terça-feira, 11 de março de 2014

Um Tribunal com serviço

Sem termos ido bisbilhotar o que se passa, soubemos ( e vimos pelo aparato)que o Tribunal de Vouzela, enquanto ainda respira cinco réis de vida, que vai passar a ser um daqueles marcos do correio, até já em desuso, tem ali, nestes dias, gente até dar com um dedo. Fala-se em mais de uma dezena de arguidos. Desta vez, este MOVIMENTO ainda se faz (fez) sentir na vila com os mirones, as testemunhas e todo o pessoal que faz parte destes processos. Cremos que até os restaurantes bateram palmas... E os cafés também... Amanhã, quando tudo isto passar para Viseu, os comerciantes ficarão a ver navios e o hino da desertificação terá mais umas infelizes quadras. Triste sina a destas nossas terras!...

segunda-feira, 10 de março de 2014

Lafões com pouca fibra óptica para tão vasto território...

Lafões com fibra óptica a meias A partir de um programa do Mais Centro, há partes dos concelhos de S. Pedro do Sul e de Vouzela que têm vindo a ser contemplados com rede de fibra óptica, em instalação já praticamente concluída, em financiamento Lafões com fibra óptica a meias público, num orçamento total de 30189591 euros e uma comparticipação comunitária de 21132713 euros, para certas localidades de 42 concelhos da Região Centro. Em Lafões, ficou de fora Oliveira de Frades, que, quanto a este projecto, aparece como uma ilha isolada no meio de concelhos contemplados. Integrada esta acção no âmbito da Agenda Digital, em que se visa dotar com redes de nova geração parte do país, partiu-se deste princípio, estabelecido pelo Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações (MOPTC), em 2009, ano em que se lançou este programa: “… O critério que determinou os municípios abrangidos por esta iniciativa foi a inexistência, num passado recente, de investimentos em infraestruturas de rede de cabo coaxial e a inexistência de investimento, por parte de operadores alternativos, em infraestrutruras próprias… “. Com esta operação, na Região Centro, chegar-se-á a 594 localidades, a 90000 habitações, a 205000 habitantes e a 15000 empresas, através de 4300 quilómetros de cabos, tudo isto em números redondos e aproximados. Como entidade que realiza, no terreno, todo este trabalho, temos a empresa Fibroglobal, do Grupo Visabeira/Viatel. Espera-se que se possa aceder a Internet de alta velocidade, a TV interactiva e a outros serviços avançados em termos de novas tecnologias. Como ideia, estamos perante mais um factor de competitividade, de coesão territorial e social e de aproximação das pessoas e empresas ao mundo das modernas comunicações. Mas, como aplicação prática, nos moldes em que está definido este investimento público, revela lacunas de todo o tamanho: destinado apenas a algumas povoações, tendo havido a preocupação de optar pelos lugares com maior densidade populacional, as exclusões são óbvias e as discriminações atingirão sempre quem menos poder reivindicativo parece mostrar. Se, no que se refere a Oliveira de Frades, se crê que a sua não inclusão neste projecto advenha de anteriores investimentos nesta área (tendo nós sérias dúvidas quanto ao seu alcance territorial no seu aspecto global) e na