sexta-feira, 18 de setembro de 2020
A força e a fraqueza do minério em S. Pedro do Sul e arredores
O minério em S. Pedro do Sul e arredores
Anos de ouro e de miséria
É a região de Lafões bem rica de variados recursos. A mineração e a exploração do subsolo em busca de produtos de eleição, como o ouro, o estanho, o volfrâmio e outros metais, sempre atraíram os seus habitantes ou mesmo forasteiros. O meado do fatídico século XX, com os horrores da mortífera e destruidora Segunda Grande Guerra, é disso, neste caso, um triste exemplo.
Estas actividades não se ficam, porém, apenas por aqui. Bem perto, a juntar à Bejanca e a tantos outros locais, temos o concelho de Arouca em lugar de destaque, nesses mesmos anos. Com uma enorme proliferação de minas, anotemos algumas delas, espalhadas por esta nossa zona, mais nuns lados que noutros, como bem se compreende. Ei-las: Regoufe, Rio de Frades, Chãs, Barrosa do Cume, Bejanca, Pena Amarela, Baldoneira, Aceará nº 2, Vale Escuro, Vale do Espírito Santo, Igarei, Feitosa, Fontainhas de Loumão, Pinhal do Fojo, Queirã, Engenho, Manga, Fataunços, Covelo (Ventosa), Cantinho, Chão do Rego 1 e 2, S. Miguel do Mato, Fonte Barrenta, Vasconha, Ponte de Ribamá, etc.
Sem menosprezar qualquer destes investimentos mineiros, o nosso destaque vai para a Bejanca, que assinalou cem anos em 2015, Regoufe e Chãs. Aliás, foi tal o interesse destes locais, que os aliados e os alemães as disputavam taco a taco, com uma delimitação táctica que as duas partes se encarregavam de respeitar. No topo desta pirâmde, Salazar, coberto numa aparente neutralidade, tudo sabia e tudo consentia. Era uma forma de agradar a gregos e as troianos e esta política e diplomacia duraram até ao rebentar da corda, o que a certa altura veio a acontecer.
Para mal do mundo, o grosso destas explorações deu-se aí pelos anos trinta e quarenta, com particular ênfase nos anos da Guerra, 1939-1945. Com muitas publicações gerais e específicas sobre este tema, têm-nos sido muito úteis os trabalhos de Fernando Vale, nosso ilustre conterrâneo, sobre a Bejanca, sobretudo, e locais nos arredores, e João Paulo Avelãs Nunes, com uma perspectiva geral no período do Estado Novo. Para um conhecimento algo detalhado das minas e sociedades constituídas em Lafões, os arquivos do jornal “Notícias de Vouzela” são riquíssimos nesse e noutros assuntos de interesse colectivo e comunitário, Pessoalmente, em finais do ano de 2008 e 2009 aí publiquei uma série de artigos que podem ser vistos como um breve resumo de todas estas matérias.
Com muitas personalidades em evidência, por bons e menos bons motivos, são imensas as histórias de sucessos e fracassos entre quem se aventurou por estes caminhos. A verdade, o mito e a caricatura andam aqui sempre de mãos dadas, como a história das notas fumadas, das idas ao Porto por se ir, dos fatos espampanantes, mas também o sucesso empresarial em muitos casos.
Quem soube singrar neste mundo
No que a S. Pedro do Sul diz respeito, um nome salta de imediato para a ribalta: Agostinho Gralheiro, que, entre muitos outros feitos, teve a ideia de fazer erguer um pedestal, em Lobízios, S. Martinho das Moitas, precisamente em 1945, a que deu o nome de Cruzeiro da Paz. A marcar o seu lado da barricada, o “V” de Vitória fala por si.
Com uma carreira feita a pulso, desde os tempos em que foi empregado num armazém de vinhos em Lisboa e, posteriormente, ferroviário, foi nas minas de Regoufe que cavou o seu êxito. Como capataz ao serviço dos ingleses ( que os alemães dominavam em Rio de Frades, a cerca de 10 km), logo deu nas vistas.
Um dia, extraditado o Mister Brawn, seu patrão, toma uma arriscada decisão ao ficar com a mina. Foi tão bom o negócio que o Som da Gente, da Rádio Lafões, há anos, chegou a afirmar que, ao vendê-las, mal acabou o conflito mundial, arrecadou a extraordinária soma de 13 000 contos, uma verdadeira pipa de massa, como agora tanto se diz a propósito dos novos fundos europeus.
