Não conheço o Diogo de que pretendo falar.Mas isso não importa, quando a sua vitória, numas Olimpíadas de Matemática, o papão devorador de todas as boas intenções dos nossos estudantes, me dá um enorme consolo: é que esse rapaz, o Diogo Meneses, é um dos moços da minha região, que se junta, assim a um outro génio, o Bandeira, este já a pisar e a brilhar nos bancos da Faculdade.
Este Diogo de menos idade, o que aqui retrato hoje mesmo, acabou da ganhar a Medalha de Ouro, relativa aos 8º e 9º anos, pelo que me deu uma alegria imensa.
Estou-te, meu rapaz, muito grato pelo favor que me colocas, assim , de mão beijada, em cima da minha mesa de trabalho. Felicito-te, a ti, teus familiares, amigos, colegas e, sobretudo, professores da EBI de Oliveira de Frades, porque este troféu é uma vitória tua, sem dúvida, mas não deixa também de pertencer, um pouco, a toda aquela gente que enunciei.
Com este feito, que o é, com todas as letras, vens, afinal, dizer-me que, no mar encapelado da nossa educação institucional, ainda há excepções que valem mais que mil palavras, assim roubando o velho ditado popular para aqui o aplicar.
Diogo, não sei quem és, mas isso, para mim, não tem qualquer importância, repito. Basta-me saber que frequentas uma Escola da minha zona para me sentir todo vaidoso.
Bem haja, meu amigo. Mas não te ponhas a olhar para esta vitória como se fosse a última. Não. Faz dela o ponto de partida para outras subidas ao pódio, mas sempre, sempre, com o ouro ao pescoço, que a perfeição deve ser a medida dos nossos objectivos!
Parabéns e boa sorte!
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Apagão ambiental e desportivo
Era dia de jogo de futebol decisivo para a nossa Selecção - por mais que isso seja escamoteado - quando, em nome da saúde ambiental, foi decidido apagar os diversos sistemas de iluminação. Tomada à letra, esta mensagem surtiu um efeito perverso: os rapazes da bola, com a recta intenção de colaborarem com a iniciativa em causa, tudo fizeram para a pôr em prática, permanecendo na mais negra sombra, pois nunca conseguiram descortinar qualquer fresta de baliza, tão escuro esteve o Estádio do Dragão.
Está encontrada a razão do empate: nem os portugueses se aplicaram pouco, nem tiveram falta de sorte, nem os suecos foram assim um colosso por aí além, devendo-se tal desfecho à escrupulosa colagem à campanha mundial em curso.
De agora em diante, depois de tantos pontos desperdiçados, este sacrifício ambiental não deixará de dar os seus frutos. Com a luz toda, em Portugal e no estrangeiro, não mais um empate ou uma derrota atacará os pupilos de Carlos Queirós, a não ser que outros valores, mais altos - digo, mais baixos, pedindo perdão por este engano! - apareçam, vindos de outras esferas e instâncias.
Têm, assim, toda a desculpa aquelas gentes da bola, desde o Cristiano Ronaldo ao Eduardo, sem esquecer, como é óbvio, o nosso seleccionador.
Para todos, um fraternal abraço e votos, se ainda for a tempo, de muitos êxitos.
Está encontrada a razão do empate: nem os portugueses se aplicaram pouco, nem tiveram falta de sorte, nem os suecos foram assim um colosso por aí além, devendo-se tal desfecho à escrupulosa colagem à campanha mundial em curso.
De agora em diante, depois de tantos pontos desperdiçados, este sacrifício ambiental não deixará de dar os seus frutos. Com a luz toda, em Portugal e no estrangeiro, não mais um empate ou uma derrota atacará os pupilos de Carlos Queirós, a não ser que outros valores, mais altos - digo, mais baixos, pedindo perdão por este engano! - apareçam, vindos de outras esferas e instâncias.
Têm, assim, toda a desculpa aquelas gentes da bola, desde o Cristiano Ronaldo ao Eduardo, sem esquecer, como é óbvio, o nosso seleccionador.
