quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Ameaça da não entrega de jornais

Sem jornais, Interior mais pobre Carlos Rodrigues Aqui há uns curtos tempos, fomos tristemente surpreendidos com uma notícia ou intenção que apontava para o fim da distribuição de jornais e outras publicações em oito distritos, numa ameaça que nos chegava da empresa incumbida desse mesmo serviço. Duma só rajada matava-se uma fonte de informação e leitura numa grande faixa do nosso território nacional, aquela que vai de Bragança a Beja, incluindo o distrito de Viseu. De imediato nos insurgimos nas redes sociais e hoje aqui manifestamos, mais uma vez, o nosso veemente protesto e firme descontentamento. Vivendo entre a comunicação social regional e local, que, por norma, não usa esses equipamentos, mas sim os CTT, sabemos, no entanto, a necessidade determinante que os meios de comunicação, para chegarem, aos diversos centros, têm nessas formas de transporte. Sem estes, as notícias ficam-se apenas pelo litoral e isso é mais uma perigosa e chocante diferenciação do nosso espaço nacional. Num tempo em que grassam por todo o lado as falsas informações, espalhando-se em manchas de óleo negro em tudo quanto é sítio e em todos os sectores etários, impedir a distribuição de jornais e revistas pelos quiosques, papelarias e mesmo cafés e afins é dar uma forte contribuição à iliteracia e à letal desinformação. Tendo a noção de que aquelas funções são prestadas por uma empresa privada, não obstante isso, o Estado tem o dever de intervir ou arranjar alternativas que ponham a andar sempre pelas estradas, todas elas, do nosso Interior, os meios de comunicação social, dia a dia, sem pestanejar. Vemos com agrado que, qual bola de neve, municípios e outras entidades têm vindo a terreno reclamar o fim dessa lamentável ideia. Batemos palmas a essas reivindicações, mas queremos é que tenham sucesso e que não parem enquanto essas ameaças estejam no ar. Depois, o Governo não pode deixar de ouvir essas posições. Nem por sombras. Antes dos jornais, já se perderam as caixas multibanco, os serviços de saúde, as escolas, várias repartições públicas e privadas, já morreram aldeias, já fugiram imensas pessoas, já a desertificação e o despovoamento se impuseram por estas bandas. Em poucos anos e décadas, quase tudo nos fugiu. Teimosamente, aqui estamos nós, mas um dia também iremos desaparecer. E quando isso acontecer, os jornais e as revistas escusam de vir para aqui. Os ratos e as cobras não sabem ler. Nem saberão nunca, cremos nós. Nascemos e crescemos com o silvo dos comboios a meio da cada manhã a anunciar, a sua chegada. Entre passageiros e cargas, lá vinham os tão desejados jornais. Era assim apreciado como o comboio-correio. Agora, sem comboios, haja um outro deus que nos valha. Mas sem jornais e revistas é que não podemos ficar… Carlos Rodrigues, Notícias de Lafões, Dezembro 2025

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