quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Bandas Filarmónicas de Lafões

Em fim de Verão Uma palavra para as bandas filarmónicas de Lafões Colectividades que são pontos culturais fortes nas terras em que se implantam e onde oferecem excelentes resultados a todos os níveis, as Bandas Filarmónicas, depois de um período de Verão em que abrilhantaram tantas festividades, bem merecem, nestes dias, a nossa consideração e gratidão. Temos para com elas esse imperioso dever. A nossa região de Lafões, de um lado a outro, tem-nas em grande estilo e qualidade e até uma certa quantidade. Mais antigas, centenárias ou não, ei-las a marcarem os dias, com a música, de tanta da nossa juventude e ainda dos mais idosos que não querem perder a oportunidade de fazerem aquilo que gostam: oferecer cultura e tradição, sempre. Sem podermos aqui trazer todas as Bandas que, algum dia, se instalaram nas nossas localidades, vamos, no entanto, tentar indicar algumas delas, organizando-as pela data da sua criação, sabendo que as falhas, a este nível, podem dar cabo da nossa boa intenção. Se tal acontecer, que nos seja perdoada esta involuntária falta. Prometemos, no entanto, não ficarmos sem desfazer essas mesmas lacunas, trazendo mais dados daqui a pouco tempo. Começamos com a Filarmónica Harmonia dos Bombeiros Voluntários de S. Pedro do Sul, iniciada em 1857, para, mais tarde, ser apenas Sociedade Filarmónica Harmonia, emancipando-se daquela Associação Humanitária em 1904. Neste concelho, merece uma palavra especial a Banda da Aliança Pinho-Vila Maior. Prosseguimos com a Sociedade Musical de Mocâmedes, Vouzela, fundada em 1875, pela vontade e esforço da Família Oliveira, de onde saiu o seu primeiro Maestro, António Oliveira, que a dirigiu cerca de 50 anos. Está à sua frente, agora, José Meneses Rocha. Em 1880, aparece a Phylarmonica de Vouzela. Passando por fases de avanços e recuos, em 1926 quase que pára. Felizmente que, em 1931, veio a renascer com a actual designação de Sociedade Musical Vouzelense, devido à dedicação, entre outros, de Augusto Homem da Rocha, Eduardo do Souto Teixeira, Fausto Ferreira de Abreu e Franklim Augusto Dias. A oito de Fevereiro desse ano, sai do Hospital Velho com a sua marcha triunfal. Tem a sua batuta, nos dias que correm, Diogo Tavares. No seu longo palmarés, eis o 1º lugar, em 1954, no concurso de Bandas Civis do Senhor de Matosinhos. Três anos mais tarde, em 1883, nasce em Cambra, Vouzela, a Escola de Música, na Casa do Talho, mercê da iniciativa dos irmãos Padre João Rodrigues Pereira e José Rodrigues Pereira. Em 1889, dá-se uma cisão, que durou apenas um ano. Tivemos, assim, temporariamente, a Banda Nova e a Banda Velha, ainda que por um curto espaço de tempo, como dissemos. No ano de 1910, adopta a designação de Filarmónica Verdi Cambrense. Décadas depois, em 1975, entra em processo de reorganização e, em 1976, inicia a construção da sua sede. Decorria o ano de 1890, quando em Ribeiradio, Oliveira de Frades, dá os seus primeiros acordes a Banda Marcial Ribeiradiense, na sequência dos trabalhos de Ricardo Ferreira e Alexandre Ferreira Lopes. Em 13 de Outubro de 1986, constitui-se como Associação Recreativa da BMR. Em 2002, recebe a Medalha de Ouro do Município. Desde 2002, ocupa a sua actual sede, nas instalações da antiga Estação da CP. No ano de 2005, alcança o estatuto de “Pessoa Colectiva de Utilidade Pública”. Bem mais tarde, em 1928, na freguesia de Paços de Vilharigues, surge a Sociedade Musical Cultura e Recreio, que actuou pela primeira vez em Domingo de Páscoa, tendo a dirigi-la o seu primeiro Maestro Joaquim da Rocha Almeida (Morgado). Ocupa uma sede renovada junto à Escola do 1º Ciclo. Oliveira de Frades viu aparecer a sua Banda dos Bombeiros Voluntários a 1 de Maio de 1932, por ocasião da Festa de S. Sebastião, na Feira. Em 1991, obtém os seus estatutos próprios, pelo que passa a ser conhecida por Banda de Música de Oliveira de Frades. Desde a sua fundação até 1977, foi seu regente Joaquim da Silva Moreira. Neste mesmo município, há ainda a UMJA – União Musical Juventude e Amizade – da Sobreira, erguida em 1999, instalada agora numa sede, que partilha com a ARCUSPOF. Filarmónica jovem na idade e nos seus elementos, revela já uma grande maturidade musical e cultural. Entretanto, a freguesia de Reigoso apresentava, nos anos vinte do século passado, a sua Banda Filarmónica e, nos anos 40, via actuar a Sociedade Musical Reigosense. Esteve ainda na origem da Reigravo e, mais tarde, da Banda Lafonense, todas elas desaparecidas. São estas instituições credoras da admiração de todos nós, pelo que fazem, pelo que representam e pela ocupação activa e intensa que proporcionam à nossa juventude. ( A continuar...) Carlos Rodrigues, in Notícias de Lafões, 2019 ónicas

