segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Um país desalinhado

Ando, aqui por Oliveira de Frades, um pouco de cara à banda, porque olho para o meu país e sinto-o, perigosamente, dividido em dois: de um lado, uma concentradíssima faixa litoral, do outro, grande parte do território a definhar, a perder gente, a desertificar-se. Este é o dilema que quero desvendar: porquê? Esta é uma razão que me levou a recomeçar uma carreira académica para investigar, a fundo, as razões nacionais, regionais e locais que têm levado a este descalabro. Quem provocou tudo isto? Que políticas aqui nos conduziram? Que actos? Que omissões? É por aí que quero avançar, em tarefa hercúlea, perigosa, porque difícil de analisar e de tirar conclusões certeiras, esperando, no entanto, vir a consegui-lo. A ver vamos o que irá acontecer e se tenho forças -e meios - que isso me permitam? Puf!... Se tenho saudade dos Afonsos e dos Sanchos, do Dinis, que começaram a construir uma nação da serra ao mar, com forais, com póvoas marítimas, com feiras, com mecanismos de atracção e fixação de pessoas, recordo também Pombal que pensou em Lisboa e sua reconstrução, depois do devastador terramoto de 1755, mas não esqueceu Vila Real de Santo António e o seu pescado, a Covilhã e a tecelagem, o Douro e Carcavelos e os vinhos, a Marinha Grande e os vidros... Da outra malta que para aí tem andado, na Monarquia e na República, quase nem me lembro a este respeito. Talvez Fontes Pereira de Mel, em parte. Pouco mais. Imputo a essa gente que não tem cuidado a sério do meu país a responsabilidade por este desastre nacional. Um dia, prová-lo-ei, cientificamente. Assim o espero. Porque me não resigno a ver desfazer-se a terra que amo e que tenho obrigação de ajudar. Assim me ajudem também!...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Fechar o ano

Sem saudades e com tristeza/ este ano tem os dias contados/vivido em ansiedade e incerteza/parte sem deixar grandes dados/...Começou a medo/ orçamento medonho/foge, contando-se a dedo/ aquilo que não foi enfadonho/...Cheio de sobressaltos sem fim/passou por ti sem atenção/correu dessa forma por mim/vai-se embora sem ar de coração/...Olho para ele sem pena/tenho mesmo vontade de o ver fugir/sinto que, dia a dia, me depena/ vá e não volte a surgir/...Aí vem outro ano/ que não seja tão cruel/nem feito desse tecido e mesmo pano/que não sabe a mel/...Estou desanimado/ lixado até/sendo desalinhado/ isto é falta de fé/...A culpa não é só minha/ muito menos tua/é de quem alinha/ em quase pôr-nos na rua...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Vamos dar a TAP

Face ao preço de saldo a que o nosso Governo está a tentar vender a TAP, faço daqui uma proposta: dê-se essa empresa, de borla, a quem a quiser aceitar, pedindo-se apenas em troca uma viagem, anual para cada português aqui residente, ou emigrado, aí até à quinta geração, ida e volta, para o local que se quiser. A dar, ao menos que se tire algum proveito. Quando se fala nuns míseros 20 milhões de euros de retorno para os cofres públicos, cheira-me a meio BPN, ou a uma outra venda sem controle nem avaliação capaz. Ou capacidade reivindicativa em grande falta. Ou pressa em desfazer-se de uma Companhia bandeira. Ou cofres tão vazios que cada esmola nunca pode ser recusada. Com negociadores destes, venha o diabo e escolha: o país, com esta gente, ainda desaparece e nem se dá conta. Efromichado, de todo, ou coisa que o valha, nós é que ficamos tramados. E sem a nossa querida TAP, assim perdida pelo preço da uva mijona...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Novamente, Tribunais e Freguesias

Com lições a tirar da recente publicação definitiva do Censos 2011, que nos mostra que 50% da população vive apenas em 33 dos 308 municípios do País, em Lisboa teima-se em desprezar esta terrível desertificação de nossas terras, ameaçando-as com cortes e mais cortes de serviços essenciais à sua vida e necessidade de desenvolvimento. Se a Saúde e a Educação já levaram pela medida grande, agora quer-se dar cabo das questões básicas de proximidade, retirando-nos os Tribunais e, suprema ironia, até a nossa identidade de séculos estão a desfazer... Ainda esta semana, os Presidentes das Câmaras Municipais de Vouzela e Oliveira de Frades, para falar apenas destas nossas paragens, foram à capital, em mais uma tentativa para fazer travar o processo de encerramento dos respectivos Tribunais e vieram, uma vez mais, de mãos a abanar. Ao que sabemos foram atendidos pela Ministra, mas não conseguiram dar-lhe a volta. Aguarda-se que alguém lhe faça ver o erro que está a cometer e lhe aponte - imponha mesmo - a solução correcta e amiga das populações: continuarem com o pilar da Justiça nos seus municípios. Se assim não acontecer, a conivência paga-se com língua de palmo... Para agravar tudo isto, algumas de nossas freguesias, em decisão de uma seca Comissão,têm os seus dias contados. Simbolicamente, apetece-nos propor um exercício de protesto, indolor, mas cheio de significado: enviar cópias de Bilhetes de Identidade ou Cartões do Cidadão para o Ministério sabotador da democracia local, a mais próxima das pessoas, de carne e osso, em sinal de protesto por nos ser retirado o direito a, com orgulho, podermos dizer que somos da terra que sempre fomos. Como se vai (?) perder a Freguesia, fiquem lá com esses documentos para saberem que esta gente de bem não gosta de ser assim tratada... Como autor desta proposta, alinho já nessa medida de rebeldia sadia, brincalhona, mas a dizer que, por aqui, há quem não goste nada do que se está a fazer ao nosso querido Portugal!...

