segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Incêndios por aqui na Serra do Ladáro

A minha Serra do Ladário, aqui em Oliveira de Frades, está a arder desde ontem, domingo. A noite foi de intensas e rápidas labaredas, num grande pavor. A manhã acordou com cerca de trezentos e oitenta Bombeiros, com o Comando junto às Bombas de Paredes de Gravo, com helicópteros e aviões em acção...E muitas chamas e fumos... Ontem, numa volta pela Serra do Caramulo, deparei-me com o mesmo cenário... Recordei, com tristeza e saudade, a Bombeira Rita Pereira, de Alcabideche, morta ao serviço de uma causa pública, e o meu Amigo, Professor Mendes, de Queirã, que luta com o sofrimento num Hospital do Porto( a quem desejo rápidas melhoras), assim como outros feridos... E outros prejuízos, sempre menores quando comparados com tragédias humanas...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A minha ideia sobre freguesias, há muitos meses em "Notícias de Vouzela"...

Freguesias com grande proximidade ao povo que representam Há lugares comuns que nunca são demais. Afirmar que as freguesias são o mais próximo elo político-administrativo de ligação entre os cidadãos e os eleitos, repetimos, eleitos, é um desses axiomas sem tirar nem pôr. Dispensando comentários, fala por si. As suas origens, muito embora durante séculos integradas numa organização que confundia o sector religioso com o civil, numa amálgama profunda, podem ver-se nos períodos romanos e da reconquista, com um interregno lógico, naquele figurino, durante a supremacia árabe. Assim, às paróquias associa-se, regra geral, uma freguesia, facto tanto mais de relevar quanto se sabe que o termo radica em «filius eclesiae», filho da igreja, o conhecido freguês, que adquire também, em termos comerciais, um outro significado, bem conhecido de todos nós. Ligadas aos municípios ou concelhos, estes com existência mais concreta e definida desde há séculos, são, porém, muito mais serôdias quanto ao seu actual enquadramento histórico na esfera do direito da nossa arquitectura de estruturas institucionais civis. Mas isso não lhes retira credibilidade e muito menos razão de ser. Aliás, como organismos de ordem mista, como vimos, têm um papel próprio e inalienalável, Ao virem a ser reconhecidas pelo legislador no ano de 1830, como Juntas de Paróquia, era-lhe então confiada um a extensa missão, que passava pela reparação de templos, administração de bens e rendimentos da Igreja, conservação de fontes, poços, pontes, caminhos e baldios, subindo mesmo a mais altas esferas, como sejam as de cuidar da saúde pública e das escolas do ensino primário. Em 1835, são consideradas parte da divisão administrativa. Mas já em 1832, pelo Decreto nº23 de Mouzinho da Silveira, sem efeitos práticos, no entanto, detinham um estatuto idêntico. Com os Códigos Administrativos de 1836 e outros, estas formas de poder apareciam com vida própria, com um apagão em 1840, sendo que, no ano de 1867, vemos aparecer a chamada Paróquia Civil, que o Código de 1878 consagra, retocado posteriormente, para a 1ª República o repescar em termos de maior autonomia e descentralização política. Chegado o Estado Novo, surge, então, uma espécie de seu apoucamento. Com o 25 de Abril de 1974 e a Constituição, adquirem esplendor, sangue, vitaminas e fulgor em dose imensa, respondendo com propósito e vontade aos desafios que lhes são colocados, a ponto de, hoje, ser necessário repensar a legislação que está em cima da mesa e que lhes não é, de todo, favorável, em muitos casos. Muito embora possamos e devamos distinguir freguesias urbanas e rurais e, dentro desta categoria, olhar bem para a sua essência, temos o dever de exprimir a nossa posição: neste poder de ao pé da casa não se pode tocar por dá cá aquela palha. È preciso muito cuidado e muita canja de galinha, antes de se tomar qualquer decisão. Para ilustrar este raciocínio, remetemos os nossos leitores para o nosso último jornal, onde se fala de uma brilhante iniciativa da Junta de Freguesia de Valadares, do vizinho concelho de S. Pedro do Sul. Ao ler aquilo que ali se está a fazer, nota-se que estas e outras freguesias (que, parece, nem é o caso desta autarquia) não podem morrer assim, só porque têm menos habitantes que a tabela, de régua e esquadro, acabou por registar. Com tempo e com obra, umas outras suas dimensões não têm paralelo: a proximidade, a cumplicidade, o conhecimento dos problemas e a capacidade de os resolver. Isso, não há dinheiro que o pague. Ao deterem uma vasta teia de funções próprias e outras delegadas, a que se junta um extraordinário espírito de voluntariado e bem fazer, tudo quanto a elas diga respeito merece uma atenção especial, que os responsáveis políticos, lá em cima, não podem descurar. Nem atirar pela janela fora. Muito menos isso. Carlos Rodrigues