O Brexit e os portugueses na Inglaterra

Portugueses na Inglaterra entre o medo e a esperança No“Lafões” desta semana, vamos fazer uma viagem até ao Reino Unido, ou Grã-Bretanha, ou Inglaterra, tantas são as designações por que é conhecido aquele espaço territorial, porque ali se vive, em sede de ligação à União Europeia, um forte período de conturbações diversas com a aprovação, em referendo, da saída do nosso espaço comum, o que se designa como BREXIT (exit- saída, BR, Bretanha). Com o pensamento focado em alguém que esteve muito ligada a este “Notícias de Vouzela”, a Sónia Pereira e a Lurdes Pereira, nelas englobamos todos os nossos conterrâneos que vivem estas aflições. Na verdade, o que está em causa é um corte com a Europa dos 28 países, o que travará os fluxos naturais que se verificam em toda esta parte do globo, a união das uniões de todos os tempos, salvo o Império Romano e até, em certa medida, o esforço napoleónico para o reconstituir. Se tal se concretizar, o que está previsto para o dia 31 de Outubro, que o actual Primeiro-Ministro, Boris Johnson , quer concretizar a todo o custo, nem que seja à martelada, isto é, com uma saída à toa, sem papéis e sem quaisquer salvaguardas, o desastre pode ser total e ninguém, de lá e de cá, se arrisca a prever o futuro. Hoje, o que queremos é dizer que estamos, como jornal e carta de família, ao lado de quem pode ver a sua carreira por ali a desfazer-se, ou, no mínimo, a sofrer alguns contratempos, nem que seja de chatices e papelada a tratar para manter o estatuto anterior. Não são fáceis, neste contexto de incerteza, os próximos tempos. Habituados a ver no RU uma terra que o Canal da Mancha não isolava (ainda que tenha havido, desde a sua adesão, já algo tardia, muito depois de 1957, alguns fortes amuos como o da cadeira vazia nos tempos de Charles de Gaulle e, mais tarde, a recusa em aderir ao Euro) e que permitia uma circulação aberta em muitos domínios, agora deparam-se com a possibilidade de tudo isso se perder. Muito embora se tenham inscrito no acordo assinado com Theresa May algumas boas cláusulas que permitam que a vida dos emigrantes da UE ali residentes se venha a processar com alguma regularidade, se a saída for “à bruta”, tudo de mal pode vir a acontecer. Todos nós recordamos as épicas batalhas travadas no Parlamento britânico em redor desse mesmo acordo, com votações sucessivas em que a anterior PM foi, sucessivamente, derrotada, a ponto de se ter demitido, e que agora o actual PM veio a fechar até ao dia 14 de Outubro, para, mais facilmente, manobrar tudo a seu belo prazer. Tudo isto são aspectos gerais, mas o que mais nos preocupa, para sermos sinceros, são as consequências que podem vir a surgir na vida dos nossos muitos emigrantes que ali vivem, trabalham, fazem e têm feito vida, muitos deles há anos,décadas e mesmo várias gerações. Segundo o Secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, só nos últimos tempos mais de 35 000 portugueses ali residentes pediram ajuda e informações consulares, o que denota a ansiedade de toda essa nossa gente. Dramática foi, há dias, por exemplo, a interrupção de uma entrevista de uma cidadã portuguesa a gritar por socorro, acrescentando que a esta terra “ dei a minha juventude”. Por mais medidas de contingência que se estejam a elaborar e a proclamar, no sentido de se acautelarem efeitos nefastos na vida de quem ali habita, estamos convictos de que são mais os temores no futuro que as esperanças na continuação da vida próspera que, em geral, por ali se tem vindo a desenrolar. Muitas coisas estão em jogo neste complicado processo: o emprego, as aposentações, a escola dos filhos, o reconhecimento de diplomas, a livre circulação e tudo quanto, até aos momentos actuais, tem sido dado como certo. Amanhã, se o RU passar a ser um país terceiro, isto é, um não membro da União Europeia, tudo pode ser muito diferente e para pior, tememos nós. Nestas horas de aflição, desejamo-vos, Sónia Pereira e Lurdes Pereira, e a todos os nossos concidadãos, que essa grande ilha e arredores repensem tudo isto e recuem na decisão de abandonar a Europa em que nos integramos. Nem que para isso alguém venha a dar um forte murro na mesa. Às vezes, isso é preciso, útil e fortemente terapêutico... Carlos Rodrigues, Set19, Notícias de Vouzela