Para todos, um fraternal abraço e votos, se ainda for a tempo, de muitos êxitos.
sábado, 28 de março de 2009
G 20 e os outros
Neste mundo, é sempre motivo de preocupação quando, em cerca de duzentas nações, só a décima parte tudo decide e não deixa nada para os restantes parceiros dessa caminhada universal. Parece que, depois do apito final do criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, alguém pudesse ter ficado com uma qualquer exclusividade, o que se nos afigura uma estratégia verdadeiramente impensável e desprovida de qualquer bom senso.
Se assim é, porque é, porque nem pode ser de outra forma, todos devem ser chamados a lavrar os regos do seu destino. Pôr uns a ditar leis e outros a engoli-las é uma ofensa à dignidade de todo o ser humano. Mais grave se torna este absurdo, no momento em que sabemos que quem faz escrever as várias legislações, estes documentos, é a mesma gente que, digeridas estas, sem apelo, nem agravo, lhe vem buscar o rico e quase eterno retorno.
A reunião do G 20, o clube dos famosos, a arena dos autores de todas as tropelias que quase afogaram o resto do mundo, que escavaram minas de diamante, lhe sugaram o tutano e devolveram rasco granito, do mais reles, não pode continuar a decretar os seus desígnios. Tem de olhar para a desgraça actual e fazer um exame de consciência. Com um profundo ajoelhar, é hora de estes senhores arrepiarem caminho e devolverem a felicidade a quem a merece: a população mundial no seu todo e sem reservas.
Pensem o que pensem, queiram o que queiram, aos G20 só uma via se lhes abre: os outros 180 países, mais coisa ou menos, não podem ficar à margem destas jogadas, que o campeonato também tem a ver com eles e é hora de a cidadania ter uma palavra a dizer.
Falemos todos, então, e com voz grossa, de preferência!
Se assim é, porque é, porque nem pode ser de outra forma, todos devem ser chamados a lavrar os regos do seu destino. Pôr uns a ditar leis e outros a engoli-las é uma ofensa à dignidade de todo o ser humano. Mais grave se torna este absurdo, no momento em que sabemos que quem faz escrever as várias legislações, estes documentos, é a mesma gente que, digeridas estas, sem apelo, nem agravo, lhe vem buscar o rico e quase eterno retorno.
A reunião do G 20, o clube dos famosos, a arena dos autores de todas as tropelias que quase afogaram o resto do mundo, que escavaram minas de diamante, lhe sugaram o tutano e devolveram rasco granito, do mais reles, não pode continuar a decretar os seus desígnios. Tem de olhar para a desgraça actual e fazer um exame de consciência. Com um profundo ajoelhar, é hora de estes senhores arrepiarem caminho e devolverem a felicidade a quem a merece: a população mundial no seu todo e sem reservas.
Pensem o que pensem, queiram o que queiram, aos G20 só uma via se lhes abre: os outros 180 países, mais coisa ou menos, não podem ficar à margem destas jogadas, que o campeonato também tem a ver com eles e é hora de a cidadania ter uma palavra a dizer.
Falemos todos, então, e com voz grossa, de preferência!
quinta-feira, 26 de março de 2009
A lavoura na capital
De mãos calejadas e fatiota nova, os agricultores e seus apoiantes puseram-se em marcha e vieram parar a Lisboa, capital das decisões, mas, praticamente, terra de actividade reduzida em redor da lavoura. A única função que aqui é exercida é aquela que depende do poder do Ministério da Agricultura, dos órgãos nacionais de gestão dos fundos comunitários, dos deputados e de quem manda. Mas estas são razões mais do que suficientes para se deixarem as propriedades e se ir até à Assembleia da República e Palácio de S. Bento, os centros dos centros de quem tudo pode dar, ou tirar, ou, ainda, nem uma coisa, nem outra.
Foi com o intuito de colher alguns frutos que aquela gente da CNA, da pequena agricultura, como quiseram evidenciar, veio por aí abaixo e subiu por aí acima, passe a redundância.
Com a UE e a sua política tida como causadora de muitas das desgraças actuais - eles o disseram -, com os governantes em estranha desgovernação - continuaram -, era alguma a esperança de levar uma mão cheia de promessas, mas partiram, talvez, de bolsos pouco mais que vazios, pouco menos que cheios de coisa nenhuma.
