terça-feira, 14 de julho de 2015

A boa música de Lafões na RTP

Nlafões6jul15 Lafões a dar sempre boa música Há poucos dias, a RTP 2 passou um excelente programa sobre a música polifónica em Lafões, tendo abrangido vários espaços geográficos e mostrado um formidável número de grupos a cantar, quase de uma ponta a outra desta nossa Região. Disse quem sabe que este património cultural é de uma valia incalculável, a merecer ser divulgado, preservado e classificado. Leigos nesta matéria, sabemos, no entanto, avaliar a qualidade do que temos de bom nos nossos territórios. E não é difícil descobrir que esta arte popular tem muito que se lhe diga, em saber construído ao longo dos tempos, passando de geração em geração. A recolha feita, obra de muita gente boa e ineressada, teve em Paulo Pereira a sua grande alma e uma enorme capacidade de sistematização e boa explicação. Gostámos também de ver malta nova a abraçar esta causa, cantando com seus “avós”, assim pegando naquilo que se não pode deixar morrer. Com esta acção, a RTP cometeu, todavia, um pecado mortal: ao atirar para a RTP 2 esta jóia musical, retirou-lhe amplitude em audiência, reduzindo-a em grande medida. Essa é a pena maior que temos. Aproveitando esta oportunidade e sem tirar uma ponta de brilho a este programa, que foi altíssimo o seu valor, rebuscámos os nossos arquivos pessoais e fomos pescar uma obra monumental, o “Cancioneiro Regional de Lafões”, com recolha e coordenação de José Fernando Monteiro de Oliveira, editado no ano 2000, pelo Alafum – Grupo de Cantares de Lafões. Ao revermos esta aturadíssimo trabalho, ali encontramos canções populares de toda a natureza e com diversas proveniências geográficas, também à escala de Lafões. Para além das pautas musicais, houve o particular cuidado em passar para o papel os dizeres, tal como são ouvidos, deste nosso povo, o que acrescenta valor e rigor a esta investigação. Em mais de 600 paginas, a que se junta um CD, a nossa arte está ali bem estampada. Dividindo-se por várias temáticas, temos os “Cantares de carácter religioso e profano”. As recolhas foram feitas em Cambra, Candal, Fataunços, Fermontelos, Ferreiros (Serrazes), Figueiredo de Alva, Figueiredo da Donas, Moçâmedes, Nespereira Alta, Pindelo dos Milagres, Ribas, Ribeiradio, S. Félix, S. Martinho das Moitas, S. João da Serra, S. Pedro do Sul, S. Vicente de Lafões, Sobral-Pinho, Adopisco-Sul, Valadares e Vila Maior, a partir de uma boa série de informantes. Com o citado programa televisivo e este livro, sabe-se o que existe, assim como já muito se conhecia através das pesquisas de Michel Giacometti, há umas décadas. Agora, há que procurar outros altos voos e o da abertura de um processo com vista a uma classificação como património imaterial da humanidade pode ser , e é, um bom passo a dar. Haja quem dê o pontapé de saída. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Lafões”, Julho 2015

quarta-feira, 8 de julho de 2015

A felicidade não mora aqui...

