Frei do Gozo
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
BTT em Paços de Vilharigues
BTT em Paços de Vilharigues com perto de 90 participantes
CR
A primeira prova de BTT/Torre realizada a partir de uma ideia de Tiago Soares e com o apoio logístico da Liga dos Amigos de Vilharigues e da Banda da SMCRPV, que foi para a estrada e para os montes no passado dia 26, pode dizer-se que foi um sucesso: 88 participantes, com idades entre os 12 e os 72 anos, com equipas que vieram desde Ribeiradio a Vasconha, (os grupos com maior número de inscritos), sem esquecer a AOF, Ameixas, Bike aos domingos, BTT Cambra, BTT Manhouce, Motopal, Move Martifer Gym, Run Bordinho, Vilamaiorense e Super Talho Vouzelense e vários individuais. Toda esta gente trouxe alegria, espírito de convívio e muita animação e, como é lógico, alguma competição.
Se Tiago Soares foi a trave mestra e o motor de tudo isto, na devida altura quis compartilhar o seu contributo com Tiago Clamote Lopes, que considerou até como padrinho da prova. Como grande patrocinador, coube-lhe ainda dar música à malta através do Grupo de que faz parte, o “Refugo”.
Para dar um carácter mais solene a este evento, o Presidente da União de Freguesias de Vouzela e Paços de Vilharigues, José Lino, não quis ficar só pelas palavras e pôs-se também a correr para tirar ferrugem à sua bicicleta e, talvez, também às pernas. Presentes estiveram, na fase do convívio, o Secretário de Estado das Florestas o vizinho Rui Ladeira, e o Vereador Pedro Cardoso.
Com a GNR a controlar as operações nas estradas, a Liga mobilizou um grande grupo de voluntários que cuidaram da segurança noutros pontos críticos e das piquetas e reforços alimentares que se impunham, em todo o percurso.
Foi tal o contentamento que o II BTT/Torre já está na calha…
Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, 2026/09/30
Casa da Académica em Lafões distingue os melhores alunos
Capas e batinas já têm donos
CR
Em mais uma acção da Casa da Académica em Lafões, na respectiva Gala de Mérito Académico, que foi para o ar no passado dia 25, foram atribuídos os prémios aos três melhores alunos dos concelhos de Lafões, Oliveira de Frades, Vouzela e S. Pedro do Sul, que conseguiram entrar nos estabelecimentos de ensino superior em Coimbra, tal como foi determinado. Cada um recebeu 250 euros, verba que tem como destino a aquisição da capa e batina, grande símbolo estudantil daquela academia.
Estas cerimónias realizaram-se na Casa das Artes/Cine Teatro Dr. Morgado, em Oliveira de Frades, em ambiente familiar e de amigos, vendo-se ali ainda uma boa representação da Associação dos Bombeiros locais, pois que parte da verba a obter lhe seria (como foi) oferecida.
Em palco, abriu o espectáculo, com forte espirito folgazão coimbrão, a Fan – Farra Académica, que pôs a sala em delírio e não era para menos. Seguiu-se depois a atribuição dos prémios a cada um dos futuros universitários, que, no seu percurso no ensino secundário, tudo fizeram por merecer essa distinção. Eis os seus nomes: Márcia Marques, de S. Pedro do Sul, Tiago Dinis Codeço, Vouzela, e Madelena Gomes dos Santos, Oliveira de Frades. Daqui a uns anos, dali sairão uma médica, um advogado e uma gestora.
Como testemunhas oficiais, a Vereadora Mafalda Moitas, de Oliveira de Frades, o seu colega Pedro Cardoso, Vouzela, e o Delegado do INATEL, parceiro activo deste programa, puderam observar o entusiasmo que ali se viveu, em função do significado destes gestos.
O Fado de Coimbra fechou parte desta entrega de prémios, que um convívio final acabaria por selar.
Já agora, diga-se que, no dia seguinte, foi celebrada uma Missa Solene de boas vindas aos novos estudantes universitários, desta vez a nível geral e não apenas de Coimbra, com o apoio do Grupo Coral, dos Escuteiros e da Banda de Música de Oliveira de Frades.
