Se a tradição ainda se mantém, a de S.Martinho, com o Verão a tremer, parece estar a chegar à educação. Agitada nos últimos tempos, a ferver em muitos momentos e a escaldar na actualidade, esta área social, de importância vital para o nosso futuro, tende, se as previsões não falharem, para uma certa normalidade. Por enquanto, é em cima de arame que se vive, razão que nos leva a desconfiar de tudo e de todos, que a Ministra é mais teimosa que uma barra de aço e os agentes educativos, escaldados, de água fria têm medo.
Com o ainda latente braço de ferro entre o poder e os sindicatos, nada é seguro. Mas manda a verdade e exige o bom senso que se páre para pensar, se atirem culpas para o caixote do lixo, se volte a (re)adquirir a confiança e se parta para o entusiasmo que este campo tanto deve suscitar. A ganhar com toda essa nova postura ficarão, de certeza, os alunos. Eles, mais do que toda a outra gente, são quem mais merece o sossego e a entrega total ao acto de educar, que não se compadece com a trapalhada burocrática que aos professores estava a ser reclamada.
Se está na hora de muita outra coisa, não se pode perder mais tempo com uma "guerra" que está a deixar no atoleiro dos destroços um negro e duro espólio, que muito dificilmente se virá a reconverter naquilo que mais se precisa: paz e serenidade, frescura e uma nova acção. Mas ainda é tempo de recuperar caminho e de buscar as melhores soluções.
Nisto, como em tudo, nada está perdido, que o natal é sempre quando o homem quiser. Então se se falar de amizade e de amor, de que a educação tanto espera, muito mais esta regra se aplica.
Trabalhe-se nesse sentido, que o mundo e Portugal muito agradecem.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Um país, dois sistemas
Ressalvada qualquer abusiva comparação com a longínqua China, este meu país anda sempre a fazer discriminações e a gerar disparidades, absolutamente desnecessárias e até provocatórias, criando dois sistemas para as mesmas questões. Desta feita e de uma só penada de mau gosto e de mau feitio, atirou-se, uma vez mais, aos seus aposentados e aos desgraçados que entrarem na função pública em 2009. Condenando-os a pagar 14 meses de descontos, contra os doze vigentes na generalidade dos casos, mostra este governo uma especial veia para colher tempestades.
Parece que não vale a pena vir a protestar, porque a regra é esta: quanto mais razão se puser em cima da mesa, mais teimosia se gera. Mas é triste e inqualificável, mesmo no panorama das igualdades cívicas e sociais, que se deveriam defender com unhas e dentes, este tratamento. Com esta atitude, lesam-se uns e deixam-se outros de lado, quando é nestes últimos que está todo o verdadeiro caminho - aquele que implica uma prática de gerações e que agora se põe em causa.
Se não é ir longe demais, apela-se ao Presidente da República, ao Provedor da Justiça, ao Tribunal Constitucional, aos Deputados, à Comunicação Social, às forças vivas em geral, ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e do Cidadão no sentido de se não deixar avançar este atropelo à dignidade de quem se vê afectado desta forma e deste jeito sem graça nenhuma.
Em último caso, saia-se para a rua em marcha de protesto e de viva contestação.
Ficar assim é dizer que quem se não sente não é filho de boa gente. E este pessoal, que está a ver irem-lhe aos bolsos, é malta de primeira, igualzinha a toda a outra gente.
Parece que não vale a pena vir a protestar, porque a regra é esta: quanto mais razão se puser em cima da mesa, mais teimosia se gera. Mas é triste e inqualificável, mesmo no panorama das igualdades cívicas e sociais, que se deveriam defender com unhas e dentes, este tratamento. Com esta atitude, lesam-se uns e deixam-se outros de lado, quando é nestes últimos que está todo o verdadeiro caminho - aquele que implica uma prática de gerações e que agora se põe em causa.
Se não é ir longe demais, apela-se ao Presidente da República, ao Provedor da Justiça, ao Tribunal Constitucional, aos Deputados, à Comunicação Social, às forças vivas em geral, ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e do Cidadão no sentido de se não deixar avançar este atropelo à dignidade de quem se vê afectado desta forma e deste jeito sem graça nenhuma.
Em último caso, saia-se para a rua em marcha de protesto e de viva contestação.
