terça-feira, 19 de novembro de 2013
Uma visita relâmpago
Tive o grato prazer de ter estado, há poucas horas, com meu Amigo, Comendador José Ferreira Trindade, Presidente do Centro de Apoio Social e Associativo (CASA), do Luxemburgo, que por aqui passou com sua esposa, filho e nora. Recebido o telefonema da praxe, percebi uma de suas vontades: comer a boa Vitela de Lafões no Restaurante S. Frei Gil, o "Meu Menino", em Vouzela, e assim aconteceu. No meio do cumprimento desta "promessa",nos poucos momentos que tem para dar um abraço a esta malta, houve espaço para saber novidades e as que chegam daquela terra de emigrantes portugueses, em número assinalável,não são as melhores. A crise também anda por lá...
Mas o que muito gostei de ouvir foi a sua confissão de que os filhos e os netos, sempre que podem, não deixam de por aqui aparecer. Isto é: em três gerações passa a vontade de não esquecer as raízes e isso é o que importa realçar.
Relembro: o Zé Trindade saiu de Levides-Cambra, onde nasceu, viveu e trabalhou em Águeda e, um dia, partiu para o Luxemburgo. Aqui fez vida. Aqui criou uma obra, o seu CASA, aqui ajuda, permanentemente, portugueses em dificuldade, já que conhece aquela realidade local melhor do que ninguém. Com pontes estabelecidas com as autoridades locais (com ele tive a honra de conviver com o Grão-Duque e Esposa, com o então Primeiro-Ministro Claude Juncker, com as entidades municipais daquela Cidade do mesmo nome),com Embaixadores e Cônsules, enfim, com tanta gente que, a partir destas portas abertas, olham até os nossos conterrâneos como seus quase concidadãos. E assim todos ficam a ganhar.
E rematou, com um brilho nos olhos: o passo que está a dar, presentemente, é estabelecer com essas mesmas altas Entidades um novo Estatuto para os nossos Emigrantes, deixando que assim seja considerados para começarem, de facto, a serem tratados como luxemburgueses, sem rótulos... Bom sucesso lhe desejamos nesta, mais uma, enorme diligência.
Obrigado, Zé. Um abraço.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
No Centenário do Comboio em Vouzela - Os órfãos dos comboios
Linha do Vale do Vouga e os órfãos dos comboios - REPORTAGEM
São os comboios filhos de um progresso que foi corrido à pedrada. Por ocasião da inauguração da linha do caminho de ferro, que iria ligar Lisboa ao Carregado (1856), a população, avessa a mudanças e cheia de medo dos efeitos das máquinas a vapor, premeia com palmas, talvez, a passagem do primeiro comboio, mas não deixa de lhe atirar uma pedras de raiva e revolta. Escusado será dizer-se que vivíamos uma época histórica em que a carruagem da mala-posta, no percurso entre Lisboa e Coimbra, no ano de 1798, demorava cerca de 40 horas, e que as estradas de maior importância vinham, sem apelo, nem agravo, das realizações romanas de há 1800 anos.
Nesta Reportagem e neste fim de mês de Julho, o que nos move é o extinto comboio do Vale do Vouga e o que ele representou para as nossas comunidades e para o desenvolvimento de uma vasta região, que ia de Aveiro e de Espinho a Viseu, cidade que se habituou a “mandar” os seus habitantes para aquela cidade (Espinho), precisamente pela influência directa deste meio de transporte. Sernada sentiu nas suas entranhas a força criativa do saudoso Vale do Vouga, devido às oficinas ali existentes e ao entreposto que constituía. Hoje, é quase um cemitério com algumas memórias vivas. Alguns quilómetros além, temos o Museu de Macinhata do Vouga, valha-nos isso, onde este nosso passado está bem retratado e recordado.
Mas, aqui entre nós, em Figueiredo das Donas, o comboio do Vale do Vouga e as automotoras deixaram marcas de muitos ordenados ganhos, de muitas viagens feitas, de muita boca a quem se matou a fome, de muito estudante que pôde prosseguir a vida académica, porque, talvez mais, de 80% de suas famílias tinham o seu sustento na linha ferroviária.
