terça-feira, 19 de março de 2019

1948, a Casa de Lafões luta pela EN 333

No ano de 1948 Mais uma acção da Casa de Lafões em Lisboa a favor da nossa região Recuando nos tempos, constatamos que a Casa de Lafões, de Lisboa, nascida em 1911, inicialmente com a designação de Grémio Lafonense, teve como objectivo primeiro e, nessa altura, principal, lutar pela passagem da Linha do Vale do Vouga por estas nossas terras. Em 1913 e 1914, pôde, finalmente, abrir as garrafas de champanhe e fazer ir para os céus enormes descargas de foguetes, porque o comboio ido de Espinho e de Aveiro chegou a Viseu e cortou estes territórios de uma ponta a outra, no sentido horizontal. No meio de muitas azáfamas, sempre em favor do solo-pai e mãe, foram-se sucedendo as diligências por esta ou por aquela finalidade. Tudo servia para esta Instituição intervir, desde as Comissões de Melhoramentos às festividades e eventos locais, em cada uma de suas localidades. Oliveira de Frades, S. Pedro do Sul e Vouzela nunca foram concelhos esquecidos na grande capital pelas nossas gentes. Que o digam, por exemplo, os saudosos Hospitais das Misericórdias... A ilustrar estas afirmações, eis que, no ano de 1948, é pedida uma audiência ao Ministro das Obras Públicas com vista a fazer avançar “ o estudo e acabamento da abertura do troço da estrada de 3ª classe nº 333 entre Águeda e Cambarinho”, cujo traçado já se iniciara em Vagos. Por uma nota inscrita na cópia do ofício enviado, sabe-se que tal encontro nunca chegou a ser realizado. Entretanto, feito o bom trabalho de casa, juntava-se uma exposição enviada aos Governos Civis de Aveiro e Viseu e aos municípios de Vagos, Sever do Vouga, Oliveira de Frades e Vouzela e ainda para a Junta Autónoma das Estradas, a célebre e todo poderosa de então, JAE. Como do Ministério nada disseram, as cartas com este trabalho acabaram por ficar também na gaveta e nunca caíram na mesa dos projectados destinatários. Como documento com forte interesse histórico para o estudo desta nossa Região de Lafões e intervenção das entidades que a constituíram, ontem e hoje, dele aqui registamos alguns excertos, a saber: - “ Os adeante assinados, naturais ou habitantes da região entre Águeda e Vouzela, com os fundamentos que vão expõr, respeitosamente pedem a V. Exa se digne mandar actualizar o estudo e proceder ao acabamento da abertura do troço da estrada de 3ª classe, nº 333, entre Àgueda e Cambarinho, no concelho de Vouzela. Foi esta estrada classificada pelo decreto nº 34593 de 11 de Maio de 1945 com a designação de Vagos à Ponte de Ribamá, passando por Palhaça, Águeda, A-dos-Ferreiros, Talhadas, Cambarinho, Vouzela, etc. Primitivamente fora estudada e classificada como EN nº 13, partindo da EN nº 10, próximo de Águeda e terminando em Viseu. Isto significa que, já na época que se estudou a nossa principal rede de estradas, esta via era considerada de principal importância para a ligação da Beira Alta ao Litoral. Veja-se que tendo a estrada Lisboa-Porto o nº 10, o estudo desta veio logo a seguir com o nº 13. Assim se consagrava e reatava uma tradição milenária, posto que o seu traçado seguia, com pequenas variantes, o itinerário da Estrada Imperial Romana (...) Foram mestres na matéria os romanos... “ Como vemos por estes apontamentos e outros que lhes vamos juntar, a Casa de Lafões não brincou em serviço e quis levar ao Ministro um levantamento com cabeça, tronco e membros. Só que este boa tarefa foi abafada pela citada recusa ministerial. Curiosamente, o autor desta crónica neste “Notícias de Lafões” levou a cabo, em 2013/2014, uma pesquisa que deu origem a uma série de exposições fotográficas e documentais, que expôs na Vagueira (Vagos), Oliveira de Frades e Vouzela, onde se deu conta dos locais que serviu e dos passos dados até à sua conclusão, que, ironia do destino, também nunca podem ser considerados como completos. Teve esse “estudo” como designação a “Estrada dos VV”, por ligar Vagos a Vouzela. Voltando agora à tese da Casa de Lafões do ano de 1948, acrescentava-se que “ A estrada entre Vagos e Àgueda já existe, bem como troço de Cambarinho a Ribamá. Apenas falta a parte que, das proximidades de Àgueda vai a Cambarinho (sic) e, mesmo dentro deste lanço, já estão abertos alguns quilómetros em Talhadas e A-dos-Ferreiros(...) De Talhadas a Cambarinho, aproveitam-se uns quilómetros já abertos entre a Senhora da Graça e a Ereira. Daqui indo rente ao Pisco a ao fundo das Benfeitas, lugar da Ponte, de de aí, passando um pouco ao sul de Reigoso para ganhar Cercosa e por fim Cambarinho, num total de 10 a 12 km, atravessa-se o terreno ideal para a construção de estradas: a zona de granitos decompostos... Tem esta região (Lafões) o privilégio de, a par dos seus incomparáveis soutos e milharais, produzir a mais afamada vitela de Portugal e um dos seus vinhos mais castiços: o azal e o amaral... “ Fala-se depois das riquezas de Àgueda, do valor das pedreiras das Talhadas, do nosso riquísssimo folclore, da história, o alto valor turístico. E remata-se assim: “... Digne-se V. Exa mandar estudar as possibilidades regionais e a estrada que há 80 anos esperamos e verificará que não exageram os peticionários. Eles, como bons portugueses, apenas desejam que lhes facilitem as condições de vida da sua terra, que redunda em maior engrandecimento da nossa Pátria...” Com estas linhas, quisemos vincar quanto devemos à nossa Casa de Lafões de Lisboa. Serve apenas como nosso humilde tributo e homenagem, mais um entre tantos que a história desta Instituição regista... Carlos Rodrigues, in Notícias de Lafões, Março 2019

