quarta-feira, 8 de abril de 2026

Turismo em S. Pedro do Sul

Turismo em alta em S. Pedro do Sul uma vez mais Carlos Rodrigues Num concelho que respira turismo por todos os poros, desde o Rio Vouga e as suas Termas às serras carregadas de beleza e interesses sem fim, há sempre espaço para mais e mais propostas. Nestas linhas, é dessas novidades que vamos falar: num caso particular, o Candal, e noutro, uma abordagem mais genérica e holística espalhada por todo o concelho. Vamos ao Candal: terra fortemente serrana e rural, decidiu o INATEL atribuir-lhe o galardão de “ Aldeia de Sonhos”. Quis assim esta Instituição pôr em destaque o seu modo de vida tradicional, a sua vertente de serrania, a preservação da identidade cultural e paisagística, como anotou a Junta da União de Freguesias de Carvalhais e Candal, mostrando-se muito lisonjeada com este “troféu”. Se nos é permitido, evoquemos aqui e agora a importância que o Padre João Rodrigues teve na afirmação desta terra enquanto lá esteve em funções paroquiais. Tirando-a à sua “pequenez”, catapultou-a para outros voos que estão a ser continuados e com muito sucesso. Voltando ao raciocínio anterior, há a assinalar que este prémio foi atribuído na última Gala do INATEL, realizada no Teatro da Trindade. Tem, deste modo, S. Pedro do Sul mais um produto turístico de excelência. Passemos agora ao citado assunto mais geral: na recente BTL –Bolsa de Turismo de Lisboa -, o município sampedrense resolveu apresentar um novo projecto e visão turística para o concelho. Se ali as Termas foram, uma vez mais, rainhas e senhoras (ou não tivessem acolhido D. Amélia!), desta feita quis-se ir muito mais alto e mais além. Falando-se muito no valor do silêncio e na imersão sonora, saltou para a ribalta uma nova proposta: “ Um destino que se escuta”. Com esta postura, pretende-se arranjar um seguro contraponto ao ruído das grandes urbes e áreas metropolitanas, convidando toda a gente a vir beneficiar deste atraente sossego. Oferece-se assim uma harmonia e serenidade, bem características das Montanhas Mágicas. Foi esta apresentação feita no âmbito do stand da CIM Viseu Dão Lafões, na oportunidade que foi dada a cada uma das 14 autarquias para apresentarem os seus produtos. Entre as várias ideias, sugere-se que se ouça o som icónico das águas termais e se aproveite o silêncio no fundo e no cimo das montanhas. Acrescenta-se que importa ainda dar atenção, por exemplo, ao Grupo de Cantares de Manhouce e outras associações culturais. Com diversos operadores interessados em se associarem a este projecto, parece-nos que tem esta proposta pernas para andar. Juntando-a a tantas outras, esta visão integrada torna-se assim um novo produto turístico que muito vem valorizar o território de S. Pedro do Sul e de Lafões em geral. Ganhar-se-á, ainda, deste modo mais um destino turístico de excelência, este, em todo o Centro de Portugal. In “ Notícias de Lafões”, 2026

