saída de casa, de idas para todo o lado e lado nenhum, de fugas para quanto era canto de escapadela, política e social, para as reuniões partidárias, dos bombeiros, das bandas, dos futebóis, da escola, dos jornais, das rádios, das faculdades, das formações, dos encontros com amigos, das jantaradas, das noitadas e coisas que tais.
Ao usar esses " privilégios ", as damas da minha casa viram-se sem mim tempos atrás de tempos, estatuto de que talvez tenha usado e abusado de uma forma desmesurada e até inaceitável, pelo que um dia de consagração do seu lugar como gente da minha gente é pouco, é muito pouco, é uma espécie de migalha, porque merecem muito mais: o tempo que usei a mais devo pagar-lho com juros de maré alta e nunca de taxas " Euribor " de meia tigela.
Às mulheres da minha vida, olhos nos olhos, digo francamente: agarrem este oito de Março, mas desfaçam-se dele quanto antes, porque, tal como o Natal acontece todos os dias, estas comemorações só são boas, só têm significado absoluto, quando desaparecerem de vez.
Dias disto ou daquilo cheiram-me sempre a falta de uma dimensão essencial no campo da humanidade que devemos viver: são um espinho cravado nas consciências de quem sente que tem culpas no cartório. Só a vivência total e em comum de tudo quanto é valor universal tem a marca de uma sociedade justa e humana, que, infelizmente, ainda não atingimos.
Venha ela, hoje mesmo!
sábado, 7 de março de 2009
Magalhães e Assembleia da República
Aqui estão dois temas que parecem nada ter a ver um com o outro. À primeira vista, assim é. Mas, na verdade, estamos perante algumas semelhanças e outras tantas condições: na Assembleia da República são, ao que pudemos apurar nos últimos dias, velhos os métodos, quase a descambarem para o duelo, enquanto que o novo " Magalhães " , uma das bandeiras içadas bem alto deste nosso governo, também nasceu com vícios de outrora - o mal do improviso, o deixa-andar, o pouco cuidado que pomos nas causas públicas, o fraquíssimo grau de exigência que temos connosco próprios... Só se compreendem as grosseiras falhas, agora detectadas, a esta luz, por sinal bem fraca e demasiado " morriça ". De outra forma, o computador milagreiro não sairia com erros de palmatória, com aquele estendal de mau português, com programas de deitar ao lixo e pedidos de desculpas um tanto esfarrapados.
Se me envergonha o que se passou na AR, que é de repudiar e de criticar asperamente, para não dizer que aqueles deputados deram um péssimo contributo à democracia, as peripécias em que vemos envolvido o "querido Magalhães" são bem mais graves, porque se espalham por tudo quanto é sítio e as actas da AR disso nada farão constar, que as gravações pifaram em cima do acontecimento, o tal da quase bordoada de todo o tamanho...
Se nos nossos representantes algo vai mal - talvez , desde logo, pelo mecanismos de acesso - nas novas tecnologias estamos a provar que não somos grandes peritos, antes pelo contrário.
Com linguagem a mais e despropositada num sítio onde ela deveria primar pela beleza de um português de primeira água , pela elegância e pela sua apurada qualidade, no outro, é a escrita de base que anda pelas ruas da amargura.
Com tanta fartura de asneiras, venha o diabo e escolha.
Por nós, a opção está feita: "va de retro" quem assim se comporta e quem permitiu que, no Magalhães, entrasse tal vírus, o mais perigoso de todos, porque cheira demasiado a crassa ignorância.
Se me envergonha o que se passou na AR, que é de repudiar e de criticar asperamente, para não dizer que aqueles deputados deram um péssimo contributo à democracia, as peripécias em que vemos envolvido o "querido Magalhães" são bem mais graves, porque se espalham por tudo quanto é sítio e as actas da AR disso nada farão constar, que as gravações pifaram em cima do acontecimento, o tal da quase bordoada de todo o tamanho...
Se nos nossos representantes algo vai mal - talvez , desde logo, pelo mecanismos de acesso - nas novas tecnologias estamos a provar que não somos grandes peritos, antes pelo contrário.
Com linguagem a mais e despropositada num sítio onde ela deveria primar pela beleza de um português de primeira água , pela elegância e pela sua apurada qualidade, no outro, é a escrita de base que anda pelas ruas da amargura.
Com tanta fartura de asneiras, venha o diabo e escolha.
Por nós, a opção está feita: "va de retro" quem assim se comporta e quem permitiu que, no Magalhães, entrasse tal vírus, o mais perigoso de todos, porque cheira demasiado a crassa ignorância.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Inverno tardio
Cá em casa, já as roupas de inverno tinham caminhado para o sótão, quando, agora, esta pesada estação do ano se lembrou de reaparecer, ventanosa, áspera, tão dura como os tempos idos de há dias. Lembrei-me, então, de um velho ditado, aqui meio improvisado: "não corras antecipadamente demais, que não sabes o que vem aí"... Sei que assim não falou ningúem que tenha feito escola popular, mas tem de haver sempre uma primeira vez. Para este "provérbio",
esse tempo chegou agora mesmo.
