Na minha terra, tudo muda: as árvores verdejam, as andorinhas aparecem, o cuco começa de cantar e até o relógio diz que a hora é de mudança, que se deve rodar o relógio 360 graus, que se tem de dormir menos e olhar mais para o horizonte soalheiro, que, amanhã, o despertador toca mais "cedo". É uma chatice para muita gente, um embaraço para os dorminhocos, mas é um sinal de esperança para o mundo que quer progredir. Com mais sol a iluminar-nos, menos energia se gasta. É o ambiente, é o futuro que agradece.
Aqui, pelos lados de Oliveira de Frades, onde a UMJA encanta com seus acordes, estas são verdades que consolam. Mas sem a grande alteração que mais se anseia - a da radical entrada em vigor de um outro paradigma de governação - e que é justo esperar-se, a MUDANÇA ainda não tem a graça que deveria ter. O autor destas linhas, desde há meses, tem na mente um projecto e um timoneiro. Ele apareceu, legitimado pelo voto de quem o deveria escolher, fortemente consagrado pela expressiva maioria que o sufragou e, agora, num calendário que o tempo e só o tempo será capaz de pôr em prática, só resta aguardar pela força de seus argumentos.
Bons? Para mim, têm muito de agradável.
Último grito? Quem será capaz de o dar?
Esperança? Quanto baste, mas ainda algo tímida.
Se até o meu e o seu relógio mudou, qual a razão que impede a tomada de um outro caminho, de uma outra linha de rumo?
No horizonte de Portugal, exige-se um novo rumo: Passos Coelho pode(?) ser a solução.
Para mim e para já, até pelo voto que lhe dei, essa é a proposta.
Ideal? Não. Mas todo o óptimo não se dá com o bom...
Possível? Eu acredito...
domingo, 28 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Não sei se PECo...
Isto está a ferver: anda tudo em polvorosa por causa dum tal PEC, que ameaça dar cabo de todos nós. Todos? Talvez não. Há sempre uns felizardos que escapam a tudo aquilo que é mau, mas isso é mel que só chega a poucas mesas. Na grande maioria, mais que absoluta, quase total, o tal PEC começa por enganar: dizem que não aumentam impostos, mas cortam nas deduções, apesar de, muito prosaicamente, chegarem até a criar um simbólico escalão acima dos 150 mil euros de rendimento; não querem mais gente na Função Pública, mas retardam a idade da reforma; pretendem acabar com a fome e com a miséria, mas cortam nos apoios sociais; desejam mais emprego, mas levam os incentivos a dar às PME, PPPME e outras que tais; enfim, são um nosso colega Frei Tomás de corpo inteiro: olha para o que eu digo, não vejas o que eu faço...
Eu sei, cá no meu burgo de Oliveira de Frades, onde o investimento tem sido uma constante, que um qualquer PEC é necessário. Mas não é aquele que nos estão a impingir: este não é crescimento, não é estabilidade, não é futuro, não é árvore que preste - por mais que agora a defendamos -, não é flor que se cheire. Retirando tudo a quem já pouco tem de seu e de esperança, este PEC merece ser totalmente reformulado, adiado, repensado, reequacionado, triturado, queimado e só um novo pode ter pés para andar.
É preciso arregaçar mangas, vamos a isso. Mas todos e mais equitativamente. Temos de endireitar as finanças públicas, assim seja. Mas não fiquemos só pelo corte nas despesas, reanimemos as receitas. Não caiamos sobre a sacrificada classe média, ajudemo-la para que se estimule o consumo, a produção, o emprego, os fluxos financeiros, o movimento, o sangue vivo da economia, sendo que é um leigo que está a falar de tudo isto.
Com este documento, não sei mesmo se com ele PECo de todo e isso fere o meu sistema de valores, onde o PECado ainda conta alguma coisa, mesmo sem confissão formal.
Quero reerguer o meu país, mas isso tem de ser obra de todos e um outro projecto de engenharia e de arquitectura é absolutamente necessário. Mesmo que se tenham de aguardar mais alguns dias.
No meio de tudo isto, até o autismo governamental me incomoda e me revolta.
Tanto ou mais que o tal PEC.
Assim não quero PECar mesmo.