Num estudo feito por Carla Maria Braz Martins, “ A exploração mineira romana e a metalurgia do ouro em Portugal”, Universidade do Minho, 2008, logo nos mostra que Lafões deu trunfos para esse jogo, indicando áreas de importância desse metal, nesses tempos recuados, em territórios de Arouca e S. Pedro do Sul, sendo que, aqui em particular, cita uma mina em Deilão e outra na Gralheira, pensando nós que se trata da nossa Serra. Identificando galerias a céu aberto e subterrâneas, a de Deilão era um poço vertical, ligeiramente inclinado, como acentuou.
Por sua vez, Pedro Valério e outros, em “Caracterização química das produções metalúrgicas – Castro Nossa Senhora da Guia (Baiões) – Bronze final”, no Arqueólogo Português, 2006, anotam uma série de artefactos, como foices, armas, elementos de ritual, taças, carro votivo e outros objectos de adorno, o que faz pressupor a exploração mineira, já nessa altura, por estas nossas terras, isto é, mesmo antes da vinda do todo poderoso povo romano.
Em síntese, no Boletim de Minas, vol 50, nº 2, Lisboa, 2015, alude-se a um arquivo/catálogo com processos desde os anos de 1839 a 2011, o que será, por certo, uma excelente fonte de informação da Direcção-Geral de Energia e Geologia.
Fala-se, quanto ao nosso distrito de Viseu, em 10 minas de estanho, 21 de volfrâmio, aludindo-se ainda ao ouro.
Num outro Boletim ( vol 42, nº 1, 2007), pode ler-se, meio relacionado com estes temas, um bom trabalho de L. M. Ferreira Gomes, em que trata do “Aproveitamento geotérmico em cascata em S. Pedro do Sul”, vendo estes seus recursos aquíferos como resultado da grande falha activa Verin (Espanha), Régua, Termas, Penacova, passando por Ribamá, Numa curiosidade constante nesta publicação, refere-se que as Àguas do Caramulo, em 2006, engarrafaram 50 351 442 unidades que espalharam por todo o lado. Infelizmente, há tempos, fecharam portas, mas, agora, já ali se instalou uma nova empresa que, brevemente, fará ressuscitar aquele importante empreendimento de Varzielas, Oliveira de Frades.
Com um convite a que se “Venha conhecer as minas de ontem”, em 2001, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto esteve no Parque da Fraguinha com as “Memórias Mineiras” do Maciço da Gralheira, aproveitando uma série de materiais e vestígios e um testemunho, ao vivo, de um velho mineiro das Chãs, Manhouce, o Sr. Tobias. Bom espólio ali foi exposto.
Tendo partido para uma prospecção de minério, acabámos por encontrar ouro e metendo no meio aquela boa água. Tudo isto porque a natureza por aqui é rica e tem muito para nos oferecer.
Só que, por vezes, o homem, nas suas ambições desmedidas, estraga tudo. E isso é que tem de nos fazer pensar antes de qualquer acção posta no terreno....
Carlos Rodrigues, in “Notícias de Lafões”, 17 Set 2020
sábado, 5 de setembro de 2020
Turismo em Lafões em páginas publicitárias desde o início do século XX...
Turismo em Lafões desde há décadas
A fazer-se publicidade em escala cada vez maior de 1900 em diante
O fenómeno social e económico do turismo não é apenas um facto recente. As preocupações com este sector e as campanhas para se valorizarem os recursos de cada espaço territorial vêm inscritas em documentos com décadas de publicação e com bastante bolor, tal é a sua antiguidade. As respectivas brochuras são, por exemplo, uma raridade bem disputada e muito procurada, por praticamente se encontrarem esgotadas ou bem guardadas em cofres particulares.