Carlos Rodrigues, in “Noticias de Vouzela”, 2026/09/30
sábado, 19 de setembro de 2026
50 anos depois, um feliz encontro dos antigos alunos da EMP de Viseu
Hoje, tive o grato e enorme prazer de estar, em convívio, com os antigos colegas da Escola do Magistério Primário de Viseu, que em 1976 iniciaram uma caminhada de três anos rumo ao curso dos então professores primários, o que viria a acontecer em 1979. Com amigos que vieram de muitos lados, inclusivamente dos EUA, a partir da iniciativa espoletada pelo Carlos Paixão, foi com emoção que subimos as velhas escadas da Escola, que, sendo hoje a ESEV, mantém a mesma traça em termos gerais. Até o velho arvoredo nos deu as boas vindas. Numa visita ao interior, reviveram-se momentos de outrora e, aquém e além, umas lágrimas furtivas não deixarm de nos molhar os olhos. Seguiu-se o almoço e convivio no Restaurante Muralhas da Sé, não muito longe da nossa querida EMPV. 50 anos depois, aqueles passos trouxeram enormes lembranças que o tempo não apagou,entes pelo contrário: avivou. Pena foi que tivessem faltado muitos colegas e professores, por motivos diversos, o mais lamentável de todos por, infelizmente, já não estarem entre nós. Dado este pontapé de saida, que outros venham em anos seguintes... Um abraço, malta Amiga... Obrigado, Carlos Paixão...
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Vouzela com novo restaurante
Fontelo com um novo restaurante
CR
O universo turístico do concelho de Vouzela e de Lafões ganhou uma nova unidade no campo da restauração, designado Restaurante da Quinta do Fontelo. Aproveitando a boa marcha do tradicional projecto com aquela mesma designação, a curta distância da vila de Vouzela, meio caminho andado até se chegar a Vilharigues pela velha EN 333, o casal Ana Rita Pereira e Zé Carlos pegou nessa ideia e avançou agora com este novo empreendimento turístico. Olhando para umas velhas instalações, deu-lhe uma nova roupagem e agora ali se vê uma obra de estalo.
No passado dia 31 de Agosto, procedeu-se à inauguração desta nova casa, em ambiente de festa e agradável convívio, porque tudo quanto para ali se pensou, nesse dia, a isso convidava. Num espaço de sonho, pelas obras em si e pelo local em que se encontra, nem sabíamos se devíamos olhar para os pratos dos bom acepipes se para a paisagem em redor, quer de dia, quer de noite. Numa opção difícil, a melhor ideia foi conseguir fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Com os momentos culturais a serem animados pelo Grupo Vozes da Terra e por uma parelha de palhaços, a solenidade do acto passou pela bênção solene a cargo do Cónego Mário Dias e pelas palavras do casal anfitrião e do Presidente da Câmara, Carlos Oliveira.
Depreendeu-se destes curtos discursos que aquele restaurante vai, para já, funcionar em regime de eventos, tendo como objectivo essencial privilegiar e valorizar a vitela certificada de Lafões. Com uma unidade hoteleira integrada na Quinta em causa, ali se unem duas valências que muito enriquecem o turismo nesta região de Lafões…
Carlos Rodrigues, in “ Notícias de Vouzela”, Setembro, 2026
Um novo livro de história em Lafões
Lafões em mais um livro de romance histórico
CR
Carlos Almeida, nascido em Lisboa, mas com larga vivência em Santa Cruz da Trapa e em Viseu, professor de História, tem dedicado uma boa parte de sua vida à escrita e à arte. Se nesta área abundam a pintura e a banda desenhada, naquela, são os livros e as revistas que têm preenchido esse seu labor. Assim, muito recentemente publicou mais um de seus livros, em cerimónia pública que quis que tivesse acontecido naquela vila lafonense. Intitula-se “Lafões – O despontar de um reino (romance histórico”, em edição de editor que vem já do ano de 2021.
Pegando no Real Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões, assim designando este notável e secular monumento da nossa região, agarra-se às figuras do Conde D. Henrique e Rainha D. Teresa e seu filho, o Infante D. Afonso Henriques, para, com todo o enredo que foi construindo, ter afirmado que nas diversas conversas e decisões entre estes nobres e os clérigos João Cirita, D. João Peculiar e outros, se veio a construir a nossa identidade nacional. A este Mosteiro juntou ainda a importância das então Caldas do Banho, muito presentes em toda a vida do nosso primeiro Rei.
