quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Paisagem com gente dentro terminou em Oliveira de Frades

Paisagem com gente dentro encerrou actividades em festa CR No sábado, dia 25, o projecto “Paisagem com gente dentro”, que durante meses foi posto no terreno pela Câmara Municipal de Oliveira de Frades, chegou ao fim. Para assinalar o seu encerramento, a Casa das Artes /Cine-Teatro Dr. Morgado encheu-se de participantes, seus familiares, amigos e entidades diversas, nomeadamente a CM, a GNR, os Bombeiros Voluntários, a ASSOL, a Binaural, a CreSer, os fotógrafos e os mentores de cada grupo. Num ambiente de inclusão, nesse espaço de tempo e acções diversas visaram-se as mais variadas dimensões que enformavam esta iniciativa, que o Filipe Soares, o Tiago Farreca, grande alma e motor de tudo isto, e a Eugénia Ribeiro incumbiram-se de dar nota de tudo quanto foi feito, dos passos dados e dos resultados obtidos. Puseram em destaque as sessões fotográficas efectuadas por parte de todos os participantes, as visitas aos locais do concelho previamente determinados, o contacto com empresas e instituições e os convívios que, entretanto, também se sucederam. As descobertas que se desfilaram em cada actividade, o contacto com a natureza, o desenvolvimento de competências e aprendizagens, tudo veio a lume nesta sessão final, ora em jeito de texto, ora em vídeo-resumo, que a Binaural tão bem foi capaz de captar e produzir. Para que o público tenha acesso ao trabalho feito, a exposição fotográfica então inaugurada, espalhada pela vila, logo dá uma ideia do alcance desta obra social, pedagógica e fortemente integradora de toda a gente que dela fez parte. Para dar voz aos diversos protagonistas, todos subiram ao palco de modo a darem o seu testemunho na primeira pessoa. Ao trazer a perspectiva oficial da Câmara a que preside, João Valério, referiu qual a importância deste projecto, o seu significado e importância, a força social que lhe está inerente, o valor intrínseco da inclusão que promoveu, o seu simbolismo social e tudo quanto representa para a comunidade no seu todo. Tal como dissemos, esta cerimónia de encerramento acabou em modo de refeição e convívio, aliás, como bom remate daquilo que se passou ao longo dos tempos. Porque o que é bom deve ser continuado, foi ali anunciado que vêm mais projectos desta índole a caminho dentro de meses… Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, Julho 2026

Os incêndios não nos largam

A saga dos incêndios voltou a dar cabo de Lafões Carlos Rodrigues Eram 3 horas e quatro minutos de quinta-feira, dia 2 de Julho, quando em Tourelhe, na freguesia de Cambra, concelho de Vouzela, um rastilho de incêndio se iniciou para ter um percurso altamente devastador e longamente penalizador das nossas gentes e da natureza desta magnífica Serra do Caramulo. Lavrando por entre serras e vales, trepou até aos montes e foi por aí abaixo invadindo mesmo a cidade de Águeda. Para trás deixou ainda as suas marcas destruidoras nos concelhos de Oliveira de Frades, Tondela e Sever do Vouga. Durante mais de três dias levou tudo em frente. Valeu-nos o esforço dos Bombeiros, da Protecção Civil, das autarquias e das comunidades locais para que se tivesse evitado o pior. Ainda bem Na nossa memória de anos passados - e não são assim muitos! – como 1986, 2013 e 2017, assaltam-nos a tragédia das perdas de paisagem, de casas, de instalações agrícolas e empresariais, mas sobretudo a partida de vidas humanas. Agora, em 2026, pelo menos até este momento, essas tragédias pessoais não aconteceram. Olhando pelos vidros dos carros, de nossas janelas e dos testemunhos que nos batem à porta vindos dos meios de comunicação social e das redes sociais, é uma imensa dor aquilo com que nos confrontamos. Um terror, como outros a que já assistimos. Num balanço geral, depois de termos visto que, neste domingo, dia 5, pelas 13.30 horas, o fogo já estava dominado, mas ainda com risco de reacendimentos, percorramos o rasto que deixou para trás: cinco concelhos afectados, 40 quilómetros de extensão percorridos, mais de 10000 hectares devastados, uma Serra, a do Caramulo, mais uma vez desfeita, o Parque Natural Vouga-Caramulo seriamente danificado, cerca de 1500 operacionais em forte e duro combate às chamas, incluindo uma força espanhola, dezenas de meios aéreos em actuação diurna, centenas de veículos motorizados, milhares e milhares de populares em acção abnegada. Tudo isto se viu e o combate, muitas vezes, revelava-se infrutífero. Mas ninguém arredava pé. Em ajuda aos Bombeiros locais e regionais, muitos outros se lhe juntaram, oriundos de Barcelos, zona de Lisboa e do Porto, Vila Franca das Naves, Cinfães e de tantas outras e solidárias zonas. A Força Aérea entrou também em acção, assim como a CME espanhola e os seus meios aéreos e ainda os que vieram de Itália, fruto da activação do Mecanismo Europeu de Protecção Civil, que em boa hora foi feito pelo Governo português. No meio de todos os efeitos de mais este evento atmosférico, que talvez tenha tido a sua origem em mão criminosa, há que dizermos que tiveram de ser evacuadas diversas aldeias, sobretudo nos municípios de Tondela, Águeda e Oliveira de Frades, que foram cancelados várias iniciativas associativas, desportivas e culturais, como o Mercado Medieval de Cambra, o 10º Gym Festival internacional de Vouzela, e outras. Há, no entanto, a destacar as ondas de solidariedade que se vieram a manifestar, como a de uma Padaria de Águeda, que forneceu pão com chouriço em quantidades industriais, e aquelas que se dirigiram aos corpos de Bombeiros. Em resumo final, temos de confessar que nada, uma vez mais, pode ficar como antes. Isto de vermos as nossas terras ciclicamente a serem pasto de chamas destruidoras tem de acabar com novas e outras políticas de desenvolvimento e ordenamento florestal. O Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, que, por ironia do destino, viu este incêndio ter trágico início na sua terra, tem aqui mais um motivo de reflexão e uma pista para tomar difíceis e profundas decisões. Que assim venha a acontecer… In “ Notícias de Lafões”, Julho 2026