Ensino em Lafões

Ensino na região de Lafões com prestações aceitáveis Ensinos básico, secundário e profissional Desde o ano de 2001, o Ministério da Educação passou a adoptar a prática de publicitar o chamado ranking das escolas, pelo que é possível ir comparando a respectiva evolução ano após ano. Em linha directa, assim se poderá falar. Só que as tabelas apresentadas e vindas a público não evidenciam, de maneira nenhuma, toda a realidade educativa e seus contextos, que são muito diversos em cada uma das comunidades. Um outro dado relevante associa-se à diferença existente entre os sistemas públicos e privados, no ponto de partida e no de chegada e isso reflecte-se nos resultados finais. Nesta região de Lafões, a dicotomia atrás referida não entra nas nossas contas, por ser inexistente. Toda a educação é aqui pública e universal. Importa ainda dizer-se que são diferentes os prismas seguidos pelos órgãos de comunicação social que trabalham estas questões. Na análise que trazemos a este “Notícias de Lafões”, baseámo-nos muito no jornal o “Público” a que juntamos um cheirinho do “JN”. Não sendo gritantes as disparidades encontradas, mesmo assim os números não são bem iguais, num e noutro destes casos. Por isso, ficamos sempre com algumas dúvidas, além daquelas que vemos no próprio sistema. Apesar de tudo, porque a realidade é o que é, mais vale ter acesso a esta informação do que ficarmos calados, sem dizer água vai. Correndo um certo risco, aqui deixamos algumas tabelas, referentes a cada um dos concelhos e respetivos níveis de ensino, básico (3º ciclo) e secundário, acrescentando ainda a vertente profissional. - Básico – Em geral, Vouzela posicionou-se no 279º lugar no ranking dos exames, aqui considerando apenas os estabelecimentos que tiveram 50 provas ou mais, facto que faz excluir Campia com 42. Na posição 484 ficou S. Pedro do Sul, ficando Santa Cruz da Trapa de fora pelas razões apontadas, 42 provas. O lugar 504 calhou a Oliveira de Frades. Pormenorizando, temos: Vouzela – 106 provas; 279ª posição em ranking de exames; média de 3.15 em 2018; 3.33 em 2017; quanto ao lugar no ranking dos percursos directos de sucesso, ocupou o 562º; índice de habilitação dos pais, 8.83; percentagem de alunos sem acção escolar, 50%; taxa de retenção, 5.56 - Campia – 42 provas; média/2018 – 3.25; m/17 – 2.93; percursos, 911º lugar; habilitações pais, 8.83. - S. Pedro do Sul – 212; 484; 2.97; 3.05; 9.15; 70.70; 1.01. Nota: sem referências na nossa fonte ao lugar no ranking dos percursos directos de sucesso. - Santa Cruz da Trapa – 44; ...; 3.09; 3.07; 906; 7.42; 43.30; ... - Oliveira de Frades – 120; 504; 2.96; 3.10; 562; 9.08; 55.30; 6.38 - Ensino secundário (oito disciplinas) – Vouzela – média, 12.16; provas – 130; nº de ordem – 47; diferença entre a nota interna e a de exame – 1.60. No distrito, foi o concelho com melhor média. - S. Pedro do Sul – média, 11.28; provas, 243 ; nº de ordem, 119; diferença, 2.48. - Oliveira de Frades – m/10.59; p/174; o/234; diferença, 2.55. - Ensino Profissional/ Escolas Secundárias – S. Pedro do Sul, 97%, segundo lugar a nível nacional; Vouzela – 57% e Oliveira de Frades – 56%. - Escolas Profissionais – Vouzela – 77% de taxa de aprovação, 21º lugar nacional; Carvalhais – 72% - 26ª posição. Números são apenas números. Mas as escolas são e têm muito mais do que isso: têm alma e vida própria e esta dimensão aqui não se descortina. Nem outras variáveis bem dignas de ser analisadas e mostradas a todos nós. Deste modo, ficamos apenas com uma parte da realidade e talvez nem seja a maior, nem a mais relevante... Carlos Rodrigues, in Notícias de Lafões, 2019