Como ponto de partida, começa pela tentativa, de acordo com algumas fontes, de explicar a origem e o desenvolvimento da palavra e seu conteúdo “Lafões”. Situa tudo isto no contexto das lutas pela Reconquista, essa fase do passado cristão em que tudo se fez para expulsar os mouros da Península Ibérica e destes recantos em particular. Desta forma, associa a génese deste vocábulo ao árabe “Alafões”, depois de muitas transformações nascidas no “Alavoenis” ou algo semelhante até se chegar ao Lafões de hoje como filho dos montes irmãos, Lafão e Castelo.
Não deixa de evocar a sua terra, Santa Cruz da Trapa, e um seu possível Mosteiro beneditino que vigorou aí até os anos 920, antes de o seu sucessor se ter instalado nas margens do Rio Baroso, em S. Cristóvão de Lafões, mas da Ordem de Cister. A propósito da afirmação deste espaço regional, alude ao cavaleiro-vilão, Fernão de Vilharigues, um dos tenentes das nossas terras. Pega também na família Rabaldes cujos bens, importância e envergadura foram determinantes para este torrão ter singrado nessa época e pelos tempos fora.
Numa altura em que as cartas de foral eram imagem de marca de cada concelho, fala da Carta de Couto dada por D. Afonso Henriques, em 1161, à mesma povoação de Santa Cruz, acrescentando nós que, por aqui, a mesma distinção tiveram, por esses anos, Alcofra e S. João do Monte.
Em mais de 230 páginas, raramente se sai destas personalidades e dos primeiros anos da fundação de Portugal como nação, em que Lafões teve um papel de primeira grandeza.
Com uma vasta e diversificada obra, anotemos alguns de seus livros: Colectânea de Contos, Mitos urbanos, Viriato – meu Herói, o Pagador de Promessas e uma forte influência na Revista Animarte (GICAV).
Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Paisagem com gente dentro terminou em Oliveira de Frades
Paisagem com gente dentro encerrou actividades em festa
CR
No sábado, dia 25, o projecto “Paisagem com gente dentro”, que durante meses foi posto no terreno pela Câmara Municipal de Oliveira de Frades, chegou ao fim. Para assinalar o seu encerramento, a Casa das Artes /Cine-Teatro Dr. Morgado encheu-se de participantes, seus familiares, amigos e entidades diversas, nomeadamente a CM, a GNR, os Bombeiros Voluntários, a ASSOL, a Binaural, a CreSer, os fotógrafos e os mentores de cada grupo.
Num ambiente de inclusão, nesse espaço de tempo e acções diversas visaram-se as mais variadas dimensões que enformavam esta iniciativa, que o Filipe Soares, o Tiago Farreca, grande alma e motor de tudo isto, e a Eugénia Ribeiro incumbiram-se de dar nota de tudo quanto foi feito, dos passos dados e dos resultados obtidos. Puseram em destaque as sessões fotográficas efectuadas por parte de todos os participantes, as visitas aos locais do concelho previamente determinados, o contacto com empresas e instituições e os convívios que, entretanto, também se sucederam.
As descobertas que se desfilaram em cada actividade, o contacto com a natureza, o desenvolvimento de competências e aprendizagens, tudo veio a lume nesta sessão final, ora em jeito de texto, ora em vídeo-resumo, que a Binaural tão bem foi capaz de captar e produzir. Para que o público tenha acesso ao trabalho feito, a exposição fotográfica então inaugurada, espalhada pela vila, logo dá uma ideia do alcance desta obra social, pedagógica e fortemente integradora de toda a gente que dela fez parte.
Para dar voz aos diversos protagonistas, todos subiram ao palco de modo a darem o seu testemunho na primeira pessoa.
Ao trazer a perspectiva oficial da Câmara a que preside, João Valério, referiu qual a importância deste projecto, o seu significado e importância, a força social que lhe está inerente, o valor intrínseco da inclusão que promoveu, o seu simbolismo social e tudo quanto representa para a comunidade no seu todo.