Uma ideia sobre as autarquias publicada em NV há largos meses

Poder local à espera de machadada forte e feia - 1 – Uma leitura geral Anunciada vezes sem conta e outras tantas alturas adiada, a reforma do poder local parece que, daqui a tempos (?), vai mesmo aparecer. Pelo menos, já tem Livro Verde e um Ministro, Miguel Relvas, com vontade de mexer nessa estrutura da nossa organização política e administrativa. Só lhe falta uma condição: ter a força de Mouzinho da Silveira, aquela veia de estadista que não toca a todos. Sendo a maior conquista do 25 de Abril, as Autarquias são isso mesmo: donas de si e do seu destino. Porque lhes assiste uma força imensa, a do voto e a da proximidade, têm marcado um caminho, que é o de seguirem o seu rumo, em função de programas, agentes activos e dinâmicos, conhecidos, estimados (também odiados), pessoas de carne e osso, que se cruzam com seus fregueses e munícipes ao virar da esquina e deles quase percebem o que desejam, pelo menos aparentemente. Se, em 1975 e 1976, foi fácil definir um rumo e encontrar um quadro legislativo para o nosso figurino democrático mais imediato e genuíno, que se consubstanciou numa lei que agradou a todos, se as fronteiras pegaram nos limites do anterior século XIX, em que tudo andou em bolandas, mas que, nesse último quartel de século XX, se entendeu não retocar, muito menos alterar, salvo um ou outro aspecto de pormenor, tudo se conjugou para que tivesse – como aconteceu - êxito assinalável. Temos assistido a arremessos vários ao longo destes tempos, nesta matéria. Chegou a ser praticamente assinado um acordo que, por razões que só a política e o tacticismo sabem entender, veio a ser rasgado. Agora, com a Troika, colocados perante um cutelo ameaçador, Deus nos acuda, temos de puxar pelos cordelinhos da imaginação e encontrar as soluções miraculosas. Uma delas, talvez nunca a melhor, nem a mais sensata, veio fazer inscrever no papel a tese dos números, das distâncias, das estatísticas, da contenção (?) de gastos, mas esqueceu aquilo que é mais importante e sagrado: a identidade das pessoas e de suas comunidades. Mesmo que assim falemos, não descartamos a hipótese de ver este tema ser repensado, alterado, melhorado, se for possível, mas nunca desvirtuado. E o que vemos em cima da mesa, para sermos fiéis a posições com anos de assumido destaque pessoal, têm carimbos de que não gostamos e um deles, talvez o mais forte, é este: defender-se a ideia de vereadores de estufa, sem serem eleitos e, pelo contrário, escolhidos pelo cidadão mais votado da lista para a Assembleia Municipal. Essa é uma tese que nos desagrada vivamente. Para nós, um vereador é isso mesmo, desde a Idade Média e até, às vezes, mais entroncado que os “presidentes” que, nesses tempos, podiam ser juízes de fora, alguém com legitimidade de voto e não um “quadro” que ora se aceita, ora se atira pela borda fora. Dizem que, com esta medida, se defende a funcionalidade das autarquias, se evitam entraves diversos, se agilizam procedimentos, se dá forma de governo nacional a entidades locais. Certo. Mas imensamente errado: retira-se ao poder local aquilo que ele é – a expressão viva, discutida, dificilmente conseguida, mas, também por isso mais enriquecida, do que tem de mais nobre a função política, que é o facto de encontrar soluções entre as diferenças e andar em frente. Acrescentam que as Assembleias lá estarão para fazerem a devida fiscalização. Certo. Mas imensamente errado, se soubermos, como sabemos, que os seus tempos de funcionamento nada têm a ver com uma AR, aberta todos os dias e com outros poderes. Se estas são questões de princípio, outras nos atormentam e uma delas tem a ver com as supressões e fusões que se pretendem ver consagradas nas Juntas de Freguesia, o mexilhão de todo este edifício do poder local que temos, democrático e que nelas tem o pilar básico – o mais próximo elo de ligação com os cidadãos. Repare-se: nas Câmaras não se toca, recomenda-se, angelicamente, a constituição de uma espécie de associações… Ao passarmos os olhos pelo respectivo Livro Verde, que queremos aprofundar em termos de um maior conhecimento de pormenor, temos a clara noção de que, quanto a teoria, há ali terreno a lavrar, mas, se cavarmos mais fundo, são muitos os calhaus que iremos encontrar. Discutível é a terminologia das freguesias maioritária ou predominante urbanas, ou rurais, assim como o números de habitantes e densidade populacional, bases de trabalho para futuras tomadas de decisão. Aqui, tudo é verdade e o seu contrário. Preto e branco não são critérios que se possam utilizar. Talvez o cinzento também tenha o seu lugar. Depois, quem é quem no caso de extinções ou fusões, sendo que defendemos a máxima de que ninguém pode ser privado do melhor que a democracia tem: a possibilidade de encontrar um interlocutor à mão de semear. Dito isto, nenhuma freguesia que, eventualmente, venha a eclipsar-se, pode ficar sem representantes eleitos e com a devida legitimidade. Esse é um ponto que nunca, em tempo algum, pode vir a ser perdido. Por ser este um fato difícil de cortar e coser, a ele voltaremos, proximamente, com mais dados e pormenores. Carlos Rodrigues

