terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Carta aberta
Ex.mo(a) Sr(a)
Presidente da Caixa Geral de Aposentações
Lisboa
Não querendo ser seco como V.Exa, desejo-lhe que tudo lhe corra bem. Agora, peço-lhe, em curtas linhas, um especial favor: não faça de mim um número descartável, enviando-me uma folha com as contas de Fevereiro, secas que nem palha na eira em dia de Verão escaldante, sem ter o cuidado de as explicar e, mais do que isso, de indicar que, creio eu, em Março, os números são outros.
Era isto o mínimo que V. Exa devia ter feito.
Como isso não aconteceu, aqui deixo esta carta aberta e um pedido: se não sabe respeitar quem merece saber o que vai ser de sua vida, demita-se, dê lugar a quem tenha rosto humano. De gente sem alma, estamos nós cheios.
Desculpe a franqueza, mas tinha de dizer isto.
Apesar de tudo, um abraço,
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Lixado!
Duas linhas: este meu País está a lixar-se para a palavra de estado. É o fim da linha da confiança. Ontem partiram uma linha, hoje outra e, amanhã,confesso: não acredito nesta gente que eu próprio ajudei a subir as escadas de S. Bento.Estou-me lixando para tudo o que dizem. Não acertam uma e chegam a dar cabo daquilo que deveria ser sagrado: o sentimento das pessoas, que fica abalado de todo.
Quero ajudar a recuperar este meu País, mas não desta forma: fazendo das pessoas um número, às pessoas tiram-lhe mesmo aquilo que as devia animar a colaborarem no esforço que todos temos de fazer.
BASTA: antes de darem cabo de cada um de nós, olhem para o BPN, o BPP e quejandos, para as PPP, para outros gastos desmedidos, para tudo aquilo que nos minou e dinamitou o futuro.
Ao bolso daqueles que não fogem um milímetro, não é só roubo, é escândalo nacional, é violação da nossa vida e isso é fatal para a confiança que gostava de ter e perdi de todo...
Que se lixe quem de mim se esqueceu. E de outros milhares e milhares de meus compatriotas, que sofrem tanto como eu. Fazendo a vida com base naquilo que pensava ser sagrado, ao sacarem-me isso, mataram a razão de compreender a própria governação.
Quanto a esta, BASTA!...
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Candidato
Tenho cá para comigo que, muitas vezes, há escolhas para governantes que não são devida e antecipadamente avaliadas em termos de efeitos que possam vir a provocar, virando o bico ao prego, isto é, podendo mesmo dar cabo da reputação de uma pessoa, sendo que esta, se for o caso, também deve acautelar-se e resguardar-se com uma óbvia recusa, se convite houver.
Do BPN, pelo que se sabe aqui em Oliveira de Frades, fruto das informações que nos chegam, não há nem boas memórias, nem referências que possam merecer um pingo de consideração. Da SLN, muito menos. Das empresas-fantoche, que ali foram criadas, isso é horror que até chateia. Com cara de crime fortíssimo, há para ali material até dar com um pau. E dinheiro, muito nosso, também. Só por isso é que me revolto com tudo quanto a este incrível banco diga respeito: dos cerca de 7 mil milhões de euros que custou ao Estado, umas gotas são minhas, são de cada um dos mais de 10 milhões de portugueses.
Aqui chegado, quero dizer que nada tenho contra o Dr. Franquelim Alves, tendo mesmo tido o grato prazer, digo-o sem qualquer amargo de boca, ou arrependimento, de ter assistido a uma boa sessão de trabalho com ele, no âmbito do COMPETE, que há tempos houve aqui em Oliveira de Frades.
Estive lá e nenhuma moléstia me pegou. Vim de lá sãozinho que nem um pero. E com saber na cabeça, verdade seja dita.
Mas isto de ter ido para o Governo é outra coisa: aí é que a porca torce o rabo.
Não devia ter sido convidado.
Não devia ter aceitado o convite que lhe fizeram.
A sarna do BPN, em questões desta índole, essa, pega-se a faz mossa.
A sua entrada na equipa governamental do meu conterrâneo Ministro da Economia é um erro de palmatória.
Já sei: isto tem um efeito Relvas. Sempre que Franquelim fizer alguma coisa, ninguém o leva a sério, porque esteve lá, nesse ninho de víboras assassinas que deram cabo de Portugal e das suas finanças, andando nós agora para aqui à rasca, enquanto essa gente se abotoou à grande e à francesa.
Culpado o Franquelim? Sei lá... Mas pecou em ter sido Administrador ao lado de quem assim nos foi ao bolso.
Devia, por isso, pedir a demissão e já. Ou ser demitido.
Descansem, porém: ao BPN estou eu ligado para pagar os rombos feitos. Mas não quero ser candidato a nada disso...
