Quase sem desculpas, estão os motores partidários oleados para se porem em marcha acelerada. Acabadas as férias, retemperados os ânimos, espionadas as propostas dos adversários, só falta dar o apito final para o arranque das festas-comícios.
Portugal está em leilão. Tudo serve de montra de venda, tudo se entrega por dez réis de mel coado. Quase tudo, melhor dito. A dignidade, essa, bolas, não pode entrar nesta roda da fortuna e do azar. Há valores que nunca se alienam, nunca se põem em causa: de tão firmes que são, não admitem controvérsia, não servem para estas questões de entrega por dá cá aquela palha. Ou valem e são pagos por isso, ou, no entender de quem isto não entende, não podem entrar nestas jogadas e, então, para quem pensa por si, mais vale dizer que se parte para outros caminhos.
Os programas partidários, rebuscados e nebulosos, uns, frios e secos, outros, não nos cativam assim por aí adiante. Mas importa caminhar, que ficar parado é entregar a tarefa de decidir a outrem - e isso é procuração em branco -, pelo que admitimos dar o benefício da dúvida a alguém que, sendo bitolada pelo aço, nos parece mais coerente e mais assertiva, isto em termos de projecto para a nação perdida(?) que parecemos ser.
( ... )
A um mês das eleições, continuamos em dúvidas, mas uma certeza temos: é preciso abanar a árvore para outros frutos caírem, que as enxertias, dizem os meus amigos de Oliveira de Frades, sabedores da poda, às vezes, dão bons sinais. Mas acrescentam que não há regra sem excepção e, em matéria de vinha local, há sinais de uma boa colheita à temperatura média dos últimos anos, mesmo que nem tudo tenha corrido às mil maravilhas...
Com a sabedoria popular como boa conselheira, aceitemo-la.
Se nos enganarmos agora, repensemos o futuro.
Mas não deixemos que outros falem por nós: com o microfone na mão, façamos ouvir-nos e, para esse efeito, o voto é sempre a melhor das armas.
Boa noite!
sábado, 29 de agosto de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Em vez de emprego, a fuga dos empregadores
Há anos, poucos, acenaram-nos com cerca de 150000 novos postos de trabalho. A crise global, erros nossos e má fortuna, fizeram esfumar este sonho e desígnio nacional. Nem este objectivo se cumpriu, nem os sorrisos apareceram. Ao contário, muitas são as lágrimas de quem se viu sem sustento familiar e pessoal, angustiando neste mar de incertezas e outras tantas desgraças.
Agora, para maior desassossego e aumento da dor, já não são os trabalhadores que se vêem na rua. Chegou a hora de sabermos que aqueles mesmos números, mas em matéria de empresários, se viram obrigados a fechar portas, deixando morrer a capacidade empreendedora que, um dia, os levou a abrir portas.
Se multiplicarmos estes dados por todos quantos deles dependiam - porque é bom saber-se que um agente empresarial cria riqueza, valor e recebe mão-de-obra, a quem paga em pão -, tudo se agrava, tudo nos faz pensar que o mal é muito maior que aquilo que esperávamos.
Já não é só o governo a falhar, é todo o edifício da economia que está a ruir. Ao estarmos muito mais descontentes e apreensivos, erguendo as mãos ao céu, esperamos que outros dias, mais soalheiros, nos batam à porta.
Se não for agora, porque ninguém anda preocupado com a dureza da vida, para se centrar mais na questiúncula política, que, ao menos, seja depois de Setembro e Outubro.
Se a esperança é a última a morrer, cá estamos para ver.
Agora, para maior desassossego e aumento da dor, já não são os trabalhadores que se vêem na rua. Chegou a hora de sabermos que aqueles mesmos números, mas em matéria de empresários, se viram obrigados a fechar portas, deixando morrer a capacidade empreendedora que, um dia, os levou a abrir portas.
Se multiplicarmos estes dados por todos quantos deles dependiam - porque é bom saber-se que um agente empresarial cria riqueza, valor e recebe mão-de-obra, a quem paga em pão -, tudo se agrava, tudo nos faz pensar que o mal é muito maior que aquilo que esperávamos.
Já não é só o governo a falhar, é todo o edifício da economia que está a ruir. Ao estarmos muito mais descontentes e apreensivos, erguendo as mãos ao céu, esperamos que outros dias, mais soalheiros, nos batam à porta.