A felicidade não mora aqui Com verdades que se separam da água como o azeite, uma delas tem a ver com o conceito de felicidade. Só que nos aparece com um manto negro, com uma carga negativa, o que se traduz no seu total oposto, a infelicidade. Tendo esta por companhia, a sua boa rival não mora aqui, talvez mesmo em lado nenhum. Acresce a isto que a política também não ajuda nada a que se inverta esta situação de descrença, de desânimo, de dor e de aflição em muitos casos. Portugal e o mundo trilham caminhos complicados e isso é uma determinante do nosso actual destino que se encontra demasiado enraizada nas nossas percepções e vivências. Se há indicadores preocupantes, aqueles que acabaram de ser revelados no “ Roteiro do Futuro 2015”, promovido, em jeito de Conferências, pela Presidência da República, falam por si e gritam alto que se farta. Ouçamo-los, que é uma pressa! Com cerca de 65% dos portugueses insatisfeitos com a democracia (valores de 2011, mas que não são hoje melhores), sendo que o nosso País é aquele que, no seio da União Europeia esta tendência é das maiores e das mais preocupantes, não podemos concluir que se possa sorrir. Nem por sombras. Cruzar os braços? Bem pior seria se tal acontecesse. Em cima desta tristeza, os jovens situam-se ainda, a este propósito, em patamares mais elevados de descrença total. Em 2015, apenas 17.3% da nossa juventude é de opinião que a democracia funciona bem em Portugal e a média geral ainda é mais baixa: 16.6%. Será que estas lambadas não doem na cara de todos os políticos? Não têm estes de mudar de rumo e de atitude se não quiserem perder o maior dos nossos capitais, que são as pessoas e, nestas, os mais jovens? Com o País a afundar-se em confiança e credibilidade, o cepticismo campeia por aqui. Associando-se a este sentimento, temos, a disparar em flecha, a fuga para o lado de tudo quanto seja participação em cidadania, como demonstram as votações nos vários actos eleitorais, a muitas milhas dos quase 92% de ida às urnas em 1975. Enquanto assim se resvala para o abismo, e pré-campanha não augura nada de substancialmente melhor. Talvez até esteja a acontecer o contrário. Logo, é preciso buscar outras práticas, antes que seja tarde demais. Em Portugal, na Europa e no Mundo. NOTA: Acrescentando algumas linhas a este texto, escrito e publicado há uns tempos, cada vez mais a felicidade está longe de nós. Com a Europa e fazer contas demais e a ter gente a menos na sua cabeça, jogando sempre para cima da mesa as tabelas e as estatísticas, as dívidas e os poços em que todos estamos metidos, não se pode ser feliz. Tememos que a desgraça, um dia, nos bata à porta e escaqueire as nossas casas e as nossas vidas. Querendo a Grécia connosco, não a podemos escorraçar, ainda que lhe façamos ver que todos temos esforços a fazer. Deixá-la cair é erro que se vai pagar caro, muito caro. Sabemos que a Dra. Maria Barroso, que tanto lutou pela liberdade, deve ter partido muito triste com tudo quanto estamos a viver. Saudades e sentidos pêsames. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Barragem de Ribeiradio, Jornal Público, Junho 2004, com um pingo de vaidade pessoal

O conturbado processo da Barragem de Ribeiradio, a construir entre Sever do Vouga e Oliveira de Frades, deverá conhecer novos desenvolvimentos no próximo dia 29. Isto porque os presidentes das câmaras de ambos os concelhos se deslocam a Lisboa para um encontro com o secretário adjunto do ministro da Economia. Um dos objectivos dos autarcas é tomar conhecimento do estudo financeiro encomendado pelo ex-ministro do Ambiente, Amílcar Theias, à Caixa Geral de Depósitos. Um estudo que visava apurar a viabilidade de um modelo de construção e exploração da obra assente na iniciativa privada, em