Em Vouzela, para aqui darmos o pontapé de saída deste trabalho para o nosso “NV”, por exemplo, foi criada uma Comissão de Iniciativa que logo tratou de falar da Antiga Capital de Lafões e seus arredores, isto por volta do ano de 1930, a fim de colocar em destaque os seus pontos mais valiosos. Aí se registava, no meio de uma boa série de informações e recomendações, o seguinte: “... Quem algum dia, nas suas passadas de caminheiro errante, aboradar as terras de Vouzela, de feição acolhedora e maneirinha, certo há-se parar de enlevado encanto e volver os olhos surpreso e recolhido para aquela paisagem de maravilha, tocada não sei de que enternecido lirismo, que para logo deixa a alma em sonho e o coração contente... Pendo a crer que a paisagem de Vouzela, pelo colorido suavíssimo que a doira e afaga, pelas cambiantes que iluminam e amaciam seus contornos, constitui o mais lindo retábulo do formosíssimo altar da Beira... “
Insere-se uma boa carteira de fotografias, de notas e dicas, em que se incluam especialidades da região e outras achegas, nomeadamente os acessos e respectivas vias, sendo que, por exemplo, a EN 16 ainda era a nº 8 e que a linha do Vale do Vouga servia a terra com 4 comboios ascendentes e outros tantos descendentes por dia.
Quanto a Oliveira de Frades, num desdobrável da ROTEP, nos anos 50, em organização de Camacho Pereira, dizia-se que se possuem “ boas pensões e é procurada pelas gentes da cidade ansiosas por passarem umas férias em terra de bons ares, de média altitude e capaz de lhes proporcionar não só um retemperante repouso, mas também o prazer tonificante de de um passeio turístico através de maravilhosos vales e colinas. Efectivamente, da vila irradiam boas estradas que num instante colocam o turista no Alto do Caramulo” e outros destinos.
A par de um bom conjunto diversificado de referências a equipamentos, sítios pitorescos, dá-se destaque a uma especialidade culinária, a Vitela de Lafões (assada no espeto, como uma de suas variantes).
Anos antes, o “Porvir de Lafões” do ano de 1912 dava conta, no que se reporta a S. Pedro do Sul que “ o concelho vai finalmente na senda luminosa do progresso em engrandecimento material... “. Depois de alguns tempos de letargia, “ Isso acabou e há uns cinco anos a esta parte começou de bafejar-nos a aura da felicidade, que nos reanima e faz cobrar novo alento na cruzada em prol das necessidades e melhoramentos concelhios... “
A importância da linha do Vale do Vouga
Na base desta euforia, um ponto nevrálgico era comum aos três municípios de Lafões – o avanço da construção da linha do Caminho de Ferro do Vale do Vouga, que “vai rasgar horizontes mais amplos” sobretudo para a estância balnear das Termas.
Há que relevar-se ainda uma imprensa bastante aguerrida desde os últimos anos do século XIX, que era um poderoso meio para divulgar as belezas e as virtudes destes nossos territórios, que, a partir do ano de 1911, tiveram no Grémio Lafonense, em Lisboa, base da actual Casa de Lafões, um outro aliado de peso e de muita qualidade, a promover uma série de boas campanhas e visitas a estas localidades da nossa Beira, aproveitando, muitas vezes, esse novo meio de transporte ferroviário.
Sendo aquele espaço lafonense, na capital, muito frequentado por naturais destas zonas e visitantes das mais diversas paragens, a publicidade que ali se fazia à terra-mãe dava os seus frutos.
A par destas ondas de activa agitação publicitária, no bom sentido, que tinham por base estas nossas aldeias e vilas, tornou-se também fundamental, nos anos trinta, concretamente em 1933, a edição de um bem conseguido Guia dos Caminhos de Ferro que às localidades de Lafões deu natural realce, mormente aos sítios por onde passava o respectivo comboio, no nosso caso, desde Ribeiradio a S. Miguel do Mato, numa linha que cortava horizontalmente os concelhos de Oliveira de Frades, Vouzela e S. Pedro do Sul.
Dois outros pontos se devem assinalar ( e estamos apenas a cingir-nos aos primeiros anos do século XX), sendo eles o Concurso da Aldeia Mais Portuguesa (1938), atirando para a ribalta Manhouce e Cambra, e um outro concurso, o das “Estações Floridas”, que também chamava muito a atenção de quem se interessasse por viajar e isso começava de se fazer sentir de uma forma cada vez mais acentuada, à medida que melhoram as vias de comunicação e a fama passa de boca em boca.