Se não for agora, porque ninguém anda preocupado com a dureza da vida, para se centrar mais na questiúncula política, que, ao menos, seja depois de Setembro e Outubro.
Se a esperança é a última a morrer, cá estamos para ver.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Caldo meio entornado
Quando todos os políticos deveriam estar em férias, até para ganhar fôlego, vêm-nos com um cenário pretensamente negro entre Belém e S. Bento, alimentando a ideia de uma total devassa, que levaria a gente do executivo a querer meter o bedelho em quem só tem por missão ser o garante de nossa estabilidade e sossego. Cheira-me isto a esturro, a material para vender notícia, a brincadeira de muito mau gosto, bem pior que as antigas cantigas de escárnio e maldizer.
Só assim entendo este inexistente (?) enredo, que seria mau demais que tal fosse verdade!...
Como no verão pouco há a dizer, a não ser que se fale das candidaturas entregues, inventa-se o mal e a caramunha, assim se alimentando o mundo da comunicação social. Se mais nada houver a fazer, telefone-se para a Madeira a saber por que carga de água se manda às malvas mais uma lei da nossa nação. Ou então dê-se uma apitadela para Santarém e pergunte-se ao Moita Flores se já recebeu uma qualquer reprimenda vinda de S. Caetano à Lapa.
Mas deixe-se em paz o Professor Cavaco Silva e sua gente, antes que se mine tudo em termos de confiança e de garante da nossa própria soberania.
Sejamos dignos de nós mesmos, a fim de não cairmos num qualquer abismo.
Evitemos que o caldo se entorne de vez. Saibamos ser gente de corpo inteiro, que já é tempo disso acontecer!
Só assim entendo este inexistente (?) enredo, que seria mau demais que tal fosse verdade!...
Como no verão pouco há a dizer, a não ser que se fale das candidaturas entregues, inventa-se o mal e a caramunha, assim se alimentando o mundo da comunicação social. Se mais nada houver a fazer, telefone-se para a Madeira a saber por que carga de água se manda às malvas mais uma lei da nossa nação. Ou então dê-se uma apitadela para Santarém e pergunte-se ao Moita Flores se já recebeu uma qualquer reprimenda vinda de S. Caetano à Lapa.
Mas deixe-se em paz o Professor Cavaco Silva e sua gente, antes que se mine tudo em termos de confiança e de garante da nossa própria soberania.
Sejamos dignos de nós mesmos, a fim de não cairmos num qualquer abismo.
Evitemos que o caldo se entorne de vez. Saibamos ser gente de corpo inteiro, que já é tempo disso acontecer!
sábado, 8 de agosto de 2009
Meu caro Solnado
Vi, há momentos, uma notícia que me arrepiou: morreu Raúl Solnado. Desde há tempos tem este local estado calado, mudo e quedo. Ao regressar, gostaria de o fazer em tom de festa e alegria, espalhando entusiasmo a rodos. Não vim a terreiro porque motivos dessa ordem e com esse quilate não abundavam. Preferi, então, andar com a viola no saco.
Mas este choque de ver partir Raúl Solnado, a alegria por excelência, fez-me repensar o meu teimoso amuo, obrigando-me a vir aqui registar o meu profundo pesar por esta triste e inconsolável viagem deste amigo do riso, da boa disposição, da inteligência criativa e brincalhona.
Volto atrás e vejo-o no ZIP ZIP, com Carlos Cruz e Fialho Gouveia, ouço-o parodiar a guerra, assisto a inesquecíveis momentos de bom humor de alta qualidade, pouca ofensa e muita crítica envolvida em papel celofane, nunca mais esqueço o bom homem e o grande actor que ele foi.
Se pudesse, queria que voltasse a estar connosco, assim de carne e osso, mas, sendo isso impossível, vou recordá-lo para sempre como alguém que me ensinou a encarar a vida com um sorriso nos lábios.
Pela lição contínua que foste, por inteiro, recebe, Solnado, o meu sentido bem haja.
Espera por mim e, quando eu chegar à tua beira, volta a dizer-me tudo, quase sem falar, com os teus gestos e silêncios que eram também um encanto. Podes ficar calado, que eu me fartarei de rir. Porque tu nasceste com esse dom: transmitir alegria e, agora que te encontras desse lado, não vais perder, acredito, essas costela animada e bem festiva. É assim que te vou recordar sempre.
Um abraço.
