Por norma, por defeito de fabrico, por experiências pessoais e profissionais, tenho particular aversão a Comissões de Inquérito e quejandos. Cheira-me, antecipadamente, a um céu carregado de núvens, a um mar com ondas repletas de óleos e outros meios de poluição e, por esses factos, não estou com um pé atrás: ponho logo travão às quatro rodas, acciono todos os bloqueios e, tremendamente expectante, ponho-me à coca, olho de lado, ouvido desconfiado quanto aos resultados que, sei, me vêm ter às mãos.
Como historiador, uso então todos os crivos possíveis e imaginários, a que junto o mais requintado sistema de funis. Pouco daquilo que é produzido nesses cenários me entra pela cabeça dentro: de cem argumentos, talvez fiquem, aí, uma meia dúzia e das pequenas, porventura mesmo com menos de seis unidades, se este fenómeno da matemática alguma vez é possível... Nunca, creio eu, mas arrisquei esta ideia... Peço perdão por isso.
Aquilo que me fizeram chegar, pela Comunicação Social, de que o Leandro nunca foi vítima de agressões continuadas e sistemáticas, para me esquecer do inglesismo subjacente a estes comportamentos condenáveis, não me parece muito lógico. Desconfio, piamente, das conclusões tiradas pelas Instituições que pegaram nesse assunto. Oficiais, para melhor se entender o contexto em que proferiram tão doutas deduções.
Se o Leandro também podia ter alguns pecados em seu desabono, disso pouco duvido, que ninguém é santo de pau, quando o ambiente adverso, ao que dizem, turbilha de todos os lados.
Mas sair da Escola a correr para se atirar ao Tua, traz água demais no bico, muito antes das correntes assustadoras que o arrastaram consigo. Para sempre.
Este inquérito, que me desculpem os seus responsáveis, tem um odor agreste a esturro e a outros ingredientes muito duvidosos... Para mim, o Leandro morreu porque aquela Escola - e, com ela, um pouco todos nós - falhou. Redondamente.
Lavar as mãos à Pilatos, perdão, não me parece o melhor dos caminhos no campo da responsabilização educativa e social que se exige, que se exige, de uma Casa de Educação.
Se me engano, repetidamente, acreditem que o faço por convicção profunda: o Leandro não se foi embora por dá cá aquela palha.
Que deve ter tido as suas terríveis e inquietantes razões, disso pouco duvido. Ou nada, melhor dito.
terça-feira, 6 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Páscoa
No intuito de preservar raízes e valores, a Páscoa, para mim, ainda tem encantos, muito embora a uma escala menor, de outrora. Olho para Quinta-Feira Santa e ponho-me a pensar no seu grande alcance, amanhã será uma Sexta-Feira especialíssima, a Santa das Santas sextas, enquanto o Sábado, véspera de Páscoa, é um interlúdio entre um tempo roxo e o Domingo, esse, da verdadeira Páscoa.
Curiosamente, na região em que vivo, Lafões, o Sábado tem nome e acto de monta: nele se assinala o Dia da Amizade, em almoço alusivo a essa força da nossa comunidade, o que vai acontecer em Queirã-Vouzela.
Nos tempos seguintes, domingo, segunda e dia da Pascoela, haverá a Visita Pascal, algo que ainda se não perdeu, por estes lados.
Hoje é dia de enganos. Sendo a tradição uma sombra do que era, não meti qualquer peta. Melhor: ao tentar fazê-lo, fui logo descoberto. É a idade a congelar a frescura de outros tempos.
Mas a Páscoa, sendo um assunto sério, mesmo que se esteja em 1 de Abril, não passa por qualquer brincadeira.
É assim e assim mesmo: Páscoa.
E ao domingo, claro.
Curiosamente, na região em que vivo, Lafões, o Sábado tem nome e acto de monta: nele se assinala o Dia da Amizade, em almoço alusivo a essa força da nossa comunidade, o que vai acontecer em Queirã-Vouzela.
Nos tempos seguintes, domingo, segunda e dia da Pascoela, haverá a Visita Pascal, algo que ainda se não perdeu, por estes lados.