Ormuz português e iraniano

Ormuz iraniano de hoje e ontem espaço português CR De repente, há terras e geografias que começam a invadir nossas casas e atenções e frequentemente pelos piores motivos. Acontece agora com Ormuz, lá para os lados do Irão, como consequência da guerra que por ali vem acontecendo a seguir à invasão dos EUA e de Israel. Como poderosa arma estratégica que aquele país tem ao dispor, por onde passa um quinto do petróleo mundial em rota para vários destinos do mundo, logo o Irão se serviu dessa arma, fechando o Estreito de Ormuz, como é conhecida aquela passagem. Hoje o mundo chora esta perigosa decisão, que afecta uma boa parte dos povos de mundo. Já se sentem os seus efeitos com a escalada no preço dos combustíveis e nos bens essenciais. As nossas carteiras acusam essas situações. Se hoje é de lágrimas e choro que nós vivemos, para nós, portugueses, as ruas e praças desta nossas terras, de 1507 a 1622, mais de cem anos, eram de profunda alegria e incontido orgulho porque Afonso de Albuquerque acabara de conquistar aquele ponto marítimo de uma incalculável, tal como actualidade, importância estratégica. Se de 1507 a 1515, as coisas estiveram tremidas, neste último ano tudo ficou em pratos limpos: Portugal tornara-se soberano daquele espaço, tirando-o ao domínio, pasme-se, do Irão de que hoje tanto se fala. Sem petróleo para ali passar, já nesses tempos Ormuz era desejado por muitos países para negociarem a circulação das altas mercadorias de então, desde as especiarias às cerâmicas e muitos outros valiosos produtos. Portugal quis aquele posto de controle para esses efeitos em tributos e, muito especialmente, para que as mercadorias que transportava pudessem circular sem quaisquer obstáculos. Desejando um domínio total do Oceano Índico, o que foi conseguido passo a passo, fortaleza e fortaleza, aquele local estava na primeira linha desses projectos e objectivos, delineados em Lisboa e conquistados ou negociados além-mar. Como rotas de ligação da Ásia à Europa, em que o mar era mais seguro e mais rápido que os percursos terrestres, sobretudo depois que, em 1498, o nosso Vasco da Gama descobriu o Caminho Marítimo para a Índia, para todas as forças europeias ali presentes cada palmo daqueles espaços era ouro. Por isso mesmo, a disputa por Ormuz, mesmo com Portugal e Espanha como um só reino, fez com que estes dois povos andassem anos a baterem-se pelo controle de Ormuz e outras paragens orientais. Num século de ouro, vejam-se algumas praças conquistadas pelos portugueses: Ormuz, 1507-1622, Malaca, 1511, Goa, 1510, Macau, 1527, Nagasaqui, 1542/1543, e ainda Mascate e Timor, etc. Hoje, Ormuz é uma dor. Ontem, era, para nós portugueses, um orgulho desmedido e um enorme ponto positivo pelo controle daquele mares e continente asiático. Sem vermos a História com os olhos de hoje, o que é um enorme erro de análise, nesses tempos Portugal dominava quase a seu bel-prazer meio mundo, à luz do Tratado de Tordesilhas. A outra parte pertencia a Espanha e Ormuz entrou nessas contas, lá longe. Hoje, só nos preocupa a falta do petróleo, em mais uma notória falta de estratégia na Europa como um todo… Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, 2026

Páscoa em Lafões

Páscoa em recordações por aqui CR São muitas e múltiplas as marcas pascais por estas nossas terras, sempre a recordarem-nos tempos idos carregados de memórias. Recordamos os sapatos novos, talvez até a fatiota a vestir pela primeira vez, tudo guardado religiosamente para o Domingo de Páscoa. Nem um dia a mais, nem um dia a menos. Evocamos as carradas de amêndoas que comíamos, a ementa festiva, as idas de casa em casa, acompanhando a Visita Pascal, que em muitos locais se chama o Compasso. Lembramo-nos de, em Queirã, ouvirmos os foguetes e os cânticos nas mudanças de aldeia em aldeia. Temos tudo isto na memória, sabendo, porém, que hoje tudo é diferente. Quase não há sacerdotes a trazerem a bênção. Esta agora está confiada aos leigos. Falar da Páscoa é ainda trazer à memória muitas outras lembranças, como as ruas de cada terra cheias de abraços a quem vem visitar as suas famílias e amigos por esta altura, é também trazer ao de cima duas iguarias de grande valor, os folares de Vouzela e de Alcofra, as chaminés das cozinhas a espalharem cheiros que avivam sabores de outrora que nunca se perdem, é também olhar para os caminhos e vê-los mais limpos e arranjados e respirar os odores das casas lavadas. Sinais de outros tempos, hoje quase não são mais que evocações de outrora que permanecem connosco, as gerações mais antigas. São desses tempos as ricas visitas pascais (ou compasso), que levavam a bênção do Senhor de casa em casa, com o Sacerdote no comando destes rituais, em que se davam prendas como ovos e outros produtos, incluindo milho, e amêndoas para a as crianças que acompanhavam com a campainha o cortejo sagrado, sem esquecer já algumas verbas em envelopes. Na mesa, cheia de iguarias doces e umas bebidas espirituosas, uma laranja tinha nela metida uma qualquer moeda. Em cada moradia, alinhadas na sala principal, as famílias beijavam a Cruz, o mesmo fazendo os amigos que se associavam a esta festa. Se no Natal, por razões de meteorologia, é o borralho que impera, na Páscoa são as ruas e as praças que se tornam o palco por excelência destes convívios familiares. Importa ainda dizer-se que o povo, por tradição, acabara de viver uma série de restrições quaresmais, como a na não existência de bailes e outras manifestações de alegria mais expansiva. Qual garrafa de champanhe, por estes dias a festança brota em grande e espalha-se por todo o lado. Sendo as celebrações da Semana Santa, momentos muito especiais, como as Endoenças em Campia e as majestosas procissões da Quinta e Sexta -Feira Santas por todo o lado e muito especialmente em Vouzela, há que relembrar também as Encomendações e as Amentações das Almas, práticas com séculos de história e que, na actualidade, as Associações e as Autarquias têm o cuidado de preservar e divulgar. Mais na vertente popular, as festas dos compadres e das comadres e os folares dados aos afilhados fazem parte de todos estes cerimoniais. Memórias para uns, novidades para outros, na Páscoa a cultura popular reaparece em que cada ano que passa. E ainda bem… Carlos Rodrigues/Andreia Mota, in “Notícias de Vouzela”, 8 Abril 2026