Mas vieram e protestaram, que a fala ainda não paga imposto e a democracia assim o permite.
Se foi rentável esta deslocação, só mais tarde se saberá. Adivinha-se, no entanto, que os lucros são escassos, tal como acontece no seu dia a dia.
Deram um passeio e isso é já uma espécie de paga. Curta, muito curta, para as suas muitas necessidades e reclamações. Ver Lisboa com os olhos de quem sente a terra a fugir-lhe dos pés não é nada agradável, mas sempre dá para mirar uma ou outra vistaça, que no campo não aparece, em movimento, em ruas e mais ruas, carros e mais carros, prédios e mais prédios e gente, só gente, que não diz "bom dia", não dá um ar da sua graça. Mas é gente, isso é de certeza.
Hoje veio a lavoura à capital. Deus queira que a capital dela se não esqueça e vá ao seu encontro. Deus queira, repetimos, que só assim, com a sua boa ajuda, se salva um sector que anda pelos becos da amargura.
Foi com o intuito de colher alguns frutos que aquela gente da CNA, da pequena agricultura, como quiseram evidenciar, veio por aí abaixo e subiu por aí acima, passe a redundância.
Com a UE e a sua política tida como causadora de muitas das desgraças actuais - eles o disseram -, com os governantes em estranha desgovernação - continuaram -, era alguma a esperança de levar uma mão cheia de promessas, mas partiram, talvez, de bolsos pouco mais que vazios, pouco menos que cheios de coisa nenhuma.
Mas vieram e protestaram, que a fala ainda não paga imposto e a democracia assim o permite.
Se foi rentável esta deslocação, só mais tarde se saberá. Adivinha-se, no entanto, que os lucros são escassos, tal como acontece no seu dia a dia.
Deram um passeio e isso é já uma espécie de paga. Curta, muito curta, para as suas muitas necessidades e reclamações. Ver Lisboa com os olhos de quem sente a terra a fugir-lhe dos pés não é nada agradável, mas sempre dá para mirar uma ou outra vistaça, que no campo não aparece, em movimento, em ruas e mais ruas, carros e mais carros, prédios e mais prédios e gente, só gente, que não diz "bom dia", não dá um ar da sua graça. Mas é gente, isso é de certeza.
Hoje veio a lavoura à capital. Deus queira que a capital dela se não esqueça e vá ao seu encontro. Deus queira, repetimos, que só assim, com a sua boa ajuda, se salva um sector que anda pelos becos da amargura.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Dos postos às lojas do Correios
Já lá vai o tempo em que os velhos postos e estações dos Correios apenas tratavam daquilo que a esse sector dizia respeito, fazendo apenas algumas incursões pela banca e pelos pagamentos. Pequenas, como aquela que existia em Oliveira de Frades, na única Praça com tal nome, a de Luís Bandeira, onde toda a gente se cruzava, sempre com um cumprimento na ponta da língua, antes de, pomposamente, se instalar na Rua Luís de Camões, eram, indo além dessas funções, também um encontro e reencontro com todo o mundo: com poucos telefones, com raros jornais, sem qualquer assomo de Internet - nem o mais atrevido futurologista se atrevia a falar disso! - ali se recebiam as notícias, boas e más, as verdades e os desenganos. Ali desembocavam todos os rios e ribeiros do universo, que era tão grande quanto isso. Pouco mais, pensava-se.
Com o andar dos tempos, essas casas alargaram o seu âmbito de acção e hoje são um autêntico supermercado, que só não tem sabão, petróleo ao litro, vinho ao quartilho, queijo com e sem casca, broa, panos ao metro. Mas ali se encontram livros, lotaria, CD, canetas, lembranças, dinheiro aos montes, do real e do de papel, certificados de aforro, moeda que vai e vem, correio azul, verde, sem marca, logo branco, poucos faxes, menos telegramas e, acredite-se, nem um aerograma, o que é o melhor dos sinais: acabou a guerra, a do Ultramar, há anos, há muitos anos, graças a Deus...
