quarta-feira, 16 de maio de 2012
Umas Secretas de meia tigela
Estou envergonhado: nem as Secretas são o que deveriam ser - secretíssimas, eficientes, educadas, não perversas, não misturando o interesse verdadeiramente nacional com o privado, ou com jogos de poder inconfessáveis. Estou perplexo: por não gostar de ver gente da política cimeira metida em alhadas, por mais que me custe dizê-lo, está na hora de tudo se aclarar e, se assim não acontecer, fica-me uma eterna dúvida, (?)a de que esta gente não merece comer as papas de um qualquer ministério, nem andar de carro público com motorista, nem ser "dono" de qualquer lugar de responsabilidade. Se se recebeu uma qualquer mensagem de vulto e se lhe deu resposta, algo vai mal por essas bandas. Estou banzado: esta gente está a trair o melhor dos capitais pessoais que se possa ter: o da confiança.
Puf!... Assim não vamos a lado nenhum e cada vez nos afundamos mais. Basta! Basta! Basta!
Já agora, como prémio de consolação, que da França de Hollande venham novos e mais arejados ares para a economia europeia e para a nossa, que pede ajuda por tudo quanto é sítio. E que da Grécia regresse o sossego e a calma, depois de se ir, de novo, a eleições.
Estou lixado: com a marcha do desemprego a correr à Carlos Lopes, não sei onde é que vamos parar.
Estou revoltado: não param as leis que querem minar o cerne do poder local - as freguesias.
Estou apreensivo: o meu país ameaça ruir.
Estou aflito: não vejo nenhuma luz ao fundo do túnel e as lâmpadas estão mesmo apagadas.
Estou com tremores: Portugal não é a terra com que sempre sonhei e os nossos filhos não têm o apoio que deveriam ter.
Estou em pose policial: vão-nos aos bolsos, todos os dias, e não sei para que esquadra seguir.
Resta-me uma esperança: a força do Além, se vier até este nosso aquém...
terça-feira, 24 de abril de 2012
Manifesto pessoal e intransmissível
Ao ler o último Manifesto da Associação 25 de Abril, deu comigo a pensar desta forma totalmente pessoal, minha e de mais ninguém: em tese, muito daquilo que ali é dito tem a minha concordância. No conteúdo e até na forma, revejo-me em vários passos daquele texto. Tanto como aquela gente, de farda despida, eu que a trazia vestida no 25 de Abril de 1974 e andava em zona de guerra, lá muito longe, em Moçambique, também acho que há miséria a mais, desenvolvimento a menos, falta de bom senso político, más medidas tomadas há anos, aí há cerca de 38, tantos são aqueles que nos distanciam dessa data histórica, mas deixo de pensar como esses militares - que muito nos deram - no momento em que abandonam o barco da democracia, que eles próprios, honra lhes seja, fizeram despontar. Quanto a esse ponto de vista, estamos confessados: no melhor pano cai a nódoa e esses obreiros do 25 de Abril acabaram por estragar parte da muita consideração que por eles, confesso,tenho.
Em vez de atirar a toalha ao chão e fazer birra, vou continuar no meu postito de antigo furriel MILICIANO, que saiu do Continente, de Oliveira de Frades, mais concretamente, e aí foi até à inesquecível Madeira e ao saudoso, apesar de tudo, Moçambique. Ao todo, foram mais de três anos de farda verde, mas não me arrependo de ter respondido positivamente à chamada que a Nação me fez.
E, agora, quando ela continua a precisar de mim, aqui, aqui e com a minha querida DEMOCRACIA - que veio, em grande parte, de quem hoje assim fala - estarei de pedra e cal.
Devo acrescentar que votei no partido maior desta coligação governamental e que não concordo com muita coisa - asneira - que está a ser feita. Desta vez, sinto que sustento um Governo que teve a minha adesão eleitoral, Mas já fui derrotado e governado por quem não teve a minha aceitação.
Só que, assumo-o frontalmente, posso dizer que tenho uma qualidade que essa gente da citada Associação deixou de ter: sou DEMOCRATA até à medula e não renego essa minha costela. Aliás, acho até que é das mais sãs e puras.
Comigo, o 25 de Abril, oficial e popular,pode contar.
A terminar: enjoa-me este discurso de quem se sente dono do legado do 25 de Abril.
Eu não: tenho, pelo contrário, a ideia que ele tem uma dimensão universal. Pelo menos, portuguesa.
