Nestas andanças da vida, habituámo-nos a pensar que a cultura é costela de gente que não vive neste mundo, que circula um pouco pela estratosfera e, por isso, a sua divulgação tem sido confiada, quase por inteiro, nas terras de além-Lisboa, às autarquias e uma série de teimosas e dedicadas instituições. Mas, a nível de negócio, pouca gente se aventura em desbravar tais caminhos de gerar lucro e constituir um meio de vida.
Só que toda a verdade tem as suas excepções e uma delas encontrei-a na Vagueira, ali para os lados de Vagos, está bom de ver, onde o mar bate no paredão e se afirma na sua plenitude: fogoso quanto baste, às vezes, talvez, até demais, mas agradável e convidativo, a necessitar, a meu ver, de um outro aproveitamento em termos de cuidados oficiais nas zonas envolventes.
Foi aí, nessa terra, que entrei no Perlimpimpim e vi que ali havia mão de inciativa empresarial de sucesso, onde a cultura, essa parente pobre, tinha assentado arraiais. Com um misto de bar, de galeria de exposições, de alfobre de iniciativas culturais de muito interese e bom nível, fácil foi constituir-se em ponto de ida e paragem obrigatórias. Assim tem acontecido, desde há um ano, mais ou menos.
Pus-me a pensar e hoje mostro o meu desabafo: eis ali uma espécie de Vereação da Cultura, vestida de fato de empresa privada, que urge acarinhar e a melhor forma de o fazer é ir, ir e ficar, voltar a ir e não deixar de o fazer um dia e outro.
É que quem assim trabalha merece que o retorno não fique à porta, mas que se entre e se sente quem gosta de um "café" com ar de bica musical, um bolo com marca de quadro que se aprecia, ou de um chá com acepipes de retoques culturais, que são o selo e a marca daquela Casa.
Uma aposta de grande horizontes ali se pôs a marchar. E vai longe, tais são os sinais de êxito que se cheiram por todo o lado.
Com um Perlimpimpim assim, cada instante tem mais valor, sobretudo se não quisermos dar o tempo por perdido e isso ali não acontece. Pelo menos até ao momento...
sábado, 8 de janeiro de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Vou partir de 2010
Há partidas que não antecipam nada de bom. Não quero crer, mas pressinto que aí vem borrasca, que o sol ficará mais escuro e mais frio, que as dificuldades caem, uma vez mais, sobre quem mais sofre, que o mundo avança, mas a bola não pula, não salta, não alegra, quase me parece o meu Benfica em maré baixa, esta de agora.
No entanto, sei que tenho de agarrar nas malas e ir por aí fora, da cabeça baixa, a percorrer as ruas enlameadas de um novo ano de 2011, desejado, por um lado, temido, por muitos mais motivos.
No calendário das mudanças, esta tem registo garantido e muito fogo de artifício. No momento em que escrevo estas linhas, há irmãos nossos que já deram o salto, já deixaram para trás 2010. Aqui, na encosta sul da Serra do Ladário, de Oliveira de Frades, ainda se vive o ano velho. Bem nos poderiam dizer, aqueles amigos, se é melhor ou pior o ano que daqui a horas nos bate à porta. Mas estão em festa, que assim continuem! Não os vou incomodar com questões de um foro tão egoísta, como este que estou a viver: saber se vou partir para o sonho ou para o pesadelo...
Ao olhar para o Orçamento de 2011, é de arrepiar o que aí vem.
Ao ver a apatia europeia, quanto a segurar este importante projecto, sinto insónias.
Ao ver que a folha do calendário, que tenho à minha frente, vai ser rasgada, já tenho pena de a ver desaparecer.
Ao ver que tenho de desejar Bom Ano Novo, tenho uma vaga ideia que estou a mentir.
Antes não estivesse.
Até amanhã, em 2011!
No entanto, sei que tenho de agarrar nas malas e ir por aí fora, da cabeça baixa, a percorrer as ruas enlameadas de um novo ano de 2011, desejado, por um lado, temido, por muitos mais motivos.