substituição do investimento público inicialmente previsto. Todavia, a entrada de Arlindo Cunha para o Ministério do Ambiente reacende a esperança do financiamento governamental.Da reunião agendada para o próximo dia 29 deverão sair, pelo menos, esclarecimentos sobre o futuro do equipamento reclamado há mais de meio século pelas populações dos distritos de Aveiro e Viseu. Contudo, as expectativas dos autarcas de Sever do Vouga e Oliveira de Frades, respectivamente Manuel Soares e Carlos Tavares Rodrigues, vão mais longe e os responsáveis mantêm acesa a vontade de ver o Governo realizar a obra que visa regularizar o caudal do rio Vouga. "O novo ministro ainda não deve ter tido tempo de analisar o problema, mas acho que ele não vai ficar parado e deixar de aproveitar a Barragem de Ribeiradio", augura o social-democrata Tavares Rodrigues.No entanto, em cima da mesa mantém-se a hipótese da estrutura vir a ser construída pelo sector privado. Um modelo que implicaria, porém, uma alteração legislativa, uma vez que a actual legislação apenas permite o aproveitamento de 10 megawatts como limite máximo (uma mini-hídrica), o que ficará aquém das expectativas privadas. "Isso não dá para nenhum privado ir buscar o que investiu", confirma o socialista Manuel Soares, revelando que a barragem tem capacidade para produzir mais de 40 megawatts. "A alteração da lei para que a EDP fosse obrigada a comprar mais de 10 megawatts não me parece viável. Seria como os touros em Barrancos", argumenta o autarca de Sever do Vouga, alegando que "o processo será moroso". "Cheira a esturro", comenta.Opinião diferente tem o presidente da câmara de Oliveira de Frades. "É fácil alterar a lei, ainda mais quando é uma lei lacunar e cega como esta", defende Tavares Rodrigues, reclamando: "Estou-me marimbando para o chapéu jurídico que arranjem para a barragem. Eu quero é a obra feita". "Seja por financiamento misto, por parceria público-privada, pela alteração da lei ou pelo desdobramento em duas mini-hídricas, a obra tem que ser feita", insiste o autarca, lembrando que "a barragem é para toda a região e o país é que está a perder com isto".Igualmente determinados na defesa do projecto estão os deputados Miguel Ginestal e Afonso Candal, duas das figuras do Partido Socialista que mais se têm batido pela construção da barragem. "Uma coisa é corrigir o que está mal, mas o que este Governo fez foi abandonar uma prioridade, que era a construção da barragem. Se é por falta de verba, então que explique por que se propõe avançar com barragens novas em outros pontos do país. Não há justificação que explique esta decisão", protesta Miguel Ginestal. "A barragem de Ribeiradio é uma prioridade para os distritos de Aveiro e Viseu. Mas a verdade é que já vamos no terceiro ministro e a barragem foi esquecida", continua Ginestal, reclamando "uma posição clara dos autarcas, designadamente do de Oliveira de Frades". "Fizemos propostas para a inscrição do investimento em PIDDAC, nos orçamentos de 2003 e 2004, mas o Governo fez ouvidos de mercador e avança com outras barragens. Vamos continuar a pressionar o Governo", garante o deputado."É uma obra de grande relevância para Sever do Vouga e até para a regularização das águas da zona de Águeda", recorda, por sua vez, Afonso Candal, lamentando que "o Governo tenha abandonado a obra ao fim de dois anos, a fingir problemas". "Dois anos de atraso mostram falta de vontade política", critica Candal, considerando que uma eventual alteração legislativa "não demora dois anos". "Esta não é uma batalha perdida, a barragem não está feita, mas vamos ver. Não há passos sem retorno", conclui."A alteração da lei para que a EDP fosse obrigada a comprar mais de 10 megawatts não me parece viável. Seria como os touros em Barrancos"Manuel Soares, presidente da Câmara Municipal de Sever do Vouga"Estou-me marimbando para o chapéu jurídico que arranjem para a barragem. Eu quero é a obra feita"Carlos Tavares Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Frades