Ficar assim é dizer que quem se não sente não é filho de boa gente. E este pessoal, que está a ver irem-lhe aos bolsos, é malta de primeira, igualzinha a toda a outra gente.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Esquecimento ou propósito assumido?
Ao ler o costumado jornal de há mais de trinta anos, que tem nome de um conhecido comboio, ficámos um tanto espantados com o facto de não termos visto dado o destaque devido à eleição de Barack Obama, como presidente dos Estados Unidos da América.
Atirando-o para o interior, parece-nos que tal tratamento noticioso e comunicativo não é o mais correcto. Mesmo que se queira dizer que o que se passa no nosso quintal é muito mais importante que o que nos chega de todo o mundo, este argumento não colhe, porque este órgão de comunicação social é grande demais para pensamento tão curto. Não foi essa a razão, de certeza.
Pena temos é de não sermos capazes de descobrir a verdadeira causa: esquecimento, propósito assumido, fuga para o lado, tudo nos parece um tanto "desconchavado".
Passar-nos-ia isto despercebido, não fora a nossa admiração, respeito e fidelidade que temos tributado a esse jornal. Desta vez, desiludiu-nos bastante, mas talvez haja algo de insondável, que a nossa pequenez não consegue atingir.
Que achamos mal esta omissão, essa é a verdade.
Mas ... pouco mais temos a dizer.
Fale, se quiser, quem de direito.
Atirando-o para o interior, parece-nos que tal tratamento noticioso e comunicativo não é o mais correcto. Mesmo que se queira dizer que o que se passa no nosso quintal é muito mais importante que o que nos chega de todo o mundo, este argumento não colhe, porque este órgão de comunicação social é grande demais para pensamento tão curto. Não foi essa a razão, de certeza.
Pena temos é de não sermos capazes de descobrir a verdadeira causa: esquecimento, propósito assumido, fuga para o lado, tudo nos parece um tanto "desconchavado".
Passar-nos-ia isto despercebido, não fora a nossa admiração, respeito e fidelidade que temos tributado a esse jornal. Desta vez, desiludiu-nos bastante, mas talvez haja algo de insondável, que a nossa pequenez não consegue atingir.
Que achamos mal esta omissão, essa é a verdade.
Mas ... pouco mais temos a dizer.
Fale, se quiser, quem de direito.
sábado, 8 de novembro de 2008
Orçamento na mesa, professores na rua
Com a Assembleia Regional da Madeira de portas encerradas, numa espécie de legislação faz de conta, por ter havido cobras e lagartos e se arrogarem o direito de enterrar leis gerais, a nível nacional tudo funciona: os deputados votaram o Orçamento para 2009, uns sozinhos, outros de cara à banda. De qualquer maneira, com maioria curta, já temos, no papel, a Lei. Falta o dinheiro, mas isso pouco importa, porque ele há-de aparecer, tal como aconteceu com o BPN que, de falido, passou para as mãos do Estado e os milhões surgirão na altura própria, nem que seja do bolso dos contribuintes.
Sem ligar a tudo isto, os professores ameaçam apresentar uma enorme fotocópia do passado oito de Março, levando à rua - e pelos mesmos motivos - uma avalanche de docentes, de modo a inundar a Baixa lisboeta. Espera-se que assim aconteça, se o tempo não pregar uma das suas partidas.
Com os militares em protesto mais ou menos silencioso, estes agentes activos da educação não vão pelo mesmo caminho: gritar e cantar são as suas armas. Serão ouvidos? Duvidamos.
Com papéis a mais e pedagogia a menos, é da burocracia que se queixam.
Com Orçamento aprovado e maquia a menos, é de crise que todos se lamentam.
Com berros e insultos na Madeira, é de falta de bom senso que se deve falar.
Hoje é sábado. Por isso vamos descansar um pouco e esperar que estas feridas venham a sarar, que a dor que causam bem nos preocupa.
Sem ligar a tudo isto, os professores ameaçam apresentar uma enorme fotocópia do passado oito de Março, levando à rua - e pelos mesmos motivos - uma avalanche de docentes, de modo a inundar a Baixa lisboeta. Espera-se que assim aconteça, se o tempo não pregar uma das suas partidas.
Com os militares em protesto mais ou menos silencioso, estes agentes activos da educação não vão pelo mesmo caminho: gritar e cantar são as suas armas. Serão ouvidos? Duvidamos.