No calendário das mudanças, esta tem registo garantido e muito fogo de artifício. No momento em que escrevo estas linhas, há irmãos nossos que já deram o salto, já deixaram para trás 2010. Aqui, na encosta sul da Serra do Ladário, de Oliveira de Frades, ainda se vive o ano velho. Bem nos poderiam dizer, aqueles amigos, se é melhor ou pior o ano que daqui a horas nos bate à porta. Mas estão em festa, que assim continuem! Não os vou incomodar com questões de um foro tão egoísta, como este que estou a viver: saber se vou partir para o sonho ou para o pesadelo...
Ao olhar para o Orçamento de 2011, é de arrepiar o que aí vem.
Ao ver a apatia europeia, quanto a segurar este importante projecto, sinto insónias.
Ao ver que a folha do calendário, que tenho à minha frente, vai ser rasgada, já tenho pena de a ver desaparecer.
Ao ver que tenho de desejar Bom Ano Novo, tenho uma vaga ideia que estou a mentir.
Antes não estivesse.
Até amanhã, em 2011!
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Dos PIN aos PIPP, passando pela UMJA
Está na moda falar-se em PIN - Projectos de Interesse Nacional - sempre que se quer viabilizar um grande investimento. Concordo. Mas defendo muito mais a ideia dos PIPP - Projectos de Interesse Para as Pessoas. Num caso e noutro, os enfoques são diferentes: no primeiro, é a economia que prevalece; no segundo, esta valência económica é colocada no centro daquilo que é a essência de todas as comunidades - o Homem.
Ao viver-se mais com preocupações de ordem financeira, esquece-se o cerne da questão, põe-se de lado o objectivo nobre da política, que é o de tudo condicionar ao bem-estar e sucesso de toda e de cada uma das pessoas que habitam o universo e que são nossos irmãos, em qualquer filosofia de vida, ou, pelo menos, assim deveria ser.
Sem esta vertente humanista, a economia e a política - esta no topo - não deixam de ser instrumentos curtos de um progresso que pode ser crescimento, mas não é desenvolvimento, de certeza.
A provar que o Homem tem a suprema primazia, eis a minha UMJA, Banda Juvenil do concelho de Oliveira de Frades, a oferecer-nos, em pleno dia de Natal, um soberbo espectáculo, que contou com uma peça teatral infantil, a cargo dos alunos da sua Escola de Música do 1º ano, logo seguida de um trecho musical pelos elementos femininos mais novos e de um grito de criatividade, a todos os níveis, desde a música à representação em palco.
Como não poderia deixar de ser, uma sala cheia que nem um ovo teve o prazer de assistir e aplaudir um Concerto de Natal de cinco estrelas, ou, melhor, de um céu bem luminoso, num Natal assim muito mais Natal, se isso é possivel.
Aqui, a pessoa apareceu em primeiríssimo lugar, fruto do trabalho e dedicação de umas dezenas de jovens que sabem de música a potes e a oferecem a quem dela tanto gosta.
Bom Ano Novo para quem tanto dá de si em prol da cultura e da música, "formando" ainda a nossa juventude, o maior dos bens para o futuro de todos nós.
Ao viver-se mais com preocupações de ordem financeira, esquece-se o cerne da questão, põe-se de lado o objectivo nobre da política, que é o de tudo condicionar ao bem-estar e sucesso de toda e de cada uma das pessoas que habitam o universo e que são nossos irmãos, em qualquer filosofia de vida, ou, pelo menos, assim deveria ser.
Sem esta vertente humanista, a economia e a política - esta no topo - não deixam de ser instrumentos curtos de um progresso que pode ser crescimento, mas não é desenvolvimento, de certeza.
A provar que o Homem tem a suprema primazia, eis a minha UMJA, Banda Juvenil do concelho de Oliveira de Frades, a oferecer-nos, em pleno dia de Natal, um soberbo espectáculo, que contou com uma peça teatral infantil, a cargo dos alunos da sua Escola de Música do 1º ano, logo seguida de um trecho musical pelos elementos femininos mais novos e de um grito de criatividade, a todos os níveis, desde a música à representação em palco.