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Morte das freguesias
Hoje mesmo tocou o sino a finados em mais de mil freguesias em Portugal. Com a promulgação da Lei sobre Reorganização Administrativa, um floreado podre para dizer que é uma lei, com letra pequena, que mata freguesias e destrói identidades, está consumado um crime legislativo: o empobrecimento democrático deste meu País que, só neste meu concelho de Oliveira de Frades, me levou as origens e me deixou órfão. Reigoso ( se for verdade o que estava projectado, que ainda não li tão triste documento e até me custa abri-lo...) foi varrido do mapa. E tinha mais de mil anos de história, tendo sustentado, durante séculos e séculos, uma albergaria-hospital das mais importantes do nosso território. Hoje, com uma Zona Industrial, um nó de acesso à A25, uma boa genica associativa, teve o seu dia mais negro.
O Governo, este, os Deputados, aqueles que assim votaram esta afronta, este Presidente da República não podem dormir descansados perante esta grave machadada no poder local, no interesse das populações atingidas e na sua própria dignidade.
Estou de luto carregado. E muito aborrecido com tudo isto. Desanimado até.
É uma tristeza perder aquilo que os meus antepassados, com tanto sacrifício, me legaram: a freguesia a que regressei, dezenas de anos depois de ter andado por tanto outro lado, por opção, por gosto, por paixão.
Hoje mataram-me esse meu Bilhete de Identidade. Queimaram-no a ferro e fogo.
Não esquecerei este dia 16 de Janeiro de 2013. Reigoso e tantas outras freguesias morreram e estão enterradas na vala comum da indiferença dos políticos que temos. E que, com actos destes, não merecem o pão que comem.
E tenho pena que isto tivesse acontecido. Resta-me uma consolação: caí de pé.
Valha-me isso!...
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Um país desalinhado
Ando, aqui por Oliveira de Frades, um pouco de cara à banda, porque olho para o meu país e sinto-o, perigosamente, dividido em dois: de um lado, uma concentradíssima faixa litoral, do outro, grande parte do território a definhar, a perder gente, a desertificar-se. Este é o dilema que quero desvendar: porquê? Esta é uma razão que me levou a recomeçar uma carreira académica para investigar, a fundo, as razões nacionais, regionais e locais que têm levado a este descalabro. Quem provocou tudo isto? Que políticas aqui nos conduziram? Que actos? Que omissões?
É por aí que quero avançar, em tarefa hercúlea, perigosa, porque difícil de analisar e de tirar conclusões certeiras, esperando, no entanto, vir a consegui-lo. A ver vamos o que irá acontecer e se tenho forças -e meios - que isso me permitam?
Puf!... Se tenho saudade dos Afonsos e dos Sanchos, do Dinis, que começaram a construir uma nação da serra ao mar, com forais, com póvoas marítimas, com feiras, com mecanismos de atracção e fixação de pessoas, recordo também Pombal que pensou em Lisboa e sua reconstrução, depois do devastador terramoto de 1755, mas não esqueceu Vila Real de Santo António e o seu pescado, a Covilhã e a tecelagem, o Douro e Carcavelos e os vinhos, a Marinha Grande e os vidros... Da outra malta que para aí tem andado, na Monarquia e na República, quase nem me lembro a este respeito. Talvez Fontes Pereira de Mel, em parte. Pouco mais.
Imputo a essa gente que não tem cuidado a sério do meu país a responsabilidade por este desastre nacional.
Um dia, prová-lo-ei, cientificamente. Assim o espero. Porque me não resigno a ver desfazer-se a terra que amo e que tenho obrigação de ajudar.
Assim me ajudem também!...
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Fechar o ano
Sem saudades e com tristeza/ este ano tem os dias contados/vivido em ansiedade e incerteza/parte sem deixar grandes dados/...Começou a medo/ orçamento medonho/foge, contando-se a dedo/ aquilo que não foi enfadonho/...Cheio de sobressaltos sem fim/passou por ti sem atenção/correu dessa forma por mim/vai-se embora sem ar de coração/...Olho para ele sem pena/tenho mesmo vontade de o ver fugir/sinto que, dia a dia, me depena/ vá e não volte a surgir/...Aí vem outro ano/ que não seja tão cruel/nem feito desse tecido e mesmo pano/que não sabe a mel/...Estou desanimado/ lixado até/sendo desalinhado/ isto é falta de fé/...A culpa não é só minha/ muito menos tua/é de quem alinha/ em quase pôr-nos na rua...
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Vamos dar a TAP
Face ao preço de saldo a que o nosso Governo está a tentar vender a TAP, faço daqui uma proposta: dê-se essa empresa, de borla, a quem a quiser aceitar, pedindo-se apenas em troca uma viagem, anual para cada português aqui residente, ou emigrado, aí até à quinta geração, ida e volta, para o local que se quiser. A dar, ao menos que se tire algum proveito.
Quando se fala nuns míseros 20 milhões de euros de retorno para os cofres públicos, cheira-me a meio BPN, ou a uma outra venda sem controle nem avaliação capaz. Ou capacidade reivindicativa em grande falta. Ou pressa em desfazer-se de uma Companhia bandeira. Ou cofres tão vazios que cada esmola nunca pode ser recusada.
Com negociadores destes, venha o diabo e escolha: o país, com esta gente, ainda desaparece e nem se dá conta. Efromichado, de todo, ou coisa que o valha, nós é que ficamos tramados. E sem a nossa querida TAP, assim perdida pelo preço da uva mijona...
Subscrever:
Mensagens (Atom)