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Dez razões para ir ao Restaurante "Margarida" - Vouzela

Em plena vila de Vouzela, sempre a possibilitar uma boa olhadela para as belezas das Serras da Gralheira e da Arada, localiza-se o Restaurante Margarida, uma casa com imagem de marca, boa mesa, bom ambiente e um agradabilíssimo serviço. Entre muitas outras, encontramos dez razões para ali ir: - 1 - Ter uma boa e útil conversa com o Fernando; 2 - Saborear, com água a crescer na boca na escolha, uma boa ementa; 3 - Optar pelo óptimo que aqui não é inimigo do bom; 4 - Ir com tempo até para poder falar de negócios e da vida; 5 - Aproveitar os minutos de espera para criar um bom ambiente familiar; 6 - Usufruir de um espaço acolhedor para pequenos encontros e festas familiares; 7 - Ficar a conhecer a singularidade do Parque Natural Vouga-Caramulo; 8 - Dar uma espreitadela pelas notícias frescas e pela boa literatura; 9 - Comer com apetite em ambiente de excelência; 10 - Prometer voltar, porque vale sempre a pena.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Arquivos em Viseu, as falas do passado

Arquivos de Lafões em Viseu Numa terra e região com milhares de anos de um riquíssimo passado, Lafões tem espalhados documentos por uma série de locais, sobretudo desde que a escrita começou a ser usada com maior frequência. Antes dessa fase histórica, muitos outros testemunhos se reportam a esta nossa zona e cada uma de suas localidades. Hoje, porém, a nossa viagem é bem curta, porque fomos apenas até Viseu, melhor, colhemos do seu Arquivo Distrital uma série de informações que podem ser (e são-no muito úteis) para quem busque dados sobre a sua própria família, propriedades, negócios, vias judiciais, vida autárquica, religiosa ou de outras quaisquer áreas. Em cerca de 357 mil entradas de vária ordem, cada paróquia, cada freguesia, concelho, famílias e pessoas, a nível individual, neste local, que está ligado ao ANTT – Arquivo Nacional Torre do Tombo – ali se encontram depositadas dados que nos ligam a um passado de tudo e de todos. Com incidência maior nos séculos XV e XVI e daí para diante, podemos saber quem nasceu, morreu, se casou em cada uma de nossas localidades. Agarrando na teia que encontramos, os laços estabelecidos levam-nos sempre bem longe. De repente, damos de cara com um nosso familiar e, pegando nele, avançamos para a família toda. Naquele espaço mágico, que nos ajuda a desvendar quem somos e fomos, numa linha genealógica que nos desperta o maior dos interesses, temos de saber trepar para outras dimensões. Ficarmos pelos nascimentos, óbitos, casamentos, é muito pouco A contabilidade das câmaras municipais, os inventários e fundos do Governo Civil, os registos da emigração, os elementos relacionados com o mundo da educação tornam-se acessíveis e nos “falam” de tudo. Com uma cola que nos faz pegar em tudo e ter dificuldade em largar cada ponta, em termos de contabilidade municipal, em Oliveira de Frades partimos do ano de 1850, em S. Pedro do Sul de 1846 e, em Vouzela, de 1849. Há, porém, rubricas, a este nível, que ainda podem oferecer outras datas. Em instrução pública, recuamos até aos anos 1800 e aí deparamos com as rubricas de aposentações de professoes, autos de inspecção, de juramento e posse, notícias de abandono escolar, circulares diversas, movimento de alunos, necessidades mais urgentes da instrução primária, faltas ao serviço, provas efectuadas, vencimentos dos professores, edifícios escolares e outros assuntos de interesse para o sector. Paramos, por enquanto, na então “Câmara Municipal de Lafões”, com registos ali existentes desde 11 de Julho de 1695 e a prolongarem-se até 11 de Abril de 1834. Na explicação dada, esclarece-se que “ Até ao século XIX subsistia na região de Lafões uma complexa divisão administrativa. De facto, toda a região era dominada pelo concelho de Lafões, constituído pelas vilas de Vouzela, S. Pedro do Sul e o Couto do Banho. Encravados na área concelhia, mas sem lhe pertencerem, encontravam-se ainda os concelhos de Sul, Santa Cruz da Trapa, Oliveira de Frades e a Comenda de Ansemil, da Ordem de S. João de Malta. Assistiam