terça-feira, 3 de julho de 2012
Vale a pena um esforço conjunto
Nos últimos dias, a propósito da tão falada ( e muito contestada, inclusivamente por mim próprio) reorganização administrativa, começam de surgir perigosos sinais de viva crispação interna partidária, o que só facilita a tarefa de quem não quer deixar de dar esta estocada nas nossas freguesias. O concelho de Viseu, o de Vouzela, aqui tão próximo de mim e onde me sinto tanto ligado também, e outros estão a deixar vir ao de cima a guerrilha de pacotilha, quando não de falsos e bacocos protagonismos, o que põe em causa toda a luta que se tem vindo a travar. Essa decisão de colocar em cima da mesa autarquias a abater não lembra nem ao diabo...
Como opinião muito pessoal, saída daqui da encosta sul da Serra do Ladário, no município de Oliveira de Frades, tenho uma ideia muito clara: nenhuma Assembleia Municipal deve colaborar nesta operação, aliás, no seguimento das tomadas de posição da ANMP e da ANAFRE, que recusaram fazer parte de qualquer estrutura ou comissão a esse fim destinadas. Se aplaudo esta clarividência de atitudes, deixando que outros, os que estão em Lisboa, cortem a seu bel-prazer, arcando com as consequências desse seu monumental erro, penso que é hora de as AM seguirem o mesmo caminho - não dar qualquer passo nesse sentido.
Mas, por aquilo que vejo, leio e ouço, anda para aí muita mistela pelo meio e há gente que está a dar tiros nos pés, não de pistola apenas, mas de rajada.
Assim sendo, nota negativa para as AM de Vouzela e Viseu e outras que tais...
Já agora, um forte abraço a quem foi a Lisboa, ao Terreiro do Paço, para dizer à insensível Ministra da Justiça que o seu mapa judiciário é uma ofensa a esses 54 concelhos e, a nós, por aqui, em particular, quando vemos anunciado o desaparecimento dos Tribunais de Sever do Vouga, Oliveira de Frades, Vouzela e Castro Daire.
Depois, para estragar ainda mais a sua má pintura, aquela recusa em receber estes legítimos representantes das nossas comunidades é de bradar aos céus e pedir a Deus Nosso Senhor que lhe ensine o único caminho possível - o da saída, já, do cargo que ocupa.
Não nos venha, sequer, com a treta dos apeadeiros da justiça local, que isso é conversa fiada e um logro pegado. Ou Tribunal em cheio, ou nada...
Ainda há tempo, numa e noutras destas situações: pare-se com estes desmandos, para evitar males maiores...
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Apoio a ANMP
Estou em total acordo com a ANMP - Associação Nacional de Municípios Portugueses - nesta sua luta contra a lei que quer fechar tribunais e pôr a justiça mais longe dos cidadãos. No meu caso, natural de Oliveira de Frades e casado com uma vouzelense, tenho de aplicar as minhas energias em dobro: participar nas contestações que vierem a surgir em cada um destes concelhos.
Estou pronto para isso.
Aproveito para oferecer os meus préstimos à citada ANMP, no que diz respeito a uma de suas ideias, que é a de entregar este caso, uma afronta vinda de Lisboa e de uma Ministra que é advogada na nossa capital, aos Tribunais europeus. Certíssimo: se, cá dentro, nos tratam assim, partamos para outras instâncias, que aqui não nos governamos.
Depois, muito gostaria de poder estar nas previstas manifestações em Lisboa, quando elas forem aprazadas. Vou ver se tal será possível.
Como a ANMP propõe que, em cada terra afectada por esta medida, se caminhe para protestos locais,lá estarei ao lado de quem quiser assim manifestar o seu desagrado. Contem comigo, que, aliás, passe a modéstia, tudo tenho feito, na área de actuação que tenho mais à mão, a escrita, para malhar nestas intenções.