Como não poderia deixar de ser, uma sala cheia que nem um ovo teve o prazer de assistir e aplaudir um Concerto de Natal de cinco estrelas, ou, melhor, de um céu bem luminoso, num Natal assim muito mais Natal, se isso é possivel.
Aqui, a pessoa apareceu em primeiríssimo lugar, fruto do trabalho e dedicação de umas dezenas de jovens que sabem de música a potes e a oferecem a quem dela tanto gosta.
Bom Ano Novo para quem tanto dá de si em prol da cultura e da música, "formando" ainda a nossa juventude, o maior dos bens para o futuro de todos nós.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Boas Festas e Feliz Ano Novo 2010/2011
Este é o dia de pouca conversa e de muita solidariedade natalícia. As Ceias estão a chegar às mesas, as famílias, hoje, entendem-se melhor. Amanhã não se sabe. O bacalhau, as couves e as batatas já caminham para as panelas. Paira no ar um sentimento de amor. Amanhã não se sabe. O frio diz-me que vivemos em Dezembro e que, amanhã, é Natal. Com este ambiente, tudo indica que estes são mesmo bons dias. Amanhã não se sabe.
Fiquemo-nos por aqui. Antes, porém, enviemos um abraço especial a quem não tem nada disto, assim quente e fofo.
Para todos, Boas Festas e Feliz Ano Novo. Hoje e sempre.
Fiquemo-nos por aqui. Antes, porém, enviemos um abraço especial a quem não tem nada disto, assim quente e fofo.
Para todos, Boas Festas e Feliz Ano Novo. Hoje e sempre.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Adeus, " Acontece "
Nestes dois últimos dias, vi partir duas pessoas que me eram queridas: o Professor Paulo Amaral de Figueiredo, em Vouzela, um Amigo de tantas andanças, que, na hora da partida rumo ao Cemitério, fez parar aquela vila, que assistiu, numa medida de grande significado, a um Município encerrado, para melhor homenagear quem assim se despedia, o que mostra bem quanto era estimado na sua terra; sem o conhecer pessoalmente, a notícia da morte de Carlos Pinto Coelho deixou-me meio boquiaberto, por entender que tanta vida, tanto suporte cultural eram o maior dos seguros que, aqui, neste planeta de passagem efémera, sabemo-lo, nos podem ajudar a vencer cada dia que passa.
O Paulo e o Carlos estão lá do mesmo lado. Posso afirmá-lo com convicção. Um entregou-se à sua paixão, Vouzela, outro, espalhou cultura por tudo quanto era sítio de lusofonia.
Com estas duas tristezas, até me esqueço que, em Bruxelas, está reunido o Conselho Europeu, que tem nas mãos duros ossos para roer. Mas, por mais que estiquemos a corda, é de números que ali se vai falar.
E o Paulo e o Carlos tinham outra magia: um dava-nos exemplos quanto à defesa de uma região, outro punha-nos, com brilho intenso, a cultura em casa. Aquele " Acontece " era um primor de momento televisivo, que nunca mais se esquece. Nem é bom que assim pensemos.
Neste duplo adeus, sabemos que um e outro ficarão para sempre connosco.
Um abraço de saudade e admiração.
Paz a suas almas grandes, imensas...
O Paulo e o Carlos estão lá do mesmo lado. Posso afirmá-lo com convicção. Um entregou-se à sua paixão, Vouzela, outro, espalhou cultura por tudo quanto era sítio de lusofonia.
Com estas duas tristezas, até me esqueço que, em Bruxelas, está reunido o Conselho Europeu, que tem nas mãos duros ossos para roer. Mas, por mais que estiquemos a corda, é de números que ali se vai falar.
E o Paulo e o Carlos tinham outra magia: um dava-nos exemplos quanto à defesa de uma região, outro punha-nos, com brilho intenso, a cultura em casa. Aquele " Acontece " era um primor de momento televisivo, que nunca mais se esquece. Nem é bom que assim pensemos.
Neste duplo adeus, sabemos que um e outro ficarão para sempre connosco.