terça-feira, 30 de junho de 2015

Educação, um pedagogo de Lafões

Educação Integrar pessoas com deficiência no sistema de ensino, uma tarefa da ASSOL No vasto campo de suas actividades e espírito de missão, a ASSOL – Associação de Solidariedade Social de Lafões – tem exercido uma muito meritória tarefa, em parceria, sobretudo, com o Ministério da Educação, no encaminhamento e apoio dado às pessoas com deficiência, de modo a integrá-las, com sucesso, no dito sistema normal de ensino. Neste campo de acção, desenvolve trabalhos nos domínios da Intervenção Precoce na Infância e dá vazão ao Projecto Integrado, assim se designa essa mesma valência. Num e noutro caso, é fundamental, como agente financiador, o papel do citado Ministério da Educação e do Ministério da Solidariedade e Segurança Social. Mas não se fina por aqui a sua intervenção, quanto a este capítulo: pode acrescentar-se ainda a Formação Profissional e Integração em Mercado de Trabalho, assim se ficando com uma ideia mais ampla e alargada daquilo que está a ser feito nos três concelhos de Lafões e ainda em Tondela e Castro Daire. Num dos documentos orientadores desta Associação pode ler-se, no que reporta à Intervenção Precoce: “… A ASSOL participa na Equipa Local de Intervenção dos concelhos de Oliveira de Frades, Vouzela, S. Pedro do Sul e Tondela, as quais são constituídas por uma educadora de infância, um enfermeiro e/ou médico e um técnico de serviço social…” Quanto ao Projecto Integrado de inclusão escolar, tendo como base esse mesmo documento, “… A participação da ASSOL no apoio à integração social e escolar de crianças ou jovens é definida no artigo 1º da Portaria nº 1102/97 como um conjunto de «actividades de apoio a escolas do ensino regular, em parceria com as esquipas de coordenação dos apoios educativos»… “ A partir desta norma, criou-se o Projecto Integrado de Lafões, que se estende, como vimos, a Tondela e a Castro Daire. Da área de influência da ASSOL, estão abrangidos agrupamentos desses concelhos, através de protocolos, atrás referenciados, num processo que, aliás, já estava no terreno desde 1991 e tem mantido sempre um ritmo crescente, a ponto de não haver um único aluno, que se saiba, sem respostas adequadas. Melhor do que estas palavras, os números são deveras elucidativos acerca das acções desenvolvidas, extraindo do Relatório de Actividade de 2011 estes indicadores, por rubricas: - PROJECTO INTEGRADO - Terapia da Fala – 2010 – 97 alunos atendidos; 2011 – 99; Psicologia – 2010 – 150 casos; 2011 – 145; Transição para a vida adulta – 2010 – 45; 2011 – 37; Intervenções Sociais – 2010 – 16; 2011 - 15 - FORMAÇÃO PROFISSIONAL E INTEGRAÇÃO EM MERCADO DE TRABALHO – Inscrições recebidas: 2010 – 52; 2011 – 137; Novos candidatos admitidos: 2010 – 34; 2011 – 61; Programas individuais de formação realizada: 2010 – 69; 2011 – 99 Numa outra escala, em número de utentes apoiados, é notório o factor de progressão, ano a ano: - INTERVENÇÂO PRECOCE: 2008 – 20; 2009 – 20; 2010 – 30; 2011 – 40 - PROJECTO INTEGRADO: 2008 – 120; 2009 – 130; 2010 – 288 e 2011 – 296 - FORMAÇÂO PROFISSIONAL: 2008 – 50; 2009 – 50; 2010 – 55 e 2012 - 99 Numa escola para todos, estas componentes nunca podem ser descuradas. Não há uma verdadeira educação se houver alguém que, pelas suas limitações, não tenha acesso ao sistema geral. Deste modo, a ASSOL, com as operações no terreno prático e numa autêntica dimensão de solidariedade, é parceira de um valor incalculável. Uma sociedade será tanto mais justa quanto menos olhar para o lado, para alguém que tem algo que o diferencia, por absurdo que pareça: no dia em que aceitarmos todos os nossos irmãos como iguais e nem dermos pelas suas diferenças, o caminho da vitória humana estará muito mais aplainado. Essa é a visão da ASSOL e um de seus objectivos principais e, no campo da educação, é assim que se comporta e actua. Parabéns!... Carlos Rodrigues

