Frei do Gozo
terça-feira, 12 de maio de 2026
Obrigado, caros Peregrinos
Por estes dias, tendo as datas de 12 e 13 de Maio como apogeu, as estrada do País enchem-se de peregrinos rumo a Fátima,movidos pela fé e pela coragem em avançar sempre, por mais que o sofrimento os ataque e incomode. Nesta corajosa gente, há muitos lafonenses em peregrinação a quem envio e meu apoio e gratidão, tal como a todos os outros. Se cada pessoa carrega os seus problemas e devoções, por estes tempos, o mundo, todo ele, bem precisa de um apoio divino. Sacrifícios e dores são mais que muitos. Louvamos também as equipas de auxilio que se estabelecem em função de cada grupo e aquelas que se espalham pelas estradas para o devido tratamento e carinho. Bem haja a todos. Mesmo com a chuva impiedosa, o vosso ânimo é mais uma lição. Obrigado...
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Dr. Celso Cruzeiro, filho, aos comandos da crise académica de 1969
Celso Cruzeiro no centro da crise académica de Coimbra de 1969
CR – “Notícias de Vouzela, 2026”
No dia 17 de Abril de 1969, a Universidade de Coimbra ficou virada do avesso. Tudo começou com a vinda do então Presidente Américo Tomás para a inauguração de uma nova infraestrutura, o edifício das Matemáticas. A Direcção da AAC tinha recebido um convite para estar presente e, depois de uma noite em claro por parte dos seus sete dirigentes, foi decidido participar. Nesse grupo, como seu elemento importante, estava Celso Cruzeiro, quintanista de direito, natural de Cajadães.
Para pedir a palavra, com carta branca para a usar ou não, tinha ficado Alberto Martins, agora membro do Conselho de Estado. Sala cheia, esse momento simbólico que a AAC nunca mais esqueceu, carregou-se de suspense e emoção. A seu tempo, saiu fumo branco, o do “Peço a palavra”. Estava dado o pontapé de saída para uma série de acontecimentos que se iriam prolongar pelos tempos fora e até a saírem da própria cidade de Coimbra, como aconteceu na final da Taça de Portugal.
Na vertente escolar, após uma sucessão de assembleias e reuniões, as faltas às aulas e aos exames tornaram-se o prato forte do dia a dia daquela Universidade, em ambiente de greve e luto académico. Em lugar cimeiro neste protesto de contestação esteve sempre Celso Cruzeiro, filho de um outro enorme advogado, o saudoso Dr. Celso Cruzeiro, residente em Lafões, ora em Cajadães, ora em S. Pedro do Sul.
Logo no dia 17, face à turbulência que se gerou depois do “Peço a palavra”, coube-lhe liderar as “cerimónias inaugurais”, então a cargo dos estudantes, fazendo um dos inflamados discursos dessa data memorável. Falaram então o Presidente da AAC e o seu grande animador, Celso Cruzeiro, entre outros oradores. Desde essa altura, os seus nomes correram mundo.
Se Alberto Martins foi logo preso nessa ocasião e libertado no dia seguinte, o caldo ficou literalmente entornado. Em maré de luta contra tudo e todos, desde a política estudantil à geral, veio também ao de cima a contestação à guerra colonial. Neste contexto, pode dizer-se que um dos “castigos” com que foram punidos os “agitadores” foi mesmo o envio para a vida militar de 49 estudantes, alguns encaminhados para as antigas colónias, cabendo a Celso Cruzeiro ir para a Guiné.
Em jeito de brincadeira e algo jocoso, diz-nos este nosso conterrâneo que lhe saiu a sorte grande, porque pôde entrar na acção do MFA, integrando o grupo que, ali, organizava as operações.
Estudante coimbrão em todas as dimensões, os cinco anos foram passados na república do “Palácio da Loucura”. Por esse facto, pertenceu ao Secretariado do Conselho das Repúblicas e à Comissão Pró-Eleição. Tornou-se responsável pelo jornal “ O Badalo”, colaborando ainda nas revistas “Vértice” e “Capa e Batina”. A exercer advocacia na cidade de Aveiro, tem aproveitado o tempo livre, que nunca é muito, para a escrita, sobretudo em obras alusivas a essa crise académica, divulgando-a também em iniciativas diversas.