Quem assim quer proceder, ainda não viu que, atrás de cada tribunal fechado, é mais um restaurante que não vende refeições, uma papelaria que não escoa jornais, uma sapataria que não vê sair os seus sapatos, um médico que não tem doentes e só fica o cangalheiro com mais trabalho: além das pessoas, tem de enterrar a terra vazia, estéril, sem vida.
Só esta visão sistémica pode salvar as nossas povoações do interior. Como a Ministra da Justiça pensa curto e só vê - mal - o seu quintal, que seja o Primeiro-Ministro a dar o murro na mesa, dizendo para se parar com tudo isto, esta política de desertificação que me arrepia e horroriza.
Bolas, é demais!...
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Mais um Tribunal para fechar
Esta gente que manda já tinha dito que o Tribunal de Oliveira de Frades iria encerrar portas. Agora, fala-se em que Vouzela vai ter o mesmo triste destino, o do cadafalso. Com isto, põem a Justiça num cepo e lhe cortam a cabeça. Vejamos: de Ribeiradio a Oliveira de Frades são bem mais do que 20 Km; de Varzielas, outro tanto; de Destriz talvez a mesma coisa; de S. João da Serra, para lá se caminha. De Oliveira de Frades a Vouzela são oito Km. De Alcofra a Vouzela são para aí também perto de 20 km; de Fornelo do Monte, outro tanto; de Queirã, também uma carrada deles. De Oliveira de Frades a S. Pedro do Sul são 15 km de distância; de Vouzela a SPS, mais ou menos uns 8km.
Nestes três concelhos habitam cerca de 45000 almas. Muitas delas, idosas, vivem com parcos recursos. Foge-lhe a Saúde, escapam-se-lhe os Serviços Agrícolas e agora, preto no branco, apontam para um único Tribunal em S. Pedro do Sul.
Estes mandantes estão tontos. Só assim se compreende que cometam tantos atropelos à dignidade das pessoas, a quem roubam mais um direito fundamental - o do acesso à Justiça.
Esta é hora de descruzarmos os braços e ir para a luta: chega de desaforo em termos de esvaziamento de nossas terras.
Basta!
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Umas Secretas de meia tigela
Estou envergonhado: nem as Secretas são o que deveriam ser - secretíssimas, eficientes, educadas, não perversas, não misturando o interesse verdadeiramente nacional com o privado, ou com jogos de poder inconfessáveis. Estou perplexo: por não gostar de ver gente da política cimeira metida em alhadas, por mais que me custe dizê-lo, está na hora de tudo se aclarar e, se assim não acontecer, fica-me uma eterna dúvida, (?)a de que esta gente não merece comer as papas de um qualquer ministério, nem andar de carro público com motorista, nem ser "dono" de qualquer lugar de responsabilidade. Se se recebeu uma qualquer mensagem de vulto e se lhe deu resposta, algo vai mal por essas bandas. Estou banzado: esta gente está a trair o melhor dos capitais pessoais que se possa ter: o da confiança.
Puf!... Assim não vamos a lado nenhum e cada vez nos afundamos mais. Basta! Basta! Basta!
Já agora, como prémio de consolação, que da França de Hollande venham novos e mais arejados ares para a economia europeia e para a nossa, que pede ajuda por tudo quanto é sítio. E que da Grécia regresse o sossego e a calma, depois de se ir, de novo, a eleições.
Estou lixado: com a marcha do desemprego a correr à Carlos Lopes, não sei onde é que vamos parar.
Estou revoltado: não param as leis que querem minar o cerne do poder local - as freguesias.
Estou apreensivo: o meu país ameaça ruir.
Estou aflito: não vejo nenhuma luz ao fundo do túnel e as lâmpadas estão mesmo apagadas.
Estou com tremores: Portugal não é a terra com que sempre sonhei e os nossos filhos não têm o apoio que deveriam ter.
Estou em pose policial: vão-nos aos bolsos, todos os dias, e não sei para que esquadra seguir.