Antes de falarmos em nomes concretos, fruto de uma pesquisa de nosso correspondente Fernando Silva Pereira e da achega de outros amigos, de quem não nos esqueceremos, vamos dar uma volta pela história desta Linha do Vale do Vouga e dos seus 176 quilómetros de via estreita, com o Ramal de Aveiro.
A partir, sobretudo, das “ Memórias do Vale do Vouga”, obra de Manuel Castro Pereira, do ano de 2000, editada no Porto, e que se encontra, por exemplo, na Biblioteca Municipal de Vouzela, muito ficámos a saber, juntando-lhe o “Guia dos Caminhos de Ferro”, de 1933, e outras fontes.
O traçado que, neste caso nos interessa, é o que ligou Vouzela a Bodiosa, que esta via foi feita por fases e por troços distintos quanto à sua abertura e que viu a luz do dia, em termos de conclusão, em 1 de Fevereiro de 1914. Nesse momento, pediu-se à Companhia a comparência da Comissão de Exame para apreciar o trabalho feito, de modo a poder pô-lo em funcionamento no mais breve prazo possível. A este propósito, o “Jornal de Lafões” de então, relatava assim esse acontecimento: “… É com a maior satisfação que damos a notícia que ontem (30 de Novembro de 1913), cerca das três da tarde, passou nesta vila – S. Pedro do Sul –, em fiscalização, o primeiro comboio da nossa Linha… “ Em jeito de elogio e gratidão, ali se destaca a acção de José Vaz Corrêa Seabra de Lacerda, descrito como o filho de Lafões que mais lutou por este comboio, o que talvez melhor se compreenda se for dito, por ser verdade, que o seu projecto sofreu muitas alterações para servir, por exemplo, as Termas de S. Pedro do Sul…
Antes, porém, em 1 de Dezembro de 1913, era aberta à exploração a linha entre Ribeiradio e Vouzela e Bodiosa/Viseu, também por essa mesma altura. Ficando encravado no meio, o espaço de Ribeiradio para cima até Moçâmedes e antes, Figueiredo das Donas, esperaria então mais algum tempo. Mas esta base de recrutamento profissional não tardaria a dar os seus frutos, passando a ser, tal como Sernada, uma espécie de Meca desta Linha, ali mãe e rainha.
Em resumo, quanto à entrada em funcionamento de cada itinerário, anotemos estes dados: 1908 – Espinho/Oliveira de Azeméis; 1911 – Daqui a Sernada; 1913 – Sernada/Vouzela e Bodiosa/Viseu; 1914 – Vouzela/Bodiosa.
Se hoje muito se fala em CP e na possibilidade de vir a ser privatizada, é bom dizer-se que, no ano de 1907, aqui se instalava a Companhia Francesa de Construção e Exploração de Caminhos de Ferro que liderou todo este processo. Mais tarde, a Linha do Vale do Vouga passa por alguma autonomia, mas a CP nunca a perdeu de vista.
Num transporte de passageiros que foi determinante para o desenvolvimento e sustentabilidade desta zona, são ainda de assinalar-se os aspectos relacionados com as mercadorias, a ponto de, em 1916, se porem em destaque as estações ferroviárias e os respectivos apeadeiros como fontes de bastante tráfego de materiais diversos, citando-se, nomeadamente, Macinhata do Vouga, Vila Chã, Pinheiro de Lafões e Real.
Logo, no ano a seguir, vem a assistir-se a uma monumental greve do pessoal desta Companhia, que a muito a afectou, até porque os comboios estiveram paralisados durante cerca de vinte dias, reiniciando-se o seu curso normal em 1 de Julho de 1917, depois de 15000$00 de prejuízo, só na Linha do Vale do Vouga.
A determinada altura, em 5 de Março de 1941, inaugura-se o serviço de autorail (automotoras) no troço Espinho/Viseu, sendo um dos modelos utilizados a Panhard Levassol, de 23 cavalos. Por ironia do destino, logo que o comboio acabou de por aqui passar, no início dos anos setenta, ressuscitando por volta de 1975, mas por pouco tempo, condenado por culpas que teve e que não teve, foram as automotoras que o vieram substituir, em exclusivo. Mas até estas desapareceram e a Linha se fez em farrapos dispersos, para darem lugar aos autocarros, primeiro, da própria CP e, posteriormente, da Empresa Guedes, serviço que ainda perdura, mas bem menos eficiente, pelo menos em horários, dizem.