Com papéis a mais e pedagogia a menos, é da burocracia que se queixam.
Com Orçamento aprovado e maquia a menos, é de crise que todos se lamentam.
Com berros e insultos na Madeira, é de falta de bom senso que se deve falar.
Hoje é sábado. Por isso vamos descansar um pouco e esperar que estas feridas venham a sarar, que a dor que causam bem nos preocupa.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
" Admirável mundo novo"
Depois de ontem, o mundo entrou numa nova e esperada era. A eleição emotiva de Barack Obama, como presidente dos EUA, trouxe - é isso que desejamos - aquela aragem renovada que os cidadãos daquele país e do mundo, em geral, há tanto ansiavam.
Uma estranha sensação se apoderou de nós, quando, às cinco horas da madrugada do dia cinco, conseguimos escutar as palavras, ponderadas e assertivas, de um homem que personificou um velho sonho. Ele era uma verdadeira lição, um livro que, a abrir-se, vai correr mundo com uma mensagem de futuro, que o presente é sempre passado.
Humildemente, tem-nos sido permitido assistir a enormes momentos: vimos cair o muro de Berlim, vimos o homem chegar à lua, vimos aparecer Timor como nação, vimos, à distância de milhares de quilómetros, surgir uma nova aurora em Portugal, com o 25 de Abril, ouvimos ser eleito Kennedy, escutámos Martin Luther King, com o seu sonho estampado no rosto, vimos, agora, este extraordinário passo dado por Obama. Com tudo isto, somos "gente feliz com lágrimas".
Estas são horas de expectativa, mas de uma grande confiança: a velha e caduca ordem bilateral mundial vai acabar, com o multilateralismo a impôr-se. A cor da pele vai deixar de estar em cima da mesa, o mérito abriu o seu caminho, até a economia pode melhorar, porque desse factor depende muito o êxito do próprio Obama.
Este pequeno-grande passo veio na hora certa, atrasado, porém. Mas chegou e é isso que importa.
Uma estranha sensação se apoderou de nós, quando, às cinco horas da madrugada do dia cinco, conseguimos escutar as palavras, ponderadas e assertivas, de um homem que personificou um velho sonho. Ele era uma verdadeira lição, um livro que, a abrir-se, vai correr mundo com uma mensagem de futuro, que o presente é sempre passado.
Humildemente, tem-nos sido permitido assistir a enormes momentos: vimos cair o muro de Berlim, vimos o homem chegar à lua, vimos aparecer Timor como nação, vimos, à distância de milhares de quilómetros, surgir uma nova aurora em Portugal, com o 25 de Abril, ouvimos ser eleito Kennedy, escutámos Martin Luther King, com o seu sonho estampado no rosto, vimos, agora, este extraordinário passo dado por Obama. Com tudo isto, somos "gente feliz com lágrimas".
Estas são horas de expectativa, mas de uma grande confiança: a velha e caduca ordem bilateral mundial vai acabar, com o multilateralismo a impôr-se. A cor da pele vai deixar de estar em cima da mesa, o mérito abriu o seu caminho, até a economia pode melhorar, porque desse factor depende muito o êxito do próprio Obama.
Este pequeno-grande passo veio na hora certa, atrasado, porém. Mas chegou e é isso que importa.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Em frente, Obama
Neste mundo, o edifício eleitoral está um pouco incompleto, por todo o lado. Podemos votar para as autarquias locais, o poder da minha terra, para as regionais, legislativas, presidenciais, europeias, mas falta uma peça importante e até decisiva: a escolha do Presidente dos Estados Unidos da América, esse cobertor que resguarda o próprio edifício mundial.
Como não há nada a fazer, pelo menos por enquanto, passamos o tempo a olhar para o ar, de modo a descobrir o que por ali se passa.
Com as estrelas do céu a pressagiarem a chegada de um astro novo, de uma ideia de mudança, de um caminho do reencontro com melhores auspícios gerais, é Obama que nos impele a darmos-lhe o nosso voto.
Aproveitando a maré da abertura em curso de todo o processo eleitoral, para que valha como desejo profundo, eis aqui estampada a nossa decisão: Obama, sem dúvida e sem hesitações, até para honrar a lembrança que nossas filhas nos trouxeram de NY.