Com o céu revoltado, com sopros de meter medo, com árvores a caírem de pé, com ribanceiras e muros a não serem capazes de aguentar a força da natureza, que nem sempre é meiga, dei comigo, passando para além de tudo isso, a ir até terras que, a partir de um dia qualquer, iniciaram um percurso comum connosco próprios: fui ter à Guiné-Bissau.
Ali, a atmosfera é, nestes momentos e desde há tempos infindos, um mar de problemas. Tudo parece desabar e não apenas uma árvore, uma parede, um telhado. De repente e uma vez mais, sente-se que, infelizmente, é todo um país a afundar-se, é todo um sonho a enterrar-se, é a nossa cultura, parte dela, a mostrar que também fracassou um pouco, porque não foi capaz de ajudar a criar o homem novo, nem deixou um legado que estivesse à altura de evitar que estas acções macabras algum dia pudessem continuar a repetir-se.
As mortes de Nino Vieira, Presidente da República de uma nação irmã, do Chefe das Forças Armadas do mesmo recanto, nas condições em que aconteceram e com a malvadez demonstrada, sobretudo, com a mais alta figura do estado da Guiné-Bissau, são uma das muitas vergonhas da nossa civilização, dita moderna.
Este é o mais triste de todos os invernos, por nos revelar que os homens, mesmo aqueles que connosco conviveram, não aprenderam elementares lições. Quando se nota, por actos, que se desce tão baixo, muito do que apregoámos veio a falhar redondamente. Perderam-se noções de reconhecimento das mais elementares regras de bom senso que pensávamos interiorizadas, sente-se, uma e outra vez, que, em África, por muito que nos custe assumir isto, se não fez tudo o que deveria ser feito, ou fomos maus pedagogos, maus exemplos, maus conselheiros e até maus irmãos, ou estamos a assistir, de novo, a um mundo tão hediondo, que nos faz interrogar tudo: afinal, valeu a pena por ali termos andado, ou nunca lá deveríamos ter ido?
Como quer que seja, naquele continente, noutro e noutro, está parte da nossa alma e, por isso, apetece-me desabafar: nunca pensei que, passados tantos anos, a morte, que sabemos ser um destino de todos nós, pudesse vir a ser encontrada de uma forma tão bárbara e tão cruel, pelo que é nosso dever dizer que os acontecimentos da Guíné nos entristecem, condenando-os de uma foram clara e sem tibiezas.
Não é esta a África que tenho, porque tenho, no coração.
Não é esta a cultura que abraço.
Não é esta a terra que defendemos como porta-estandarte daquilo que invadiu sempre a nossa alma: quisemos ajudar a conquistar a dignidade de todos os povos e o que se passou, ali, deixa muito a desejar.
Mesmo que não haja pão, nunca esta postura pode fazer caminho, pelo que é hora de a Guiné enveredar por outras vias, o que já tarda demais.
esse tempo chegou agora mesmo.
Com o céu revoltado, com sopros de meter medo, com árvores a caírem de pé, com ribanceiras e muros a não serem capazes de aguentar a força da natureza, que nem sempre é meiga, dei comigo, passando para além de tudo isso, a ir até terras que, a partir de um dia qualquer, iniciaram um percurso comum connosco próprios: fui ter à Guiné-Bissau.
Ali, a atmosfera é, nestes momentos e desde há tempos infindos, um mar de problemas. Tudo parece desabar e não apenas uma árvore, uma parede, um telhado. De repente e uma vez mais, sente-se que, infelizmente, é todo um país a afundar-se, é todo um sonho a enterrar-se, é a nossa cultura, parte dela, a mostrar que também fracassou um pouco, porque não foi capaz de ajudar a criar o homem novo, nem deixou um legado que estivesse à altura de evitar que estas acções macabras algum dia pudessem continuar a repetir-se.
As mortes de Nino Vieira, Presidente da República de uma nação irmã, do Chefe das Forças Armadas do mesmo recanto, nas condições em que aconteceram e com a malvadez demonstrada, sobretudo, com a mais alta figura do estado da Guiné-Bissau, são uma das muitas vergonhas da nossa civilização, dita moderna.
Este é o mais triste de todos os invernos, por nos revelar que os homens, mesmo aqueles que connosco conviveram, não aprenderam elementares lições. Quando se nota, por actos, que se desce tão baixo, muito do que apregoámos veio a falhar redondamente. Perderam-se noções de reconhecimento das mais elementares regras de bom senso que pensávamos interiorizadas, sente-se, uma e outra vez, que, em África, por muito que nos custe assumir isto, se não fez tudo o que deveria ser feito, ou fomos maus pedagogos, maus exemplos, maus conselheiros e até maus irmãos, ou estamos a assistir, de novo, a um mundo tão hediondo, que nos faz interrogar tudo: afinal, valeu a pena por ali termos andado, ou nunca lá deveríamos ter ido?