Tal como dissemos, esta cerimónia de encerramento acabou em modo de refeição e convívio, aliás, como bom remate daquilo que se passou ao longo dos tempos. Porque o que é bom deve ser continuado, foi ali anunciado que vêm mais projectos desta índole a caminho dentro de meses…
Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, Julho 2026
Os incêndios não nos largam
A saga dos incêndios voltou a dar cabo de Lafões
Carlos Rodrigues
Eram 3 horas e quatro minutos de quinta-feira, dia 2 de Julho, quando em Tourelhe, na freguesia de Cambra, concelho de Vouzela, um rastilho de incêndio se iniciou para ter um percurso altamente devastador e longamente penalizador das nossas gentes e da natureza desta magnífica Serra do Caramulo. Lavrando por entre serras e vales, trepou até aos montes e foi por aí abaixo invadindo mesmo a cidade de Águeda. Para trás deixou ainda as suas marcas destruidoras nos concelhos de Oliveira de Frades, Tondela e Sever do Vouga. Durante mais de três dias levou tudo em frente. Valeu-nos o esforço dos Bombeiros, da Protecção Civil, das autarquias e das comunidades locais para que se tivesse evitado o pior. Ainda bem
Na nossa memória de anos passados - e não são assim muitos! – como 1986, 2013 e 2017, assaltam-nos a tragédia das perdas de paisagem, de casas, de instalações agrícolas e empresariais, mas sobretudo a partida de vidas humanas. Agora, em 2026, pelo menos até este momento, essas tragédias pessoais não aconteceram. Olhando pelos vidros dos carros, de nossas janelas e dos testemunhos que nos batem à porta vindos dos meios de comunicação social e das redes sociais, é uma imensa dor aquilo com que nos confrontamos. Um terror, como outros a que já assistimos.
Num balanço geral, depois de termos visto que, neste domingo, dia 5, pelas 13.30 horas, o fogo já estava dominado, mas ainda com risco de reacendimentos, percorramos o rasto que deixou para trás: cinco concelhos afectados, 40 quilómetros de extensão percorridos, mais de 10000 hectares devastados, uma Serra, a do Caramulo, mais uma vez desfeita, o Parque Natural Vouga-Caramulo seriamente danificado, cerca de 1500 operacionais em forte e duro combate às chamas, incluindo uma força espanhola, dezenas de meios aéreos em actuação diurna, centenas de veículos motorizados, milhares e milhares de populares em acção abnegada. Tudo isto se viu e o combate, muitas vezes, revelava-se infrutífero. Mas ninguém arredava pé.
Em ajuda aos Bombeiros locais e regionais, muitos outros se lhe juntaram, oriundos de Barcelos, zona de Lisboa e do Porto, Vila Franca das Naves, Cinfães e de tantas outras e solidárias zonas. A Força Aérea entrou também em acção, assim como a CME espanhola e os seus meios aéreos e ainda os que vieram de Itália, fruto da activação do Mecanismo Europeu de Protecção Civil, que em boa hora foi feito pelo Governo português.
No meio de todos os efeitos de mais este evento atmosférico, que talvez tenha tido a sua origem em mão criminosa, há que dizermos que tiveram de ser evacuadas diversas aldeias, sobretudo nos municípios de Tondela, Águeda e Oliveira de Frades, que foram cancelados várias iniciativas associativas, desportivas e culturais, como o Mercado Medieval de Cambra, o 10º Gym Festival internacional de Vouzela, e outras.
Há, no entanto, a destacar as ondas de solidariedade que se vieram a manifestar, como a de uma Padaria de Águeda, que forneceu pão com chouriço em quantidades industriais, e aquelas que se dirigiram aos corpos de Bombeiros.
Em resumo final, temos de confessar que nada, uma vez mais, pode ficar como antes. Isto de vermos as nossas terras ciclicamente a serem pasto de chamas destruidoras tem de acabar com novas e outras políticas de desenvolvimento e ordenamento florestal. O Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, que, por ironia do destino, viu este incêndio ter trágico início na sua terra, tem aqui mais um motivo de reflexão e uma pista para tomar difíceis e profundas decisões. Que assim venha a acontecer…
In “ Notícias de Lafões”, Julho 2026
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