É isto uma força nova, um agarrar de oportunidades diferentes, quando as tradicionais se esgotam, é isto um exemplo para o mundo empresarial: se deixa de haver quem compre o que se tem no balcão, engoda-se a clientela com produtos que melhor os colem, mais os fidelize. Importante é tê-los em fila, de etiqueta na mão, a aguardar vez, ordeiramente e com os olhos a girarem por tudo quanto seja montra. É, deste modo atrevido, uma publicidade eficiente e uma espera pró-activa, claro, para os Correios, que, numa mata sem cão, todos os gatos servem.
Interessa é vender. E esta gente mostra ter a matéria em dia. Parabéns, por isso, que a saudade das velhas Estações, por melhores recordações que nos tragam, não alimentam o corpo e, numa altura de crises atrás de crises, as estratégias mais aguerridas dão sempre resultado.
A inércia, aqui, pode matar. A lucidez para levar a novos passos é boa conselheira e os seus efeitos positivos, ao que parece, estão à vista.
Com o andar dos tempos, essas casas alargaram o seu âmbito de acção e hoje são um autêntico supermercado, que só não tem sabão, petróleo ao litro, vinho ao quartilho, queijo com e sem casca, broa, panos ao metro. Mas ali se encontram livros, lotaria, CD, canetas, lembranças, dinheiro aos montes, do real e do de papel, certificados de aforro, moeda que vai e vem, correio azul, verde, sem marca, logo branco, poucos faxes, menos telegramas e, acredite-se, nem um aerograma, o que é o melhor dos sinais: acabou a guerra, a do Ultramar, há anos, há muitos anos, graças a Deus...
É isto uma força nova, um agarrar de oportunidades diferentes, quando as tradicionais se esgotam, é isto um exemplo para o mundo empresarial: se deixa de haver quem compre o que se tem no balcão, engoda-se a clientela com produtos que melhor os colem, mais os fidelize. Importante é tê-los em fila, de etiqueta na mão, a aguardar vez, ordeiramente e com os olhos a girarem por tudo quanto seja montra. É, deste modo atrevido, uma publicidade eficiente e uma espera pró-activa, claro, para os Correios, que, numa mata sem cão, todos os gatos servem.
Interessa é vender. E esta gente mostra ter a matéria em dia. Parabéns, por isso, que a saudade das velhas Estações, por melhores recordações que nos tragam, não alimentam o corpo e, numa altura de crises atrás de crises, as estratégias mais aguerridas dão sempre resultado.
A inércia, aqui, pode matar. A lucidez para levar a novos passos é boa conselheira e os seus efeitos positivos, ao que parece, estão à vista.
terça-feira, 24 de março de 2009
As maratonas da vida
Lisboa viveu, no passado domingo, com bastante sol exterior e interior, um ambiente de festa, em redor dumas sapatilhas, de roupas de muitas cores, de diálogos paralelos, de montra política, de verdade desportiva, sem árbitros, na sua já conhecida meia Maratona, a que se associou uma versão mais ligeira, tal como saia de Verão, a mini corrida.
Com a Ponte 25 de Abril como local de partida, com o Tejo lá no fundo e Lisboa no horizonte próximo, bem mais perto, aliás, dos atletas de alta competição, a uma distância enorme para todos aqueles milhares que ali foram para se divertirem e, talvez, se mostrarem, associou-se desporto e convívio, ao mesmo tempo que se deitou mão a causas sociais, o que é altamente relevante.
Na vida, são inúmeras as maratonas, disputadas dia a dia, taco a taco, numa luta por vezes ferozmente desigual: há quem as dispute de uma forma menos aberta, porque existem, dizem as más línguas, resultados viciados à partida. A transparência e o rigor, a verdade e a consciência nem sempre se sentam à mesma mesa. Lamenta-se que assim aconteça, mas disso ainda não conseguimos fugir.
Mas eu sei também que a maioria das pessoas deseja uma competição leal, franca e cristalina, o que faz do desporto e da vida um hino à alegria e ao entusiasmo que lhe devemos dedicar.
Por exemplo, neste preciso momento, conheço alguém que, na pura essência da entrega às causas em que se mete e na definição clara dos objectivos que traça para si e para os outros, se encontra perante mais um grande desafio: a exigência e a limpidez dos processos fazem dela uma vencedora, também agora, quando está à frente do computador a olhar para a meta com uma enorme vontade.