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Com ou sem Merkel, isto não passa da mesma

Hoje, de manhã acordei com um solzinho bem amigo de todos nós. Se dele estava à espera, porque ontem tinha visto o sinal do tempo nas informações que temos a esmo, uma outra coisa gostaria de ter visto, a essa hora: um país melhor. Afinal, ontem por aqui passara a nova "rainha" da Europa, a da Alemanha, que a da Inglaterra pouco faz por nós, nem bem, nem mal, uma paz d'alma essa Senhora! Mas aquela, a outra, a Merkel, essa tem que se lhe diga: consta para aí - e nem quero acreditar que isso seja verdade - que manda no Durão Barroso, no Draghi, no Passos e não sei se me fica alguém de fora. Talvez, mas não me levem a mal essa possível falha. Por isso, por ter visto que andou uma curta meia dúzia de horas na nossa capital e foi a sítio onde nunca entrei ( um apenas: o Forte de S. Julião da Barra, que aos outros já fui várias vezes), estava convencido que nos oferecera qualquer coisa de bom. Os ricos devem ter essa função: ajudar - não controlar - os pobres. Nada disso aconteceu. Veio de mãos vazias e foi-se embora com pouca saudade nossa, creio eu. Por isso, se estivesse a chover, talvez fosse melhor: ao menos enchiam-se as barragens que ainda precisam de muita água para cumprirem a sua missão. Com o sol, o dia tem sido bom. Mas, sem uma ofertazita da Senhora Merkel,isto não vai lá. Ou tarda a ir... "Isto é que vai uma crise, Senhor Triste, diga à gente, diga à gente, como vai este país? Mal, Senhor Contente...". Lembram-se de uma latomia deste género? Oh, se lembro, eu que já tenho uns anotes...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

OBAMA(IS)

Boa noite, Obama! Daqui, de Portugal,do meu recanto de Oliveira de Frades, desejo que repitas o feito de 2008. Então, eras a esperança, a novidade, a mudança nas ideias, nos conceitos e nos preconceitos. Chegaste, viste e venceste. Nessa noite,deixei fugir o sono e ouvi o teu memorável discurso da vitória. Hoje, quando quero que continues a obra iniciada, quando VOTO daqui, quando estou ansioso e à espera, em horas de alguma angústia, porque as sondagens assim me fazem estar meio a medo, meio confiante, não sei se serei capaz de ficar até essas altas horas. Se não puder presenciar o desfecho deste dia grande, apenas aguardo a melhor das notícias: a tua reeleição. Força, Obama, Obama(is, Obama mais!...

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Nada dizer

Abri-te, Blogue, só por capricho. Aqui, por esta zona de Oliveira de Frades, pouco há de novo. Só o "Sandy", que anda lá por outros lados a fazer estragos, nos põe a pensar: com a natureza, nem a poderosa América pode brincar. Ou seja: por mais poderes que se detenham, por mais fanfarronice que haja, se ela, essa força que ninguém controla, resolve avançar, nada a fazer. Ali, calaram-se as vozes da campanha presidencial e não era para menos. Aqui, andamos todos cabisbaixos e de cara à banda, porque, com uma natureza bem mais meiga, temos gente que nos esmaga a fundo, sem apelo, nem agravo. E falam que se farta. Num dia, dizem que ninguém nos tira nada e lá dormimos descansados; no outro, sem trancas nas portas, temos a casa arrombada. E ficamos sem nada. Hoje, na Assembleia da República,dizem os meus Amigos, há acesa discussão sobre o terrível e temível Orçamento de Estado para o negro ano de 2013. Nem me atrevo a ouvir essas coisas. Porque sei que, se para lá virar a minha atenção, fico doente. Assim, com uma Natureza que nos respeita, para já e por enquanto, e com políticos que, pelo contrário, dão cabo de nós, fico-me com este sol que se escapa por entre uns pingos de chuva, e por cá vou andando, enquanto Deus quer... Do OE, saberei eu, quando as finanças me baterem à porta para levar o que resta: a esperança. Então, de braços caídos, mas de pé, lá vou eu despejar o alforge das moedas, que a carteira das notas já há muito tempo que não a vejo. Sabem, recordo bem a minha/nossa Feira de Oliveira, esse espaço nobre de trocas e de negócios, de conversetas e convívio, e ponho-e a olhar para as carteiras dos Adelinos e Carvalhos do Porto, que ali vinham comprar vitelas, vacas e afins. E enchiam comboios e vagões dessa gadagem, que dava riqueza e conforto familiar às nossas gentes. Tenho inveja daquelas carteiras cheias de dinheiro em que ninguém mexia, senão eles. Grossas, a provocarem o desejo de dar uma "palmada", isso ninguém fazia, porque era feio, pecado e uma ofensa aos bens dos outros. Nem era preciso haver GNR, porque essas eram leis sagradas e intocáveis. Hoje, quando mataram, por estupidez da ASAE desses tempos, as galinhas de ovos de oiro de nossos produtores-agricultores, apenas temos moedas. E a Feira, até ela, está a morrer. Tal como nós. É por isto que abri este Blogue com medo de começar a escrever. E o que disse? Nada de jeito. Apenas que até a esperança me está a fugir... E, ao vê-la partir, fico mais angustiado. Muito mais do que há tempos. Quais? Não digo...