Educação por via da integração, o papel da ASSOL

Educação Integrar pessoas com deficiência no sistema de ensino, uma tarefa da ASSOL No vasto campo de suas actividades e espírito de missão, a ASSOL – Associação de Solidariedade Social de Lafões – tem exercido uma muito meritória tarefa, em parceria, sobretudo, com o Ministério da Educação, no encaminhamento e apoio dado às pessoas com deficiência, de modo a integrá-las, com sucesso, no dito sistema normal de ensino. Neste campo de acção, desenvolve trabalhos nos domínios da Intervenção Precoce na Infância e dá vazão ao Projecto Integrado, assim se designa essa mesma valência. Num e noutro caso, é fundamental, como agente financiador, o papel do citado Ministério da Educação e do Ministério da Solidariedade e Segurança Social. Mas não se fina por aqui a sua intervenção, quanto a este capítulo: pode acrescentar-se ainda a Formação Profissional e Integração em Mercado de Trabalho, assim se ficando com uma ideia mais ampla e alargada daquilo que está a ser feito nos três concelhos de Lafões e ainda em Tondela e Castro Daire. Num dos documentos orientadores desta Associação pode ler-se, no que reporta à Intervenção Precoce: “… A ASSOL participa na Equipa Local de Intervenção dos concelhos de Oliveira de Frades, Vouzela, S. Pedro do Sul e Tondela, as quais são constituídas por uma educadora de infância, um enfermeiro e/ou médico e um técnico de serviço social…” Quanto ao Projecto Integrado de inclusão escolar, tendo como base esse mesmo documento, “… A participação da ASSOL no apoio à integração social e escolar de crianças ou jovens é definida no artigo 1º da Portaria nº 1102/97 como um conjunto de «actividades de apoio a escolas do ensino regular, em parceria com as esquipas de coordenação dos apoios educativos»… “ A partir desta norma, criou-se o Projecto Integrado de Lafões, que se estende, como vimos, a Tondela e a Castro Daire. Da área de influência da ASSOL, estão abrangidos agrupamentos desses concelhos, através de protocolos, atrás referenciados, num processo que, aliás, já estava no terreno desde 1991 e tem mantido sempre um ritmo crescente, a ponto de não haver um único aluno, que se saiba, sem respostas adequadas. Melhor do que estas palavras, os números são deveras elucidativos acerca das acções desenvolvidas, extraindo do Relatório de Actividade de 2011 estes indicadores, por rubricas: - PROJECTO INTEGRADO - Terapia da Fala – 2010 – 97 alunos atendidos; 2011 – 99; Psicologia – 2010 – 150 casos; 2011 – 145; Transição para a vida adulta – 2010 – 45; 2011 – 37; Intervenções Sociais – 2010 – 16; 2011 - 15 - FORMAÇÃO PROFISSIONAL E INTEGRAÇÃO EM MERCADO DE TRABALHO – Inscrições recebidas: 2010 – 52; 2011 – 137; Novos candidatos admitidos: 2010 – 34; 2011 – 61; Programas individuais de formação realizada: 2010 – 69; 2011 – 99 Numa outra escala, em número de utentes apoiados, é notório o factor de progressão, ano a ano: - INTERVENÇÂO PRECOCE: 2008 – 20; 2009 – 20; 2010 – 30; 2011 – 40 - PROJECTO INTEGRADO: 2008 – 120; 2009 – 130; 2010 – 288 e 2011 – 296 - FORMAÇÂO PROFISSIONAL: 2008 – 50; 2009 – 50; 2010 – 55 e 2012 - 99 Numa escola para todos, estas componentes nunca podem ser descuradas. Não há uma verdadeira educação se houver alguém que, pelas suas limitações, não tenha acesso ao sistema geral. Deste modo, a ASSOL, com as operações no terreno prático e numa autêntica dimensão de solidariedade, é parceira de um valor incalculável. Uma sociedade será tanto mais justa quanto menos olhar para o lado, para alguém que tem algo que o diferencia, por absurdo que pareça: no dia em que aceitarmos todos os nossos irmãos como iguais e nem dermos pelas suas diferenças, o caminho da vitória humana estará muito mais aplainado. Essa é a visão da ASSOL e um de seus objectivos principais e, no campo da educação, é assim que se comporta e actua. Parabéns!... Carlos Rodrigues