ao governo deste concelho (Lafões), um juiz de fora, vereadores, um procurador do concelho, escrivão da câmara, juiz dos órfãos com seu escrivão, oito tabeliães, um meirinho e um carcereiro. Para as questões judiciais, existia no concelho uma ouvidoria, sendo o o juiz de fora nomeado pelo Duque de Lafões. Este concelho tinha a particularidade de funcionar paralelamente em S. Pedro do Sul e Vouzela”. Porque este tema nos obriga a um estudo bem mais profundo, a ele nos referiremos numa próxima edição, conjugando a nossa análise, como vimos, com o Arquivo Distrital de Viseu. Numa cerejeira que não pára de nos entregar sempre mais e mais tópicos, com eles iremos “dialogar” numa próxima ocasião. Porque vale a pena saber e o conhecimento não ocupa lugar. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Lafões”, Fev19
Cuidados sociais em grandes mudanças Há uma boa realidade que a nossa actual sociedade está a viver: o aumento da esperança de vida é um sinal de que a evolução não é só tecnológica, mas estende-se também ao ser humano no seu todo. Com mais vida, sucedem-se aspectos positivos e de excelência a oporem-se a outros menos desejáveis, mas que não deixam de surgir. Com mais anos pela frente, à alegria de viver juntam-se, em muitos casos, as necessidades de cuidados de saúde e sociais, quando as forças humanas entram em colapso, ou em vias disso. Institucionalmente, as instâncias governativas e legislativas, ao longo dos anos, têm tentado criar condições que possam dar respostas aos problemas que vão surgindo. Em geral, caminhou-se, em apoios sociais, pela via dos lares e centros de dia e de lazer, a maioria como IPSS ou Misericórdias, sem esquecer outras alternativas, como a entrada em acção da iniciativa privada, às vezes, de uma forma demasiado pura e dura, com todos os inconvenientes daí decorrentes. Numa outra área de actuação, as famílias assumiram, em boa medida, as responsabilidades que lhes incumbem na linha e na onda da solidariedade geracional que devia ser sempre, até aos limites da possibilidade inerente aos apoios e cuidados a ter, da sua alçada. Só que as sociedades modernas, com a sua organização social e laboral, não permitem que, a esse nível, se possa estar à altura desse ideal de vida. Na sombra, mas com uma notável dedicação e abnegação pessoal, os cuidadores informais jamais deixaram de estar à altura destes objectivos de apoio a seus familiares. Muitos são os exemplos, felizmente, que se encontram um pouco por todo o lado. De vez em quando, foram aparecendo alguns esforços no sentido de dar corpo legislativo e pecuniário a estes heróis de todos os dias e horas que, sem descanso, se doam de corpo e alma a tão nobres funções. Colocando-se ao lado dos filhos, dos pais, dos avós, dos tios e outras pessoas com laços sanguíneos, ou, a outra escala, afectivos, que deles necessitam e dependem para tudo, abdicaram mesmo de viver as suas vidas. Numa alta mudança de paradigma, fala-se agora em considerar esse trabalho como um enorme contributo dado à causa do apoio a quem o Estado não pode (nunca) abandonar. Assim sendo, sempre que este tema possa ser encarado como uma matéria a ter em linha de conta no campo das verbas a gastar com quem carece de ser apoiado a fundo, temos de ver nessas intenções de passar a incluir a rede de cuidadores informais nessas verbas um enorme passo em frente. Num outro campo, que se liga ao Ministério da Justiça, o novo Regime do Maior Acompanhado, para quem for declarado incapaz de gerir a sua vida, é outro ponto bem positivo. A terminar, a Estratégia Nacional para a Hospitalização Domiciliária (atitude a que o nosso Hospital de Viseu/Tondela pretende aderir, o que se saúda), dando atenção individualizada a cada doente no seu contexto familiar, é outro bom modelo de humanização dos serviços públicos. Pondo-se a pessoa no centro de tudo, estas novas formas de actuação, em termos de um novo olhar para os cuidadores informais e os outros modelos citados, não podem deixar de merecer o nosso aplauso e consideração. Agora, é preciso passar das intenções para a realidade. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Lafões”, Fev19