E, por isso,ninguém tem o direito de amuar se os tempos não correrem como queremos. Fica no nosso voto, e só nele, a possibilidade de mudar tudo e recomeçar de novo.
NOTA: no que diz respeito às caturrices do Dr. Mário Soares e do Dr. Manuel Alegre, que lhe façam muito bom proveito. Vê-los agora do mesmo lado da contestação é até engraçado...
VIVA o 25 de Abril. O de todos. Não aquele que estes militares querem só para si.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Semana Santa com crise pelo meio
Para quem vive a quaresma como uma tradição que se não perde, facilmente chega à conclusão que não há maior sacrifício que vivê-la todos os dias, fruto desta crise que está a dar cabo de nós. Aqui, na encosta da Serra da Ladário, concelho de Oliveira de Frades, ela chega sob a forma de descontentamento com tanta tentativa para segurar as contas públicas e deixar cair a economia. Com uma dinâmica Zona Industrial, agora novamente em fase de mais uma requalificação, muitas são as unidades empresariais de sucesso reconhecido, como a MARTIFER, a Pereira e Ladeira,a Portax/Iberoperfil, a Jacob Rohner, as Rações Classe, entre tantas outras, mas não deixam de existir aquelas que sofrem esta crise de uma forma acentuada, até porque a Banca, e aqui há oito agências, fechou demais as torneiras e apertou as porcas de uma maneira atrofiante e impeditiva de se trabalhar em prol do desenvolvimento regional. Com esta postura e o Estado a sacar quanto pode e quanto não devia fazer, tememos que esta actual quaresma ainda não seja a pior.
Com o consumo interno a fazer uma via sacra a pão e água, não há produção que resista: lançar para o mercado novas e velhas ideias pode muito bem ser deitar dinheiro fora, pela janela, pelas portas e por tudo quanto seja saída perigosa. Dizem-nos que vender ainda se consegue um pouco, mas a principal dificuldade está em receber e até o citado Estado tem a fama de grande caloteiro, que até se abotoa com o dinheiro dos outros: recebendo o IVA a tempo, não o restitui quando deve, isto é, queima todos os prazos, abusa de um poder desmedido e sem limites e, com isso, arrasa tudo quanto seja empresa.
Num universo de PME e micro, micro empresas, estes caminhos enviesados são mais uma machadada nas suas aspirações e uma forma de anular todos os esforços que estão a ser feitos.
Por tudo isto, para quem tem quaresma todos os dias, aqui deixamos um pedido ao tal Estado:confesse-se e arrependa-se do que anda a fazer, antes que todas as sirenes toquem e não haja INEM para nos acudir.
Mesmo assim, para todos uma Feliz Páscoa, como quadra para a ressurreição que todos ambicionamos.
Dizem que pode haver, em 2014, retorno dos 13º e 14º meses que têm sido retirados a muita gente. Como parece sr grande a esmola, o pobre desconfia.
Mas, ao menos, já se fala nisso, o que não é mau sinal...
quarta-feira, 21 de março de 2012
Dívidas dos municípios
Aqui está um tema que pode ser aproveitado de muita maneira: serve para demonizar o poder local, a maior alavanca de desenvolvimento público com um rácio de menor gastos em relação ao Estado central, o que prova a sua eficiência, ou para dar razão àqueles que querem pôr em causa esta fatia importante da nossa organização administrativa.
Sei do que falo: pode haver autarcas esbanjadores e até inconscientes, mas a grande maioria tem obra séria, muito trabalho e dedicação à causa pública. Há dívidas e são grandes? La Palisse diria que sim e não se enganaria. E eu confirmo-o. Algumas delas são preocupantes? Outra verdade. Há Municípios a caminho da quase insolvência? Disso não tenho dúvidas.
Agora, uma verdade, a verdade tem de vir ao de cima: importa saber-se quem é quem no meio desta barafunda de números atirados para o ar, de modo a ver se essas teses vão colar num pretendido discurso derrotista, numa narrativa que visa denegrir estes agentes activos da democracia, os autarcas de proximidade, que não se refugiam nem no Terreiro do Paço, nem noutros labirintos de um poder sem votos, de um exercício de influências que não sofre escrutínios e as Câmaras e Juntas passam pelo maior dos avaliadores: o povo.
Aqui, tenho de dizer que estou preocupado com estas dívidas, mas temo muito mais aquelas que o poder central nem se atreve a pôr cá para fora, a nível de uma CP, uma CARRIS, uma e outra das empresas públicas e das PPP que engolem dinheiro como cerejas: atrás de um euro, vem outro e outro e outro, até ao infinito. Essa verdade também seria conveniente, se viesse, preto no branco, a lume.