Hoje é dia de enganos. Sendo a tradição uma sombra do que era, não meti qualquer peta. Melhor: ao tentar fazê-lo, fui logo descoberto. É a idade a congelar a frescura de outros tempos.
Mas a Páscoa, sendo um assunto sério, mesmo que se esteja em 1 de Abril, não passa por qualquer brincadeira.
É assim e assim mesmo: Páscoa.
E ao domingo, claro.
domingo, 28 de março de 2010
Mudança de hora
Na minha terra, tudo muda: as árvores verdejam, as andorinhas aparecem, o cuco começa de cantar e até o relógio diz que a hora é de mudança, que se deve rodar o relógio 360 graus, que se tem de dormir menos e olhar mais para o horizonte soalheiro, que, amanhã, o despertador toca mais "cedo". É uma chatice para muita gente, um embaraço para os dorminhocos, mas é um sinal de esperança para o mundo que quer progredir. Com mais sol a iluminar-nos, menos energia se gasta. É o ambiente, é o futuro que agradece.
Aqui, pelos lados de Oliveira de Frades, onde a UMJA encanta com seus acordes, estas são verdades que consolam. Mas sem a grande alteração que mais se anseia - a da radical entrada em vigor de um outro paradigma de governação - e que é justo esperar-se, a MUDANÇA ainda não tem a graça que deveria ter. O autor destas linhas, desde há meses, tem na mente um projecto e um timoneiro. Ele apareceu, legitimado pelo voto de quem o deveria escolher, fortemente consagrado pela expressiva maioria que o sufragou e, agora, num calendário que o tempo e só o tempo será capaz de pôr em prática, só resta aguardar pela força de seus argumentos.
Bons? Para mim, têm muito de agradável.
Último grito? Quem será capaz de o dar?
Esperança? Quanto baste, mas ainda algo tímida.
Se até o meu e o seu relógio mudou, qual a razão que impede a tomada de um outro caminho, de uma outra linha de rumo?
No horizonte de Portugal, exige-se um novo rumo: Passos Coelho pode(?) ser a solução.
Para mim e para já, até pelo voto que lhe dei, essa é a proposta.
Ideal? Não. Mas todo o óptimo não se dá com o bom...
Possível? Eu acredito...
Aqui, pelos lados de Oliveira de Frades, onde a UMJA encanta com seus acordes, estas são verdades que consolam. Mas sem a grande alteração que mais se anseia - a da radical entrada em vigor de um outro paradigma de governação - e que é justo esperar-se, a MUDANÇA ainda não tem a graça que deveria ter. O autor destas linhas, desde há meses, tem na mente um projecto e um timoneiro. Ele apareceu, legitimado pelo voto de quem o deveria escolher, fortemente consagrado pela expressiva maioria que o sufragou e, agora, num calendário que o tempo e só o tempo será capaz de pôr em prática, só resta aguardar pela força de seus argumentos.
Bons? Para mim, têm muito de agradável.
Último grito? Quem será capaz de o dar?
Esperança? Quanto baste, mas ainda algo tímida.
Se até o meu e o seu relógio mudou, qual a razão que impede a tomada de um outro caminho, de uma outra linha de rumo?
No horizonte de Portugal, exige-se um novo rumo: Passos Coelho pode(?) ser a solução.
Para mim e para já, até pelo voto que lhe dei, essa é a proposta.
Ideal? Não. Mas todo o óptimo não se dá com o bom...
Possível? Eu acredito...
quinta-feira, 18 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Não sei se PECo...
Isto está a ferver: anda tudo em polvorosa por causa dum tal PEC, que ameaça dar cabo de todos nós. Todos? Talvez não. Há sempre uns felizardos que escapam a tudo aquilo que é mau, mas isso é mel que só chega a poucas mesas. Na grande maioria, mais que absoluta, quase total, o tal PEC começa por enganar: dizem que não aumentam impostos, mas cortam nas deduções, apesar de, muito prosaicamente, chegarem até a criar um simbólico escalão acima dos 150 mil euros de rendimento; não querem mais gente na Função Pública, mas retardam a idade da reforma; pretendem acabar com a fome e com a miséria, mas cortam nos apoios sociais; desejam mais emprego, mas levam os incentivos a dar às PME, PPPME e outras que tais; enfim, são um nosso colega Frei Tomás de corpo inteiro: olha para o que eu digo, não vejas o que eu faço...