Sendo fortíssima a sua influência nesses momentos estudantis e sociais, aqui lhe dedicamos estas curtas linhas, com a gratidão lafonense que se impõe…
Bandas do concelho de Vouzela em actuação em Campia
Campia com uma tarde cheia de música
CR – Notícias de Vouzela, Abril, 2026
Numa iniciativa que teve em Eduardo Silva o seu grande timoneiro, a freguesia de Campia, no seu centro, recebeu, no passado dia 26, um Encontro das quatro bandas do concelho de Vouzela. Não sendo uma prática muito habitual, percebe-se, portanto, o bom êxito deste evento, que saiu em desfile desde a zona da Casa da Aldeia (Museu) até ao Largo das Festas de S. Miguel, onde decorreram os concertos individuais e uma peça conjunta entoada pelas centenas de executantes ali presentes. Abrilhantaram estes festejos as bandas da Sociedade Musical Cultura e Recreio de Paços de Vilharigues (1928), Filarmónica Verdi Cambrense (1883), a Sociedade Musical de Moçâmedes (1875) e a Sociedade Musical Vouzelense (1872), isto por ordem de entrada em cena, numa apresentação de Joana Raquel Santos Lopes.
Com uma larguíssima experiência de cada uma das Filarmónicas, como se nota pelas datas de suas origens, tudo contribuiu para um bom espectáculo e uma boa receita para as citadas Festas, a avaliar pelo bastante público que ali estava a assistir. Entre os presentes, vimos o Presidente da CM, Carlos Oliveira, os Vereadores Pedro Ribeiro e Inês Paiva, o Presidente da JF, Nuno Ribeiro, o Padre Cláudio Ferreira. Numa breve conversa com Nuno Ribeiro, ficámos ainda a saber que esta terra tinha assistido nesse mesmo dia a outros acontecimentos de nomeada, como a vinda de cerca 300 escuteiros a propósito de uma Concentração Nacional de Caminheiros e a passagem de três centenas de motards de Fataunços, que fizeram, como acrescentou Cristina Farias, uma refeição ligeira na Nossa Senhora Milagrosa. A juntar a tudo isto, também o Rancho Recordações de Campia comemorou o seu aniversário.
Com tanta proposta para escolher, cabe-nos aqui falar deste Encontro de Bandas que, até por ser de certa maneira inédito, atraiu então uma agradável mole humana, sobretudo com apoiantes de cada uma das referidas Filarmónicas.
Cremos que ninguém se arrependeu de ter vindo não só por ter apreciado a sua “favorita”, o que é facilmente explicável, mas também por ter podido ver e ouvir novas e outras experiências musicais, o que é sempre muito positivo.
No meio de tantos acordes, apareceu outro som muito especial vindo da voz do Presidente da JF, que nos falou na ampliação de melhoria daquele recinto para muito breve, sendo que as máquinas até já ouviram esta nossa conversa. Em Setembro, talvez já se possa ter o resultado final.
Numa boa conjugação de esforços e vontades, onde já se vê o novo Centro Paroquial, agora o espaço das Festas do Padroeiro S. Miguel vai ter cara lavada, fato novo e bem mais largo. Desta forma, música e outras boas notícias ali deram as mãos…
Canção a Moleirinha ganhou prémio de videoclip
Videoclip da Moleirinha ganhou prémio nacional
Carlos Rodrigues
Muito rodado em terras do concelho de S. Pedro do Sul, o videoclip que serviu de base para a apresentação da canção a Moleirinha, cantada pelos Karetus, Conan Osíris, Júlio Pereira, Isabel Silvestre e as Vozes da Manhouce, arrebatou o 1º Prémio Play Vodafone em espectáculo recentemente visto e ouvido na RTP.
Com o essencial da gravação feita em Manhouce, aproveitando a sua ruralidade, autenticidade cultural, a identidade, a beleza e também a tradição e já muitos traços de inovação, este foi o “chão” encontrado para caracterizar aquilo que se pretendia pôr em evidência pelos seus autores.
Analisando ponto por ponto e ao pormenor, tendo em conta os passos que conseguimos observar, o alto da serra, os objectos rurais como a peneira, as fragas, os trajes, o brilhante e muito ouro, os bailes, as rochas serranas, as eólicas como sinais dos novos tempos e da inovação, as vozes na natureza, a corrida pelas ruelas da aldeia, a viola à porta de casa, as sempre agradáveis Vozes de Manhouce, os Karetus, esse símbolo também maior da nossa cultura popular, os efeitos especiais com os penedos a rolar e a voar, eis os ingredientes necessários para o êxito desta gravação.