Mas este choque de ver partir Raúl Solnado, a alegria por excelência, fez-me repensar o meu teimoso amuo, obrigando-me a vir aqui registar o meu profundo pesar por esta triste e inconsolável viagem deste amigo do riso, da boa disposição, da inteligência criativa e brincalhona.
Volto atrás e vejo-o no ZIP ZIP, com Carlos Cruz e Fialho Gouveia, ouço-o parodiar a guerra, assisto a inesquecíveis momentos de bom humor de alta qualidade, pouca ofensa e muita crítica envolvida em papel celofane, nunca mais esqueço o bom homem e o grande actor que ele foi.
Se pudesse, queria que voltasse a estar connosco, assim de carne e osso, mas, sendo isso impossível, vou recordá-lo para sempre como alguém que me ensinou a encarar a vida com um sorriso nos lábios.
Pela lição contínua que foste, por inteiro, recebe, Solnado, o meu sentido bem haja.
Espera por mim e, quando eu chegar à tua beira, volta a dizer-me tudo, quase sem falar, com os teus gestos e silêncios que eram também um encanto. Podes ficar calado, que eu me fartarei de rir. Porque tu nasceste com esse dom: transmitir alegria e, agora que te encontras desse lado, não vais perder, acredito, essas costela animada e bem festiva. É assim que te vou recordar sempre.
Um abraço.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Inverno em S. Bento
Estamos em Julho, quase em Agosto. Por estranho que pareça, chove em S. Bento, praticamente de uma forma torrencial. Com ventos fortes e vindos de várias direcções, não há guarda-chuva que valha, nem capa que cubra os fatos daquela gente.
Agora, uma das grandes vergastadas chegou do " Compromisso Portugal ", que ali entrou de enxurrada. Portas e janelas tombaram e as salas ficaram inundadas. Com tal bátega de água, andam numa fona os mordomos daquela casa e o seu senhorio-mor, afadigado com novas promessas, teve até de calçar botins e pôr-se a andar pela estrada fora, que são difíceis os tempos presentes e poucos auspiciosos os que aí vêm.
Com tal borraça, diz o citado " Compromisso " que não estamos nada melhor do que há quatro anos. Lá se começa e descobrir que de pouco valeram os sacrifícios pedidos e que as reformas estruturais ou ficaram a meio, ou mal saíram do baú onde se encontravam.
Sócrates não fica bem no retrato que estes críticos lhe tiraram, mas, deve dizer-se a propósito, que as culpas não são todas suas: os temporais da crise global não podem ficar de fora deste quadro, nem a nossa, talvez, apatia em circunstâncias que exigiam de nós um comportamento mais activo e um rigor mais selectivo.
Todos somos culpados, mas uns mais que outros e o Primeiro-Ministro, que tem a honra de ser o timoneiro, está entre aqueles que maior responsabilidade tem, para o bem e para o mal. Alega o " Compromisso " que, nestes quatro anos, tendeu mais para o abismo que para o céu. E isso é que nos preocupa e nos tira o Verão mesmo em Julho, quase em Agosto.
Se chove em S. Bento quem se molha somos, afinal, todos nós.
Nem o deputado Manuel Alegre, com 34 anos de Parlamento e hoje em maré de despedida, escapa a este temporal, por mais que queira fugir de um comboio onde passeou anos e anos a fio.
Nem ele. E muito menos todos aqueles que, com as suas atitudes e comportamentos, puseram em risco o bom nome de um país que merecia outros políticos.
Refiro-me, obviamente, aos estilhaços do BPN e às vergonhas que por lá se passaram.
Agora, uma das grandes vergastadas chegou do " Compromisso Portugal ", que ali entrou de enxurrada. Portas e janelas tombaram e as salas ficaram inundadas. Com tal bátega de água, andam numa fona os mordomos daquela casa e o seu senhorio-mor, afadigado com novas promessas, teve até de calçar botins e pôr-se a andar pela estrada fora, que são difíceis os tempos presentes e poucos auspiciosos os que aí vêm.
Com tal borraça, diz o citado " Compromisso " que não estamos nada melhor do que há quatro anos. Lá se começa e descobrir que de pouco valeram os sacrifícios pedidos e que as reformas estruturais ou ficaram a meio, ou mal saíram do baú onde se encontravam.
Sócrates não fica bem no retrato que estes críticos lhe tiraram, mas, deve dizer-se a propósito, que as culpas não são todas suas: os temporais da crise global não podem ficar de fora deste quadro, nem a nossa, talvez, apatia em circunstâncias que exigiam de nós um comportamento mais activo e um rigor mais selectivo.