Um abraço de saudade e admiração.
Paz a suas almas grandes, imensas...
sábado, 11 de dezembro de 2010
Três em um
1 - É com um amargo de boca que vejo sair de cena o " Contra Informação ". Antes de os " Gato Fedorento " o meu padrão de humor estava com essa pequena maravilha do bom gosto em crítica elevada, com piada, com cenário, com criatividade. Vieram esses putos-maravilha e rendi-me: fizeram apear do meu pedestal o anterior programa, mas continuou em segundo lugar.
Agora, ao ver partir essa gente de plástico, mas com cara de gente, sinto-me triste e com vontade de gritar: apareçam por uma qualquer outra porta!
2 - Ao falar de espectáculo, cultura e boa disposição, à escala local, tenho de saudar a ACROF, de Oliveira de Frades, que hoje comemorou trinta anos, bem recheados de muitos momentos de inesquecível onda de simpática oferta cultural, de grande valor, por trabalhar, sobretudo, com camadas jovens. Uma maravilha que merece ser apoiada e continuar a sua tarefa é uma "obrigação" que lhe cai que nem uma luva.
Foi bom estar na sua festa. Na Casa da Aldeia, em Souto de Lafões, evocaram-se o passado e os fundadores. Boa ideia! Mas, sobretudo, escreveram-se palavras de futuro. É esse que, apesar dos anos, ainda espero apreciar por mais algum tempo. Boa sorte!
3 - Cento e dois anos é obra, é muita obra. É Manuel Oliveira no seu esplendor. Parabéns!
Quem assim e aqui fala há anos, muitos, aliás, até achava uma "seca" os filmes deste grande Rei. Hoje, depois de o conhecer bem melhor, tenho de confessar: perdoe-me, Manuel de Oliveira, a minha ignorância de então. Perante tudo aquilo que tem dado ao mundo, viva, viva, viva!...
Três em um foi assim um curto espaço de cultura.
Gostei de escrever estas linhas, disso não tenho a menor dúvida.
NOTA - Quero ainda saudar o aparecimento da nova Revista " Terras de Lafões ", que nasceu da ideia e do trabalho de Júlio Cruz. É sua directora Ester Vargas. Vale a pena lê-la, ainda que eu seja, por motivos óbvios, fortemente suspeito. Procurem-na, que esta publicação já anda por aí...
Agora, ao ver partir essa gente de plástico, mas com cara de gente, sinto-me triste e com vontade de gritar: apareçam por uma qualquer outra porta!
2 - Ao falar de espectáculo, cultura e boa disposição, à escala local, tenho de saudar a ACROF, de Oliveira de Frades, que hoje comemorou trinta anos, bem recheados de muitos momentos de inesquecível onda de simpática oferta cultural, de grande valor, por trabalhar, sobretudo, com camadas jovens. Uma maravilha que merece ser apoiada e continuar a sua tarefa é uma "obrigação" que lhe cai que nem uma luva.
Foi bom estar na sua festa. Na Casa da Aldeia, em Souto de Lafões, evocaram-se o passado e os fundadores. Boa ideia! Mas, sobretudo, escreveram-se palavras de futuro. É esse que, apesar dos anos, ainda espero apreciar por mais algum tempo. Boa sorte!
3 - Cento e dois anos é obra, é muita obra. É Manuel Oliveira no seu esplendor. Parabéns!
Quem assim e aqui fala há anos, muitos, aliás, até achava uma "seca" os filmes deste grande Rei. Hoje, depois de o conhecer bem melhor, tenho de confessar: perdoe-me, Manuel de Oliveira, a minha ignorância de então. Perante tudo aquilo que tem dado ao mundo, viva, viva, viva!...
Três em um foi assim um curto espaço de cultura.
Gostei de escrever estas linhas, disso não tenho a menor dúvida.
