terça-feira, 11 de setembro de 2012

Folhas caídas

Caem as folhas da esperança/amarelecem no chão/Pisadas, uma a uma, aos montes/São filhas despidas/ Num Portugal moribundo/ Que seus filhos desorienta/ e não tenta/ emendar a mão/ Quando a árvore seca/ e o chão; fica atolado de folhas podres/ mau é o sinal: /é o estertor de Portugal...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Universidade do campo

Digo que gosto muito de conhecimento e que é este que faz girar o mundo. Tenho cá para mim que só ele deve preocupar quem pensa e faz educação, acrescentando-lhe os valores, a responsabilidade, a ética, a honestidade e outras dimensões que tais. Louvo, por isso, as ditas Universidades de Verão, mas vejo nelas uma lacuna muito vincada: enviesam esse mesmo conhecimento, que deve ser plural e aberto e despido de cargas partidárias. Mas, fora isso, é bem melhor do que fazer política com uma sardinha na mão e, noutra, um naco de broa. Tudo tem o seu lugar e o seu tempo. Por estas bandas de Oliveira de Frades, proponho uma outra ideia: uma Universidade do Campo, que estude a terra e seus usos, que potencie formas adequadas de organizar, por exemplo, a floresta de modo a não arder como tem estado a acontecer, que mostre como aproveitar conhecimentos ancestrais e os dinamizar, que faça compreender o valor da terra como meio de riqueza e de equilíbrio ambiental, que tem de ser encarada com muito juizinho, para se não estragar aquilo que de melhor temos. Também quero dizer que me recuso a aceitar uma certa ideia de divisão dicotómica entre os continuadores da habitabilidade destes territórios e aqueles que foram para as metrópoles, olhando agora para as suas origens como uma espécie de reserva museológica: por aqui há vida própria e modernidade e, com as acessibilidades,vai-se mais depressa a uma Biblioteca, um Museu, um Teatro que nesses grandes centros, onde anda tudo empanturrado de trânsito e empurrões. É este o desequilíbrio e velhos mitos que essa Universidade do Campo tem de ajudar a desfazer. Com pouca apetência para aceitar ditames vindos de fora, por ser filho de uma terra, um couto criado por D. Afonso Henriques,logo, habituado a viver em autonomia, não digo nada disto à Troika. Quero é que essa gente vá de abalada!... Guardo este segredo, o da Universidade do Campo, cá bem para nós. É assim mesmo: se têm a mania que mandam em toda a gente, enganam-se: para cá do Caramulo mandamos nós. E mandaremos sempre.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Troika: bem vinda? Nem por isso

Aqui, por estas minhas bandas de Oliveira de Frades, temos um lema: quem vier por bem, entre. Dessa forma singela e pura se abrem portas, se convida, implicitamente, toda a gente a entrar em nossas casas. Em boa onda, até pode haver um naco de broa, uma lasca de presunto, duas azeitonas e um copito de vinho. Nada disso se nega a ninguém. Mas, temos de o confessar, é-se muito cioso em termos de amizades, ou desse espírito de bem receber: se se desconfia de que essas visitas trazem água no bico,melhor será nem ter a veleidade de se abeirarem da porta, que algum arrocho pode entrar em acção... Um exemplo: não se gosta muito de gente que tem a mania de querer saber tudo e até, muito menos isso, mandar em casa alheia. Nesta ordem de ideias, a Troika, aquela malta de mala na mão e com a cabeça cheia de números e vazia de humanismo, ou de uma visão política e social que ponha as pessoas no centro de tudo, em detrimento de seus cifrões, negros e cegos, não tinha direito a qualquer passaporte nem visto de entrada. Nem a um vulgar e popular copo de vinho. Nada. Melhor fora que nem tivesse saído de seus refastelados e chorudos cantinhos, que, por aqui, são presença non grata. Pronto: não gostamos de que venham para nos ditar leis, ordens, avisos, puxões de orelhas e outras coisas que tais... Que nos emprestaram dinheiro, quando alguém nos conduziu a uma seca dieta de pão e água, isso é verdade. Mas essa gente representa também aquela casta de pessoas que, se dão um pão, querem logo uma fornada e o próprio forno em troca. Cobrando elevadíssimas taxas de juros, que nos atrofiam tanto como a dívida real, dão-se depois ao luxo de nos venderem suas máquinas e marcas, tendo eles (Alemães e C.ia) acesso à massa a juros negativos. Estranha solidariedade é esta! Com amigos destes, venham mas é a nossas casas os inimigos!... Numa Europa destas, sem qualquer ponta de solidariedade, dificilmente nos governamos. Que Deus nos livre desta embrulhada, para ver se conseguimos endireitar a cabeça!... Troika? Querendo vê-la pelas costas, é da sua partida que ficamos à espera, nunca da chegada. Apre, que isto é demais!...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Regressar sem partir