Todos somos culpados, mas uns mais que outros e o Primeiro-Ministro, que tem a honra de ser o timoneiro, está entre aqueles que maior responsabilidade tem, para o bem e para o mal. Alega o " Compromisso " que, nestes quatro anos, tendeu mais para o abismo que para o céu. E isso é que nos preocupa e nos tira o Verão mesmo em Julho, quase em Agosto.
Se chove em S. Bento quem se molha somos, afinal, todos nós.
Nem o deputado Manuel Alegre, com 34 anos de Parlamento e hoje em maré de despedida, escapa a este temporal, por mais que queira fugir de um comboio onde passeou anos e anos a fio.
Nem ele. E muito menos todos aqueles que, com as suas atitudes e comportamentos, puseram em risco o bom nome de um país que merecia outros políticos.
Refiro-me, obviamente, aos estilhaços do BPN e às vergonhas que por lá se passaram.
domingo, 19 de julho de 2009
Espanha, aqui tão perto
Saio de casa, meia distância entre Aveiro e Viseu, para, passado pouco mais de hora e meia andar, regalado, por terras de Espanha, tudo isto porque o A25 nos traz o mundo às mãos, por dá cá aquela palha.
É, por isto, que dou comigo a pensar: as grandes obras só estão a mais se tivermos a vantagem de as possuirmos. No meu caso, sou um felizardo, quanto a este aspecto das acessibilidades, que faltas há-as por aqui até dar com um pau...
Mas voltemos ao tema deste momento - a ida a Espanha. Foi um mimo ver aquela Cidade Rodrigo com o património elevado a prioridade absoluta em termos de recuperação, imagem e cartaz turístico. A zona nobre em redor da Praça Maior é toda ela uma evocação extrema da arte e engenho dos nossos antepassados ibéricos, colocando a pedra no topo dos materiais.
Com um Centro assim, apetece ali viver e olhar sempre para trás antes de fazer subir mais um qualquer prédio novo, daqueles que são iguais em todo o lado, com cimento, paredes direitas, varandas a metro, sem sabor, nem cheiro.
Ali, em Cidade Rodrigo, é obrigatório olhar para o céu, que cada esquina, cada arcada, cada janela, cada portada, cada palmo, em suma, merece uma atenção especial. Quando, nas nossas urbes, os Centros Históricos são, em geral, uma lástima de abandono, desassossego, sujidade e um desperdício dos nossos valores, aquela lição ficou-me na retina e na memória. Para que conste, aqui a conto tal como a senti.
Por outro lado, foi com prazer que vi, numa montra, uma alusão turística à nossa Costa Nova, com preços de fazer inveja aos da " casa " - 38 euros por um dia de estadia, 90 por um fim de semana inteirinho. Eles lá sabem as linhas com que se cosem, mesmo quanto a preços...
Esta referência pôs-me ainda esta questão: o seu mar é o nosso oceano e ponto final. Porque têm de passar por estas bandas de Lafões, saibamos apanhá-los, em vez de os vermos viajar apenas, olhando para as nossas placas. Precisamos, para esse efeito, de uma outra estratégia e de outras políticas em favor de um turismo de captação e permanência...
Com as horas a fugir, venho por aí fora e dou com as Torres de Pinhel também bem preservadas, mas ainda longe do esforço conjunto que vi em Espanha. Há por ali uns atropelos, uns " modernismos " incrustados que bem se dispensavam. Mas aceitam-se razoavelmente.
Como começo de reanimação desses pedaços de história, ali em Pinhel já vi algo que me agradou. O mesmo poderei dizer de Marialva, de Sortelha, de Monsanto e um pouco ainda por mais um punhado de sítios apetitosos e de boa figura. Mas Cidade Rodrigo a todos esses aglomerados leva a palma... Importa agora é sabermos colher informação para a aplicarmos depois, que copiar os bons exemplos não é nada que se possa levar a mal.
Em caminho para a Guarda, dei de caras, à beira de uma via bem rasgada, com uma anta, mesmo à mão de semear: a da Pêra do Moço, que nos entra pelos olhos dentro. Bem conservada, bem estimada, é um bom modelo de trabalho e esforço colectivo no sentido de salvarmos o muito que nos resta de um passado que não podemos perder.