Está aqui quem, numa certa altura e com muito orgulho, contribuiu para pôr em ordem um certo Município.
Por isso, esse alguém, que sou eu, sabe do que fala.
Há dívidas, há. Mas muitas delas são perfeitamente controláveis.
Agora, se há elefantes que podem partir a louça toda, diga-se quem são.
Mas, por favor,não metam tudo no mesmo saco.
Os autarcas merecem mais respeito e consideração e nem Miguel Relvas, nem ninguém dessa gente, pode pôr em causa, a nível geral, o bom nome do poder local. Nem devem andar para aí a querer miná-lo e minguá-lo.
Há dívidas? Repetimos: há. Esconderam-se dados? Sim. Toda a gente? Mil vezes não.
Que não pague o justo pelo pecador, que não se meça tudo pela mesma rasa!...
Façam o favor de estar calados, muitos daqueles que só querem dar à língua para dar cabo das nossas autarquias.
terça-feira, 13 de março de 2012
Afinal, quem fala verdade?
Na pacatez deste meu concelho de Oliveira de Frades, que, por sinal, foi - e bem - contemplado com importantes obras de requalificação da minha queria ex-CS, as notícias de que, a nível geral, havia uma derrapagem na "Parque Escolar" na ordem dos 400% deixou-me com os nervos em franja e lá pensei: por ali vai ficar uma caixotaria, que os trabalhos, por sinal, bem visíveis,vão parar. O meu pensamento virou-se logo para a Escola viva-morta e para a muita gente que ali opera, mormente em regime de sub-empreitada, com ligações a esta mesma zona. Confesso que tive medo desse terrível desfecho. E ainda estou com dúvidas...
Acontece que o mundo da comunicação social, sempre a farejar material de interesse jornalístico e das redes sociais, lá pegou no Relatório da IGF - Inspecção Geral das Finanças - e parece que descobriu que a realidade não é assim tão negra. Começo de ficar um pouco mais descansado e já prevejo que, afinal, as obras têm de (e devem) continuar.
Dizem as entidades que lavraram esse documento, de 135 páginas, que o desvio deve andar por volta dos 70% em cada escola - o que, sendo muito, não é nada daquilo que foi dito pelo Ministro da Educação, o das ciências exactas , a Matemática - e que tal se deve a imposições que apareceram depois de 2008, a saber: aumento da escolaridade obrigatória, passando-se de uma previsão de 800 para 1230 alunos por estabelecimento escolar e de uma área de 11,8 para 12,5 metros quadrados/aluno (se bem que, a nível de muitos e bons países, se esteja nos 9m2, adiante...); acrescem ainda novas exigências de cariz energético que tiveram de ser aplicadas; outras questões diversas.
Aqui chegado - ainda que não tenha lido, afirmo-o, tal Relatório, pergunto-me, claramente: quem está a mentir e a tentar tramar a minha querida ex-CS, que me parecia que ia - e vai - ficar um mimo? Quem e porquê?
Apoiante assumido deste Governo, esta questão, dita e vista assim, não me cheira nada bem. Nem a cobrança de portagens nas ex-SCUT, incluindo a nossa A25, nem os cortes havidos,nem a primazia das Finanças sobre a Economia.
Resistente, por cá vou indo, mas, em Oliveira de Frades, exige-se que as obras da Escola prossigam, que o novo Centro Escolar - eu quero três, ou quatro - não seja uma miragem, que o QREN para aqui saiba o caminho, que não nos tirem o Tribunal e que, em suma, o Estado seja Pai e não um qualquer padrasto de má cara e pior coração.
Pergunto, novamente: quem mentiu?
E porquê?
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Foi-se o Carnaval
Pronto: com o fim do Carnaval, que ontem se assinalou, é hora de fazer balanços e um deles, a ressaltar de imediato, diz-nos que Pedro Passos Coelho, ao jogar forte no corte da tolerância de ponto, viu cair as suas acções da bolsa política por aí abaixo. Para compensar este trambolhão, só o ter dado a cara, em Gouveia, aos protestos que a sua visita ocasionou, conseguiu suplantar esta sua falha. Nesta folha do deve e haver, ficou empatado, mas tem de acautelar melhor as suas posições, em termos de futuro.Assim, muito embora diga o que não parece, ao afirmar que Portugal tem de se vergar todo para cumprir o Memorando da Troika, sabendo que, um dia, algo terá de mudar, deixa-se embalar pelas vozes que, nesse sentido, se vão ouvindo: UGT, troca de mimos entre os Ministros das Finanças de Portugal e da Alemanha, saga de António José Seguro, ecos do acordo assinado com a Grécia, etc.