Em frente, Obama
Como não há nada a fazer, pelo menos por enquanto, passamos o tempo a olhar para o ar, de modo a descobrir o que por ali se passa.
Com as estrelas do céu a pressagiarem a chegada de um astro novo, de uma ideia de mudança, de um caminho do reencontro com melhores auspícios gerais, é Obama que nos impele a darmos-lhe o nosso voto.
Aproveitando a maré da abertura em curso de todo o processo eleitoral, para que valha como desejo profundo, eis aqui estampada a nossa decisão: Obama, sem dúvida e sem hesitações, até para honrar a lembrança que nossas filhas nos trouxeram de NY.
Em frente, Obama
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Orçamento sem segurança
Temos em cima da mesa o novo Orçamento de Estado. Números e sugestões, programas e projectos, obras e planos, de tudo isso ali podemos ver. Mas a grande dúvida está em sabermos se a sua fiabilidade pode ser assegurada, quando, por todo o lado, fervilha um sentimento de instabilidade financeira e as marcas negras de uma economia em recessão ameaçam aparecer, forte e feio.
Com este documento, podemos respirar, porque a legislação passa a ser cumprida, mas pouco se pode dar como seguro em termos práticos. Nada do que hoje se vive tem o selo da segurança. Amanhã será outro dia, de acordo com La Palisse, só que, agora, tudo é mais imprevisível. Com as taxas de juros sempre na corda bamba, com a economia em constante sobressalto, com o desemprego e a fome a cavarem fossos cada vez mais preocupantes, com o desnível dos vencimentos a ser gritante em Portugal, com as exportações a pesarem muito menos que as importações, com os fundos de pensões em acentuada desvalorização, com a Europa e o mundo em queda livre, com o oriente a ver diminuído o seu nível de crescimento, apregoar o céu é cair no inferno, porque a mentira mata e esfola...
Com um PIDDAC quase vazio e, em muitos lados, total e ofensivamente seco, o Estado dá um péssimo sinal: foge dessa ligação às suas terras como o diabo da cruz. Depois, que não espere sol, pois só foi capaz de semear tempestades.
Com um certo ar eleitoralista nos aumentos para os funcionários públicos, aqui mostra alguma sensibilidade, assim como em medidas - pequenas e avulsas - de cariz social. Mas não resolve os problemas das empresas e das famílias, que já não são apenas aquelas que antes tinham carências, mas, de momento, se viram alargadas a um tecido social cada vez mais frágil e mais roto.
Em suma, temos Orçamento, mas o dinheiro real, vivo, sem artifícios especulativos, esse não vai aparecer, como era nosso desejo e uma necessidade absoluta. Aqui é que a porca torce o rabo, para nosso mal colectivo e individual.
Com este documento, podemos respirar, porque a legislação passa a ser cumprida, mas pouco se pode dar como seguro em termos práticos. Nada do que hoje se vive tem o selo da segurança. Amanhã será outro dia, de acordo com La Palisse, só que, agora, tudo é mais imprevisível. Com as taxas de juros sempre na corda bamba, com a economia em constante sobressalto, com o desemprego e a fome a cavarem fossos cada vez mais preocupantes, com o desnível dos vencimentos a ser gritante em Portugal, com as exportações a pesarem muito menos que as importações, com os fundos de pensões em acentuada desvalorização, com a Europa e o mundo em queda livre, com o oriente a ver diminuído o seu nível de crescimento, apregoar o céu é cair no inferno, porque a mentira mata e esfola...
Com um PIDDAC quase vazio e, em muitos lados, total e ofensivamente seco, o Estado dá um péssimo sinal: foge dessa ligação às suas terras como o diabo da cruz. Depois, que não espere sol, pois só foi capaz de semear tempestades.
Com um certo ar eleitoralista nos aumentos para os funcionários públicos, aqui mostra alguma sensibilidade, assim como em medidas - pequenas e avulsas - de cariz social. Mas não resolve os problemas das empresas e das famílias, que já não são apenas aquelas que antes tinham carências, mas, de momento, se viram alargadas a um tecido social cada vez mais frágil e mais roto.
Em suma, temos Orçamento, mas o dinheiro real, vivo, sem artifícios especulativos, esse não vai aparecer, como era nosso desejo e uma necessidade absoluta. Aqui é que a porca torce o rabo, para nosso mal colectivo e individual.
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