terça-feira, 13 de agosto de 2013

A nossa Pedra da Broa

Em véspera do convívio da Pedra da Broa, lembrei-me de lhe dedicar estas linhas: - "... Vou à Pedra da Broa/ à procura de sardinha assada/recordo, coisa boa,/a amiga de sempre da patuscada...// ... No princípio, era o Gomes, florestal/vinha e vem também o Quintela, engenheiro/começou a festa, não levem a mal/mais de meio século, por inteiro...//... O grupo foi crescendo, anos a fio/ em cada mês de Agosto, mês quente/refresca-se este anual estio/ com muita e boa nossa gente...//... É o sábado, o segundo/E Lafões ali vai parar/Vêm amigos de todo o mundo/ à Pedra da Broa, para à mesa estar...//...A sardinha é rainha em brasa feita/ as batatas, a salada, o vinho e o pão/ são companhia e grande peita/ pr'a estes convivas do coração...//... Muitos aqui estão, outros são saudade/esta a tradição que perdura/tempos fora sem maldade/ que esta Pedra rija nem água a fura...///

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Férias de Verão

Amanhã, começa Agosto. As férias estão aí. Há um destino que convida: Lafões, com as maiores Termas da Península em S. Pedro do Sul, com Vouzela e a sua monumentalidade, com Oliveira de Frades, meio mar, meio serra, com uma das Antas de maior relevo, a nível geral: a de Antelas e suas fabulosas pinturas. Há tudo de bom para se passar por aqui. E ficar...

terça-feira, 30 de julho de 2013

O tempo e a velocidade num comboio falecido...

Há dias, por acaso, dei de caras com um velho horário dos comboios que faziam a ligação entre Espinho e Viseu e vice-versa, aí pelos anos cinquenta do século XX, não AC, mas DC. Em termos ascendentes, tínhamos estas circulações: nºs 841, 823, 801, 829 e 803. Para a distância entre estas duas cidades, que não andará muito longe dos cento e tal quilómetros, mais dezena (s), talvez, pisavam-se os carris durante mais de cinco horas, como se vê pelo horário do nº 823, que saía de Espinho às 7.05 horas e chegava a Viseu às 12.55 h. No sentido inverso (Viseu-Espinho), havia os nºs 824, 802, 832, 804, 844 e praticamente o mesmo tempo de viagem, avaliando-se isto, por exemplo, através do nº 824, que partia de Viseu às 6.35 horas e parava em Espinho às 11.55 h. Diga-se que havia uns mais rapidinhos, na ordem das quatro horas (802) e outros mais ronceiros que faziam consumir a paciência dos passageiros aí umas sete horitas (832). Convém que se diga que havia um ponto intermédio de envergadura, que fazia e derivação para Aveiro: a Estação da Sernada, esse mundo ferroviário, que hoje definha a olhos vistos e onde tudo morre aos bocadinhos, de uma forma profundamente desumana e de lesa-património. Quando hoje tudo se mede ao minuto e ao segundo, quando de Aveiro a Lisboa, no Alfa ainda muito preguiçoso, se gastam pouco mais de duas horas, estes números aqui ficam para medirmos distâncias temporais e, mais do que isso, sociológicas. A este nível, deve afirmar-se que a Praia da elite viseense, de S. Pedro do Sul, Vouzela, Oliveira de Frades e por aí abaixo, era, nessas épocas, a bela Espinho, onde se chegava cansado e chateado de tanta pouca-terra, pouca-terra, pouca-terra e muito carvão e fumo engolidos. Mas havia uma imensa alegria, de um lado ao outro: as paisagens eram (são) de sonho!...