convicção de que ali não há apenas serviços de banda larga e um único operador, o facto de não estar nesta listagem acarreta, como vimos a nível geral, assimetrias acrescidas. Esperamos, por isso, que esta matéria seja reanalisada e que, um dia, se venha a repor a justiça devida, bem como nos sítios que, agora, ficaram à margem destes benefícios nas demais zonas. Muito embora devamos dizer que estas nossas críticas têm toda a razão de ser, é também altura de afirmarmos que à citada firma, a Fibroglobal, não podem ser assacadas quaisquer culpas, porque se limita a colocar no terreno aquilo que o concurso previa e determinava, através das decisões do Governo de então e das indicações que este recebeu da própria União Europeia. Por outro lado, na investigação que conduziu a este trabalho, que nasceu duma nossa ida a Campia, onde descobrimos umas caixas alusivas a esta rede de fibra óptica, foi decisivo o muito bom contributo que recebemos do seu Director Comercial, Carlos Oliveira, que foi de uma simpatia e eficiência bem dignas do nosso agradecimento público, que aqui se regista. Graças a esta fonte informativa, podemos assinalar, povoação a povoação, todos os lugares onde este sistema de “Redes de Nova Geração – Zonas Remotas” tem vindo a ser concretizado. E são estes: - No concelho de S. Pedro do Sul – S. Pedro do Sul, Pindelo dos Milagres, Santa Luzia, Drizes, Termas, Freixo, Bordonhos, Sul, Fermontelos, Pouves, Sobral, Rio de Mel, Valadares, Carvalhais, Negrelos, Eiras, Oliveira, Calvário, Manhouce, Sá, Lourosa da Trapa, Passos, Ladreda, Goja, Abados, Outeiro do Concelho, Covelo, Covilhã, Arcozelo e Covelas, a perfazer 53% da população total, segundo o Censos de 2011, cabendo à Fibroglobal assegurar um mínimo de 50%. - No município de Vouzela – Vouzela, Vasconha, Cercosa, Fataunços, Rebordinho, Carvalhal do Estanho, Caria, Queirã, Loumão, Vilharigues, Cambra de Baixo, Paredes Velhas, Campia, Real das Donas, Moçâmedes, Carregal, Crescido, Fornelo, Mogueirães, Quintela, Sacorelhe, Touça, Farves e Tourelhe, sendo 52% dos seus habitantes, com base no citado Censos de 2011. Na sequência da entrada em funcionamento desta operação, que teve em 2013 a sua conclusão, em grande medida, passam a ser postos à disposição de quem teve esta (boa) sorte três tipos de serviços: acesso virtual à rede, ligação física a elementos da rede e infraestruturas, como se lê na documentação consultada para esse efeito. Quando estávamos com as mãos nesta moderna massa, veio ter à nossa mesa de trabalho mais um dado precioso acerca desta mesma realidade: anunciou-se a ligação, por cabo deste género, entre Lisboa e Fortaleza, ou seja, a unir Portugal e o Brasil. Mas, repetimos, ficou de fora parte do sempre sacrificado País profundo e isso não é política que se recomende, nem se aceite de bom grado. Aliado ao gosto que tivemos em dar esta novidade, fica-nos a mágoa de saber que há muita gente que fica cada vez mais distante do progresso. E isso tem de ser evitado em nome da governação inclusiva, equitativa, justa e solidária. Parte destas componentes sociológicas falharam estrondosamente. Infelizmente. Carlos Rodrigues, em “Notícias de Vouzela”, 6 de Março de 2014

