segunda-feira, 11 de maio de 2026

Dr. Celso Cruzeiro, filho, aos comandos da crise académica de 1969

Celso Cruzeiro no centro da crise académica de Coimbra de 1969 CR – “Notícias de Vouzela, 2026” No dia 17 de Abril de 1969, a Universidade de Coimbra ficou virada do avesso. Tudo começou com a vinda do então Presidente Américo Tomás para a inauguração de uma nova infraestrutura, o edifício das Matemáticas. A Direcção da AAC tinha recebido um convite para estar presente e, depois de uma noite em claro por parte dos seus sete dirigentes, foi decidido participar. Nesse grupo, como seu elemento importante, estava Celso Cruzeiro, quintanista de direito, natural de Cajadães. Para pedir a palavra, com carta branca para a usar ou não, tinha ficado Alberto Martins, agora membro do Conselho de Estado. Sala cheia, esse momento simbólico que a AAC nunca mais esqueceu, carregou-se de suspense e emoção. A seu tempo, saiu fumo branco, o do “Peço a palavra”. Estava dado o pontapé de saída para uma série de acontecimentos que se iriam prolongar pelos tempos fora e até a saírem da própria cidade de Coimbra, como aconteceu na final da Taça de Portugal. Na vertente escolar, após uma sucessão de assembleias e reuniões, as faltas às aulas e aos exames tornaram-se o prato forte do dia a dia daquela Universidade, em ambiente de greve e luto académico. Em lugar cimeiro neste protesto de contestação esteve sempre Celso Cruzeiro, filho de um outro enorme advogado, o saudoso Dr. Celso Cruzeiro, residente em Lafões, ora em Cajadães, ora em S. Pedro do Sul. Logo no dia 17, face à turbulência que se gerou depois do “Peço a palavra”, coube-lhe liderar as “cerimónias inaugurais”, então a cargo dos estudantes, fazendo um dos inflamados discursos dessa data memorável. Falaram então o Presidente da AAC e o seu grande animador, Celso Cruzeiro, entre outros oradores. Desde essa altura, os seus nomes correram mundo. Se Alberto Martins foi logo preso nessa ocasião e libertado no dia seguinte, o caldo ficou literalmente entornado. Em maré de luta contra tudo e todos, desde a política estudantil à geral, veio também ao de cima a contestação à guerra colonial. Neste contexto, pode dizer-se que um dos “castigos” com que foram punidos os “agitadores” foi mesmo o envio para a vida militar de 49 estudantes, alguns encaminhados para as antigas colónias, cabendo a Celso Cruzeiro ir para a Guiné. Em jeito de brincadeira e algo jocoso, diz-nos este nosso conterrâneo que lhe saiu a sorte grande, porque pôde entrar na acção do MFA, integrando o grupo que, ali, organizava as operações. Estudante coimbrão em todas as dimensões, os cinco anos foram passados na república do “Palácio da Loucura”. Por esse facto, pertenceu ao Secretariado do Conselho das Repúblicas e à Comissão Pró-Eleição. Tornou-se responsável pelo jornal “ O Badalo”, colaborando ainda nas revistas “Vértice” e “Capa e Batina”. A exercer advocacia na cidade de Aveiro, tem aproveitado o tempo livre, que nunca é muito, para a escrita, sobretudo em obras alusivas a essa crise académica, divulgando-a também em iniciativas diversas. Sendo fortíssima a sua influência nesses momentos estudantis e sociais, aqui lhe dedicamos estas curtas linhas, com a gratidão lafonense que se impõe…

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