Eu sei, cá no meu burgo de Oliveira de Frades, onde o investimento tem sido uma constante, que um qualquer PEC é necessário. Mas não é aquele que nos estão a impingir: este não é crescimento, não é estabilidade, não é futuro, não é árvore que preste - por mais que agora a defendamos -, não é flor que se cheire. Retirando tudo a quem já pouco tem de seu e de esperança, este PEC merece ser totalmente reformulado, adiado, repensado, reequacionado, triturado, queimado e só um novo pode ter pés para andar.
É preciso arregaçar mangas, vamos a isso. Mas todos e mais equitativamente. Temos de endireitar as finanças públicas, assim seja. Mas não fiquemos só pelo corte nas despesas, reanimemos as receitas. Não caiamos sobre a sacrificada classe média, ajudemo-la para que se estimule o consumo, a produção, o emprego, os fluxos financeiros, o movimento, o sangue vivo da economia, sendo que é um leigo que está a falar de tudo isto.
Com este documento, não sei mesmo se com ele PECo de todo e isso fere o meu sistema de valores, onde o PECado ainda conta alguma coisa, mesmo sem confissão formal.
Quero reerguer o meu país, mas isso tem de ser obra de todos e um outro projecto de engenharia e de arquitectura é absolutamente necessário. Mesmo que se tenham de aguardar mais alguns dias.
No meio de tudo isto, até o autismo governamental me incomoda e me revolta.
Tanto ou mais que o tal PEC.
Assim não quero PECar mesmo.
segunda-feira, 15 de março de 2010
" A mim ninguém me cala "
Perdoe-me, Manuel Alegre, por lhe ter usurpado esta frase, eu que não penso, sequer, votar em si e até já tenho voto e Presidente meio decidido. Compreenda, por isso, o meu embaraço: sem ser seu apoiante, saco-lhe, no entanto, a ideia: " A mim ninguém me cala ", nem uma qualquer deliberação vinda de terras de D.João V. A mim, nunca!
Estranho até que este tema possa ali ter sido invocado e - muito pior que isso - votado por maioria. Não estive lá, mas repugna-me tal decisão.
Por tudo isto, " A mim ninguém me cala ". Nunca!
Só não falo mais, por hoje, porque me não apetece. Só por isso.
Estranho até que este tema possa ali ter sido invocado e - muito pior que isso - votado por maioria. Não estive lá, mas repugna-me tal decisão.
Por tudo isto, " A mim ninguém me cala ". Nunca!
Só não falo mais, por hoje, porque me não apetece. Só por isso.
domingo, 14 de março de 2010
Sazonalidades
Anda a economia preocupada com a velha questão das sazonalidades e, afinal, a vida é o primeiro desses factos. Ainda hoje, na Vagueira, um cidadão brasileiro, que o destino trouxe a Portugal, ao entrar para o almoço, caiu, estatelou-se no chão e, de repente, nada mais pôde fazer senão aguardar a vinda de uma ambulância - que apareceu a tempo, mesmo que tarde demais para quem duvida sempre do segundo que se segue àquele que se vive em cada sopro de vida - e partir para o hospital. Bom tratamento lhe desejo, a par de uma duradoura recuperação!
Este episódio, ocorrido em terra de sazonalidade por natureza, por ser apetecida como praia, fez-me avivar a ideia que estas ocorrências frequentes em certas épocas e escassas noutras, não são assim algo de estranho: a vida é sazonal para cada um de nós, porque aparecemos esporadicamente e logo desaparecemos; tem igual significado para quem vive dos fenómenos turísticos e os vê evaporar-se, por dá cá aquela palha, mal haja, neste caso, um arrufo do tempo; o mesmo se passa com as crises, que nunca nos deixam, bastando recuar até 1929, 1914/18, 1939/45, 1973, 198o..., para cairmos no enorme trambolhão que ainda agora nos assola.
De sazonalidade se pode falar, queridas filhas, em mensagens que seguem, de Oliveira de Frades, para o Caramulo e para Lisboa, em termos políticos: os bons, os verdadeiros, só se notam quando o rei faz anos. Sazonais quanto baste e demais, pena temos que não permaneçam junto de nós em cada dia do ano...