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

O Vinho de Lafões em lutas desde o século XIX....

Vinhos de Lafões Das lutas à quase derrota Ao lermos o jornal“ O Vouzelense”, de 1 de Maio de 1929, aí descobrimos várias considerações e preocupações quanto aos vinhos de Lafões. Falava-se numa reunião havida no âmbito da Associação Central de Agricultura em que se discutia o decreto nº 16684. A propósito desse encontro, tiraram-se estas conclusões: “ É certo que se tem gritado serem os nossos vinhos excelentes, serem mesmo uma fonte de riqueza que, seca ela, acarretará para a região gravíssimas consequências... Ora dessa reunião saímos com a certeza de que os nossos vinhos poderão ser uma grande riqueza que poderá determinar outras.... Os vinhos da nossa região são como se sabe variadíssimos em tipo, devido à divisão da propriedade, à diferença de terrenos e ao tratamento dado às videiras, etc. Se em Fataunços se produz um admirável tipo de vinho, em Ventosa já ele é mais áspero. Isto dá em resultado não ser possível manter um tipo certo nos mercados externos (Lisboa e Porto), sendo a venda prejudicada pela variedade qualificativa. A solução, quanto é nós, deve procurar-se na criação duma adega regional, reunindo os vários tipos para com eles formar um tipo certo.... Há duas formas de realizar a adega regional: uma – acordo estabelecido entre vários produtores de vinho, resolvidos a criar o tipo certo; outra – uma sociedade industrial que explore a ideia. A primeira é preferível, porque nela terão os produtores a garantia dum maior lucro... A segunda apenas interessa aos componentes da sociedade... A nossa região pediu que no regulamento fosse fixada uma zona para Lafões e na citada reunião condenou-se totalmente esses regulamentos, porque prejudicam outras regiões e porque se deve defender a liberdade de acção. Nós não podemos recear essa liberdade, porque os nossos vinhos verdes são dos melhores... Precisamos, porém, e em primeiro lugar, criar o tipo de vinho para Lafões, o que será conseguido, praticamente, (com) o acordo entre todos ou alguns produtores de vinhos” Por sua vez, o mesmo jornal de 30 de Junho de 1929, nas notícias de Ventosa, alegava-se que “...Nesta freguesia estão-se vendendo os vinhos ao preço de 1$20 e 1$40 cada litro apesar do ano passado ser uma colheita muito pequena. Mas como a região de Lafões, Castro Daire, S. Pedro do Sul, Vouzela e Oliveira de Frades tiveram uma classificação de vinhos ordinários e lhe é proibida a sua exportação, não pela má qualidade dos vinhos, mas pelo erro dos lavradores que misturam no seu fabrico todas as qualidades de uvas apesar de, nos concelhos de Vouzela e Oliveira de Frades, haver algumas freguesias que colhem vinhos que são uma especialidade que já muitas vezes têm ido para o Rio de Janeiro e outros países... O que não devíamos era pagar uns pelos outros. As Ex.mas Câmaras Municipais têm-se interessado interessado bastante para que os vinhos tenham saída, principalmente a Câmara de Oliveira de Frades onde os lavradores mais se queixam porque o vinho era a sua maior receita para o pagamento das suas contribuições. No mês de Março, o preço do vinho era de 35$00 e 40$00; hoje já se vende entre 20$00 e 25$00. As Ex.mas Câmaras que se não esqueçam deste assunto que está causando bastantes prejuízos a esta região encantadora de Lafões...” Legislações de 1929 e 1926 Quase sem retoques, inserimos, agora em 2019 e neste mês de Setembro, estes textos e estas ideias, por estarmos a pouco tempo da época das vindimas e muitos dos argumentos neles veiculados se mostram praticamente actuais. Há, no entanto, uma diferença de peso: em 1929, há noventa anos, havia por aqui bastante vinha e muitos produtores. Hoje, este sector está bastante reduzido, para não dizermos que está em perigosa e acelerada agonia. Já agora, diga-se que o citado Decreto 16684 exluía, por completo, a Região de Lafões, cingindo os Vinhos Verdes ao Minho e às suas videiras de enforcado, em ramadas, latadas, em cepas altas e médias, com castas indígenas, produzindo vinhos encorpados, carregados em cor, acidulados, adstringentes, com baixo teor alcoólico e com agulha. Entretanto, contrariando esta exclusão, o Decreto 12866, de 1926, integrava os nossos três concelhos na área dos Vinhos Verdes, como vinhos de pasto, possibilitando-se mesmo a comercialização local dos produtores directos (americano também), o que, em 1929, se rejeita claramente. Nota-se, assim, que em três anos muita água correu debaixo das pontes e as opiniões mudaram substancialmente, como se depreende das ideias que acabámos de expôr. Fica, porém, a lição. Ficam estas notas desses tempos recuados, para comparação e reflexão... Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, 5set19