Um casal em luta por descendentes

A luta pela melhor das causas CR Clara Marques e Paulo Santos, um casal de Oliveira de Frades, a quem a vida não tem sido fácil, mantém a dedicação à sua nobre missão de conseguirem um filho(a) que lhes escapa, infelizmente, desde há 16 anos, tantos quantos levam de casados. Vendo que os abortos já lhes levaram quatro bebés, entre os quais dois gémeos, nunca pararam de realizar um de seus maiores sonhos: serem pais. Para este efeito, têm vindo a recorrer à medicina pública e privada, mas, neste último caso, os gastos são muito caros. De modo a angariarem as verbas necessárias, lançaram um projecto empresarial e artesanal com a produção de velas para venda. Foi isto que vieram mostrar no passado Festival do Frango do Campo/ Festas da Vila do seu concelho, Oliveira de Frades. Deste modo, expondo um problema muito pessoal e familiar, quiseram partilhá-lo com a comunidade, tentando fazer com que esta compreenda e aceite este género de questões que afecta tantos casais, que sofrem em silêncio, sem apoios nem possibilidade de partilhar preocupações e desabafos, sendo este testemunho público uma espécie de grito de alerta e socorro, um SOS, em suma. Em cerca de doze anos de tentativas de resolução daquilo que, em saúde, os tem vindo a marcar e a perturbar, desde os tempos em que viveram na Bélgica, cinco anos, e onde depararam com as primeiras e profundas tristezas, de então para cá tem sido um turbilhão de acontecimentos e insucessos que tem devastado as suas vidas. Quedas atrás de quedas, há uma coisa que nunca largaram de mão: a coragem, a perseverança, a determinação e a fé. A fé, com tudo quanto este estado de alma implica. Com o desejo de levar por diante a sua firme vontade e o seu sonho maior, criaram a “Clarus Artesanal”, pondo ao dispor de quem as quiser comprar as suas velas artísticas e perfumadas, online ou em casa, nesta vila, para onde regressaram há uns anos, quando a Clara decidiu regressar da Suíça para tratar do Pai, então com uma grave e fatal doença. Sob o lema “ Acender esperanças, eternizar memórias”, este casal, se pede apoio, quer retribuir com o fruto do seu trabalho. A Clara e o Paulo são um exemplo de vida, uma fonte de inspiração. Dizer sim a sua causa é mostrarmos que os nossos corações são generosos e abertos a auxiliar quem precisa, Este é um desses casos… Força e em frente… Carlos Rodrigues, in “ Notícias de Vouzela”, Agosto 2026

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Em Vouzela continuam as escavações arqueológicas...