Mas, por mais que diga, nenhuma das antas que conheço - e são muitas - ultrapassa em arte e beleza a minha - a de Antelas, aqui no concelho de Oliveira de Frades. Essa, sim, essa é de se lhe tirar o chapéu e chorar por mais. Sempre.
É, por isto, que dou comigo a pensar: as grandes obras só estão a mais se tivermos a vantagem de as possuirmos. No meu caso, sou um felizardo, quanto a este aspecto das acessibilidades, que faltas há-as por aqui até dar com um pau...
Mas voltemos ao tema deste momento - a ida a Espanha. Foi um mimo ver aquela Cidade Rodrigo com o património elevado a prioridade absoluta em termos de recuperação, imagem e cartaz turístico. A zona nobre em redor da Praça Maior é toda ela uma evocação extrema da arte e engenho dos nossos antepassados ibéricos, colocando a pedra no topo dos materiais.
Com um Centro assim, apetece ali viver e olhar sempre para trás antes de fazer subir mais um qualquer prédio novo, daqueles que são iguais em todo o lado, com cimento, paredes direitas, varandas a metro, sem sabor, nem cheiro.
Ali, em Cidade Rodrigo, é obrigatório olhar para o céu, que cada esquina, cada arcada, cada janela, cada portada, cada palmo, em suma, merece uma atenção especial. Quando, nas nossas urbes, os Centros Históricos são, em geral, uma lástima de abandono, desassossego, sujidade e um desperdício dos nossos valores, aquela lição ficou-me na retina e na memória. Para que conste, aqui a conto tal como a senti.
Por outro lado, foi com prazer que vi, numa montra, uma alusão turística à nossa Costa Nova, com preços de fazer inveja aos da " casa " - 38 euros por um dia de estadia, 90 por um fim de semana inteirinho. Eles lá sabem as linhas com que se cosem, mesmo quanto a preços...
Esta referência pôs-me ainda esta questão: o seu mar é o nosso oceano e ponto final. Porque têm de passar por estas bandas de Lafões, saibamos apanhá-los, em vez de os vermos viajar apenas, olhando para as nossas placas. Precisamos, para esse efeito, de uma outra estratégia e de outras políticas em favor de um turismo de captação e permanência...
Com as horas a fugir, venho por aí fora e dou com as Torres de Pinhel também bem preservadas, mas ainda longe do esforço conjunto que vi em Espanha. Há por ali uns atropelos, uns " modernismos " incrustados que bem se dispensavam. Mas aceitam-se razoavelmente.
Como começo de reanimação desses pedaços de história, ali em Pinhel já vi algo que me agradou. O mesmo poderei dizer de Marialva, de Sortelha, de Monsanto e um pouco ainda por mais um punhado de sítios apetitosos e de boa figura. Mas Cidade Rodrigo a todos esses aglomerados leva a palma... Importa agora é sabermos colher informação para a aplicarmos depois, que copiar os bons exemplos não é nada que se possa levar a mal.
Em caminho para a Guarda, dei de caras, à beira de uma via bem rasgada, com uma anta, mesmo à mão de semear: a da Pêra do Moço, que nos entra pelos olhos dentro. Bem conservada, bem estimada, é um bom modelo de trabalho e esforço colectivo no sentido de salvarmos o muito que nos resta de um passado que não podemos perder.
Mas, por mais que diga, nenhuma das antas que conheço - e são muitas - ultrapassa em arte e beleza a minha - a de Antelas, aqui no concelho de Oliveira de Frades. Essa, sim, essa é de se lhe tirar o chapéu e chorar por mais. Sempre.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Nova vida do Parlamento Europeu
Quando se comemoram trinta anos após a primeira eleição directa dos deputados do Parlamento Europeu, ei-los agora a reiniciar funções, muitos como caloiros, com vista a um novo mandato.
Para quem sente este projecto como uma parte substancial da sua cidadania - como é o meu caso, confessando-o sem quaisquer peias -, ver aquela gente ser minha representante a tão alto nível é um privilégio e uma honra. Nada me incomoda que ganhem, dizem alguns, um balúrdio. Espero é que consigam prosseguir a árdua e ingente tarefa de dotar esta nossa UE da força necessária para ser capaz de liderar o mundo, em ideias, em projectos e em boas práticas.
A minha Europa tem de ambicionar sempre essa dimensão: ser um exemplo e um baluarte de todos os mundos novos, este que esperamos e os mais que vão, necessariamente, aparecer, que isto da história nunca, nunca mesmo, está concluída e há sempre muito de imprevisível a bater-nos à porta.