Assim, até Dezembro de 1989, circulou-se muito nas automotoras Allan. Em 1 de Janeiro de 1990, tudo isso teve um fim inglório, morrendo, com essas mudanças, de certa forma, a própria CP, que os veículos, que aqui colocou, andando pelas estradas normais, cavaram a sepultura daquilo que tinha sido a acção da via ferroviária.
Figueiredo das Donas com o comboio no coração
A introdução, que acima acabou de ser feita, foi apenas o pretexto para o enquadramento daquilo que tínhamos em mente: homenagear as gentes de Figueiredo das Donas, que viveram décadas e décadas seguidas ao ritmo da passagem dos comboios e automotoras. Para esse efeito, pedida a colaboração de nosso correspondente, Fernando da Silva Pereira, ali nos deslocámos para um contacto directo com essa mesma realidade. Sente-se, por aquelas bandas, uma profunda nostalgia por esses tempos. Ali ainda há trabalhadores na CP e subsistem muitos aposentados dessa mesma Companhia, podendo também falar-se em beneficiários de transportes gratuitos ou bonificados, que abrangiam os funcionários, seus pais, filhos e irmãos, estes até aos 21 anos e as irmãs e filhas até ao casamento, única situação que põe termo a essa “oferta”. Com tudo isto, a CP era uma boa mãe, que não desamparava seus filhos.
Não admira, por aquilo que estamos a dizer e que é sempre pouco, que ali se evoque a Linha do Vale do Vouga, na toponímia da moderna Variante local, no Largo do Apeadeiro de Real das Donas e na Travessa da Linha. Desta maneira, a sua memória não se perde, transmitindo-se de geração em geração, porque, merecendo-o, assim o quiseram os homens e mulheres de agora.
Sem grande dificuldade, há sempre alguém, familiar directo, ou um tanto mais afastado, que tem ligação à tão falada Linha. Numa freguesia, em que cerca de 80% da sua população masculina activa, foi empregada da CP, muitos são os nomes que se podem referenciar. Com o risco de incorrermos em falhas involuntárias, atrevemo-nos a colocar aqui todas estas pessoas, a razão de ser desta nossa Reportagem, contando com a preciosa ajuda de Fernando da Silva Pereira e ainda de Manuel Carvalho e Ernesto Sousa Santos, a quem agradecemos o esse mesmo contributo.
Para uma mais fácil compreensão, associamos nomes a funções, ainda que aproximadamente, sobretudo em categorias profissionais. Aqui se regista, para a posteridade, esta listagem de gente que passou pela Companhia:
Inspecção – Idalécio Serra; Chefia – Albano Cardoso; Chefia do Via – Agostinho Cardoso, José Cardoso, Fernando Serrano, David Cardoso, Fernando Sousa Santos e Carlos Cardoso; Chefia de Estação – António Amaral, genro do nosso amigo e colaborador, Alberto Serôdio; Factores – Idalécio Rodrigues, Adelino Serrano, Manuel Almeida e António Rodrigues; Maquinistas – Arlindo Marques da Silva, Aires Presas, Pedro Quintal, José Cardoso, Manuel Almeida, Paulo Serôdio e Valdemar Serra; Revisores – Custódio Cardoso, António Sousa Rocha, Manuel Silva, Paulo Jorge Marques e José Carlos Marques; Trabalhos de Via – António Fernandes Almeida, Manuel Carvalho, João Chaves, António Pinto Serra, Virgílio Almeida, António Fernandes, Horácio Serra, Aurélio Silva, Afonso Pereira, António Pereira, Gilberto Matos, Bernardino Sousa, Delfim, Ângelo Rodrigues, Norberto Chaves; Oficina, S. Pedro do Sul – António Serra, Celso Castro, Evaristo de Matos e Norberto Rocha; Oficinas, Viseu – Valentim Serôdio, António Chaves, Joaquim Matos, Augusto Cardoso, António Silva; Trabalhadores de Estação – Ernesto Sousa Santos, Henrique Almeida, Fernando Rocha, António Rocha, António Almeida, Edmundo Pereira de Almeida, José Serôdio, Alberto Bandeira, Diogo; Construção Civil e Vias – Albano Ramos, Valentim Mendes, Fernando Chaves e Armando Rocha.; Revisor de Material – António Silva Carvalho.