A sonoridade da canção também muito ajudou a que este sucesso fosse conseguido. Ou seja: a amálgama de motivos, a música em si, as vozes e os instrumentos puseram este rico comboio a andar nos carris certos e a estação de chegada foi a melhor que se poderia ter desejado e escolhido: o prémio em causa.
Que nos perdoem os restantes elementos, mas a nossa Isabel Silvestre, essa notável sampedrense, faz sempre a diferença. Para melhor, está visto.
Com tão boa matéria-prima, de altíssima qualidade, este Prémio Play Vodafone foi o corolário daquilo que temos para mostrar e do génio e mão criativa humana que o puseram de pé…
In “Notícias de Lafões”, 7 Maio 2026
sexta-feira, 10 de abril de 2026
Combustíveis, para subirem, saltos de cavalo, para descerem, pulinhos de pardal
Hoje, estamos a confrontar-nos com uma descida no preço dos combustíveis, porque o cessar-fogo anunciado para o conflito EUA/Irão assim o indicou. Com a queda do valor do Brent, é natural que isso se reflita nos valores a pagar pelos consumidores. À primeira vista, assim deveria acontecer. O certo é que os cortes foram curtinhos, na ordem dos 6 cêntimos por litro de gasóleo e 3.5 na gasolina. Acontece que, por exemplo, de 6 a 12 de Abril, os preços tinham subido 9 cêntimos no gasóleo e 4 na gasolina. Hoje, o barril de Brent andava à volta de 93/95 dólares e ainda há dias surfava perto dos 115/120. Confirma-se assim a razão de ser do nosso título: sobe-se à grande, desce-se devagarinho. Esta é a regra, infelizmente para nós, pagadores. Sem sermos peritos na análise deste tipo de dados e políticas, a evidência dos factos palpáveis leva-nos a estas grossseiras conclusões... A ver vamos o que vai acontecer nos próximos tempos....
quarta-feira, 8 de abril de 2026
Turismo em S. Pedro do Sul
Turismo em alta em S. Pedro do Sul uma vez mais
Carlos Rodrigues
Num concelho que respira turismo por todos os poros, desde o Rio Vouga e as suas Termas às serras carregadas de beleza e interesses sem fim, há sempre espaço para mais e mais propostas. Nestas linhas, é dessas novidades que vamos falar: num caso particular, o Candal, e noutro, uma abordagem mais genérica e holística espalhada por todo o concelho.
Vamos ao Candal: terra fortemente serrana e rural, decidiu o INATEL atribuir-lhe o galardão de “ Aldeia de Sonhos”. Quis assim esta Instituição pôr em destaque o seu modo de vida tradicional, a sua vertente de serrania, a preservação da identidade cultural e paisagística, como anotou a Junta da União de Freguesias de Carvalhais e Candal, mostrando-se muito lisonjeada com este “troféu”.
Se nos é permitido, evoquemos aqui e agora a importância que o Padre João Rodrigues teve na afirmação desta terra enquanto lá esteve em funções paroquiais. Tirando-a à sua “pequenez”, catapultou-a para outros voos que estão a ser continuados e com muito sucesso.
Voltando ao raciocínio anterior, há a assinalar que este prémio foi atribuído na última Gala do INATEL, realizada no Teatro da Trindade. Tem, deste modo, S. Pedro do Sul mais um produto turístico de excelência.
Passemos agora ao citado assunto mais geral: na recente BTL –Bolsa de Turismo de Lisboa -, o município sampedrense resolveu apresentar um novo projecto e visão turística para o concelho. Se ali as Termas foram, uma vez mais, rainhas e senhoras (ou não tivessem acolhido D. Amélia!), desta feita quis-se ir muito mais alto e mais além.
Falando-se muito no valor do silêncio e na imersão sonora, saltou para a ribalta uma nova proposta: “ Um destino que se escuta”. Com esta postura, pretende-se arranjar um seguro contraponto ao ruído das grandes urbes e áreas metropolitanas, convidando toda a gente a vir beneficiar deste atraente sossego.