Estes tempos, estes, são de uma agreste sazonalidade: o sol não aquece, a chuva, por ser muita, já incomoda e aquilo que devia ser espaçado, sazonal e meigo, torna-se um pesado fardo, um incómodo de todo o tamanho.
Acreditem, no entanto, queridas filhas, que, a ler essas lições pelos exemplos dos nossos antepassados, novos tempos virão: a "não-sazonalidade" governativa, a boa entrega do nosso destino colectivo, a ideal e a necessária, não deixará de aparecer. Ainda que demore, é esta a minha esperança e, sei-o, também a vossa.
Acreditem, filhinhas! Boa noite, Lisboa, olá Caramulo!
Este episódio, ocorrido em terra de sazonalidade por natureza, por ser apetecida como praia, fez-me avivar a ideia que estas ocorrências frequentes em certas épocas e escassas noutras, não são assim algo de estranho: a vida é sazonal para cada um de nós, porque aparecemos esporadicamente e logo desaparecemos; tem igual significado para quem vive dos fenómenos turísticos e os vê evaporar-se, por dá cá aquela palha, mal haja, neste caso, um arrufo do tempo; o mesmo se passa com as crises, que nunca nos deixam, bastando recuar até 1929, 1914/18, 1939/45, 1973, 198o..., para cairmos no enorme trambolhão que ainda agora nos assola.
De sazonalidade se pode falar, queridas filhas, em mensagens que seguem, de Oliveira de Frades, para o Caramulo e para Lisboa, em termos políticos: os bons, os verdadeiros, só se notam quando o rei faz anos. Sazonais quanto baste e demais, pena temos que não permaneçam junto de nós em cada dia do ano...
Estes tempos, estes, são de uma agreste sazonalidade: o sol não aquece, a chuva, por ser muita, já incomoda e aquilo que devia ser espaçado, sazonal e meigo, torna-se um pesado fardo, um incómodo de todo o tamanho.
Acreditem, no entanto, queridas filhas, que, a ler essas lições pelos exemplos dos nossos antepassados, novos tempos virão: a "não-sazonalidade" governativa, a boa entrega do nosso destino colectivo, a ideal e a necessária, não deixará de aparecer. Ainda que demore, é esta a minha esperança e, sei-o, também a vossa.
Acreditem, filhinhas! Boa noite, Lisboa, olá Caramulo!
sexta-feira, 12 de março de 2010
Um passeio por Mafra
Para rever o fausto de D. João V e dar uma miradela ao Convento de Mafra, o PSD, em fase de turismo cá dentro, pouco mais que de pé descalço, resolveu mobilizar(?) o seu pessoal e ir até até à terra que tem por costume um Ministro a governá-la. Com sede de poder, perdido há anos, basta-lhe este consolo-terminação.
Só assim se compreende este Congresso. Nascido de um monte de caprichos, concretizou-se para na televisão aparecer todo aquele ambiente de festa, agora muito mais amortecido que em tempos de eleição com brilho, impacto e força. Mesmo assim, dizem, negoceiam-se esta tarde as entradas em maré de Telejornais, porque esses são momentos solenes...
Fora isso, pouco mais dali sairá. Talvez uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
No entanto, pode muito bem acontecer que haja algum frenesim, quando - noticiou-se - Santana Lopes, o mordomo-mor deste festim, subir ao palco e proclamar o seu desejo de ver Marcelo em S. Bento e um dos outros seus companheiros em S. Caetano à Lapa, despido de tudo, para deixar brilhar quem, muito desejado, não se quis atrever a ir a votos. Imaginação, vemos que a há a rodos, mas quanto a realismo e veia política, nem pitada, por estranho que pareça...
Quando à oposição se exige seriedade e acção, sai-nos na rifa este entremês, sem lei nem roque.
Que quem se coloca no terreno como futuro líder, saiba resistir ao encanto de abrilhantar um espectáculo destes, que isso de servir de animador cultural não é bem a vocação que se pede a quem tem de pensar no nosso devir.
Com um presente tristonho quanto baste - e é demais - esta passeata até Mafra não vem nada a propósito, pelo menos no nosso modesto entendimento...
Como a temos entre mãos, divertamo-nos com ela.
Mesmo sem vontade, deve acrescentar-se.