Habituados a ver passar os comboios e a servirem-se deles, por ali circulavam, mais ou menos por estas horas, os seguintes trajectos: Sernada/Viseu – 9 horas, 11.40 h, 14.10 h, 15.30 h, 18.30 h e 23 horas; Viseu/Sernada – 6.30 h, 9.40h, 13h, 15.30 h, 18.40 horas.
Com Santo Amaro como padroeiro dos ferroviários, o milagre maior não foi feito: o comboio não resistiu e morreu, cedo demais.
Hoje, em Figueiredo das Donas, permanece a sua memória e o desejo de, um dia, quem sabe, o verem voltar, que se fala na ligação Aveiro/Salamanca e não se sabe por onde irá passar.
Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Uma lei cheia de água
Na Assembleia da República, no ano de 2005, foi aprovada uma Lei peregrina, no mês de Novembro, que aponta para o seguinte, em linhas gerais: quem tiver terrenos privados à beira de águas públicas, mar, rios, riachos, talvez, lagos, lagoas e outras aguadas que tais, tem de provar a propriedade privada, com DOCUMENTOS, desde o longínquo ano de 1864, em acção judicial que tem de intentar até 1 de Janeiro de 2014, daqui a curtos meses.
Se esta legislação é demasiado estranha (não sei como é que não se lembraram de recuar mais na data da posse, aí até ao tempo dos Castros!...)e palermice pegada, é este o termo que me ocorre, para ser meigo, mais se lamenta o facto de os actuais deputados, em vez de anularem aquela Lei, se terem limitado a prorrogar o prazo, salvo erro, até Julho de 2014.
Aqui nesta minha terra da Serra do Ladário, no concelho de Oliveira de Frades, pouca gente sabe disto. E também não perde nada em desconhecer tal parvoíce. Como estou em crer que ela vai morrer por morte natural, ou por uma qualquer decisão mais ajuizada, não me ponho em bico de pés (eu, que até tenho mania de chafurdar em tudo o que seja Arquivo, Biblioteca e outras valências do género)para procurar essa papelada. A uma decisão sem pés nem cabeça só se pode responder desta maneira: vão dar uma curva ao Bilhar Grande, se sabem onde é, que desses papéis tem Vexas, Srs. Deputados, extremas dificuldades em conseguir aquilo que legislaram...E nós muito mais...
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
A dois anos de distância, um texto sobre a Ciência nas Termas de S. Pedro do Sul - Notícias de Vouzela
Professor Fernando Manuel Silva em destaque na vida académica termal
Este nosso conterrâneo, docente universitário e estudioso das questões termais, o Professor Fernando Manuel Silva, com ligações fortes a esta região, está a desenvolver um muito assinalável trabalho de investigação e divulgação acerca de tudo aquilo que se relaciona com este mundo da ciência das águas com virtudes especiais. Presentemente, lidera um Curso de Especialização da Universidade Lusófona, do Porto, na área do Turismo de Saúde e Bem-estar.
Para além desta iniciativa, há a destacar várias obras de sua autoria, que muito úteis são para quem se dedica a este ramo da saúde e do lazer, sobretudo para uma terra que alberga as maiores termas da Península Ibérica.
Inserem-se nesta nossa curta, mas merecida notícia, o “Manual de Auditoria e Diagnóstico de Monitorização da SST em Unidades Termais”, “ A SST em Unidades Termais: Manual de Boas Práticas” e “ O state of the art nas Unidades Termais em matéria de SST”, todas estas obras com a chancela de Petrica Editores.
Com tudo isto tem-se em vista dar um contributo da academia ao mundo da acção prática, o que, em parceria e partilha de conhecimentos, é de um alcance extraordinário.
As nossas felicitações ao Professor Fernando Silva, com votos de muito sucesso na sua carreira.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Descansa em Paz
Amigo e Colega, Joaquim Mendes!