segunda-feira, 3 de março de 2014

Um Cartório vazio e um Tribunal feito balcão de atendimento em Oliveira de Frades

Há tempos, criticámos, no jornal Notícias de Vouzela, o facto de o velho Cartório Notarial de Oliveira de Frades estar às moscas. Assim continua. Com o Tribunal a caminho de passar a ser um mero balcão de atendimento, esta é a imagem dos investimentos feitos nas últimas décadas. Nasceram para morrer. E nós a vermos a desgraça a bater-nos à porta, todos os dias. Há ainda as PPP e uma delas para nada valer, a da nossa A25, onde estamos a pagar portagens e a bufar, mas pouco...

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Querem matar a pequena agricultura

Acabei de ler as palavras escritas por um amigo meu, o Henrique, de S. Félix-S. Pedro do Sul, em que se insurge, e com carradas de razão, contra as exigências feitas aos nano-agricultores relativamente à inscrição nas Finanças para venda de um pau de cebolas e um saco de batatas, à "carta" para usar produtos fito-sanitários, sulfatos e afins,tudo a complicar a sua vida e nada a fazer com que este sector continue de pé. O "Notícias de Vouzela" mostrará este texto quinta-feira, dia 27. Antecipo a mensagem deixada, assinando por baixo. É uma tristeza: quando é preciso voltar a pôr os campos e florir e a produzir, o Estado, em vez de ajudar, com tanto simplex que diz ter, só está a estragar... Merece, por isso, um valente puxão de orelhas, este e outros...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Em tempo de chuva, falar de floresta é exercício preventivo...

A floresta em Oliveira de Frades, uma pequena visão Em tempo de incêndios, que são o nosso pavor de todos os verões, ao olharmos para a floresta do concelho de Oliveira de Frades, não obtemos um quadro que seja muito diferente dos municípios vizinhos, da região em que se integra e do interior nacional em geral. A haver especificidades, que as há, são mais do domínio dos pormenores que de leitura global. Numa viagem breve e não muito aprofundada, são visíveis alguns aspectos que resultam de acções de ontem e de hoje, com infraestruturas construídas ao longo dos tempos, umas em bom aproveitamento, sempre que necessário, outras nem por isso, ou pior, não passam de esqueletos mortos que os homens foram continuamente esquecendo. Neste último caso, temos o Aeródromo da Pedra da Broa, que nasceu sob um espírito de visão de futuro, ligado ao combate a fogos florestais, em apoio aéreo, campo em que foi muito útil, mas que a incúria de alguns responsáveis do sector, para não falarmos em outro tipo de atitudes, se encarregou de ir apagando do mapa. Por ali vegeta em triste e lamentável abandono. Contrariamente a esta área, a dos pontos de água, recordando de cor alguns deles, continua de pedra e cal ao serviço dessas causas: referimos a Vessada do Salgueiro, o Rio Águeda, em Paranho, o Rio do Carregal, a Barragem das Cainhas ( em emergência, por se destinarem as suas águas a consumo público), a de Pereiras (de rega), o Rio Vouga, o Teixeira e o Alfusqueiro, como reservas naturais, entre outros. Também em matéria de aceiros e caminhos, há obra a registar e que ainda hoje é bom suporte em travão ao avanço das chamas e em acessibilidades, podendo dizer-se, como se lê em “ O risco de incêndio no distrito de Viseu – uma visão integrada das estruturas existentes, Helder Viana, Nuno Amaral e Rui Ladeira, Governo Civil de Viseu, 2005”, que há “… uma boa densidade de estradas e caminhos florestais”, até porque, de 1997 a 2003, ano da extinção das CNEFF, este concelho viu serem aplicados nestas áreas de apoio à floresta322795,50 euros, um dos maiores investimentos a nível distrital. Há, ainda, dois equipamentos, que, sendo pertença da Direcção Geral das Florestas, são de um inestimável