Eu sei, cá no meu burgo de Oliveira de Frades, onde o investimento tem sido uma constante, que um qualquer PEC é necessário. Mas não é aquele que nos estão a impingir: este não é crescimento, não é estabilidade, não é futuro, não é árvore que preste - por mais que agora a defendamos -, não é flor que se cheire. Retirando tudo a quem já pouco tem de seu e de esperança, este PEC merece ser totalmente reformulado, adiado, repensado, reequacionado, triturado, queimado e só um novo pode ter pés para andar.
É preciso arregaçar mangas, vamos a isso. Mas todos e mais equitativamente. Temos de endireitar as finanças públicas, assim seja. Mas não fiquemos só pelo corte nas despesas, reanimemos as receitas. Não caiamos sobre a sacrificada classe média, ajudemo-la para que se estimule o consumo, a produção, o emprego, os fluxos financeiros, o movimento, o sangue vivo da economia, sendo que é um leigo que está a falar de tudo isto.
Com este documento, não sei mesmo se com ele PECo de todo e isso fere o meu sistema de valores, onde o PECado ainda conta alguma coisa, mesmo sem confissão formal.
Quero reerguer o meu país, mas isso tem de ser obra de todos e um outro projecto de engenharia e de arquitectura é absolutamente necessário. Mesmo que se tenham de aguardar mais alguns dias.
No meio de tudo isto, até o autismo governamental me incomoda e me revolta.
Tanto ou mais que o tal PEC.
Assim não quero PECar mesmo.
Eu sei, cá no meu burgo de Oliveira de Frades, onde o investimento tem sido uma constante, que um qualquer PEC é necessário. Mas não é aquele que nos estão a impingir: este não é crescimento, não é estabilidade, não é futuro, não é árvore que preste - por mais que agora a defendamos -, não é flor que se cheire. Retirando tudo a quem já pouco tem de seu e de esperança, este PEC merece ser totalmente reformulado, adiado, repensado, reequacionado, triturado, queimado e só um novo pode ter pés para andar.
É preciso arregaçar mangas, vamos a isso. Mas todos e mais equitativamente. Temos de endireitar as finanças públicas, assim seja. Mas não fiquemos só pelo corte nas despesas, reanimemos as receitas. Não caiamos sobre a sacrificada classe média, ajudemo-la para que se estimule o consumo, a produção, o emprego, os fluxos financeiros, o movimento, o sangue vivo da economia, sendo que é um leigo que está a falar de tudo isto.
Com este documento, não sei mesmo se com ele PECo de todo e isso fere o meu sistema de valores, onde o PECado ainda conta alguma coisa, mesmo sem confissão formal.
Quero reerguer o meu país, mas isso tem de ser obra de todos e um outro projecto de engenharia e de arquitectura é absolutamente necessário. Mesmo que se tenham de aguardar mais alguns dias.
No meio de tudo isto, até o autismo governamental me incomoda e me revolta.
Tanto ou mais que o tal PEC.
Assim não quero PECar mesmo.
segunda-feira, 15 de março de 2010
" A mim ninguém me cala "
Perdoe-me, Manuel Alegre, por lhe ter usurpado esta frase, eu que não penso, sequer, votar em si e até já tenho voto e Presidente meio decidido. Compreenda, por isso, o meu embaraço: sem ser seu apoiante, saco-lhe, no entanto, a ideia: " A mim ninguém me cala ", nem uma qualquer deliberação vinda de terras de D.João V. A mim, nunca!
Estranho até que este tema possa ali ter sido invocado e - muito pior que isso - votado por maioria. Não estive lá, mas repugna-me tal decisão.
Por tudo isto, " A mim ninguém me cala ". Nunca!
Só não falo mais, por hoje, porque me não apetece. Só por isso.
Estranho até que este tema possa ali ter sido invocado e - muito pior que isso - votado por maioria. Não estive lá, mas repugna-me tal decisão.