Como quer que seja, naquele continente, noutro e noutro, está parte da nossa alma e, por isso, apetece-me desabafar: nunca pensei que, passados tantos anos, a morte, que sabemos ser um destino de todos nós, pudesse vir a ser encontrada de uma forma tão bárbara e tão cruel, pelo que é nosso dever dizer que os acontecimentos da Guíné nos entristecem, condenando-os de uma foram clara e sem tibiezas.
Não é esta a África que tenho, porque tenho, no coração.
Não é esta a cultura que abraço.
Não é esta a terra que defendemos como porta-estandarte daquilo que invadiu sempre a nossa alma: quisemos ajudar a conquistar a dignidade de todos os povos e o que se passou, ali, deixa muito a desejar.
Mesmo que não haja pão, nunca esta postura pode fazer caminho, pelo que é hora de a Guiné enveredar por outras vias, o que já tarda demais.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Um dia depois...
Ontem o sol em Espinho, se é que ele apareceu, veio-nos sorrateiro pela voz do Eng.José Sócrates. No céu escuro das nossas vidas, das suas palavras se conclui que, em 2009, ou temos esses raios luminosos, ou o dilúvio. Não há meio termo: ou uma confortável maioria absoluta, ou a desgraça nacional. Mas a haver esse resultado, é claro, só pode ser do seu PS, que a oposição, disse, é um deserto, para onde quer que se olhe.
Para não haver qualquer espécie de dúvida a esse propósito, o PCP não serve, porque toca sempre o mesmo sino, o BE é um ninho de ratos - veja-se o que aconteceu ao Zé que tanta falta fazia - o PSD repescou dirigentes de um passado tenebroso, o CDS-PP seguiu esse triste exemplo, o PEV não passa de um apêndice e montra do citado PCP, logo, para tratar da querida pátria só temos o PS, só o partido da rosa, agora mais vermelha e/ou encarnada, de acordo com o salvador das Europeias e da esquerda ressuscitada, Dr. Vital Moreira, o homem da Coimbra académica e da Bairrada do espumante e do leitão, numa resposta ao vizinho Manuel Alegre, um aguedense de quatro costados e um neto do patrono do velho estádio do Beira-Mar, o conhecido " Mário Duarte ".
Conhecedor destas rivalidades e necessidades, de modo a contentar todos os flancos, o Eng. José Sócrates baralhou, deu, tirou, voltou a dar, pôs as cartas na mesa e proclamou: aqui, neste pedestal, o sol sou eu e mais ninguém. No túmulo, revirou-se Luís XIV, sentindo que estava prestes a perder esse pendor astral.
Foi assim o dia de ontem, o de anteontem, o de anteanteontem, os anteriores próximos e, talvez, os tempos que aí vêm. Dali saiu, forte e vitorioso, o homem de todas as forças, porque ninguém ousou contestá-lo. Num Congresso de mudos e de palmas, nada mais seria de esperar.
Mas hoje é outro dia.
É o amanhã de Espinho e agora toca a andar.
Mas de sol pouco vemos, porque até os homens e as mulheres do tempo vêm-nos dizer que vai chover, que os aguaceiros e o frio ainda não fizeram as malas.
Aguardemos.
Para não haver qualquer espécie de dúvida a esse propósito, o PCP não serve, porque toca sempre o mesmo sino, o BE é um ninho de ratos - veja-se o que aconteceu ao Zé que tanta falta fazia - o PSD repescou dirigentes de um passado tenebroso, o CDS-PP seguiu esse triste exemplo, o PEV não passa de um apêndice e montra do citado PCP, logo, para tratar da querida pátria só temos o PS, só o partido da rosa, agora mais vermelha e/ou encarnada, de acordo com o salvador das Europeias e da esquerda ressuscitada, Dr. Vital Moreira, o homem da Coimbra académica e da Bairrada do espumante e do leitão, numa resposta ao vizinho Manuel Alegre, um aguedense de quatro costados e um neto do patrono do velho estádio do Beira-Mar, o conhecido " Mário Duarte ".
Conhecedor destas rivalidades e necessidades, de modo a contentar todos os flancos, o Eng. José Sócrates baralhou, deu, tirou, voltou a dar, pôs as cartas na mesa e proclamou: aqui, neste pedestal, o sol sou eu e mais ninguém. No túmulo, revirou-se Luís XIV, sentindo que estava prestes a perder esse pendor astral.
Foi assim o dia de ontem, o de anteontem, o de anteanteontem, os anteriores próximos e, talvez, os tempos que aí vêm. Dali saiu, forte e vitorioso, o homem de todas as forças, porque ninguém ousou contestá-lo. Num Congresso de mudos e de palmas, nada mais seria de esperar.
Mas hoje é outro dia.
É o amanhã de Espinho e agora toca a andar.
Mas de sol pouco vemos, porque até os homens e as mulheres do tempo vêm-nos dizer que vai chover, que os aguaceiros e o frio ainda não fizeram as malas.
Aguardemos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)