valor, falando nós aqui dos Postos de Vigia de Arca (Urgueira) e do Ladário (Cruzes), com os identificadores 150 e 151, respectivamente, e ambos na região da Beira Litoral, freguesias de Arca e Destriz, de acordo com as informações da página oficial. Ladeiam estes pontos, os de Sever do Vouga, Arestal e Doninhas, de S. Pedro do Sul, Gravia e S. Macário e de Vouzela, Penoita. Destinados a detectar focos de incêndio e a comunicá-los, logo de seguida, são peças essenciais e determinantes no campo do combate aos fogos que despontam, até porque estão alerta 24 horas por dia, nas épocas determinadas para esse efeito. Com uma Associação de Bombeiros com grande força de operacionalidade, a actuar nos 14535 hectares do concelho e nos seus 8847 ha de floresta, constituindo 60.9% daquele total, com dois grupos de Sapadores, em Oliveira de Frades, a Verde Lafões, e em Ribeiradio, a Biosfera, meios humanos, a esse nível, não escasseiam. Mas há condições e adversidades que têm de estar em linha de conta, desde o clima à falta de limpeza das matas, primeiro, em grossa omissão dos próprios Serviços Florestais e, depois, também dos particulares, estes a olharem para mais essa despesa, na ordem dos 350 euros por hectare, muitas vezes sem quaisquer resultados práticos, porque, se houver uma falha na vizinhança, é dinheiro deitado ao lixo, sem apelo nem agravo. Ao aludirmos aos Serviços Florestais, vejamos os respectivos Perímetros, partindo da fonte citada, em que se integra o município de Oliveira de Frades, o que dá uma ideia dos agentes que têm a direcção destas matas, com a inerente confusão que pode gerar: CARAMULO – Vouzela, Oliveira de Frades (OFR) e Tondela; LADÁRIO – OFR, Vouzela e Sever do Vouga; PRÉSTIMO – OFR e Águeda; VOUGA – OFR e S. Pedro do Sul; ARCA – OFR e Vouzela e S. PEDRO DO SUL – SPS, OFR e Castro Daire. Com uma taxa de arborização de 53.7% e uma média de 2.1 ha de superfície por unidade de exploração, em meia dúzia de parcelas, eis os ingredientes para as dificuldades que há em encontrar o bom ponto de equilíbrio e as melhores respostas preventivas, que passam muito pelo corte dos matos em tempo útil. Tendo como outra fonte a www.unimadeiras.pt, constata-se que, com enfoque na produção de eucaliptos, em áreas das explorações, temos estas percentagens, regra geral: até 1 ha – 55%; de ½ a 1 ha – 19.70%; de 1 a 2.5 – 17.60%; de 2.5 a 5 – 4.20%; de 5 a 10 – 2.20 e com mais de 10 ha apenas 1.30%. Isto diz tudo quanto a índices de dispersão e dificuldades de gestão e rentabilização. Operando nas freguesias de Pinheiro de Lafões, Arcozelo das Maias, Ribeiradio e Destriz, em 2011, a Unimadeiras levou a cabo operações de controle de vegetação, fertilização, selecção de rebentos, manutenção de caminhos, etc. Ali se cita uma ideia veiculada pelo então Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e da Floresta, que, no ano de 2006, em pleno monumental incêndio que destruiu a Serra do Ladário, veio declarar que este mesmo Baldio seria um dos primeiros a ter um Plano de Gestão Florestal devidamente concluído. Temos de confessar que não sabemos se assim aconteceu. Entretanto, nesse mesmo ano de 2006, aprovara-se o Plano Regional de Ordenamento Florestal do Dão e Lafões, com o Decreto Regulamentar nº 7/2006, de 18 de Julho, publicado no DR nº 137. Se muito mais haveria a dizer sobre estas matérias, uma das outras condições de cuidados a ter com a floresta está na constituição, em 2005, do Gabinete Técnico Florestal, que tão boa conta de si tem dado, desde então até agora. Porém, sendo este sector um poderoso meio no xadrez das nossas economias locais, muito dele haveria a dizer. Mas hoje ficamo-nos por aqui, com votos de que seja e se mostre sempre muito próspero. Carlos Rodrigues, “Notícias de Vouzela”