Por tudo isto, " A mim ninguém me cala ". Nunca!
Só não falo mais, por hoje, porque me não apetece. Só por isso.
domingo, 14 de março de 2010
Sazonalidades
Anda a economia preocupada com a velha questão das sazonalidades e, afinal, a vida é o primeiro desses factos. Ainda hoje, na Vagueira, um cidadão brasileiro, que o destino trouxe a Portugal, ao entrar para o almoço, caiu, estatelou-se no chão e, de repente, nada mais pôde fazer senão aguardar a vinda de uma ambulância - que apareceu a tempo, mesmo que tarde demais para quem duvida sempre do segundo que se segue àquele que se vive em cada sopro de vida - e partir para o hospital. Bom tratamento lhe desejo, a par de uma duradoura recuperação!
Este episódio, ocorrido em terra de sazonalidade por natureza, por ser apetecida como praia, fez-me avivar a ideia que estas ocorrências frequentes em certas épocas e escassas noutras, não são assim algo de estranho: a vida é sazonal para cada um de nós, porque aparecemos esporadicamente e logo desaparecemos; tem igual significado para quem vive dos fenómenos turísticos e os vê evaporar-se, por dá cá aquela palha, mal haja, neste caso, um arrufo do tempo; o mesmo se passa com as crises, que nunca nos deixam, bastando recuar até 1929, 1914/18, 1939/45, 1973, 198o..., para cairmos no enorme trambolhão que ainda agora nos assola.
De sazonalidade se pode falar, queridas filhas, em mensagens que seguem, de Oliveira de Frades, para o Caramulo e para Lisboa, em termos políticos: os bons, os verdadeiros, só se notam quando o rei faz anos. Sazonais quanto baste e demais, pena temos que não permaneçam junto de nós em cada dia do ano...
Estes tempos, estes, são de uma agreste sazonalidade: o sol não aquece, a chuva, por ser muita, já incomoda e aquilo que devia ser espaçado, sazonal e meigo, torna-se um pesado fardo, um incómodo de todo o tamanho.
Acreditem, no entanto, queridas filhas, que, a ler essas lições pelos exemplos dos nossos antepassados, novos tempos virão: a "não-sazonalidade" governativa, a boa entrega do nosso destino colectivo, a ideal e a necessária, não deixará de aparecer. Ainda que demore, é esta a minha esperança e, sei-o, também a vossa.
Acreditem, filhinhas! Boa noite, Lisboa, olá Caramulo!
Este episódio, ocorrido em terra de sazonalidade por natureza, por ser apetecida como praia, fez-me avivar a ideia que estas ocorrências frequentes em certas épocas e escassas noutras, não são assim algo de estranho: a vida é sazonal para cada um de nós, porque aparecemos esporadicamente e logo desaparecemos; tem igual significado para quem vive dos fenómenos turísticos e os vê evaporar-se, por dá cá aquela palha, mal haja, neste caso, um arrufo do tempo; o mesmo se passa com as crises, que nunca nos deixam, bastando recuar até 1929, 1914/18, 1939/45, 1973, 198o..., para cairmos no enorme trambolhão que ainda agora nos assola.
De sazonalidade se pode falar, queridas filhas, em mensagens que seguem, de Oliveira de Frades, para o Caramulo e para Lisboa, em termos políticos: os bons, os verdadeiros, só se notam quando o rei faz anos. Sazonais quanto baste e demais, pena temos que não permaneçam junto de nós em cada dia do ano...
Estes tempos, estes, são de uma agreste sazonalidade: o sol não aquece, a chuva, por ser muita, já incomoda e aquilo que devia ser espaçado, sazonal e meigo, torna-se um pesado fardo, um incómodo de todo o tamanho.
Acreditem, no entanto, queridas filhas, que, a ler essas lições pelos exemplos dos nossos antepassados, novos tempos virão: a "não-sazonalidade" governativa, a boa entrega do nosso destino colectivo, a ideal e a necessária, não deixará de aparecer. Ainda que demore, é esta a minha esperança e, sei-o, também a vossa.
Acreditem, filhinhas! Boa noite, Lisboa, olá Caramulo!
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