NOTA - Quero ainda saudar o aparecimento da nova Revista " Terras de Lafões ", que nasceu da ideia e do trabalho de Júlio Cruz. É sua directora Ester Vargas. Vale a pena lê-la, ainda que eu seja, por motivos óbvios, fortemente suspeito. Procurem-na, que esta publicação já anda por aí...
domingo, 5 de dezembro de 2010
Relembrar quem assim falou
Com a morte do Professor Ernâni Lopes, já o disse, todos ficámos muito mais pobres, porque, se a crise nos depena de todo, a falta de quem fale com rigor e saber é a maior das perdas. Era assim que eu via este cidadão empenhado. Para recordar o seu inestimável contributo dado à causa das ideias e propostas, recordo umas notas que tirei de um de seus debates, não muito distante, em que interveio com os seus colegas João Duque e Medina Carreira. Falou claro, disse e mostrou em gráfico o que lhe ia na alma ( está bem dito, na alma ) e eu registei em papel rabiscado, aqui expondo, a esmo, o resultado dessa profícua recolha:
- Via útil para o futuro: onde está facilitismo, pôr exigência; vulgaridade - excelência; moleza - dureza; golpada - seriedade; videirismo - honra; ignorância - conhecimento; mandriice - trabalho; aldrabice - honestidade.
Em resumo e desta forma simples, aqui assim retratada sem busca de mais pormenores, estas foram palavras e máximas que me ficaram na memória e que partilho publicamente nesta mensagem número duzentos, que hoje vai para o ar.
Não sei se teremos coragem política para assim agir. Não sei, na medida em que nem todos temos o dom de acreditar na força do que deve ser pensado e dito. Não sei e tenho pena de o não saber, porque cada minuto que passa, em termos de tomada de decisões correctas e palpáveis, é um século de conquistas que se evapora.
Num país assim, em que tudo se atira cá para fora e seja o que Deus quiser, temos de encontrar, obrigatoriamente, a bissectriz que nos conduza ao melhor dos caminhos, a sua " via útil para o futuro ", que o passado tem muito a ensinar-nos e o presente, convenhamos, não abona muito em nosso favor. Mas desta nossa grande doença não teve culpa o Professor Ernâni Lopes, que tudo fez para vivermos de uma outra forma bem mais apetecível... Só que nós, também eu, todos temos culpa no cartório das asneiras e maluquices que quase nos vêm afundando até ao pescoço.
Em sua memória, sigamos os seus conselhos.
Viveremos um outro futuro, disso terei a certeza.
Mas só se bebermos na fonte fresca e cristalina que nos legou.
Neste postal nº 200, é assim que me vou calar. Para sentir o eco das mensagens que até nós fez chegar.
- Via útil para o futuro: onde está facilitismo, pôr exigência; vulgaridade - excelência; moleza - dureza; golpada - seriedade; videirismo - honra; ignorância - conhecimento; mandriice - trabalho; aldrabice - honestidade.
Em resumo e desta forma simples, aqui assim retratada sem busca de mais pormenores, estas foram palavras e máximas que me ficaram na memória e que partilho publicamente nesta mensagem número duzentos, que hoje vai para o ar.
Não sei se teremos coragem política para assim agir. Não sei, na medida em que nem todos temos o dom de acreditar na força do que deve ser pensado e dito. Não sei e tenho pena de o não saber, porque cada minuto que passa, em termos de tomada de decisões correctas e palpáveis, é um século de conquistas que se evapora.
Num país assim, em que tudo se atira cá para fora e seja o que Deus quiser, temos de encontrar, obrigatoriamente, a bissectriz que nos conduza ao melhor dos caminhos, a sua " via útil para o futuro ", que o passado tem muito a ensinar-nos e o presente, convenhamos, não abona muito em nosso favor. Mas desta nossa grande doença não teve culpa o Professor Ernâni Lopes, que tudo fez para vivermos de uma outra forma bem mais apetecível... Só que nós, também eu, todos temos culpa no cartório das asneiras e maluquices que quase nos vêm afundando até ao pescoço.
Em sua memória, sigamos os seus conselhos.
Viveremos um outro futuro, disso terei a certeza.
Mas só se bebermos na fonte fresca e cristalina que nos legou.
Neste postal nº 200, é assim que me vou calar. Para sentir o eco das mensagens que até nós fez chegar.
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