Acabaste de partir, há poucas horas, segundo as informações recebidas. Não resististe aos sofrimentos provenientes da tua vontade em lutar pela defesa de bens e pessoas da terra em que eras Presidente de Junta de Freguesia: Queirã-Vouzela.
Quiseste apagar o fogo e foste traído pelas chamas e nem o Hospital, depois daquele fatídico e negro dia 23 de Agosto, te conseguiu salvar.
Perdi-te. Mas continuas comigo.
Não esqueço o tempo, os três anos da Escola do Magistério Primário de Viseu, em que estudámos juntos, na turma A, eu, na D, tu.
Não esqueço a vida depois disso. Nem os telefonemas que me fazias por questões jornalísticas, sempre com a intenção de lutares pela tua terra, pelo teu Grupo de Cavaquinhos e Cantares à Beira, pela Feira da Giesteira, pela Feira da Vitela e por tantas realizações em que estiveste metido.
Agora, passados estes trinta e sete anos de intenso conhecimento e amizade, partiste. Por mim, continuas por aqui.
Um abraço. Vamos falando...
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Dois anos depois, de novo a Escola...
Um novo ano escolar com velhos problemas
Estamos muito longe e em cima de dois tempos antagónicos, o das escolas por tudo quanto era canto e a abarrotar de alunos, enxameados dentro de uma sala de aulas, e estes que vivemos, em que estas instituições vêm morrendo aos poucos para darem lugar a modernos centros pedagógicos. Nada de mais contrastante: por um lado, um(a) só mestre(a) com quatro duros anos e dezenas de crianças, em salas improvisadas, antes dos planos Raul Lino e dos Centenários, praticamente sem mais nada; por outro, risonhos espaços físicos, mais docentes e pessoal diverso, cantinas, bibliotecas, pavilhões desportivos, aconchego, bons transportes – ainda que fora (?) de horas – e muito de novas tecnologias. Mas os resultados, custando dizê-lo, não acompanham todo este progresso material, numa relação estritamente circunscrita à relação custo/benefício.
Ao dizermos isso, não queremos afirmar, de maneira nenhuma, que hoje se está pior em matéria de escolaridade. Nada disso. Constatamos apenas que não há uma correspondência entre os gastos, a dedicação a esta causa por parte de toda a sociedade, que conduziu à educação democrática, geral e inclusiva, mas que, em muitos casos, não oferece os devidos resultados, na sua dimensão real, que não apenas estatística.
Apetece-nos, por isso, enviar um enorme abraço de elogio a todos aqueles professores que, do nada, faziam milagres, saudação esta que se estende àqueles que, hoje, na barafunda de meios e contradições, dão tudo para “trazer” os discentes ao universo escolar e o viverem com a força e dignidade que se exigem. Incomparáveis são estas realidades. Mas há dados que, bem analisados, muito demonstram em termos destas questões essenciais.
Numa altura em que o cíclico regresso às aulas está a acontecer, sendo esta primeira quinzena de Setembro o princípio deste tempo sempre novo, sem deixar de ser velho, tentamos aflorar o contexto em que tudo isto se desenrola. A nível de contendas de carga sindical, crê-se que se vive uma espécie de maré de acalmia, ou, no mínimo, de banho-maria. O Ministro Nuno Crato, a Fenprof e a FNE têm estado à mesa, sendo que, de momento, até se vêem luzes ao fundo do túnel: “parada” a avaliação, esbatido o terrível problema dos horários-zero, adormecida a gravíssima questão dos professores sem escola e sem trabalho, o resto dos assuntos, mais ou menos trambolhão, lá vai seguindo o seu caminho.
Se esta “abertura” tem um cariz geral, no plano concreto, como veremos com a investigação feita pela Lurdes Pereira, hoje, e pela Salete Costa, no próximo número, detectar-se-ão outros pormenores e contornos, mais localizados, no terreno essencial de cada território educativo, o que nos leva à sempre presente dicotomia da centralização/descentralização, matéria que tem de ser encarada de frente e a sério.