Só assim se compreende este Congresso. Nascido de um monte de caprichos, concretizou-se para na televisão aparecer todo aquele ambiente de festa, agora muito mais amortecido que em tempos de eleição com brilho, impacto e força. Mesmo assim, dizem, negoceiam-se esta tarde as entradas em maré de Telejornais, porque esses são momentos solenes...
Fora isso, pouco mais dali sairá. Talvez uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
No entanto, pode muito bem acontecer que haja algum frenesim, quando - noticiou-se - Santana Lopes, o mordomo-mor deste festim, subir ao palco e proclamar o seu desejo de ver Marcelo em S. Bento e um dos outros seus companheiros em S. Caetano à Lapa, despido de tudo, para deixar brilhar quem, muito desejado, não se quis atrever a ir a votos. Imaginação, vemos que a há a rodos, mas quanto a realismo e veia política, nem pitada, por estranho que pareça...
Quando à oposição se exige seriedade e acção, sai-nos na rifa este entremês, sem lei nem roque.
Que quem se coloca no terreno como futuro líder, saiba resistir ao encanto de abrilhantar um espectáculo destes, que isso de servir de animador cultural não é bem a vocação que se pede a quem tem de pensar no nosso devir.
Com um presente tristonho quanto baste - e é demais - esta passeata até Mafra não vem nada a propósito, pelo menos no nosso modesto entendimento...
Como a temos entre mãos, divertamo-nos com ela.
Mesmo sem vontade, deve acrescentar-se.
terça-feira, 9 de março de 2010
Adeus, Leandro
Escrevo-te esta carta, Leandro, talvez já um pouco atrasada, porque muito tenho sentido a tua falta, mas tive dificuldades em me dirigir a ti, assim na primeira pessoa, até por desconhecer a tua morada terrena, pois andas perdido nas águas do frio Tua. Sei apenas que estás em Bom sítio, que os miúdos, como tu, que tanto sofreram até chegar a este triste destino, bem merecem ir para o melhor dos lugares. É Aí que estás, de certeza.
Olha, fala-te quem vive no meio do sector do ensino. E, nesta hora, sinto-me muito mal, profundamento abatido: o meu sistema de educação falhou, porque morreu um de seus alunos, vítima duma crueldade pegada, que muito custa aceitar que ninguém tenha travado tais comportamentos absolutamente condenáveis.
Há responsáveis, de carne e osso. Nenhum deles pode descansar enquanto lhe pesar a dor de terem contribuído para que tu, caro Leandro, te tenhas atirado ao Rio.
Partiste. Deixaste-nos. Fizeste-lo, por estares abafado pela dor surda que te matou aos poucos.
A Escola toda, enquanto sistema, não pode estar também quieta e calada, como se nada tivesse acontecido. Ninguém pode atirar para canto. Ninguém, de Lisboa ao Porto, sem esquecer Mirandela.
Leandro, desculpa esta nossa falha colectiva. O teu e nosso país tem carradas de falhas e esta é uma das maiores: permitir que perdesses a alegria de viver aos doze anos é um horror que nos deve envergonhar a todos.
Perdoa-nos! Um abraço para a tua família e amigos.
Olha, fala-te quem vive no meio do sector do ensino. E, nesta hora, sinto-me muito mal, profundamento abatido: o meu sistema de educação falhou, porque morreu um de seus alunos, vítima duma crueldade pegada, que muito custa aceitar que ninguém tenha travado tais comportamentos absolutamente condenáveis.
Há responsáveis, de carne e osso. Nenhum deles pode descansar enquanto lhe pesar a dor de terem contribuído para que tu, caro Leandro, te tenhas atirado ao Rio.
Partiste. Deixaste-nos. Fizeste-lo, por estares abafado pela dor surda que te matou aos poucos.
A Escola toda, enquanto sistema, não pode estar também quieta e calada, como se nada tivesse acontecido. Ninguém pode atirar para canto. Ninguém, de Lisboa ao Porto, sem esquecer Mirandela.
Leandro, desculpa esta nossa falha colectiva. O teu e nosso país tem carradas de falhas e esta é uma das maiores: permitir que perdesses a alegria de viver aos doze anos é um horror que nos deve envergonhar a todos.
Perdoa-nos! Um abraço para a tua família e amigos.
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