sábado, 11 de dezembro de 2010

Três em um

1 - É com um amargo de boca que vejo sair de cena o " Contra Informação ". Antes de os " Gato Fedorento " o meu padrão de humor estava com essa pequena maravilha do bom gosto em crítica elevada, com piada, com cenário, com criatividade. Vieram esses putos-maravilha e rendi-me: fizeram apear do meu pedestal o anterior programa, mas continuou em segundo lugar.
Agora, ao ver partir essa gente de plástico, mas com cara de gente, sinto-me triste e com vontade de gritar: apareçam por uma qualquer outra porta!
2 - Ao falar de espectáculo, cultura e boa disposição, à escala local, tenho de saudar a ACROF, de Oliveira de Frades, que hoje comemorou trinta anos, bem recheados de muitos momentos de inesquecível onda de simpática oferta cultural, de grande valor, por trabalhar, sobretudo, com camadas jovens. Uma maravilha que merece ser apoiada e continuar a sua tarefa é uma "obrigação" que lhe cai que nem uma luva.
Foi bom estar na sua festa. Na Casa da Aldeia, em Souto de Lafões, evocaram-se o passado e os fundadores. Boa ideia! Mas, sobretudo, escreveram-se palavras de futuro. É esse que, apesar dos anos, ainda espero apreciar por mais algum tempo. Boa sorte!
3 - Cento e dois anos é obra, é muita obra. É Manuel Oliveira no seu esplendor. Parabéns!
Quem assim e aqui fala há anos, muitos, aliás, até achava uma "seca" os filmes deste grande Rei. Hoje, depois de o conhecer bem melhor, tenho de confessar: perdoe-me, Manuel de Oliveira, a minha ignorância de então. Perante tudo aquilo que tem dado ao mundo, viva, viva, viva!...
Três em um foi assim um curto espaço de cultura.
Gostei de escrever estas linhas, disso não tenho a menor dúvida.
NOTA - Quero ainda saudar o aparecimento da nova Revista " Terras de Lafões ", que nasceu da ideia e do trabalho de Júlio Cruz. É sua directora Ester Vargas. Vale a pena lê-la, ainda que eu seja, por motivos óbvios, fortemente suspeito. Procurem-na, que esta publicação já anda por aí...

domingo, 5 de dezembro de 2010

Relembrar quem assim falou

Com a morte do Professor Ernâni Lopes, já o disse, todos ficámos muito mais pobres, porque, se a crise nos depena de todo, a falta de quem fale com rigor e saber é a maior das perdas. Era assim que eu via este cidadão empenhado. Para recordar o seu inestimável contributo dado à causa das ideias e propostas, recordo umas notas que tirei de um de seus debates, não muito distante, em que interveio com os seus colegas João Duque e Medina Carreira. Falou claro, disse e mostrou em gráfico o que lhe ia na alma ( está bem dito, na alma ) e eu registei em papel rabiscado, aqui expondo, a esmo, o resultado dessa profícua recolha:
- Via útil para o futuro: onde está facilitismo, pôr exigência; vulgaridade - excelência; moleza - dureza; golpada - seriedade; videirismo - honra; ignorância - conhecimento; mandriice - trabalho; aldrabice - honestidade.
Em resumo e desta forma simples, aqui assim retratada sem busca de mais pormenores, estas foram palavras e máximas que me ficaram na memória e que partilho publicamente nesta mensagem número duzentos, que hoje vai para o ar.
Não sei se teremos coragem política para assim agir. Não sei, na medida em que nem todos temos o dom de acreditar na força do que deve ser pensado e dito. Não sei e tenho pena de o não saber, porque cada minuto que passa, em termos de tomada de decisões correctas e palpáveis, é um século de conquistas que se evapora.
Num país assim, em que tudo se atira cá para fora e seja o que Deus quiser, temos de encontrar, obrigatoriamente, a bissectriz que nos conduza ao melhor dos caminhos, a sua " via útil para o futuro ", que o passado tem muito a ensinar-nos e o presente, convenhamos, não abona muito em nosso favor. Mas desta nossa grande doença não teve culpa o Professor Ernâni Lopes, que tudo fez para vivermos de uma outra forma bem mais apetecível... Só que nós, também eu, todos temos culpa no cartório das asneiras e maluquices que quase nos vêm afundando até ao pescoço.
Em sua memória, sigamos os seus conselhos.
Viveremos um outro futuro, disso terei a certeza.
Mas só se bebermos na fonte fresca e cristalina que nos legou.
Neste postal nº 200, é assim que me vou calar. Para sentir o eco das mensagens que até nós fez chegar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