sábado, 31 de agosto de 2019

Varzielas pode produzir novamente as Águas do Caramulo

Em Varzielas A esperança renasce com a possível reabertura das Águas do Caramulo No início deste ano de 2019, uma núvem negra abateu-se sobre Varzielas e toda a Serra do Caramulo, quando a fábrica das Águas do Caramulo recebeu ordem de encerramento, a partir do dia 1 de Fevereiro. Agora, em Agosto, fala-se na entrada em cena de um novo proprietário, o que constitui uma excelente notícia para todos nós. Sendo uma unidade industrial que conseguiu impôr-se no mercado,durante anos, nos consulados de Sousa Cyntra e da Unicer, posteriormente, prosseguiu esse mesmo rumo, por um espaço de tempo assinalável, ao serviço do grupo Super Bock. Inesperadamente, foi esta mesma entidade que lhe veio a dar a machada final, atirando para o desemprego 26 pessoas e fazendo cessar um importante pólo de desenvolvimento naquele território. De imediato, as entidades autárquicas locais e municipais se dedicaram à grande tarefa da fazer ressuscitar esta empresa. Em sucessivas diligências e contactos, nota-se agora que esse esforço pode ter sido coroado de sucesso. Sendo reconhecido que a Super Bock avançou logo com um Programa Social de Apoio, de modo a minimizar os efeitos negativos dessa sua medida, o certo é que os impactos devastadores do fecho desta fábrica foram altamente notados. Para se ter uma ideia da dimensão desta empresa, no ano de 2010, a Unicer referia que, desde 2003, se verificava “uma evolução positiva gradual”, tendo, então, lançado 145 milhões de novas garrafas das marcas Vitalis e Caramulo, anunciando-as, em mecanismo publicitário, como as mais leves do mercado. Nessas épocas, tudo ia de vento em popa. Sabe-se que, mais tarde, na panóplia de bebidas que aquela firma comercializava, a Águas do Caramulo começou a ser relegada para segundo plano, privilegiando-se , abertamente, uma outra marca produzida no Alentejo. Para trás das costas atirava-se uma fábrica que se vinha constantemente a modernizar e a lançar por todo o país e pelo estrangeiro uma das mais famosas águas lisas numa marca de prestígio e muito respeito. Depois de meses de sufoco e incerteza, agora parece que se vislumbram novos horizontes. Está a fazer-se justiça e a esperança renova-se em Varzielas e por toda esta região. Sem termos mais pormenores, esta notícia fala por si. Esperamos que venha a ser a desejada realidade que todos nós ansiamos. Com tanta e tão boa água, a Serra do Caramulo tem ali, em Varzielas, muito para continuar a dar em termos de progresso, emprego, desenvolvimento e bom futuro para toda esta nossa zona. Assim venha a concretizar-se a transacção anunciada. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, ago19