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Vouzela, uma vila animada e mimada

Nvouzela18jun15 Vouzela no centro de Lafões A meio da encosta do Monte Castelo e de seu irmão Lafão, que, juntos, segundo se crê, deram origem à própria designação desta Região, a de Alafões, ou Lafões, mais especificamente, fica a vila de Vouzela, a terra de Vaucella, com o Vouga aos seus pés. Com este Rio como sua marca, uma outra se lhe cola na perfeição, a da sua profunda ligação à Serra do Caramulo. Com uma grande antiguidade, a sua história está cheia de dados de extrema importância, daqui tendo saído alguns dos mais prestigiados obreiros do nosso passado nacional, local e regional e até em termos de além-mar. Sede de freguesia, por si só, desde há muitos anos, agora faz parte da União que congrega também Paços de Vilharigues, que, com sua Torre, nesta tem um bom farol, a indicar tempos de outrora, renovados recentemente, estabelecendo um bom diálogo com a Nossa Senhora do Castelo e com o Monte Gamardo. Partindo nós de uma recolha de dados que remonta a a 1889, esta terra de S. Frei Gil, D. Duarte de Almeida, João Ramalho, Padre Simão Rodrigues de Azevedo e Morais Carvalho, entre tanta outra gente de peso, distribuía-se então pela Vila, Igreja (sic), Valgode, Caritel e os casais de Linhares, Cabrela, Ribeirinha, Candeeira, Pombal, S. Paio, Foz, Crujo, Ermida, Cavada, Pinheiro, Matas e Costeira, contando ainda com as Quintas da Sarnada (?), Continha, Lamas, Costeira, Matas, Regadas, Caritel, Poldras, Portelo, Porto-Salto, Cavalaria, Valgode, Avelar e Linhares, falando-se apenas da freguesia dessa época. Na vila, duas praças, a de Cima, a Velha, e a de Baixo, a Nova, rivalizavam entre si, isto é, a Praça da República e o Largo Morais Carvalho eram os centros que aqui se distinguiam. Entre estes espaços e a Igreja Matriz, ficava o Largo da Corredoura, local da Feira de então, pensando nós de que se trata da actual Alameda. Por estes sítios, ganhavam o seu sustento alguns comerciantes, dois farmacêuticos, ferreiros, serralheiros, sapateiros, alfaiates, havendo ainda oficinas de tecelagem de panos de linho, de estopa e burel, quatro fornos de poia (pão) e pisões nos Rios Vouga, todo o ano, e no Zela, em época de fortes caudais. Com uma boa centralidade política, a associação, por exemplo, do Pai de S. Frei Gil à corte e à “Câmara” de Coimbra, de D. Duarte de Almeida aos homens do D. Afonso V, de João Ramalho à colonização do Brasil, do Padre Simão de Azevedo à fundação da Companhia de Jesus e de Morais Carvalho à fina flor do Liberalismo fazem com que todas estas evidências sejam disso um testemunho indesmentível. Num tempo em que os aspectos religiosos também andavam de mão dada com as forças políticas, justificam-se as Igrejas e Capelas que por aqui foram existindo ao longo dos tempos: Igreja Matriz, da Misericórdia, de S. Frei Gil, Capela de Nossa Senhora do Castelo, de S. Sebastião, de S. João (Casa das Ameias, em preocupantes ruínas), de S. Pedro (Valgode), de Santa Catarina (Quinta da Sarnada). Em monumentalidade, porém, há muito mais a citar: Ponte, na Rua do mesmo nome, toda ela um património incalculável, Fonte da Nogueira, edifício da Antiga Câmara (Biblioteca