Arte religiosa em Lafões

Arte e questões religiosas menos conhecidas CR Há uma boa série de publicações que nos mostram a vida religiosa e da sua arte em grande profusão. Fala-se muito nas imagens mais conhecidas e nos estilos arquitectónicos ou mesmo nas datas da construção e informações afins. Mas muita coisa está ainda por se saber. É disso e muito pela rama que hoje vamos falar quanto à nossa região de Lafões. Damos o ponto de partida com um local muito especial e cheio de significado e simbolismo que nos toca a todos. É o caso da Capela Mortuária de Oliveira de Frades, em que se vê uma arte simbólica que, pegando nos ensinamentos da Igreja, nos remete, de imediato, para problemas dos nossos tempos duma dura actualidade. Agarrando-se no Capítulo XXV do Evangelho de S. Mateus, como nos esclareceu o Padre Manuel Fernandes, pároco local, na doutrina do Juízo Final, e no seguimento da parte em que se anuncia” Vinde benditos de meu Pai para o reino que vos está preparado”, acrescenta-se, porque “destes de comer a quem tinha fome”, “de beber a quem tinha sede” e assim por aí adiante. Perguntava-se “ quando fizemos isso, meu Deus”? “ Sempre que fizestes isto a um irmão, a mim o fizestes… “. Uma a uma, citavam-se as Obras de Misericórdia. Nesta lógica e conformidade, há pelas paredes espalhados um vasto leque de painéis em arte moderna que aludem a situações que nos devem preocupar todos os dias e a cada hora. Refere-se a fome, o álcool, a droga, os cataclismos, os incêndios, os desastres, o abandono, a violência, a guerra e outras questões deveras chocantes mas pertinentes e fortemente invasivas. Doem mesmo e muito. Questionam-nos e interpelam-nos. Conclui-se quanto ao que tenhamos feito de positivo: “ Todas as vezes que fizestes isto aos meus irmãos, a Mim o fizestes”. Numa linguagem moderna, é esta a mensagem que ali se expressa. Dando agora um salto até ao Monte e a Nossa Senhora do Castelo, se muito se tem falado destes dois temas, pouco gente sabe que aquela Capela, Santuário Mariano, se ficou a dever a Vasco de Almeida, que, em virtude de um desgosto de amor, ali se refugiou em meados do século XV, vivendo numa rudimentar habitação (ele que usufruíra de todas a regalias e mordomias na Quinta da Cavalaria), mandando edificar uma pequena ermida, onde hoje existe o citado Santuário. Morreu a 10 de Fevereiro de 1510. Agora, falemos de Campia e da Virgem Milagrosa. A sua imponência física, 15 metros, condiz com a grandeza mística do milagre a que se dedicou: a cura de uma jovem, depois de todos os cuidados médicos, e a tenacidade de seus Pais, que se lembraram de tudo para a salvar. Um dos últimos passos foi o da oração e do pedido feito à Virgem Milagrosa para obterem a o seu salvamento. Como uma espécie de “ex-voto”, aquele monumento atesta a sua gratidão e eterno reconhecimento. A terminarmos, uma curiosidade: na velha Igreja de S. Miguel do Mato, outrora em ruínas e hoje restaurada, a sua torre ostentou durante décadas um pinheiro vivo e são, que nem os ventos conseguiram derrubar… Agora, desapareceu para sempre mas por uma boa causa. Carlos Rodrigues, in “ Notícias de Vouzela”