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Tempo e políticas às avessas, como escrevia há dias

A meteorologia e a política de cara à banda - Até os Tribunais já fugiram Há dias em que escrever duas linhas é mesmo um frete, porque nada sai bem e a janela, com o temporal que nos mostra, não é fonte de inspiração que se cheire. Quem paga é o computador e suas teclas, carregadas vezes sem conta, mas sem darem algo que preste. Poupamos, ao menos, no papel. Outrora, em folhas rasgadas e amarrotadas, algumas quase com raiva, era de desperdício ambiental que se tratava. Agora, valha-nos isso, a poupança aqui tem nome: não há estragos de monta, a não ser meia dúzia de neurónios queimados, prestes a fazerem faísca. - 1 – Sendo o TEMPO e o FUTEBOL boas muletas para um começo de conversa, é a primeira que vamos usar. Caramba, isto vai mesmo muito mal: chuva, vento, trovoada, granizo, nevoeiro, mar revolto, eis uma carrada de ingredientes de Inverno que, neste ano de 2014, vindo já de 2013, são uma constante por estas nossas terras de Camões. O seu Gigante Adamastor, assanhado, anda por aqui. A tempestade Stephanie tocou-nos à porta, entrou pela casa dentro e deixou marcas, não muito boas, por sinal. Temos escrito e dito que não comungamos da tese urbana que diz que, quando está a chover, logo estamos perante um qualquer mau tempo. Sentimos e defendemos que, para quem vive, por opção, em meio rural, a chuvinha, bem caída, por vezes é ouro e do bom, por ser criadora, por ser suporte de vida. Mas, convenhamos, agora essa gente tem toda a razão: há mau tempo e ponto final. A costa marítima tem dado cuidados até mais não. São tantos os episódios, que já não estamos a enfrentar aspectos pontuais, mas a sofrer algo que exige cuidados e medidas estruturais. As ondas gigantes, que se não confessam e tudo arrasam, são uma chamada de atenção que não pode deixar ninguém insensível. Isto é mesmo um problema da Humanidade e o Homem tem as maiores culpas neste cartório. As alterações climáticas, com todo o cortejo de seus efeitos e até horrores, estão aí, por mais que se queira contestar esta ideia. Face a isto, temos de pôr mãos à obra e não são umas pazadas de areia que resolvem o problema. Isso é como querer encher o mar com dedais de água. Nada mais do que isso. Infelizmente. - 2 – Se o tempo nos anda a pregar tais partidas, veja-se o que fazem os seres humanos por aqui e pela Suíça. Vamos, para já, falar daquilo que de mal nos coube em sorte nas nossas terras, ficando o triste Referendo da Suíça para o ponto número três, já a seguir. Sem qualquer esforço de memória, elegemos a JUSTIÇA como palco de nossas críticas, preocupações e mil cuidados. O que temíamos, directa ou encapotadamente, veio a concretizar-se: os Tribunais foram fechados em 20 concelhos, sobretudo situados em zonas do Interior, e 27 passaram às famigeradas Secções de Proximidade, estilo apeadeiro para comboio parar apenas a pedido e em certas horas. Temos também a Especialização, mas as nossas Comarcas perderam em toda a linha. Na nossa Região e arredores, houve de tudo quanto seja mau: fechou Sever do Vouga, ficaram como Secções de Proximidade Castro Daire, Oliveira de Frades e Vouzela, mantendo-se, porém, intacto S. Pedro do Sul. Há quem diga: do mal o menos. Somos desses. Mas esta afronta é isso mesmo: uma bofetada de todo o tamanho. Nasceu, por sua vez, a grande Comarca de Viseu, ou seja, o acesso a este mundo da justiça complica-se e afasta-se do nosso seio. Isto é o pior que nos pode acontecer. Símbolo de soberania amordaçada, pilar da confiança nas Instituições destruído, aqui temos a continuação de um lastimável e condenável caminho que as políticas centralizadoras de Lisboa teimam em impor-nos. A culpa desta situação vem do Memorando da Troika. Mas quem a está a colocar no terreno são os responsáveis governamentais que, agora, ocupam as cadeiras do (mau) poder. Uns e outros, ou seja, quem está, neste momento, na oposição e quem “manda”, ninguém escapa à nossa crítica frontal, aberta e assumida. E sem rodeios. Acabar com os Tribunais, ou fazer com que funcionem a meias, é osso duríssimo de roer. As nossas terras não merecem este tratamento de cidadãos descartáveis. Olhar para estas zonas com a régua e o esquadro numa mão e as estatísticas na outra, é não querer saber que este despovoamento só se combate, criando condições para aqui se viver. Por isso é que os políticos, todos eles, devem ter a cabeça a doer: decisão a decisão, estão a matar o nosso Interior. No banco dos Tribunais, que nos estão a levar, são culpados com todas as letras. E, na nossa mente, não escapam a serem considerados parte da desgraça que nos estão a fazer viver. Todos eles. Talvez menos D. Dinis e D. Sancho I. Para completar este nosso raciocínio, ver os trabalhos da Lurdes Pereira e da Salete Costa acerca deste mesmo tema… - 3 – Nesta crónica azeda, ainda há mais vinagre estragado em cima da mesa e a ementa de que vamos falar chega-nos da Suíça onde um Referendo, vencendo à tangente (50,3% de sins e 49.7% de nãos), veio fazer perigar a vida da nossa emigração, com a votação do projecto “Contra a Imigração de Massas”, nascido na extrema-direita, o Partido do Povo Suíço. Tudo ali pode piorar para os nossos emigrantes, mas confiamos em que a mais valia dos seus contributos e o historial que foram conseguindo sejam capazes de travar essas más intenções, que não são, aliás e ainda bem, a carga genética actual da Europa onde estamos, com a Suíça como país associado, embora não elemento… Carlos Rodrigues, Notícias de Vouzela, 2014