Agora, na boa tradição cristã, é chegado um tempo de reflexão, de um acumular de sacrifícios para merecer a ressurreição pascal. Só que, no caso de nossas contas e economia, não se trata de penar quarenta dias, mas temos carga para vários anos e isso é que dói a bom(?) doer.
Por tudo isto, PPC e a sua gente, mais aquela que, sendo oposição, nos fez carregar esta pesada cruz, todos eles, em conjunto, têm a obrigação de nos fazer subir, para a glória que esperamos, este terrível Jardim das Oliveiras, que ofusca o Jardim à beira mar plantado.
Se queremos esperar que a Troika, que por aqui anda, de novo, de caneta e papel na mão e de máquina de calcular em punho, que essa gente só tem números na cabeça, nos amenize a marcha das dívidas, que não o seu perdão ( o que cheira a País de tanga), temos de fazer bem o trabalho de casa.
Mas este passa - e isso não é vergonha nenhuma - por pôr a andar a economia, dando o dito por não dito, isto é, repondo poder de compra na classe média, a fim de olear a máquina da produção e das vendas, activando o emprego, criando circuitos de fluxos financeiros, recolocando dinheiro vivo no dia a dia de nossos empresários. Desta forma, adiando prazos de pagamento, é hora de pensar em vir a dar o todo, ou parte, daquilo que foi retirado, em anúncio, mormente os 13º e 14º meses, ou acção equivalente. Medida estimuladora do consumo e da confiança das pessoas, servirá para fazer aquilo que o Governo tem deixado de lado: ao incidir apenas nos apertos financeiros, deixando a economia no fundo, sai-lhe o tiro pela culatra e é isso que se está a ver.
Neste balanço quaresmal, assim pensei, assim o disse.
E está dito.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Com a Grécia entalada, Portugal custa a soltar-se
Depois do acordo que a Grécia teve de assinar, mesmo que a ferro e fogo, aprestam-se a chegar ali mais de 130 mil milhões de euros, mais uma carrada de massa, que, entretanto, não dá para tirar aquela gente da miséria extrema em que se encontram. Por ali, a vida é dura e o horizonte está cada vez mais enevoado.
Enquanto esta situação tem vindo a ser consumada, Portugal esforça-se por dizer que é diferente, que faz um bom trabalho de casa, que agora vai ser visto, novamente, pelos mangas de alpaca da Troika, que tem as contas nas lonas, mas em dia, que até é mais troikista que a própria Troika, mas tudo isto parece não chegar para sossegar os mercados, os credores e, muito menos, os especuladores. Modestamente, a receita é só uma: a Europa falar a uma só voz e assumir como suas todas estas pesadas dívidas e fazer-lhe frente em conjunto, com o BCE a ser motor e travão, árbitro e jogador. Enquanto assim não acontecer, as ruas serão de amargura e o futuro mais do que incerto.
Por não sabermos nunca em que reino andamos, agora dizem-nos que as folhas de Fevereiro de vencimentos e pensões vão ser mexidas, para baixo, numa escalada dolorosa que já mete medo.
Mas aqui, em Oliveira de Frades, tenho outras preocupações. O fim do regime especial das energias renováveis traz-nos engulhos de todo o tamanho: por sermos terra de um cluster a esse nível, em matéria de energia solar e eólica, tudo quanto se faça para dar cabo desse sector aqui tem ecos fortemente negativos. Esperando uma solução mais serena, desejamos que as energias alternativas por aqui continuem a passar, até em nome da sustentabilidade futura. Precisamos de investir hoje para ter um amanhã melhor, disso sabemos nós. Mas também o nosso agricultor sabe que, ao plantar um pomar, só tem dividendos anos depois. Mas toma essa atitude, porque sabe que só assim pode saborear fruta saudável e ter os terrenos aproveitados.
Prever o futuro é mais do que um jogo de um deve e haver de merceeiro, é um passo de gigante a ir no sentido da sustentabilidade futura.
E isso é que define os grandes homens - aqueles que pensam no amanhã, ainda que saibam que hoje pode doer um pouco!...
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