Turismo na mó de cima em Oliveira de Frades, mas tem de avançar mais...

Oliveira de Frades um concelho com turismo a crescer Das serras aos rios, as terras de Oliveira de Frades são um livro aberto em matéria de património, cultura e turismo, factores que importa valorizar e dar a conhecer. Até à construção da Barragem de Ribeiradio, que tudo veio mudar em paisagem, já por aqui existiam múltiplos pólos de inegável interesse. Mas, depois do aparecimento dessa enorme alfufeira, as alterações são óbvias e o futuro nunca mais será o mesmo. Nem pode sê-lo, sob pena de se desbaratar quanto representa em matéria de desenvolvimento. Por isso, é incompreensível – e altamente condenável – que as entidades que mandam nestas coisas do ambiente ainda não tenham apresentado o respectivo e urgente Plano de Ordenamento. Com esta falha já se perderam anos de possíveis e desejáveis actividades de índole turística e hoteleira, entretenimento e capacidade de criação de riqueza. Se as praias em atraso são algo que acarreta enormes prejuízos, todo o não uso da Albufeira é muito mais prejudicial a todos os níveis. Aquelas têm localizações muito precisas. A falta desse plano mata os muitos projectos sonhados para dezenas de quilómetros nas margens que vão de Souto de Lafões a Ribeiradio, onde os pontos de inegáveis interesses e mais valias são mais que muitos. Enquanto a Barragem, turisticamente, não avança e o seu magnífico lençol de água está assim por aproveitar oficialmente, restam-nos muitos outros motivos, os de ontem, os de hoje e todos eles de amanhã. Há toda uma enorme riqueza patrimonial e histórica que atravessa todo o território desde o Caramulo à Gralheira e em todos os sentidos. A cada passo, as pedras falam, os monumentos impõem-se. Temos, porém, nos últimos anos assistido ao lançamento de uma série de trilhos de muito nível, curiosamente com a Rota do Gaia a fazer-nos recuar ao início deste século XXI e ao aproveitamento de um criativo projecto internacional, que se estendeu a Lafões e deu aqui os seus frutos. Outros se lhe seguiram, desde os rios às serras, e é visível a importância que têm vindo a demonstrar. Designados PR, o I é o das Levadas, sendo que a citada Rota do Gaia recebeu a classificação PR2. Neste primeiro caso, andar-se-á pela freguesia de Arcozelo das Mais, a que se pode juntar o PRM 1, o dos Rios e das Levadas, numa impressionante mistura entre as belezas dos Rios Gaia e dos Tombos e outras. No lado oposto, em plena Serra do Caramulo, na União de Freguesias de Arca e Varzielas, temos o referido PR4 – a Rota dos Caminhos com Alma, que nos mostra o espírito das paisagens e cultura serranas, em que se misturam as terras de altitude com a monumentalidade das antas (Arca) e da natureza (Carvalhedo da Gândara), entre muitos outros e variados aspectos. Entretanto, em abertura de um enorme apetite por aquilo que pode vir a desenvolver-se, já sonhamos com o Eco-Trilho intermunicipal do Rio Teixeira, que irá mobilizar os concelhos de S. Pedro do Sul, Vale de Cambra e Oliveira de Frades. Ao que conhecemos destas mesmas paragens, o desfecho final será deslumbrante, de certeza. Mas muito, a este nível, há ainda a fazer, de modo a entrelaçar todo este vasto e riquíssimo território. Cuidar de tudo isto, jamais será uma despesa, sendo antes um investimento de alto nível. É assim que se deve pensar e agir. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, ago19