Banda de Vouzela, 147 anos

Sociedade Musical Vouzelense mais uma vez de parabéns Fevereiro é mês de aniversário na grande casa que é a Sociedade Musical Vouzelense (SMV), que este ano assinalou 147 anos de existência, em duas vidas. Assim aconteceu no sábado, dia 8, durante todo o dia. De manhâ, as atenções viraram-se para as actividades religiosas, para a recordação de quem já partiu e para os actos solenes, em sessão na sede nova, a que se seguiu um agradável almoço e um saudável convívio. De tarde, as ruas e o Cine-Teatro João Ribeiro foram o palco escolhido para a Banda mostrar a sua arte e que é muita como se sabe. Com a chuva a dar tréguas, até o tempo deu o seu bom contributo, em cada um dos desfiles, a caminho da Igreja para a Missa Solene, e, posteriormente, para o Concerto. Ainda com a imagem, sempre brilhante da ida ao Palácio de Belém, a música que se foi ouvindo em cada ponto destas cerimónias trazia sempre essa boa carga de alta qualidade. Em emoção, a romagem ao Cemitério, para evocar quem ali se encontra, depois de ter feito parte desta enorme família, teve também um significado muito especial. No seu ar de felicidade, notava-se que o Presidente desta SMV, Luís Paiva, e seus pares eram a prova de que este 147º aniversário estava a correr bastante bem. Para o Presidente, dois momentos, na sessão solene, foram de altíssimo valor. Foram eles a apresentação da fotografia oficial, assinada pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o descerramento do brasão em pedra, uma oferta do saudoso Aurélio Cosme que seus filhos acabaram por apresentar a todos os presentes. Como sempre, o Concerto à tarde, em que se tocaram seis peças de muito nível e com uma boa maestria de Diogo Tavares (que inclusivamente deu à estampa a sua última composição “Acácio Silva”, para recordar os 60 anos de música deste executante, ali presente),encheu os corações e a alma de quem teve a sorte de tudo escutar. Entretanto, assegurou-se ali o futuro ao entrarem em cena mais nove novos músicos, frutos da parceria com a Jobra, como acentuaram Luís Paiva e o Presidente da Câmara, Rui Ladeira. Com mais de 50 executantes neste momento, a SMV precisa agora de uma farda nova e esse apelo ecoou por toda a sala. Assim como se ouviu a gratidão demonstrada aos anteriores Maestros Fernando Silva e Armando Neves e ao Compositor Amílcar Morais. Daqui a trés anos, assinalar-se-á século e meio de vida. É muito tempo e do bom. Carlos Rodrigues, parcialmente in “Notícias de Vouzela”, Fev2019

