sábado, 17 de outubro de 2015
Um apelo ido de Oliveira de Frades
Não se pode dizer que ande muito animado. Nada disso. O céu anda assanhado, mais a sul que a norte, a política está acesa. As decisões adivinham-se algo atribuladas. Ninguém sabe o que vem por aí. Aqui, em Oliveira de Frades, espera-se que haja calma, bom senso e muita perspicácia, caldeada com um sentido de realidade. No meio de uma tempestade, o pior que se pode fazer é desprezar a cautela e a capacidade de avaliar os riscos, para os evitar. O meu País vive momentos de um tempo muito conturbado. Do céu cai água, da terra há raios e coriscos. O que espero disto? Que haja a escolha do melhor caminho e só vejo, em boa prática política, que se chame o chefe do boletim meteorológico que mais acertou nos resultados, que se deixe ver como é que ele consegue arranjar o esquema para sair da tempestade e, se o não conseguir, que seja chamado quem, tendo falhado, pode ainda, com muletas, encontrar um caminho qualquer. Sem saber bem onde vamos ter, que Deus nos ajude com o bom sol, mais cedo ou mais tarde. Haja o que houver, negar estes passos fundamentais é não saber nada de tempo. Sol e chuva alternam-se e até o vento nos visita. E assim vamos vivendo. Esperava melhores dias? Isso esperava. Mas a realidade é o que é. Pronto.
sábado, 10 de outubro de 2015
Reflectir a sério sobre os cenários pós-eleitorais
Eu sei que a vitória da Coligação foi curta, mas corresponde a mais votos e ao primeiro lugar. Sei que o PS ficou em segundo, que o BE alcançou, com mérito, o terceiro lugar e a CDU, aumentando a sua votação, segurou o seu universo eleitoral. Sei que o PAN entrou no Parlamento. Sei tudo isto e muito mais: sei que o meu País está num tempo em que as decisões não são fáceis. Nem o PR pode agir. Sei que há possíveis cenários para encontrar um Governo. Sei que todas as soluções são periclitantes. Sei que o PS balança entre dois mundos. Sei que as suas gentes estão profundamente divididas. Sei que quem votou PS o fez por saber que é Partido pró-europeu. Sei que BE e PCP, a esse nível, nem por sombras. Também sei que dentro do PS há quem se incline para uma ligação a estes dois Partidos e que António Costa é, nestes momentos, um homem no meio de uma ponte que treme por todos os lados. Sei que, modestamente, lhe posso dar uma ajuda: se olhar maduramente sobre o território português, verá que o nosso espaço tem duas manchas distintas - até ao Tejo, cores quase só da Coligação, distrito a distrito. Daí para sul, na realidade o panorama muda de figura, com tons mais avermelhados. Só que a primeira coloração advém duma opção segura em propostas concretas, as do PàF, que disse ao que vinha. A sul, há três projectos bem distintos em cima da mesa. Quem votou em cada um destes Partidos olhou para cada um deles e não para o seu conjunto. Aliás, as diferenças e as oposições entre eles são óbvias. Logo, não é líquida a leitura que quer fazer crer que representam uma única alternativa. Se o quisessem fazer, fossem a jogo em conjunto. Assim, duvido que seja linear um certo raciocínio que para aí circula. Se é legítimo, em termos constitucionais, que sejam chamados a poderem entrar em acção, mesmo com essas visíveis diferenças (Ver a demissão de Sérgio Sousa Pinto, por exemplo) em segunda "convocatória", primeiro tem de ser seguida a postura mais correcta: dar voz a quem venceu. Claro que assim é. Com a vida que temos, pede-se aos Partidos que saibam ler bem o futuro. Este não dá para se brincar muito aos governinhos. Nada mesmo.
sábado, 3 de outubro de 2015
Este gajo está em reflexão e nem o SLB me escapa. Amanhã, creio eu, não vou ao meu estádio, o Café Larides, na minha Sobreira. Culpados? Em primeiro lugar, a Liga que teve esta ideia estapafúrdia de marcar jogos de futebol para este dia tão especial. Seguidamente, eu próprio que, em dia de eleições, não sou capaz de deixar de ouvir falar do futuro do meu País. Entre um jogo de futebol, mesmo que a envolver o meu SLB, e os resultados de um Portugal ainda em apuros, é a minha nação, a grande, que mais me motiva. Temos de saber relativizar as nossas opções. Quem me merece uma boa palmada é a Liga. Com mão pesada. Boa votação, eis o meu desejo.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
O interior e as PPP
Este meu interior é fértil em PPP. Tem muitas e todas de fazer corar quem quer que seja. PPP há-as para aqui aos montes e a muitos níveis. Só que estas PPP designam uma outra coisa e muito grave - POUCAS POLÍTICAS PÚBLICAS. Com essa falta, com a fuga em massa para o litoral, isto ficou vazio. Perigosamente despovoado. Por falta de PP. Muito por isso. Keynesiano? Seja. Culpando o estado por estes desmandos, a não existência destas PP deixa-me com os cabelos em pé e com a garganta seca de tanto gritar... E os políticos em plena campanha nem tocaram ao de leve nestas matérias... Eles não sabem nem sonham que assim se destrói um País...
domingo, 27 de setembro de 2015
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
A propósito, "Um mundo para lá da dívida", um escrito de 2014...