Mais uma época de escavações em Vouzela CR Já é um bom costume no concelho de Vouzela procurarem-se, anualmente, vestígios arqueológicos no solo e subsolo dos seus montes e lugares cheios de segredos, que, desvendados, nos mostram melhor as nossas origens e até um passado remoto. Desta vez, é o Monte dos Castelo que está a proporcionar uma boa quantidade de descobertas. Logo a seguir, parte-se para o Castro de Paços de Vilharigues com a mesma intenção. Vários estudantes de arqueologia da Universidade Nova de Lisboa, com a alta responsabilidade da Professora Catarina Tente, encarregam-se desses trabalhos em duas equipas: uma, coordenada por João Veloso, outra, por Fabian Cuesta. A seu cargo, têm os alunos Joana Ribeiro, Madalena Betencout, Carolina Marques, Guilherme Pimenta, Guilherme Ribeiro, Gustavo Macedo, Inês Cascabudo, Margarida Matos, Rodrigo Quental e Francisco Leitão. Por parte do Município de Vouzela, são ainda apoiados por Daniel Melo e João Rocha. Se estas acções se integram no Projecto Mons, deve notar-se que toda esta busca das nossas raízes nasceu já há alguns anos (2016) e desde então tem vindo a continuar regularmente com uma paragem no tempo em virtude do Covid em 2020. Pelo meio, a catástrofe dos incêndios de 2017 veio trazer, apesar de todas as desgraças, um forte manancial de pontos de interesse arqueológico. Com tudo isto, o acervo de peças e testemunhos tem vindo a crescer exponencialmente. A juntar a tudo quanto já existe, disse-nos João Veloso que acabaram de ser descobertas muitas peças de cerâmica com incisões e desenhos numa das casas em análise, sendo que ainda a procissão vai no adro. Nas estruturas postas à vista de todos no dia aberto, 20 de Junho, pôde-se observar um portal, uma mó, umas instalações produtivas, ligadas ao vinho ou ao azeite, talvez do século XII ou perto dessa data, o que mostra a importância deste local, o Monte do Castelo. Povoado desde há milénios, esse factor continuou até há uns séculos, como se pode deduzir, por exemplo, das sepulturas em rocha que se vêem ao lado da escadaria que vai para o Santuário. Sabendo-se que um território vale por tudo aquilo que contém, estes trabalhos de nos mostrarem o passado remoto têm todo o interesse e valor documental. É que nem só de alcatrão se faz o nosso percurso humano. Isso seria muito pouco. Curiosamente, sem que nada fosse combinado, cruzámos com o Presidente da Câmara Municipal, Carlos Oliveira e sua equipa, que tinham ido ver também o que ali se estava a descobrir. Bom sinal…. Carlos Rodrigues, Notícias de Vouzela, Jun2026

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Um exemplo de sucesso: Virgílio Bento, da Guarda

Há poucos dias, fiquei extremamente sensiblizado com o testemunho de Virgílo Bento, nascido na Guarda, dado a Fátima Campos Ferreira. Estudou na Universidade de Aveiro, por ser aquela que lhe estava mais perto. Escolheu a área das electrotecnias, em licenciatura e doutoramento. Provou que o facto de ter vindo ao mundo numa cidade do interior dos interiores não é travão para nada. Depois de uma série de obstáculos que foi encontrando pela vida, logo a seguir a ter constituído uma empresa, hoje gere uma das grandes multinacionais do mundo, com sede nos EUA: a Sword Helth, obviamente na área da saúde, que está avaliada em cerca de 4 mil milhões de euros. Anotemos alguns dados da sua brilhante história. Seguiu aquela área científica a pensar no sofrimento de seu irmão, vítima de um terrível acidente. Lançou-se na constituição da tal empresa para salvar vidas. Bateu à porta de potenciais investidores em toda a Europa e nem um lhe abriu a porta. Fez o mesmo nos EUA e logo recebeu um sim. Avançou com essa parceria e hoje é um dos colossos mundiais, espalhando-se por vários mercados europeus e outros, servindo-se da inteligência artificial (IA). Ciente de que Virgílio Bento bebeu as águas desta zona de Portugal que une o mar à fronteira espanhola, passando pela nossa região de Lafões, os seus feitos aão para nós um enorme motivo de orgulho. Gosto muito de quem assim progride na vida. E de quem nos dá este tipo de exemplos. Ainda, pelo meio, pratica judo. E senta-se descalço na sede de sua emprasa sem qualquer preconceito. Boa lição nos deu. Obrigado, Virgílio Bento, que não conheço de lado nenhum, mas de quem fiquei grande admirador... Um abraço