Municipal), Museu Municipal, Estátua de Morais Carvalho, casas senhoriais e brasonadas, sendo por isso quase lícito afirmar-se que se está perante uma Vila-Museu. Assim sendo, se é importante valorizá-la e preservá-la, não menos determinante é, para um seu futuro sustentável, rasgar-lhe outros horizontes fora de muros, se assim se pode falar. Como é reduzido o espaço a ocupar, fiquemo-nos com estas datas e respectivas evocações, extraídas de um desdobrável das Festas do Castelo: 1093 – um dos primeiros documentos escritos sobre esta vila; 1307 – criação da Feira; 1436 – concelho de Lafões, D. Duarte; 1882 – estátua Morais Carvalho; 1885 – fundação dos Bombeiros; 1904 – ponte sobre o Rio Vouga; 1926 – Mercado Municipal; 1927 – extinção da Comarca, restaurada em 1973; 1929 – iluminação eléctrica; 1929 – Associação os Vouzelenses; 1931 – em segunda fase, Sociedade Musical Vouzelense; 1935 – Notícias de Vouzela; 1959 – Hospital da Misericórdia; 1962 – Colégio de S. Frei Gil; 1964 – Cooperativa Agrícola de Lafões; 1966 – Quartel dos Bombeiros/Prédio das Colectividades. Para se conhecer esta terra e toda a região de Lafões, entre muitos outros valiosos contributos que têm vindo a surgir, não podemos deixar de referir o papel do Professor Amorim Girão, que, em toda a sua vida académica, com uma notável obra realizada na Universidade de Coimbra, em torno da Geografia e da Arqueologia, sobretudo a partir dos anos vinte do século passado, se tornou pioneiro na divulgação da história e património destas nossas localidades de Lafões. Devem-se-lhe descobertas e análises registadas para a posteridade de um valor incalculável. Foi tal a sua importância neste campo científico que a atribuição de seu nome a um qualquer espaço, não perecivel no tempo, como uma sala da Biblioteca ou algo do género, seria uma boa ideia e um acto de justiça. Indissociável da região em que se insere, Lafões, nela sempre permaneceu, podendo até dizer-se que chegou a ser, em certa medida, um de seus lugares cimeiros. Por este facto, recebeu, por exemplo, uma das primeiras Misericórdias do País, mal D. Leonor criara em Lisboa, em 1498, esta preciosa Instituição. Com uma área de cerca de 193 quilómetros quadrados, tem hoje 9 freguesias por força de uma legislação algo sem pés nem cabeça, que, esvaziando ancestrais órgãos de governação local, fez desaparecer, integrando-as, as restantes três. Com essa medida, por mais que nos esforcemos em ver vantagens, muito se perdeu e pouco se ganhou. Mas em termos de perdas e fugas de serviço, corariam D. Dinis, D. Duarte e D. Manuel que tanto fizeram em aqui acrescentarem mais-valias, desde a Feira, já citada, a outras benesses. Cabe aqui uma palavra de muito apreço em louvor de todos aqueles – e muitos foram – que tanto fizeram pelo recuperação da Comarca, que teve, assinale-se, no então Governador Civil de Viseu (1973), Eng. Armínio Quintela, uma alavanca essencial. O mesmo se diga de quem fez erguer o velho Hospital, de construir um novo Palácio da Justiça que, depois de pouco mais de duas décadas de serviços prestados, está praticamente às moscas, em mais um desacerto governamental de todo o tamanho. Se uns tiram, outros semeiam e a vinda do IP5/A25 é um pilar essencial para o desenvolvimento deste concelho, que tem os melhores pastéis do mundo e é parceiro de um espaço onde podem pastar as nossas famosas vitelas de Lafões. Em matéria de equipamentos, importa também lamentar os cortes na Saúde, outra facada nas nossas costas que ainda sangra a bom sangrar. Já agora, diga-se que, ao falarmos de desaparecimentos cruéis, temos de recuar muito no tempo, porque o Covento aqui existente outrora quase não deixou rasto, o mesmo tendo acontecido com as muralhas do Castelo no sítio do mesmo nome. Triste sina é a desta terra. Ficam, no entanto, vivas e imortais as suas belezas e memórias, que ninguém mais vai apagar. Do passado recente, muito anda por aqui escrito. E dos tempos de outrora fica quase tudo por dizer, mas não é possível ir mais longe, por agora. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Cambra, terra de encantos e (en)cantares