ASSOL certificada

A ASSOL - Associação de Solidariedade Social de Lafões - mostrou hoje, publicamente, em sessão organizada para esse efeito, no Cine-Teatro, em S. Pedro do Sul, o resultado de um árduo e bem conseguido trabalho de mais de vinte anos, que veio agora a ser coroado com uma Certificação de nível europeu, normas EQUASS, um galardão com muito de inédito, mas, sobretudo, de reconhecido mérito. Parabéns a todos quantos, e muitos foram, colaboraram neste sucesso.
Esta foi uma forma brilhante de assinalar o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que, assim, teve um significado redobrado.
O galardão citado foi recebido em Bruxelas, no passado dia 17 de Novembro, depois de um longo ano de preparativos e da exigência de uma Auditoria, que confirmou tudo aquilo de que necessitava para poder dar o seu aval positivo em mais de cem itens, todos eles avaliados com nota destacada, ao que apurámos.
De notar que esta Instituição opera nos concelhos de Castro Daire, Tondela, Vouzela, S. Pedro do Sul e Oliveira de Frades (Sede ), espalhando a sua actividade por uma série de serviços e valências, que assim mostraram estar à altura dos desafios que tem pela frente, agora ainda mais responsabilizados, como ali foi salientado.
Com mais esta distinção, são todas as pessoas apoiadas que estão de parabéns, assim como a comunidade no seu todo. Obrigado, ASSOL, por todo o contributo que vem dando desde há mais de duas décadas, repita-se.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Novos autores e autores novos

Esta minha região de Lafões bem pode dar-se por muito satisfeita com o balanço cultural do passado mês de Novembro. De um momento para o outro, Pedro Miguel Rocha, com profundas raízes no concelho de Vouzela e Dulce Martinho, de Oliveira de Frades, deram corda à criatividade, fazendo nascer três obras, três, repita-se: Pedro Rocha, com uma parceria em " Já não se fazem homens como antigamente ", com um conto, em quatro, intitulado " A lâmina do amor ", da Editora Esfera do Caos, e a solo, " Chegamos a Fisterra ", das Edições Ecopy - Prosadores Contemporâneos; Dulce Martinho, com " Sobre a França e a Europa - Utopia e desencanto em Eduardo Lourenço ", assim dando seguimento a uma dissertação de Mestrado.

Com apresentações no Porto, Braga, Lisboa e Oliveira de Frades, o panorama da cultura e literatura portuguesas está, agora, muito mais enriquecido com o contributo destes dois jovens professores e escritores, meus queridos conterrâneos.
No que se refere ao Pedro, trata-se do seu terceiro trabalho. Por acreditarmos que podem fazer muito mais, é isso que lhes pedimos, aos dois, porque todos ficamos a ganhar com o seu labor, entusiasmo, capacidade e genica. Força, malta!

Mas nem só de alegrias vivemos nós. A morte do Professor Ernâni Lopes, que muito deu a Portugal, enquanto Ministro, economista, pensador e homem de acção em prol das ideias que defendia e em que acreditava piamente, traz-nos, por outro lado, uma imensa tristeza.

Recordo quanto nos tivemos de esforçar, nos inícios da década de oitenta, para retomarmos o caminho da credibilidade finaceira e a retoma da economia, quando, por sua mão, aqui entrou o FMI. Mas, então, tudo isso valeu a pena, porque sempre falou verdade, por mais que ela nos tenha doído.
Reconheço o êxito da nossa então entrada na CEE, que teve, em si, um grande obreiro.
Enfim, curvo-me perante o Homem e a obra, o Professor Ernâni Lopes.

domingo, 28 de novembro de 2010

Bruxelas a tratar do nosso destino

Este cidadão da Serra do Ladário anda preocupado com o seu país. Por mais que se ate, há logo quem desate. Dados os nós do Orçamento, não sei se daqueles de marinheiro, bem feitos e seguros, se nós de um Zé qualquer, que se desfazem num ápice, já se acena, novamente, com o papão dos juros, temem-se os efeitos bola de neve vindos da Grécia e da Irlanda, toda a gente treme e a União Europeia deixa que este perigoso cai abaixo da montanha-russa a que subimos ao longo de anos se arraste indefinidamente.
Apre, que é demais tanto tacticismo! Chega de dar cotoveladas uns nos outros. Basta de uma mesa onde só se sentam pessoas meio desavindas, que, quando toca de ser solidário, arreda que é Satanás.
Quando os Ministros das Finanças estão hoje em Bruxelas, o Terreiro do Paço dos grandes, pede-se-lhe que olhem para a NATO, que, com todos os seus defeitos e fraquezas, tem uma virtude inquestionável: a capacidade de se entender que um ataque a um dos seus é uma ameaça geral. Logo, a resposta apresenta-se global e participada.
Na UE, vê-se o que, infelizmente, está a acontecer: as finanças de um ou outro membro sofrem ataques descabelados e os demais cospem para o lado.
Assim, não há Euro que resista, nem União que se mantenha com credibilidade e firmeza.
O lema do meu Benfica também aqui pode ser aplicado: " Um por todos e todos por um".
Se persistirmos neste empurra para lá, sejamos todos sinceros: agarre-se um outro projecto que este parece estar defunto, quase a cheirar mal.
Meu caro José Barroso, dê-se um murro na mesa, depressa, alto e bom som. O tempo urge!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um dia parado para se andar