terça-feira, 12 de maio de 2026

Obrigado, caros Peregrinos

Por estes dias, tendo as datas de 12 e 13 de Maio como apogeu, as estrada do País enchem-se de peregrinos rumo a Fátima,movidos pela fé e pela coragem em avançar sempre, por mais que o sofrimento os ataque e incomode. Nesta corajosa gente, há muitos lafonenses em peregrinação a quem envio e meu apoio e gratidão, tal como a todos os outros. Se cada pessoa carrega os seus problemas e devoções, por estes tempos, o mundo, todo ele, bem precisa de um apoio divino. Sacrifícios e dores são mais que muitos. Louvamos também as equipas de auxilio que se estabelecem em função de cada grupo e aquelas que se espalham pelas estradas para o devido tratamento e carinho. Bem haja a todos. Mesmo com a chuva impiedosa, o vosso ânimo é mais uma lição. Obrigado...

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Dr. Celso Cruzeiro, filho, aos comandos da crise académica de 1969

Celso Cruzeiro no centro da crise académica de Coimbra de 1969 CR – “Notícias de Vouzela, 2026” No dia 17 de Abril de 1969, a Universidade de Coimbra ficou virada do avesso. Tudo começou com a vinda do então Presidente Américo Tomás para a inauguração de uma nova infraestrutura, o edifício das Matemáticas. A Direcção da AAC tinha recebido um convite para estar presente e, depois de uma noite em claro por parte dos seus sete dirigentes, foi decidido participar. Nesse grupo, como seu elemento importante, estava Celso Cruzeiro, quintanista de direito, natural de Cajadães. Para pedir a palavra, com carta branca para a usar ou não, tinha ficado Alberto Martins, agora membro do Conselho de Estado. Sala cheia, esse momento simbólico que a AAC nunca mais esqueceu, carregou-se de suspense e emoção. A seu tempo, saiu fumo branco, o do “Peço a palavra”. Estava dado o pontapé de saída para uma série de acontecimentos que se iriam prolongar pelos tempos fora e até a saírem da própria cidade de Coimbra, como aconteceu na final da Taça de Portugal. Na vertente escolar, após uma sucessão de assembleias e reuniões, as faltas às aulas e aos exames tornaram-se o prato forte do dia a dia daquela Universidade, em ambiente de greve e luto académico. Em lugar cimeiro neste protesto de contestação esteve sempre Celso Cruzeiro, filho de um outro enorme advogado, o saudoso Dr. Celso Cruzeiro, residente em Lafões, ora em Cajadães, ora em S. Pedro do Sul. Logo no dia 17, face à turbulência que se gerou depois do “Peço a palavra”, coube-lhe liderar as “cerimónias inaugurais”, então a cargo dos estudantes, fazendo um dos inflamados discursos dessa data memorável. Falaram então o Presidente da AAC e o seu grande animador, Celso Cruzeiro, entre outros oradores. Desde essa altura, os seus nomes correram mundo. Se Alberto Martins foi logo preso nessa ocasião e libertado no dia seguinte, o caldo ficou literalmente entornado. Em maré de luta contra tudo e todos, desde a política estudantil à geral, veio também ao de cima a contestação à guerra colonial. Neste contexto, pode dizer-se que um dos “castigos” com que foram punidos os “agitadores” foi mesmo o envio para a vida militar de 49 estudantes, alguns encaminhados para as antigas colónias, cabendo a Celso Cruzeiro ir para a Guiné. Em jeito de brincadeira e algo jocoso, diz-nos este nosso conterrâneo que lhe saiu a sorte grande, porque pôde entrar na acção do MFA, integrando o grupo que, ali, organizava as operações. Estudante coimbrão em todas as dimensões, os cinco anos foram passados na república do “Palácio da Loucura”. Por esse facto, pertenceu ao Secretariado do Conselho das Repúblicas e à Comissão Pró-Eleição. Tornou-se responsável pelo jornal “ O Badalo”, colaborando ainda nas revistas “Vértice” e “Capa e Batina”. A exercer advocacia na cidade de Aveiro, tem aproveitado o tempo livre, que nunca é muito, para a escrita, sobretudo em obras alusivas a essa crise académica, divulgando-a também em iniciativas diversas. Sendo fortíssima a sua influência nesses momentos estudantis e sociais, aqui lhe dedicamos estas curtas linhas, com a gratidão lafonense que se impõe…