A floresta e novas organizações, UGF

Unidades de Gestão Florestal Novos programas para a nossa floresta Com os montes a mostrarem a devastação dos incêndios de 2017 e outros, a nossa floresta ainda se encontra praticamente ao abandono e a piorar de dia para dia. Com muita legislação produzida, em concreto pouco se tem feito e também não são fáceis as soluções. Mortas as árvores autóctones e as respectivas manchas que, nalguns locaiapresentavam com enorme potencial económico e ambiental, destruídos os pinhais, queimados os eucaliptais, só estes têm despontado em assustadora progressão geométrica. O resto ou é um deserto, ou um campo selvagem de silvas e outras infestantes. Foi a pensar nestes problemas que a Cooperativa Três Serras organizou, na passada sexta-feira, dia 7, em Vouzela, uma reunião e debate para apresentação de um novo programa, as UGF – Unidades de Gestão Florestal, criadas pela Lei 111/2017 e que, agora, se encontram em plena discussão, havendo já aguns exemplos da sua criação, como a de Nelas. Pena foi que esta acção tivesse tão pouca gente, quando é altamente necessário mostrar as virtudes (e também os defeitos) destes mecanismos de gestão florestal. Por outro lado, importa que se desmonte a lei e se ofereça aos potenciais aderentes as propostas que se pretendem alcançar de uma forma que toda a gente entenda e se mostre atraente e realista. Na mesa que presidiu a estes trabalhos, estavam Carlos Oliveira, em representação do Município, António Minhoto, da Florestal/Nelas, António Bica, proprietário e advogado e Eng. Rui, da entidade organizadora, a Cooperativa Três Serras. Feita uma perspectiva histórica e abordada a questão do despovoamento e seus impactos nas nossas matas, autênticos minifúndios, muito repartidos e de áreas altamente reduzidas, chegou-se à conclusão que é necessário encontrarem-se formas e mecanismos de gestão que rentabilizem estes mesmos territórios. Criticaram-se ainda os poderes públicos que, durante décadas e séculos, nada fizeram pela defesa de uma agricultura e silvicultura rentáveis, investindo, pelo contrário, todas as fichas na industrialização do litoral. Por outro lado, neste momento, ainda os espaços ardidos estão cheios de detritos a impedirem mesmo que se avance para o seu aproveitamento. Com enormes potencialidades em possíveis e diversificados aproveitamentos, as Unidades de Gestão Florestal (UGF) nasceram para ser possível, em associações ou cooperativas, dar força aos investimentos em múltiplas áreas, desde a plantação de árvores aos usos e costumes habituais, como a exploração de mel, do turismo e das culturas agrícolas tradicionais, ou outras. Com o possibilidade de cada proprietário aderir ou não, o certo é que quem entrar neste esquema não perde nada dos seus terrenos, participando antes na sua rentabilidade, na proporção dos seus espaços e das condições em que se encontram no momento da entrada neste esquema e programa de gestão. Completando as ZIF – Zonas de Intervenção Florestal, estas UGF viram-se mais para os interesses individuais. Cada proprietário pode entrar com parcelas até 50 ha, por número, sendo que a área territorial mínima para se constituir uma UGF deve ser de 100 hectares e 5000 máximo. Sendo um processo livre e voluntário, importa que os esclarecimentos se aprofundem e se desfaçam todas as dúvidas, de modo a que o processo avance de uma forma aberta e solidária. Porque a floresta não pode ficar como está, há que procurarem-se soluções que sejam do interesse de cada uma de nossas comunidades e suas diversidades. NOTA – Em tempos de Inverno, está a estranhar-se que o Estado esteja a exigir uma série de requisitos, tidos como altamente inconvenientes para pedir a respectiva autorização, quanto a queimadas de resíduos nos diversos espaços territoriais. Para esse efeito, é preciso contactar-se os Serviços de Protecção Civil, dez dias antes, e ter no acto a presença de um técnico de fogo controlado, uma equipa de bombeiros ou de sapadores. Isto é carga a mais sobre o ombro de quem já está cheio, até ao tutano, de obrigações atrás de obrigações, muitas delas sem qualquer retorno útil para tão depauperadas economias domésticas, olhando para esta estação do ano. Lá mais para a frente, não diríamos nada disto, bem pelo contrário. Mas há épocas para tudo. Neste sentido, o nosso conterrâneo de Pinheiro de Lafões, Henrique Pereira dos Santos, veio, recentemente, insurgir-se contra esta mesma medida, ao criticar que se tenha pedido aos párocos para tal avisarem nas Missas... Valha-nos Deus!... Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, Fev19