Nestes dias, os deputados europeus andaram numa lufa-lufa para conhecerem os cantos à casa e até arrumarem as suas trouxas. Para além disso, creio eu, trataram de entabular conversa com os seus pares, de modo a não partirem do zero absoluto. Que tudo isso lhes tenha servido de pontapé de saída para os trabalhos que têm pela frente!
Em Bruxelas, Estrasburgo e Luxemburgo, que conheço razoavelmente, não se pode brincar à política, nem as capelinhas ali fazem sentido: ou se é capaz, ou então é melhor arrepiar caminho e regressar a casa, que outros deverão pegar nesses objectivos grandes, de modo a não perder esse carácter visionário - sempre preciso e essencial - de que a Europa tem vivido ao longo dos tempos.
Convém dizer-se que este é o projecto maior, em termos de capacidade e paz afirmativa, de uma Europa que, não esquecendo o Império Romano, o esboço de Carlos V, a tentativa de Napoleão, etc., alguma vez tem trilhado. Essa é a responsabilidade que recai sobre a cabeça desses mais de setecentos nossos representantes, vinte e dois deles, por sinal, portugueses.
Daqui a uns tempos, um outro pilar, o da Comissão presidida pela segunda vez por um nosso conterrâneo - Durão Barroso - vai entrar em funções também.
Mas agora foi a hora de esta gente não assinar o ponto apenas, mas comprometer-se com o nosso futuro europeu, onde tem de estar inscrito o sentir deste recanto, que não pode, nunca, ficar arredado desta sua nobre e alta missão: inscrever Portugal nesta caminhada colectiva, peso que quero que recai-a, inteirinho, sobre os ombros destes nossos amigos - 22 - que ali têm de prestar o melhor dos serviços.
Foi para isso - e só para isso - que foram eleitos.
Para quem sente este projecto como uma parte substancial da sua cidadania - como é o meu caso, confessando-o sem quaisquer peias -, ver aquela gente ser minha representante a tão alto nível é um privilégio e uma honra. Nada me incomoda que ganhem, dizem alguns, um balúrdio. Espero é que consigam prosseguir a árdua e ingente tarefa de dotar esta nossa UE da força necessária para ser capaz de liderar o mundo, em ideias, em projectos e em boas práticas.
A minha Europa tem de ambicionar sempre essa dimensão: ser um exemplo e um baluarte de todos os mundos novos, este que esperamos e os mais que vão, necessariamente, aparecer, que isto da história nunca, nunca mesmo, está concluída e há sempre muito de imprevisível a bater-nos à porta.
Nestes dias, os deputados europeus andaram numa lufa-lufa para conhecerem os cantos à casa e até arrumarem as suas trouxas. Para além disso, creio eu, trataram de entabular conversa com os seus pares, de modo a não partirem do zero absoluto. Que tudo isso lhes tenha servido de pontapé de saída para os trabalhos que têm pela frente!
Em Bruxelas, Estrasburgo e Luxemburgo, que conheço razoavelmente, não se pode brincar à política, nem as capelinhas ali fazem sentido: ou se é capaz, ou então é melhor arrepiar caminho e regressar a casa, que outros deverão pegar nesses objectivos grandes, de modo a não perder esse carácter visionário - sempre preciso e essencial - de que a Europa tem vivido ao longo dos tempos.
Convém dizer-se que este é o projecto maior, em termos de capacidade e paz afirmativa, de uma Europa que, não esquecendo o Império Romano, o esboço de Carlos V, a tentativa de Napoleão, etc., alguma vez tem trilhado. Essa é a responsabilidade que recai sobre a cabeça desses mais de setecentos nossos representantes, vinte e dois deles, por sinal, portugueses.
Daqui a uns tempos, um outro pilar, o da Comissão presidida pela segunda vez por um nosso conterrâneo - Durão Barroso - vai entrar em funções também.
Mas agora foi a hora de esta gente não assinar o ponto apenas, mas comprometer-se com o nosso futuro europeu, onde tem de estar inscrito o sentir deste recanto, que não pode, nunca, ficar arredado desta sua nobre e alta missão: inscrever Portugal nesta caminhada colectiva, peso que quero que recai-a, inteirinho, sobre os ombros destes nossos amigos - 22 - que ali têm de prestar o melhor dos serviços.
Foi para isso - e só para isso - que foram eleitos.
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