Termas com um património de excelência recuperado: o balneário romano

A propósito da recente inauguração Balneário romano recuperado a despertar grande interesse Com 2000 anos de história, o Balneário Romano das Termas de S. Pedro do Sul ganhou, com as recentes obras de restauro e recuperação, uma nova vida. Sem servir já os fins a que se destinou e que permaneceram activos desde os tempos iniciais desse gigantesco império até ao final do século XIX, agora passa a ter outras funções: um repositório vivo de tantas e tão intensas memórias. Pensado e sonhado para tratamentos medicinais, desde logo foi dotado de tanques de águas quentes, sulfurosas, e frias, a mostrar quanta atenção suscitou desde as suas origens, vindo a beneficiar, além dos súbditos e cidadãos romanos, reis, rainhas, clero, nobreza e povo, com destaque para D. Afonso Henriques e D. Amélia, que vêem o seu nome estampado em duas das infraestruturas ali existentes. Perdido o seu uso termal, nos anos 30, foi escola primária e, por volta de setenta, passou a ser um café-bar, sucedendo-lhe uma espécie de armazém de barcos fluviais. Vizinho do turbulento Rio Vouga, das suas águas foi vítima, pelo menos, nas décadas mais próximas de nós, de duas fortes derrocadas mercê da força das cheias que ali se verificaram, uma delas em 1995, como relata A. Correia de Oliveira (Termas de S. Pedro do Sul- Palimage, Viseu, 2002). Antes de falarmos nas obras que levaram ao seu reerguer, anotemos alguns pormenores do seu rico e vasto passado que tantos estudos tem motivado. Se a história de Portugal, nas Caldas do Banho/Caldas de Lafões/Termas de S. Amélia/Termas de S. Pedro do Sul, escreveu algumas das suas boas páginas, como as da cura de D. Afonso Henriques em 1169 e da criação do Hospital Real pelo Rei D. Manuel I, aparecem, na literatura científica, várias notas de interesse. António Pires da Sylva, em 1696, legou-nos um grande contributo, assim como Joaquim Baptista de Sousa no ano de 1821, entre tantos outros. Para A. Nazaré Oliveira, estas instalações romanas tiveram, na sua génese, uma piscina descoberta com 20.5 metros de comprimento, 9 de largura e 1.5 de profundidade e, no interior, uma com 7.4 m/5.4/1.2 e ainda uma outra. Para estes efeitos, foram dotadas de adequados sistemas de canalizações, aproveitando a riqueza dos aquíferos que foram e são a razão de ser de todo esta estância termal, uma das maiores da Península Ibérica. No edifício em causa, referiam-se dois nomes das divindades de peso da antiga Roma, em lápides e placas que as homenageavam, mormente Júpiter e Mercúrio. Com origens no plano de obras do Imperador Augusto, veio, em tempos posteriores, a albergar uma gafaria e, nos anos de 1500, passou a ser, com D. Manuel I, o Hospital Real das Caldas de Lafões, em edifício implantado entre as citadas duas piscinas. Uma a uma, estas valências foram definhando e caindo com o peso dos anos, do uso e, talvez, à mistura com algum descuido, desleixo ou coisas do género. Além do mais, nada é eterno. Monumento nacional desde 1938, depois da queda, veio a vida nova. O que agora se recuperou Até se chegar ao dia da inauguração, muitos passos foram dados: aí pelos anos 50 (A. Nazaré de Oliveira), realizaram-se as primeiras escavações, por Bairrão Oleiro, uma obra da responsabilidade da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, seguindo-se-lhe os trabalhos de Helena Frade e José Beleza Moreira, em 1985. Em sucessivas marés de indecisões, o banho-maria foi a maior regra geral, não se atando, nem desatando, durante décadas. Acontece que, nos últimos tempos, a Direcção Regional de Cultura do Centro pôs mãos à obra e os trabalhos de valorização, conservação e reabilitação foram postos em marcha nesta jóia do nosso património regional e nacional, onde se investiram 1.6 milhões de euros, com 85% a cargo de fundos comunitários e os restantes 15% repartidos, em partes iguais, entre o governo e a autarquia sampedrense, integrando-se toda esta obra no Pacto para o desenvolvimento e coesão territorial da CIM Viseu Dão Lafões. Pretendeu-se, de acordo com “Construção Magazine”, seguir, quanto possível, a manutenção da estrutura romana, recuperando as dimensões originais e usando sistemas construtivos e materiais tradicionais, sempre que assim possa ser feito. Com um ou outro pormenor de uma traça bem diferente, o que é, por exemplo, notório nas colunas exteriores, há quem diga e defenda que isso aconteceu para vincar duas épocas distintas: a das construções antigas e os acrescentos modernos, o que, em tese, se defende e até aplaude. Com o público já a poder visitar o velho Balneário, mais de 1500 pessoas já por ali passaram. Falta, porém, uma peça essencial: o museu. Espera-se, agora, que ele não tarde em aparecer. Esse é o nosso desejo. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Lafões”, ago19