Casa da Académica em Tertúlia

Tertúlia da CAL com casa cheia CR Desta vez coube a Oliveira de Frades realizar e acolher mais uma Tertúlia da Casa da Académica em Lafões. Em parceria com a ACROF, vizinhas de sede, este evento teve lugar no refeitório da antiga Escola Comendador Manuel Fernandes Gomes. Ao cair da noite, por volta das 19.30 h, começaram a chegar os vários participantes. Num ápice, a sala encheu-se com lotação esgotada. Foi então o momento de a Presidente das duas Associações, Clara Vieira, dar “ordem” de partida para a sessão cultural e gastronómica que se iria seguir. Com os olhos nos pratos e os ouvidos atentos à boa música que era tocada pelo Grupo Tons de Fado, desta região lafonense, cremos que ninguém se arrependeu da decisão tomada, incluindo a malta que veio de Coimbra de propósito para assistir a esta iniciativa. Com uma ementa à base de frango, em oferta das Juntas da União de Freguesias de Destriz e Reigoso e de S. Vicente de Lafões, a variedade conseguida pela Escola Profissional de Vouzela fez jus àquilo que lhe fora solicitado. Confeccionada de uma forma diversificada, na mesa apresentaram-se diversos sabores e as sobremesas, a gosto de cada um, foram também uma boa forma de se terminar a fase do repasto. Se “ há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”, mote deste encontro, à música todos disseram um sonoro sim (porque sendo uma surpresa, pois que foi muito para além do Fado de Coimbra, e trouxe ali uma boa dose de canções de muito bom nível na voz de Liliana Matos, que a todos encantou na hora da chegada, pelo meio, e na despedida. No acompanhamento muito a condizer, estiveram Rui Tavares na bateria, José Carlos no baixo e Jorge Duarte no piano e na guitarra. Para melhor enriquecer esta componente cultural, Sara Pereira declamou um bem recheado leque de poesias, o seu reino por excelência. Tendo esta CAL uma vertente regional, para o ano há mais, mas num outro concelho. Adivinha-se que a qualidade, tal como aqui, não vai faltar… Carlos Rodrigues, in “ Notícias de Vouzela”, 2026

Arquitecta com família de Oliveira de Frades vence prémio da UE

Arquitecta com raízes nesta terra vence prémio da UE Com 31 anos, a Arquitecta Filipa Farreca Sequeira, natural de Viseu e residente em Turim – Itália, foi distinguida com um prémio atribuído pela União Europeia em função do relevante papel que tem tido na área em que se especializou. Com a sua actividade a desenrolar-se essencialmente em território italiano mas com uma dimensão transnacional, foram estes requisitos que estiveram na base desta distinção. Tendo como suporte essencial a recuperação de património arquitectónico e aplicação de técnicas construtivas artesanais, a proposta apresentada a concurso e que o venceu teve como lugar de trabalho Banca del Fare/Comune de Castelleto Uzzone. Está esta iniciativa integrada num departamento da Fundazione Matrice ETS. Nesta primeira edição, apareceram 315 candidaturas oriundas de 26 países da EU, com o alto apoio do Parlamento Europeu para projectos inclusivos, sustentáveis e belos. São seus pais, Ana Maria de Almeida Farreca, técnica superior na Universidade Católica, polo de Viseu, e Carlos Sequeira, professor de Educação Física. Pelo lado materno, as suas raízes estão ligadas a Oliveira de Frades. Em contacto com a Filipa, tivemos acesso a mais uma série de dados que nos permitem melhor compreendermos e integrarmos o alcance desta vitória e o caminho percorrido para ali se chegar. Comecemos então por uma curta viagem pelo seu currículo: com a licenciatura e o mestrado feitos na Universidade do Minho, em 2018 parte para a aventura Erasmus na Itália, colaborando deste essa altura com as actividades em curso na Banca del Fare. Um ano depois, insere-se na equipa do Atelier Studio Ellisse Architetti. Em 2021, torna-se responsável pela programação dos wokshops de verão da respectiva entidade. Com a sua paixão e interesse pelos materiais naturais e saberes artesanais, é nestas áreas que faz assentar todo o seu trabalho, dando corpo, por exemplo, entre outras tarefas, a várias reuniões com artesãos e estudantes com base em modelos de estaleiros-escola. São estes alguns pormenores da carreira desta nossa conterrânea que aqui quisemos expor e destacar. Fazemo-lo com gosto, porque estes sucessos também marcam as nossas terras e as fazem conhecer por esse mundo fora… E ainda bem. Carlos Rodrigues, in “Noticias de Vouzela”, Março 2026

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Do entremês ao teatro em Paços de Vilharigues