Estive aqui eu preso na minha indolência de alguém que já não se inscreve nas estatísticas das pessoas activas e, de repente, dei por mim a pensar que uma vida assim tem pouco sentido: ela só é vida se estiver ligada a quem vive momentos de dificuldade extrema e por essa gente faz alguma coisa. Por isso mesmo, passei o meu tempo a ver se havia algo de verdade nos números da greve geral. Este foi um exercício de cidadania, mas que de pouco valeu. O governo aponta para uns míseros vinte por cento, mais coisa menos coisa; as Centrais Sindicais falam na maior greve de sempre e sobem a fasquia até ao céu, aí na ordem dos oitenta/noventa por cento...
Quis ser útil e, uma vez mais, falhei. Se todos têm a sua verdade, esta tem de estar algures, talvez no meio, na esfera do bom senso, na bissectriz das boas atitudes e decisões.
É este, então, o meu contributo à causa da greve, onde gostaria de ter estado e não pude fazê-lo, porque há estatutos que a idade ou as circunstâncias tudo anulam: dizer que é preciso encarar esta contestação como um valente puxão de orelhas a um governo mouco e cego e deixar para os sindicatos a ideia que não se foi assim tão longe quanto fizesse cair S. Bento, o Carmo e a Trindade...
O meio caminho parece-me a melhor solução. Mas há um dado adquirido, de certeza: depois deste dia 24 de Novembro, mais quentes estão as orelhas do governo e, sobretudo, as do primeiro-ministro. Esconder esta verdade, hoje reafirmada, é ser desprovido de uma qualidade que se exige a quem nos governa - ser perspicaz.
Amanhã é o dia 25 de Novembro, uma outra data histórica. Esta e o 25 de Abril são um duo inseparável, por se associarem, em grande escala, à virtude maior do nosso sistema que, mesmo com todas as suas vicissitudes, se chama LIBERDADE. E esta não regateamos, nunca.
A greve de hoje e o dia de amanhã são, em suma, peças da mesma engrenagem: uma vida em democracia, que todos devemos estimar.
Assim, que se lixem os números da greve, porque uns e outros não falam verdade!
Mas a greve falou alto e isso é o que importa.

domingo, 21 de novembro de 2010

Braço a torcer: a Cimeira da NATO valeu a pena

Daqui, da minha varanda de Oliveira de Frades, olhei com desconfiança para a Cimeira da NATO, que acabou de se realizar em Lisboa. Pensei que era mais um passeio pela sua história, que estava minada pela própria evolução do mundo, de onde desapareceu a célebre guerra-fria e o medo recíproco, mas afinal aquilo foi um grande salto para a frente.
Desfeitos velhos conceitos, falecida - e ainda bem! - a cortina de ferro, a busca de outros alargados caminhos veio a acontecer, de modo a abrir as portas à cooperação entre ancestrais "inimigos", o que é francamente positivo.
Porque dar o braço a torcer é atitude de quem sabe reconhecer os seus erros, dou a minha mão à palmatória. Em Lisboa viveram-se momentos de excelência a nível das relações multilaterais e isso é motivo de sobra para nos sentirmos francamente bem com esses desfechos.
Mas há mais: as demais reuniões entre campos de associações diversas, tipo NATO/UE e outras, para além dos encontros que tiveram Portugal no seu centro, são motivos mais do que suficientes para dizermos que, ali, tudo correu de feição.
Há ainda o facto de a nossa organização ter brilhado. Parabéns.
Bons assim em eventos desta envergadura, só nos resta pôr em prática esses mesmos princípios de eficiência e eficácia no nosso dia a dia.
Por ter falhado nos meus cálculos, peço imensa desculpa, porque esta gente da Beira não tem vergonha de se retratar sempre que algo lhe sai mal. Foi o meu caso, sem dúvida.