Para já e numa perspectiva abrangente e transversal, vêm ao de cima os problemas com que se debatem as Câmaras Municipais que, sem terem sido pagas dívidas antigas, estão a mostrar a gravidade daquilo que estão a enfrentar, ameaçando, pela voz da ANMP, cortar o fornecimento de refeições, de transportes e outras situações do género, como a de não avançarem com a oferta de livros e outro material.
Quanto a este aspecto, na esfera governativa, pensa-se mesmo, de acordo com a Confederação da Associações de Pais, que os livros, para cerca de 600000 beneficiários, têm de ser previamente pagos, recebendo-se as comparticipações depois, com todos os inconvenientes duma época de crise.
Por outro lado, com cerca de 570 milhões de euros não utilizados em 2008 e 2009, com 100 milhões retirados em 2010, com um orçamento restritivo para o corrente ano de 2011 e o cutelo de mais agravamentos para 2012 e 2013, estes são tempos de não desejar a ninguém.
Sem querer que desfaleçamos, apesar de afogados em dúvidas e dívidas, a educação merece tudo e é nela que está o futuro. Mas tem de ser vista e pensada com olhos de ver, de feição estratégica e não de remendo em remendo até à derrocada final.
Oxalá que, arrepiando caminho a tempo, tenhamos aquilo que as nossas crianças e os nossos jovens tanto merecem: uma educação à EDUCAÇÃO e não simples remedeios!
Carlos Rodrigues, in Notícias de Vouzela, há dois anos
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
A morte nos incêndios no Caramulo, em 1986 e 2013
No momento em que a Serra do Caramulo continua a ser tragada pelas chamas, com ondas de destruição, de ferimentos e mortes, evoco aqui quem ali faleceu nos últimos dias, a Ana Rita Pereira, de Alcabideche, Bernardo Figueiredo, do Estoril, e, hoje, Cátia Pereira, de Carregal do Sal. Relembro ainda quem, numa cama de hospital, sofre por se ter dedicado à causa pública de salvar pessoas e bens. Obrigado a todos.
Ao passar, de manhã, por Águeda, quando o fumo cobria o céu e tapava o sol, de olhos húmidos, resolvi fazer uma pequena visita a quem, em anos anteriores, também tombou em idênticas circunstâncias: no Quartel dos Bombeiros desta cidade, seus nomes se encontram perenemente registados. Fui prestar-lhe a minha homenagem, ao mesmo tempo que, naquele mesmo local de morte, o fogo avançava a galope, indiferente ao esforço de centenas de homens e mulheres, de meios terrestres e aéreos e muita entrega pessoal.
Curvadamente, parei e li, aproveitando para aqui trazer os HOMENS que Águeda perdeu ao longo dos tempos: 24/07/72 - Víctor Manuel M. Silva; 14/06/86, em plena Serra do Caramulo, no sítio da Castanheira, onde um monumento assinala esta tragédia: António Eduardo C. Pires, Abel Ferreira, Arsénio Oliveira Silva,Cândido Oliveira Marques, Armando Rodrigues C. Loura, António Pereira Matos, Fernando António J.R. Guerra, Domingos Brás e Luís Graça Gonçalves; 5/10/92 - José Augusto S. Tavares.
Adoptando como minhas as palavras de um poema que ali se estampa, ei-lo:" Heróis com nome" ... Bombeiros mártires; no amor/Os primeiros.../Heróis com nome.../Dão vida à vida/Na chama que os consome/E, quando o amor é forte/ Não há morte/Sois, no tempo, a saudade/ O sol da eternidade/..." - Direcção e Comando, 14/06/96
Numa prece, englobo-os a todos, os de ontem, acima citados com eterna saudade, e os de hoje, Cátia Pereira - Carregal do Sal; Bernardo Figueiredo - Estoril; Ana Rita Pereira - Alcabideche; Pedro Rodrigues - Covilhã; e António Ferreira - Miranda do Douro. Voltando atrás, olho ainda para António "Cifra", de Vouzela, que caiu para sempre em Oliveira de Frades e José Vaz, de Arca, que se apagou na freguesia de Arcozelo das Maias.
Que descansem em paz. OBRIGADO, mil vezes Obrigado. Não esqueço estas vossas dádivas totais, meus AMIGOS... Nunca mais.
Subscrever:
Mensagens (Atom)