Depois de um arremedo de "férias", com todas as aspas e mais algumas, aqui estou, de novo. Trago no peito a ânsia de escrever muito. Mas já sei o que vai acontecer: este é um caderno que se abre poucas vezes. E, noutras, alturas, nem me apetece falar. Empanturrado com carradas de informação, o difícil é seleccionar aquilo que interessa. Crivada, pouco fica no cimo desse instrumento de escolha e limpeza de cereais. Mas há mais: - Não quero falar de desemprego, porque, tendo alguns meios de sustento, nem sei como abordar um tema que cheira a dor, sofrimento, carteira vazia, desânimo, desespero, revolta... - Não quero meter-me com o Governo, porque já sei que vou levar porrada, ainda que com luva branca: sei que o Orçamento de Estado para 2013 ( um ano que, até pelo número, tem tudo para ser azarento)será de mais miséria, de mais aperto para esta mártir classe média... - Não quero avançar por essa nossa Europa fora, porque, por lá, ninguém se entende e os discursos são cópias de outros que já li, vezes sem conta... - Não quero pensar, sequer, que nos vão tirar as Juntas de Freguesia e os Tribunais... - Não quero falar nas eleições nos Açores, porque sei que a disputa maior é a dois... - Não quero comentar o Gordon, porque, meiguinho q.b, passou, ali por aquele arquipélago e, felizmente, não fez grandes estragos, até porque a malta da Protecção Civil se portou bem à altura dos acontecimentos... - Não quero cruzar-me com o Relvas, porque teria de lhe dizer duas ou três coisas bem desagradáveis - aquela de que está sempre toda a gente a pensar e uma outra muito pior: a dos rombos que quer dar no poder local, mesmo a nível de nova legislação... - Não quero, aqui por Oliveira de Frades e Lafões, pensar em concelhos sem vereadores eleitos, antes escolhidos pelos Presidentes das Câmaras, facto que estendo a todo o país... - Não quero dizer o que penso disso, porque só me saem asneiras das grossas quando me vem à cabeça um disparate desses... - Não quero deixar passar esta oportunidade blogosferal sem enviar um abraço para quem, por falta de meios e vontade, nem sequer teve, ou pôde gozar férias... E isso é que é grave...

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Um abraço para os Bombeiros de Figueiró dos Vinhos

Hoje estou triste: morreu um amigo, um Bombeiro Voluntário de Figueiró dos Vinhos, um irmão na solidariedade, que, durante cerca de 20 anos, honrou a farda de que tanto gostava. Partiu para mais um fogo e nunca mais voltou. Foi para aquele lugar dos verdadeiros heróis, onde estão colegas de Águeda, Armamar, Vouzela, Oliveira de Frades (aqui sem ser feita a devida justiça), e tantos outros mais, alguns caídos aqui bem perto, em S. Pedro do Sul... Rendo-me perante sua memória e envio aquele meu abraço, sempre solidário, sempre tão pequeno para quem tanto de si deu a toda a sociedade. Até sempre!...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Minas de volfrâmio aqui por perto