Resta-me uma esperança: a força do Além, se vier até este nosso aquém...
terça-feira, 24 de abril de 2012
Manifesto pessoal e intransmissível
Ao ler o último Manifesto da Associação 25 de Abril, deu comigo a pensar desta forma totalmente pessoal, minha e de mais ninguém: em tese, muito daquilo que ali é dito tem a minha concordância. No conteúdo e até na forma, revejo-me em vários passos daquele texto. Tanto como aquela gente, de farda despida, eu que a trazia vestida no 25 de Abril de 1974 e andava em zona de guerra, lá muito longe, em Moçambique, também acho que há miséria a mais, desenvolvimento a menos, falta de bom senso político, más medidas tomadas há anos, aí há cerca de 38, tantos são aqueles que nos distanciam dessa data histórica, mas deixo de pensar como esses militares - que muito nos deram - no momento em que abandonam o barco da democracia, que eles próprios, honra lhes seja, fizeram despontar. Quanto a esse ponto de vista, estamos confessados: no melhor pano cai a nódoa e esses obreiros do 25 de Abril acabaram por estragar parte da muita consideração que por eles, confesso,tenho.
Em vez de atirar a toalha ao chão e fazer birra, vou continuar no meu postito de antigo furriel MILICIANO, que saiu do Continente, de Oliveira de Frades, mais concretamente, e aí foi até à inesquecível Madeira e ao saudoso, apesar de tudo, Moçambique. Ao todo, foram mais de três anos de farda verde, mas não me arrependo de ter respondido positivamente à chamada que a Nação me fez.
E, agora, quando ela continua a precisar de mim, aqui, aqui e com a minha querida DEMOCRACIA - que veio, em grande parte, de quem hoje assim fala - estarei de pedra e cal.
Devo acrescentar que votei no partido maior desta coligação governamental e que não concordo com muita coisa - asneira - que está a ser feita. Desta vez, sinto que sustento um Governo que teve a minha adesão eleitoral, Mas já fui derrotado e governado por quem não teve a minha aceitação.
Só que, assumo-o frontalmente, posso dizer que tenho uma qualidade que essa gente da citada Associação deixou de ter: sou DEMOCRATA até à medula e não renego essa minha costela. Aliás, acho até que é das mais sãs e puras.
Comigo, o 25 de Abril, oficial e popular,pode contar.
A terminar: enjoa-me este discurso de quem se sente dono do legado do 25 de Abril.
Eu não: tenho, pelo contrário, a ideia que ele tem uma dimensão universal. Pelo menos, portuguesa.
E, por isso,ninguém tem o direito de amuar se os tempos não correrem como queremos. Fica no nosso voto, e só nele, a possibilidade de mudar tudo e recomeçar de novo.
NOTA: no que diz respeito às caturrices do Dr. Mário Soares e do Dr. Manuel Alegre, que lhe façam muito bom proveito. Vê-los agora do mesmo lado da contestação é até engraçado...
VIVA o 25 de Abril. O de todos. Não aquele que estes militares querem só para si.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Semana Santa com crise pelo meio
Para quem vive a quaresma como uma tradição que se não perde, facilmente chega à conclusão que não há maior sacrifício que vivê-la todos os dias, fruto desta crise que está a dar cabo de nós. Aqui, na encosta da Serra da Ladário, concelho de Oliveira de Frades, ela chega sob a forma de descontentamento com tanta tentativa para segurar as contas públicas e deixar cair a economia. Com uma dinâmica Zona Industrial, agora novamente em fase de mais uma requalificação, muitas são as unidades empresariais de sucesso reconhecido, como a MARTIFER, a Pereira e Ladeira,a Portax/Iberoperfil, a Jacob Rohner, as Rações Classe, entre tantas outras, mas não deixam de existir aquelas que sofrem esta crise de uma forma acentuada, até porque a Banca, e aqui há oito agências, fechou demais as torneiras e apertou as porcas de uma maneira atrofiante e impeditiva de se trabalhar em prol do desenvolvimento regional. Com esta postura e o Estado a sacar quanto pode e quanto não devia fazer, tememos que esta actual quaresma ainda não seja a pior.