Cambra28mai15 Cambra com história forte e lenda também Nisto da etimologia não é fácil afirmar certezas, porque são pantanosas as teses em que nos podemos apoiar. Em Cambra, quando à sua designação, assim acontece. Fiquemos, porém, por aquela teoria que nos parece mais lógica, a da sua ligação ao Rio Cambar, hoje Alfusqueiro, por nos merecer um certo ar de autenticidade, ainda que muito tremido. Se, em nome, ficam as dúvidas, em história e lenda, temos por aqui matéria aos montes. Com base em documentação história antiga, esta de 1147, fala-se num testamento de Maria Rabaldes (sabendo-se que os Rabaldes têm uma profunda ligação a esta nossa Região), que faz ligar Cambra ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, então ainda em fase de afirmação, porque havia nascido na década de trinta desse mesmo século. Em lenda, a do Lobisomem chega para dar e vender. Com a sua caverna ao lado do Rio Couto, as suas façanhas perduram pelos tempos fora, em noites de lua cheia, sobretudo em casas em que não havia nem Custódios, nem Custódias, Bentos e Bentas, como era “exigido” ao sétimo filho ou filha em termos de nome. Em curtas linhas, todo o espaço é pouco para se conhecer esta freguesia e paróquia de S. Julião, que tem uma das mais imponentes Igrejas por estas bandas, com as suas duas torres, uns caixotões de uma riqueza evocativa e cultural de alto valor, felizmente agora restaurados, uns azulejos encantadores e um espaço envolvente, como Centro Histórico, que nos merece todos os elogios nas suas obras de beneficiação e restauro, estas com origem nos poderes públicos com apoio popular, a que se deve acrescentar quanto de bom foi feito no Solar que engrandece todo este lugar. Numa terra que tem no passado fortes motivos de orgulho, estendendo-se este ao seu animado ritmo cultural e associativo, são notórias as marcas que farão história por muitos e muitos anos, daqui para a frente. Não parando no tempo, as actuais gerações ali criaram a Extensão do Centro de Saúde, o Centro de Dia e Lar, o novo Jardim de Infância e Escolas, as sedes da velhinha mas saborosa Verdi Cambrense, da quarentona ACRC e tantas outras iniciativas que criaram novos marcos, os da actualidade. Com S. Julião como Padroeiro, em Cambra, o Espírito Santo e a Santa Combinha, uma notável devoção e romaria que originou uma das peças mais famosas do nosso cancioneiro, jamais podem ser esquecidos. Temos ainda o Santo Antão, em Caveirós de Cima, a Santa Luzia, em Tourelhe, a Nossa Senhora das Dores, em Pés-de-Pontes, mostrando uma religiosidade que é factor de forte identidade. Freguesia agora unida a Carvalhal de Vermilhas, recordando tempos de outrora, fez parte do concelho de Lafões, do de Oliveira de Frades, até 2 de Novembro de 1871, data em que passou a integrar, até aos nossos dias, o de Vouzela. Com uma notável Torre senhorial num recanto de sonho, ali em Cambra de Baixo, junto ao Rio Alfusqueiro, em área territorial sobe à Serra do Caramulo, de onde se avista um bonito panorama. Tendo 1244 habitantes em 2011, nota-se uma diminuição populacional que urge fazer inverter, tal como em muitos outros lados deste nosso esquecido Interior de Portugal. Completando estas parcas linhas, nada melhor que ouvir as melodias que por aqui se cantam, em espólio musical e cultural que é nosso encanto e orgulho. Ouçamo-las sempre!... Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”