Sei e acredito que vai sair vitoriosa desta grande maratona que tem pela frente, hoje e nas edições que se vão seguir. A coragem e o trabalho fazem prever uma subida ao pódio, que muitos desejamos. Força, então!...
Com a Ponte 25 de Abril como local de partida, com o Tejo lá no fundo e Lisboa no horizonte próximo, bem mais perto, aliás, dos atletas de alta competição, a uma distância enorme para todos aqueles milhares que ali foram para se divertirem e, talvez, se mostrarem, associou-se desporto e convívio, ao mesmo tempo que se deitou mão a causas sociais, o que é altamente relevante.
Na vida, são inúmeras as maratonas, disputadas dia a dia, taco a taco, numa luta por vezes ferozmente desigual: há quem as dispute de uma forma menos aberta, porque existem, dizem as más línguas, resultados viciados à partida. A transparência e o rigor, a verdade e a consciência nem sempre se sentam à mesma mesa. Lamenta-se que assim aconteça, mas disso ainda não conseguimos fugir.
Mas eu sei também que a maioria das pessoas deseja uma competição leal, franca e cristalina, o que faz do desporto e da vida um hino à alegria e ao entusiasmo que lhe devemos dedicar.
Por exemplo, neste preciso momento, conheço alguém que, na pura essência da entrega às causas em que se mete e na definição clara dos objectivos que traça para si e para os outros, se encontra perante mais um grande desafio: a exigência e a limpidez dos processos fazem dela uma vencedora, também agora, quando está à frente do computador a olhar para a meta com uma enorme vontade.
Sei e acredito que vai sair vitoriosa desta grande maratona que tem pela frente, hoje e nas edições que se vão seguir. A coragem e o trabalho fazem prever uma subida ao pódio, que muitos desejamos. Força, então!...
sexta-feira, 20 de março de 2009
" Volto já "
Desta forma popular e simplista, uma loja, em plena Rua Augusta, a dois dedos do Rossio, anunciava que, por necessidade momentânea, iria fechar, com um " Volto já ", manuscrito, pessoalizado, sendo, por isso, a marca de quem escreveu tal mensagem. Enganou-se, porém, no tempo de espera: é que o ar de obras envelhecidas, os tapumes de papel, o "cheiro" a uma partida, praticamente sem retorno, indiciam um outro desfecho bem mais grave - a crise. Mostra-se, ali, como acontece um pouco por todo lado, que o pequeno comércio nem na Rua Augusta resiste a estes ventos demolidores, imparáveis, mortais.
Não sabemos quantas famílias, dependentes daquele estabelecimento comercial, engrossam a longa e triste fila dos novos pobres, em busca da sopa quente, por exemplo, da Legião da Boa Vontade. Não sabemos, repetimos, mas presumimos que dali tenham partido esses terríveis gritos de alerta e de ansiedade e que o seu efeito teime em não nos deixar dormir em paz. Tememos, isso tememos... Mas também não temos respostas, nem receitas, nem pão para lhes dar... Que, amanhã, melhores sejam os seus dias, que estes têm uma cor de carvão, apesar de a Primavera já nos ter visitado, igualando os dias e as noites, apenas por breves momentos!...
Amanhã, que desejamos mais amigo de todos nós e daqueles que, sem vendas na loja, tiveram de a abandonar, será outro dia: para eles, para toda a humanidade, talvez não seja tão bom quanto o nosso desejo e necessidades. Aguardemos, então.
Por África, agora pelos recantos onde Portugal deixou marcas, anda o Papa Bento XVI. Leva mensagens de esperança, mas carrega consigo alguns deslizes, que têm de ser repensados, que este Continente precisa de todos os meios para fugir dos seus terríveis flagelos e o da SIDA é um dos piores. Por isso, a condenação do uso do preservativo - ainda que compreendamos o seu alcance religioso - não é um sinal que se possa aplicar. Esperamos que essas palavras, essas sim, sejam apenas um " Volto já ", para as corrigir e retirar dos livros, que África não pode ser mais sacrificada, sendo assim um mal menor aquela prática... que devemos aceitar e até, pelo contrário, estimular.