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Portagens na A25, ontem e hoje

A 25 e outras vias de comunicação, portagens e problemas Nesta velha questão que tem a ver com a A25 e gratuitidade ou pagamento, a introdução do sistema SCUT teve apoiantes e detractores poderosos, de um ou outro lado da barricada. Se a ideia de circular hoje e pagar amanhã, Sem Custos para o Utilizador, tem sido reivindicada em nome da solidariedade e coesão nacional, qual contraponto ao financiamento recebido pelos transportes, por exemplo, de Lisboa e Porto, o peso financeiro desta medida não deixa de ser posto em causa. Numa opinião pessoal, assinada sem quaisquer temores, temo-nos inclinado sempre para a necessidade de apoiar o crescimento e desenvolvimento destas nossas regiões, por via do estímulo se outros métodos não surgirem. O IP5 teve, a esse propósito, um papel insubstituível, apesar das dores e agruras que veio a suscitar. A A25 pode (se se mantiver alguma visão estratégica de futuro!...) seguir o mesmo caminho. Mas a cegueira dos números imediatos, sem pesar efeitos perversos e colaterais, está prestes a ditar o contrário: com a introdução de portagens, cujos pórticos e placas estão a dizer-nos que é essa a tese que vai vencer, é nossa convicção que este interior alto e médio vai sofrer, na carne, a teimosia de quem, podendo ver, teima em ficar às escuras, para mal de todos nós. Tenho um NIF que me marca. Muitos outros – e o meu! - por aí existem que, daqui a tempos, vão reflectir a recessão de tempos de crise mais esta que, por força de más políticas, se aproxima a passos perigosamente largos. Enquanto é tempo, acautele-se o futuro, como dizem as 35702 assinaturas que entraram no Parlamento pela mão da Comissão de Utentes Contra as Portagens. Mesmo que dos poderes instituídos nada nos tenha sido adiantado, ainda que pedido, tudo leva a crer que o golpe final já está preparado. Contra ele, entendemos que é altura de sempre lutarmos. Enquanto por aqui isto pode vir a acontecer, no IP3, numa estrada com poucas dezenas de anos ( que saudades, meu Deus, dos romanos!), uma ponte ameaça ruir, no Chamadouro, apesar de recentes obras de restauro. Num Portugal assim, com obras mal feitas e uma gestão territorial sem horizontes, é difícil ser-se optimista, ou mesmo razoável nos anseios e expectativas. Sendo o país que somos, resta-nos esta atitude de firme protesto, neste caso, e de gratos elogios em muitos outros… Carlos Rodrigues, “Notícias de Vouzela”, a propósito das portagens, há poucos anos