- 1 - Nos últimos dias, esta nossa região tem sido bastante falada, porque, ressuscitando uma velha prática económica, a da actividade mineira, que, em anos de guerras mundiais, foi subsolo que converteu pedras em notas de conto, a rodos, agora pensa-se, de novo, em aproveitar as Minas da Bejanca, no concelho de Vouzela. Para esse efeito, o Ministério da Economia e a empresa Mineralia assinaram um acordo em que se movimentam dois milhões de euros para prospecção de volfrâmio, estanho, ouro e cobre. Se atendermos aos factos das décadas de trinta a cinquenta do século passado, há por ali muito material. Nesses anos, foi tanta a sua abundância que ali se constituiu uma comunidade de milhares de almas, com GNR, serviços e equipamentos sociais e desportivos, havendo mesmo uma tal ostentação que, no nosso imaginário, muitas histórias de dinheiro aos montes são contadas: uma delas diz-nos que se chegavam a fumar notas de mil, outra que os ocasionais mineiros, de bom fato, de camisa gomada, de caneta de ouro no bolso do casaco, bem à mostra, por aqui se passeavam e não sabiam escrever ou ler uma letra do tamanho de um comboio. Dicas destas à parte, o certo é que a exploração mineira, na Bejanca e arredores, em S. Pedro do Sul, em plenas Serras de S. Macário, da Arada e outras, foi poço de fundos financeiros e económicos de uma grandeza muito acentuada. Foi tal a sua importância que o Governo de Salazar, a jogar às escondidas, ou a cumprir acordos com os Aliados, fez do volfrâmio, deste que daqui saiu e de outro com origens diversas,uma forte moeda política e uma cartada que nunca deixou de utilizar para atingir os seus objectivos. Sabendo-se que, então, o uso destes minérios teve fins trágicos, os de uma guerra sem tréguas e sem "lei", sendo utilizado por ambas as partes beligerantes, agora espera-se que daqui saia o material que sirva para fins muito mais pacíficos e úteis à humanidade. Saúda-se, por isso, esta iniciativa, desejando-se que se passe da prospecção aos trabalhos de exploração mineira, que, ali na Bejanca, ainda se nota quanto essa actividade teve de eco e proveito. Por ali ser visível uma parte das estruturas desses tempos e a respectiva torre, que estes vestígios venham a ser preservados como memória de uma época que, não sendo boa, a nível mundial, não deixou de existir. E as memórias devem ser estimadas, por mais que nos doam... - 2 - Na minha terra, Oliveira de Frades, a recolha de lixo (re)começou a ser feita pela Câmara Municipal, depois de anos a cargo da Associação de Municípios do Planalto Beirão. Boa medida? Como S. Tomé, não há como ver para crer, mas... A ver vamos...

terça-feira, 24 de julho de 2012

Incêndios e bombeiros

Nasci assim e já não mudo: tudo o que é ajuda ao próximo, em termos de combate a fogos florestais, tem uma marca registada, a dos Bombeiros Voluntários, a que se juntam uns tantos populares e uns mirones. O resto, isso de Protecção Civil, e, mais, de Autoridade Nacional da Protecção Civil, cheira-me a estado a mais e solidariedade cívica a menos. Gosto muito mais, que me perdoem esses amigos, da gente do meu Quartel, o de Oliveira de Frades e de todos os outros que se espalham pelo País. Não tenho culpa disso. Nasci assim e já não mudo, a esse respeito. Já agora, quero homenagear o José Vaz, de Paranho de Arca, que morreu em pleno incêndio e que as Companhias de Seguros, muito injustamente, nunca olharam para sua família com o respeito e a consideração que lhes é devida. Quero também relembrar o António Cortinhal, de Vouzela, que faleceu, há dezenas de anos, num fogo em Oliveira de Frades, onde tem um pedestal em sua memória. Quero abraçar as dezenas e centenas de Bombeiros que, por todo o lado, perderam a vida ao serviço desta tão nobre causa: em Sintra, em Águeda, em Armamar, em S. Pedro do Sul e por aí fora. Mas desejo, sobretudo e agora, pedir aos Governantes que olhem para esta gente com mais coração e com muito mais razão também. Que colaborem com eles nesta sua e nossa luta e que façam erguer bem alto o seu ideal de uma solidária "Vida por vida". Dito de outra forma: que se valorize mais o seu papel e se diminua o de quem por aí anda, mais como profissional do que por vocação. Em resumo: que a ANPC tenha o seu lugar, um outro, mas que se não meta na vida de quem sabe de fogos - os Bombeiros Voluntários, ponto final.