Quem, por aqui, nunca usa um " Volto já " e quer estar sempre na crista da onda é o Dr.Mário Soares: por tudo e por nada, vem a terreiro manifestar a sua opinião e dar as suas receitas, não saindo de cena nem um segundo. Saúda-se essa vitalidade, essa jovialidade, essa irreverência e esse crescente apego ao exercício de uma cidadania activa. Respeitamos e apreciamos essa dinâmica, mas, às vezes, a bota não condiz com a perdigota: ao criticar a escolha do Dr. Durão Barroso para um segundo mandato à frente da Comissão da União Europeia, mostra que o seu ar partidário também não o leva a discernir tão bem como esperávamos.
Quando vemos esta nova proposta como um grande sinal de distinção e de apreço pela obra feita pelo nosso ilustre concidadão, sentimo-nos altamente satisfeitos e até orgulhosos. Não pensa de igual modo o Dr. Mário Soares, mas isso é lá com ele...
Aqui poderia antes ter ido ali e deixado no vidro um " Volto já ". Não o fez e com isso perdeu a oportunidade de, estando calado, ter prestado um melhor serviço a Portugal. Mas isso é lá com ele e só com ele... Que não se cale, nunca, que assim segue - ironia das ironias! - o velho lema do Dr. Manuel Alegre. Quem o diria ? ...
Não sabemos quantas famílias, dependentes daquele estabelecimento comercial, engrossam a longa e triste fila dos novos pobres, em busca da sopa quente, por exemplo, da Legião da Boa Vontade. Não sabemos, repetimos, mas presumimos que dali tenham partido esses terríveis gritos de alerta e de ansiedade e que o seu efeito teime em não nos deixar dormir em paz. Tememos, isso tememos... Mas também não temos respostas, nem receitas, nem pão para lhes dar... Que, amanhã, melhores sejam os seus dias, que estes têm uma cor de carvão, apesar de a Primavera já nos ter visitado, igualando os dias e as noites, apenas por breves momentos!...
Amanhã, que desejamos mais amigo de todos nós e daqueles que, sem vendas na loja, tiveram de a abandonar, será outro dia: para eles, para toda a humanidade, talvez não seja tão bom quanto o nosso desejo e necessidades. Aguardemos, então.
Por África, agora pelos recantos onde Portugal deixou marcas, anda o Papa Bento XVI. Leva mensagens de esperança, mas carrega consigo alguns deslizes, que têm de ser repensados, que este Continente precisa de todos os meios para fugir dos seus terríveis flagelos e o da SIDA é um dos piores. Por isso, a condenação do uso do preservativo - ainda que compreendamos o seu alcance religioso - não é um sinal que se possa aplicar. Esperamos que essas palavras, essas sim, sejam apenas um " Volto já ", para as corrigir e retirar dos livros, que África não pode ser mais sacrificada, sendo assim um mal menor aquela prática... que devemos aceitar e até, pelo contrário, estimular.
Quem, por aqui, nunca usa um " Volto já " e quer estar sempre na crista da onda é o Dr.Mário Soares: por tudo e por nada, vem a terreiro manifestar a sua opinião e dar as suas receitas, não saindo de cena nem um segundo. Saúda-se essa vitalidade, essa jovialidade, essa irreverência e esse crescente apego ao exercício de uma cidadania activa. Respeitamos e apreciamos essa dinâmica, mas, às vezes, a bota não condiz com a perdigota: ao criticar a escolha do Dr. Durão Barroso para um segundo mandato à frente da Comissão da União Europeia, mostra que o seu ar partidário também não o leva a discernir tão bem como esperávamos.
Quando vemos esta nova proposta como um grande sinal de distinção e de apreço pela obra feita pelo nosso ilustre concidadão, sentimo-nos altamente satisfeitos e até orgulhosos. Não pensa de igual modo o Dr. Mário Soares, mas isso é lá com ele...
Aqui poderia antes ter ido ali e deixado no vidro um " Volto já ". Não o fez e com isso perdeu a oportunidade de, estando calado, ter prestado um melhor serviço a Portugal. Mas isso é lá com ele e só com ele... Que não se cale, nunca, que assim segue - ironia das ironias! - o velho lema do Dr. Manuel Alegre. Quem o diria ? ...
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