Teatro em Paços de Vilharigues, da tradição à inovação CR A Sociedade Musical Cultural e Recreativa de Paços de Vilharigues, que tem na música a sua génese matricial desde1928, enveredou a certa altura por outras modalidades de que o teatro se destaca. Cultivou ainda o atletismo e com bastante sucesso. Hoje, porém, é daquela arte do palco que vamos falar. Estão na memória de muitos os célebres e populares entremeses, uma manifestação artística com uma grande raiz popular. Hoje, porém, avançou-se um pouco para algo mais moderno, mas com o povo sempre pelo meio. Numa busca pelas actuações das últimas seis décadas ou perto disso, caímos nos anos setenta do século e milénio passados. Em Outubro de 1970, assinalava este jornal que se verificou um “ Verdadeiro êxito no entremês de Paços de Vilharigues” na noite de 25 de Setembro. Num cuidado arranjo de cena e na maior enchente de todos os tempos, pôs-se em evidência a incansável competência do saudoso Dr. José Lino Pereira, que tanto deu, em cultura, a esta sua terra. De ressurreição em ressurreição, em 1978 voltava à cena mais uma edição, após 8 anos de inactividade, ensaiando-se duas peças com a mão de mestre de Afonso Bica e a presença dos veteranos Maria Luísa, Antenor, Custódio e Orlando e os novatos Ze. Emília, Telmo e Fernando. Nas marchas dançaram Clara, Anitas, Alzira, Zé e Celeste, sob a batuta de Diamantino Marques, evocando-se o Dr. Zé Lino e Amadeu Rodrigues Costa. Note-se que, neste ano, este espectáculo se inseriu nas Festas de Santa Marinha. Mais tarde, em 1986, renasce esta modalidade cultural que passa por dois altos momentos: apresentações na sua sede e uma brilhante deslocação a Lisboa para uma actuação no âmbito das comemorações dos 75 anos da Casa de Lafões, o que aconteceu no Teatro da Trindade em 8 de Novembro, numa parceria com a Banda de Música de Oliveira de Frades, sendo que a SMCR de Paços de Vilharigues partilhou esse mesmo palco com o Grupo do Entremês da ARCUSPOF – Sobreira. Nessa ocasião mostrou-se a peça “ Duas Gatas” e levou-se ali uma desfolhada típica, com milho-rei e uma boa pinga. Homenageando-se sempre o Dr. Zé Lino, que fez grande parte de sua vida naquela cidade, dançou-se e cantou-se uma sua canção ligada, curiosamente, a esta mesma tradição do milho. Se tudo isto faz parte de um passado inesquecível, por esta altura, fruto do trabalho e entusiasmo de Paula Marques, que está a adoptar estas aldeias como suas terras, depois de muito se ter dedicado à vida citadina da capital como Vereadora da Câmara Municipal de Lisboa e assoactivista, agora está na hora de se encarar o futuro com uma esperança renovada. É mais um passo em frente. Nesta nova fase, têm-se vivido novas formas de encarar estas artes, com um projecto que se iniciou com a peça “ Onde é que eu já ouvi isto?”, em resposta a uma solicitação da Direcção da SMCR de Paços de Vilharigues e que tem como âncora a ideia de memória, a tradição oral, as experiências e histórias locais e as vivências de cada geração. Por esta altura do Natal, entrou em cena uma leitura encenada de textos de João Pina Morais e António Torrado, em que intervieram, com a coordenação de Paula Marques, Andreia Lima, Carla Bica, Elisa Rebelo, Fátima Vasconcelos, Fátima Rodrigues, Isabel Rocha, Luana Quelhas, Manuela Simões, Marta Ferreira de Sá, Paula Martins, Susana Ramos, Yara Capela, Dinis Ramos e Melissa Quelhas. Notas biográficas – Paula Marques é licenciada em Teatro e pós-graduada em várias áreas. Foi vereadora da Câmara Municipal de Lisboa durante três mandatos, os dois primeiros com pelouros e o último, 2021/2025 sem quaisquer funções atribuídas. É técnica especialista naquela autarquia. Tem sido comentadora da TSF e articulista em vários jornais. Com participações em cinema, passou ainda pela ficção nacional e por outras intervenções culturais. Cidadã activa, neste momento é Professora de Teatro na Universidade Sénior de Vouzela. Entretanto, dedica-se a ressuscitar, como vimos, a secção de Teatro da SMCR de Paços de Vilharigues. Que tenha muitos sucessos são os nossos votos… Carlos Rodrigues, Notícias de Vouzela, Dezembro, 2025