Morre-se mais nas estradas...

As estradas matam mais Ano de 2018 com mais 12% em mortos Andar nas estradas é sempre um risco, nalguns casos, infelizmente, fatal. Ano após ano, os acidentes continuam a matar centenas de pessoas, atingindo-se, em 2018, o número de 675 mortes, o que representa, segundo o “Público”, mais 12% do que em 2017. Apesar de todas a campanhas e da presença das forças de autoridade, nada consegue estancar esta mortal hemorragia. Sabe-se que há toda uma série de razões para que assim aconteça, desde o azar, no seu sentido mais geral, aos descuidos de toda a ordem e à condução, vezes demais, sem os necessários cuidados e precauções, ao álcool e ao uso de telemóveis e outras máquinas enquanto se conduz. Também as viaturas e as próprias vias têm aqui grandes culpas nestes trágicos desfechos. Nesta mistura explosiva de motivos diversos, o certo é que os acidentes se multiplicam todos os dias. Além das mortes, há ainda os muitos feridos e estropiados que são as outras vítimas de todo este negro quadro. Ao juntar-se a tudo isto aquilo que tem vindo a acontecer com os tractores, um outro flagelo, constata-se que as máquinas matam, sem apelo, nem agravo. Estando nas nossas mãos algo de cautelas e precauções, muito do que se vê, em desgraças, nas nossas estradas deve-se a factores estranhos a cada um de nós, havendo, por aí, muitos inocentes.que tombam sem culpa nenhuma. De acordo com a mesma fonte, 151 pessoas morreram por atropelamento, 250 por despiste e 274 por colisão, sendo ainda de relevar que 240 destes concidadãos encontraram a morte dentro das localidades, 57 nos auto-estradas e 146 em estradas nacionais, além de outros locais. Deduz-se destes números que os AE ainda são as vias mais seguras, apesar da velocidade com que se circula. Preocupante é o que sucede dentro das nossas terras, quando aí existem muito mais regras e onde se exige uma atenção maior. Mas, como o mal espreita em todo o lado, aqui ele vem de onde menos se espera, assim como, convenhamos, nas outras situações. Nada disto é impessoal: cada morto, cada ferido, cada incapacitado têm a sua família e as suas redes de amigos. A dor espalha-se, assim, para e por muitas direcções num largo cortejo de doridos sentimentos e de imensos prejuízos. Se fôssemos aqui encaixar os números dos acontecimentos deste género em Lafões, haveria, por certo, também muito a lamentar. Sem coordenadas geográficas, a morte bate a todas as portas, como aconteceu, ainda há dias, com o despiste de um jeep na zona de Covas do Rio e de uma moto em Viseu com um rapaz de Fataunços, tendo ambos encontrado a morte nesses locais. Chorando as vítimas, que a sorte nos ajude, que dela bem precisamos para circularmos nas nossas estradas. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Lafões”, ago19