Um mundo para lá da dívida
Nestes últimos anos, pouco mais se tem falado para além da dívida. São os governantes, é a oposição, são os opinadores profissionais, são os sindicatos, são as polícias, são as escolas, são as instituições, é a União Europeia a massacrar-nos o juízo, é o FMI a dar o dito por não dito e a matar-nos, sempre, a esperança, são os jornais, nós mesmos, são as rádios e as televisões, isto é, anda meio mundo a pensar nesse monstro e outro meio cheio de medo dos tempos de hoje e a hipotecar o seu futuro, destruindo-o, por esses pavores, à nascença.
Somos todos culpados quanto a estes temas. Com os olhos muito perto desta desgraça, caímos no abismo, ainda que haja hipóteses de dele se fugir. Criando um mundo em que o dinheiro impera, vivendo modelos que fazem do prazer e da riqueza imediata objectivos únicos, não descortinamos um palmo para lá desse denso nevoeiro. Com razões para que assim seja, porque a miséria e a fome são más conselheiras e já batem demasiado a nossas portas, estas são horas para sairmos destas tormentas.
Num breve exercício de refrescamento da nossa memória, este País de 871 anos, mais uns tantos pozitos, que antes de o ser já o era, desde que D. Teresa começou a olhar demais para a Galiza e o gaiato do seu filho, o ainda Afonsinho, já olhava de lado para essa quebra de compromisso com a memória de seu Pai, o Conde D. Henrique, sempre foi capaz de vencer tempos difíceis. Resistiu a questões internas, D. Sancho II e D. Afonso III, D. Afonso IV e D, Pedro, D. Miguel e D. Pedro, tendo ainda, em circunstâncias adversas e muito penosas, sido capaz de se livrar da alçada dos actuais nossos amigos e vizinhos espanhóis, numa primeira fase, com Aljubarrota, posteriormente com a Guerra da Restauração, depois de seis décadas de perda da independência.
Cheios das ambições de Napoleão, nem sequer o deixámos pôr, aqui, pés em ramo verde. Mesmo aquele grotesco episódio do Junot, a pensar que mandava, foi um equívoco: com o Rei no Brasil, continuámos de pé, ainda que curvadinhos quase até ao chão. Nesses tempos anteriores às invasões, só temos uma pedrota no sapato, que é Olivença, uma terra com duas mães e filhos de dupla identidade. Mas isso é mal que suportamos com uma perna às costas.
Perdendo a Monarquia, que caiu de pôdre em 1910, tal como o Estado Novo, que tombou, andando a desfazer-se aos poucos, no 25 de Abril de 1974, soubemos encaixar a saída das ex-Colónias, assumindo a integração plena de centenas de milhar dos nossos compatriotas, que vieram, de novo, para suas terras e nelas teceram hinos de resistência e coragem, que ainda hoje são o nosso orgulho. Fizemos o percurso para adesão à Comunidade Económica Europeia, após dois outros resgates bem sucedidos.
Ultrapassámos as dores do Terramoto de 1755 com milhares e milhares de mortos e um rasto de destruição que chegou de Lisboa ao Algarve, a Salamanca e a tantos outros locais. Corremos os mares todos e estivemos em Malaca, Luanda, Rio de Janeiro, Beira, Cabo Bojador, Cabo das Tormentas, Macau, Goa, Bissau, Timor, Terra Nova, talvez a Nova Zelândia e a Austrália, negociámos em Bruges, levámos elefantes ao Vaticano e hoje, meio anestesiados, quase vacilamos perante uma crise de austeridade que, sendo severa, dura, iníqua, injusta e nada solidária, não será, no entanto, o fim do mundo.
Com a memória de nossos feitos, que são sempre pilares que não podemos desperdiçar, muito embora o actual sistema de ensino não lhes dê nenhuma importância ( um crime, esse, sim, que se pagará caro), somos gente para avançar, de peito feito e cara levantada, dentro de meses, assim o cremos.
Com uma governação meio à deriva que, hoje, segunda-feira, dia 17 de Março, se senta à mesa com a oposição, quando dela nunca se deveria ter afastado mais do que as meras contingências a que a política obriga, estamos na altura de lhe reafirmar a verdade que sempre nos acompanha: esta é a hora de encarar os tempos que aí vêm com ânimo e determinação.
Tendo umas eleições para o Parlamento Europeu já em Maio e a saída deste Programa também nesse mês, achamos que há que pôr toda a carne no assador das propostas, dos debates, das batalhas, das conquistas a empreender. Mas com jeito.
Por esta última razão, ficamos de fora, por opção, do Manifesto dos 74. Não seremos o número 75. Mas somos, de certeza, férreos opositores do olhar vesgo com que o nosso Governo encara estas situações, atirando austeridade para cima dos problemas, quando era a economia que deveria a estar a puxar pela recuperação de que tanto precisamos.
Ainda temos esperança. Quanto mais não seja, por sabermos um pouco daquilo que a História nos ensina…
Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela, Março, 2014”
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Vivinhos, apesar de tudo
Depois de alguns tempos de ausência, este Frei do Gozo continua bem vivo, mas triste e apreensivo com o que se passa por esse mundo fora e por uma União Europeia que, nesta gritante questão dos REFUGIADOS de guerra, está, infelizmente, mais desunida que nunca. Uma lástima. A nossa vocação solidária está moribunda. É um esqueleto ambulante a cair para o lado mal venha uma lufadita de vento. Uma tristeza. Uma desgraça. Um monumental murro no estômago. Até quando? Assim não vamos a lado nenhum. E o sonho europeu cairá por terra, mais dia menos dia. Uma pena. Um pavor.
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