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O Governo que vimos em 2011, via Notícias de Vouzela

Governo em tempo novo, mas com o calor a aconselhar cautelas Ao abrirmos a agenda desta edição, que precede a festa do nosso aniversário, damos de caras com a formação de um novo Governo, numa aposta onde abunda a novidade, a força de gente nova que muitos de nós jamais ouvíramos falar, isto a pressagiar algo de diferente, inovador e até arrojado. Por outro lado, notou-se aqui um factor essencial: num exercício comparativo, tivemos o cuidado de ler alguns jornais e outras manifestações de opinião e quase ninguém acertou no típico aterrar a barro à parede. Atrevemo-nos a dizer que este foi um bom trabalho, tal como o fora aquele que levou à conclusão do acordo parlamentar e de governo entre o PSD e o CDS/PP. Se estes são aspectos a referir com nota a abeirar-se do mítico 20 (quando a escola e os alunos eram avaliados!), nada sabemos quanto ao resultado das escolhas feitas. Em tempo de Verão, que agora se inicia, e de melões à beira das estradas, cuja qualidade só se avalia de faca na mão e de lábio conhecedor em exercício, tudo quanto se possa adiantar é puro exercício de especulação e imaginação envaidecida. Para não cairmos em erros desnecessários, fiquemo-nos por aqui em termos de divagação. Está no Governo quem foi chamado(a), talvez com algumas recusas, e agora é chegado o tempo de deixar andar quem souber mexer-se. Boa sorte! Que precisamos de quem saiba traçar linhas e metas de dura objectividade, disso não duvidamos. Que é urgente cortar a direito e pôr a casa em ordem, eis outra verdade que o povo português bem assumiu, até na votação do passado dia cinco. Que não podemos andar a brincar, quando o assunto é demasiado sério e complicado, sabemos que essa atitude de firmeza tem o apoio de quem quer ver o país a sair da cova funda em que caiu. Que amanhã será tarde e esta é a hora de arregaçar mangas sem quartel, eis outra receita altamente urgente. Com um elenco curto, achamos que é nosso dever chamar a atenção para um outro pormenor: como exemplo, como estímulo à poupança, isto funciona. Como remédio para a crise, talvez sim, talvez não. É tudo uma questão de outros pormenores: se é tão grande a concentração de respostas a dar em onze “pastas”, há muita ramificações que carecem de um outro suporte, isto é, uma rede de secretários de estado que não sejam auxiliares de ministro ma agentes de decisão com corpo, alma e espírito de bem saber fazer e aplicar programas em cada um dos respectivos sectores. Cremos que, sendo esta a época de determinar o nosso futuro, não o é em termos de discutirmos questões de “lana caprina”, ou seja, pouco nos importa se há mais ou menos ministros, quando o que Portugal precisa é de se sustentar em quem defina rumos, aperte a malha e diga, claramente e sem tibiezas, para onde se ir. Dito de outra forma: não nos apoquenta nem “arrefenta” quem tem gravata mais ou menos dourada, porque o que queremos é quem saiba o que fazer, quando, onde e como, devendo acrescentar-se, ainda, um outro factor de monta: em vez de se operar para alguém, que se pense em trabalhar “com” toda a gente, de modo a obterem-se sempre os melhores resultados. Para bom entendedor, estas meias palavras bastam: ministro, ou secretário, tanto faz. Se é de obra que precisamos, para quê tanta conversa a deslado, só para encher rádios, jornais e televisões, numa postura em que toda a gente fala, fala e poucos têm na mente o essencial - a dureza do caminho que não dá para floreados, já que , com esse peditório, ficamos a ver navios, num mar que, até, desperdiçámos?... Sem rei nem roque, nestes mesmos momentos, parta-se em frente, que as horas que se avizinham não estão para meias tintas. Dizem-nos que deveríamos escolher áreas centrais para uma mais acelerada actuação. Recusamos esta sugestão, tais são as nossas prioridades: todas, sem excepção. Por isso mesmo, nem nos preocupam os perfis dos novos Ministros. Venham eles, cheios de garra, genica, generosidade, boa vontade e inteligência… Carlos Rodrigues