Oferece-se assim uma harmonia e serenidade, bem características das Montanhas Mágicas. Foi esta apresentação feita no âmbito do stand da CIM Viseu Dão Lafões, na oportunidade que foi dada a cada uma das 14 autarquias para apresentarem os seus produtos.
Entre as várias ideias, sugere-se que se ouça o som icónico das águas termais e se aproveite o silêncio no fundo e no cimo das montanhas. Acrescenta-se que importa ainda dar atenção, por exemplo, ao Grupo de Cantares de Manhouce e outras associações culturais.
Com diversos operadores interessados em se associarem a este projecto, parece-nos que tem esta proposta pernas para andar. Juntando-a a tantas outras, esta visão integrada torna-se assim um novo produto turístico que muito vem valorizar o território de S. Pedro do Sul e de Lafões em geral. Ganhar-se-á, ainda, deste modo mais um destino turístico de excelência, este, em todo o Centro de Portugal.
In “ Notícias de Lafões”, 2026
Ormuz português e iraniano
Ormuz iraniano de hoje e ontem espaço português
CR
De repente, há terras e geografias que começam a invadir nossas casas e atenções e frequentemente pelos piores motivos. Acontece agora com Ormuz, lá para os lados do Irão, como consequência da guerra que por ali vem acontecendo a seguir à invasão dos EUA e de Israel. Como poderosa arma estratégica que aquele país tem ao dispor, por onde passa um quinto do petróleo mundial em rota para vários destinos do mundo, logo o Irão se serviu dessa arma, fechando o Estreito de Ormuz, como é conhecida aquela passagem.
Hoje o mundo chora esta perigosa decisão, que afecta uma boa parte dos povos de mundo. Já se sentem os seus efeitos com a escalada no preço dos combustíveis e nos bens essenciais. As nossas carteiras acusam essas situações.
Se hoje é de lágrimas e choro que nós vivemos, para nós, portugueses, as ruas e praças desta nossas terras, de 1507 a 1622, mais de cem anos, eram de profunda alegria e incontido orgulho porque Afonso de Albuquerque acabara de conquistar aquele ponto marítimo de uma incalculável, tal como actualidade, importância estratégica. Se de 1507 a 1515, as coisas estiveram tremidas, neste último ano tudo ficou em pratos limpos: Portugal tornara-se soberano daquele espaço, tirando-o ao domínio, pasme-se, do Irão de que hoje tanto se fala.
Sem petróleo para ali passar, já nesses tempos Ormuz era desejado por muitos países para negociarem a circulação das altas mercadorias de então, desde as especiarias às cerâmicas e muitos outros valiosos produtos. Portugal quis aquele posto de controle para esses efeitos em tributos e, muito especialmente, para que as mercadorias que transportava pudessem circular sem quaisquer obstáculos. Desejando um domínio total do Oceano Índico, o que foi conseguido passo a passo, fortaleza e fortaleza, aquele local estava na primeira linha desses projectos e objectivos, delineados em Lisboa e conquistados ou negociados além-mar.
Como rotas de ligação da Ásia à Europa, em que o mar era mais seguro e mais rápido que os percursos terrestres, sobretudo depois que, em 1498, o nosso Vasco da Gama descobriu o Caminho Marítimo para a Índia, para todas as forças europeias ali presentes cada palmo daqueles espaços era ouro. Por isso mesmo, a disputa por Ormuz, mesmo com Portugal e Espanha como um só reino, fez com que estes dois povos andassem anos a baterem-se pelo controle de Ormuz e outras paragens orientais.
Num século de ouro, vejam-se algumas praças conquistadas pelos portugueses: Ormuz, 1507-1622, Malaca, 1511, Goa, 1510, Macau, 1527, Nagasaqui, 1542/1543, e ainda Mascate e Timor, etc.
Hoje, Ormuz é uma dor. Ontem, era, para nós portugueses, um orgulho desmedido e um enorme ponto positivo pelo controle daquele mares e continente asiático. Sem vermos a História com os olhos de hoje, o que é um enorme erro de análise, nesses tempos Portugal dominava quase a seu bel-prazer meio mundo, à luz do Tratado de Tordesilhas. A outra parte pertencia a Espanha e Ormuz entrou nessas contas, lá longe. Hoje, só nos preocupa a falta do petróleo, em mais uma notória falta de estratégia na Europa como um todo…
Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, 2026
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