Com o consumo interno a fazer uma via sacra a pão e água, não há produção que resista: lançar para o mercado novas e velhas ideias pode muito bem ser deitar dinheiro fora, pela janela, pelas portas e por tudo quanto seja saída perigosa. Dizem-nos que vender ainda se consegue um pouco, mas a principal dificuldade está em receber e até o citado Estado tem a fama de grande caloteiro, que até se abotoa com o dinheiro dos outros: recebendo o IVA a tempo, não o restitui quando deve, isto é, queima todos os prazos, abusa de um poder desmedido e sem limites e, com isso, arrasa tudo quanto seja empresa.
Num universo de PME e micro, micro empresas, estes caminhos enviesados são mais uma machadada nas suas aspirações e uma forma de anular todos os esforços que estão a ser feitos.
Por tudo isto, para quem tem quaresma todos os dias, aqui deixamos um pedido ao tal Estado:confesse-se e arrependa-se do que anda a fazer, antes que todas as sirenes toquem e não haja INEM para nos acudir.
Mesmo assim, para todos uma Feliz Páscoa, como quadra para a ressurreição que todos ambicionamos.
Dizem que pode haver, em 2014, retorno dos 13º e 14º meses que têm sido retirados a muita gente. Como parece sr grande a esmola, o pobre desconfia.
Mas, ao menos, já se fala nisso, o que não é mau sinal...
quarta-feira, 21 de março de 2012
Dívidas dos municípios
Aqui está um tema que pode ser aproveitado de muita maneira: serve para demonizar o poder local, a maior alavanca de desenvolvimento público com um rácio de menor gastos em relação ao Estado central, o que prova a sua eficiência, ou para dar razão àqueles que querem pôr em causa esta fatia importante da nossa organização administrativa.
Sei do que falo: pode haver autarcas esbanjadores e até inconscientes, mas a grande maioria tem obra séria, muito trabalho e dedicação à causa pública. Há dívidas e são grandes? La Palisse diria que sim e não se enganaria. E eu confirmo-o. Algumas delas são preocupantes? Outra verdade. Há Municípios a caminho da quase insolvência? Disso não tenho dúvidas.
Agora, uma verdade, a verdade tem de vir ao de cima: importa saber-se quem é quem no meio desta barafunda de números atirados para o ar, de modo a ver se essas teses vão colar num pretendido discurso derrotista, numa narrativa que visa denegrir estes agentes activos da democracia, os autarcas de proximidade, que não se refugiam nem no Terreiro do Paço, nem noutros labirintos de um poder sem votos, de um exercício de influências que não sofre escrutínios e as Câmaras e Juntas passam pelo maior dos avaliadores: o povo.
Aqui, tenho de dizer que estou preocupado com estas dívidas, mas temo muito mais aquelas que o poder central nem se atreve a pôr cá para fora, a nível de uma CP, uma CARRIS, uma e outra das empresas públicas e das PPP que engolem dinheiro como cerejas: atrás de um euro, vem outro e outro e outro, até ao infinito. Essa verdade também seria conveniente, se viesse, preto no branco, a lume.
Está aqui quem, numa certa altura e com muito orgulho, contribuiu para pôr em ordem um certo Município.
Por isso, esse alguém, que sou eu, sabe do que fala.
Há dívidas, há. Mas muitas delas são perfeitamente controláveis.
Agora, se há elefantes que podem partir a louça toda, diga-se quem são.
Mas, por favor,não metam tudo no mesmo saco.
Os autarcas merecem mais respeito e consideração e nem Miguel Relvas, nem ninguém dessa gente, pode pôr em causa, a nível geral, o bom nome do poder local. Nem devem andar para aí a querer miná-lo e minguá-lo.
Há dívidas? Repetimos: há. Esconderam-se dados? Sim. Toda a gente? Mil vezes não.
Que não pague o justo pelo pecador, que não se meça tudo pela mesma rasa!...
Façam o favor de estar calados, muitos daqueles que só querem dar à língua para dar cabo das nossas autarquias.
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