Para finalizarmos, digamos ainda que o jornal “Gazeta de Coimbra”, em 1930, trazia um artigo de José Bento, que sintetiza tudo quanto tentámos aqui esclarecer: a “ Necessidade de Propaganda da Beira”.
Depois, com o passar dos tempos, tudo foi evoluindo, a ponto de hoje estes dados nos parecerem algo de quase pré-histórico, mas têm apenas cerca de oitenta/noventa anos. Para conhecimento do que fomos, aqui ficam estas achegas turísticas, esperando, agora, que este sector renasça, que bem precisamos dele para dinamizarmos a nossa economia e bem-estar...
Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, Setembro 2020
sábado, 29 de agosto de 2020
Pensar Portugal à moda de Tolentino de Mendonça...
Precisamos de viajar juntos
Até parece mentira e ficção o titulo deste texto. Isto de dizermos que precisamos de viajar juntos, quando todas as normas da Organização Mundial de Saúde e da nossa Direcção Geral da mesma área nos andam todos os dias a pedir que nos afastemos uns dos outros, cheira quase a heresia, a uma contra ordem. No entanto, não se trata de nada disso. Tem só e tudo a ver com o muito que o Cardeal Tolentino de Mendonça nos disse no passado Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, num Mosteiro dos Jerónimos parecido com a Praça de S. Pedro em Roma, por alturas da Páscoa, por estar praticamente vazio. Anotemos essa, mais uma, das suas mágicas e cativantes frases.
Que nos desculpe o Presidente Marcelo, mas, ali e naquele nosso dia, quem verdadeiramente nos mobilizou foi mesmo o Cardeal Tolentino. Num discurso marcante, todo ele voltado para a necessidade de nunca deixarmos de lado, nem esquecermos as nossas raízes, cada uma de suas linhas foi os Lusíadas por inteiro. A comunidade que invocou, a urgência em avançarmos para a realização do sonho de sermos concidadãos, de cuidarmos das múltiplas partes para, juntos, edificarmos o todo, de colocação das pessoas no centro, de fortalecer o pacto integeracional, passou toda por aqueles seus minutos de conversa de fino recorte e acutilância bem medida.
Olhando para um desconfinamento que deve fazer de cada um de nós um actor participante, mais do que de números, mais do que de finanças e de economia puras, falou-nos em fincarmos as raízes no chão, em partirmos para os tempos duros que aí vêm num modo novo: o de um amplo projecto, que a todos diz respeito. Se cada geração – e estamos sempre a pegar nas suas ideias – e cada tempo têm momentos bons e maus, sucessos e vulnerabilidades e até tempestades, só com compaixão e fraternidade conseguiremos vencer os problemas e os medos que invadem cada um de nossos dias.
“ Precisamos de viajar juntos”, de reabilitar o pacto comunitário, de implementar um novo pacto ambiental, de, repetimos, fortalecer um outro pacto, o intergeracional. Não podemos cortar a sociedade às rodelas, velhos para um lado, novos para outro, nem é possível que continuemos a matar as esperanças dos mais jovens/adultos. Nesta roda, temos de caber todos, à uma e todos com todos.
Estando tudo conectado, isto é, ligado por todos os lados e de alto até abaixo, só uma visão inclusiva será o motor da mudança que tem de acontecer. Chorando as perdas, com uma crise que é poliédrica, ou seja, tem muitas dimensões e faces, além da doença, da Covid 19, temos de vencer o desemprego, a diminuição das condições de vida, o empobrecimento radical, a fome, numa hora que tem de ser de solidariedade. Total.
Ao sermos instados a cuidar da vida, de todas as vidas, sem excepção, que nunca esqueçamos esta sábia lição do Cardeal Tolentino de Mendonça, um madeirense que não teve as comemorações do 10 de Junho de 2020 na sua terra natal, a Madeira, precisamente porque a pandemia nos trocou as voltas, todas as voltas da vida.
Discursou para uma dezena de pessoas de cara tapada, mas chegou-nos, a todos nós, ao fundo do coração e mexeu-nos com a cabeça.
Quase que somos levados a propôr: que cada decisor político, incluindo o Eng. António Costa e Silva, que tem o projecto da nossa recuperação em mãos, tenha nas suas mesas de cabeceira este “sermão” de 10 de Junho. Que, entre números, se saiba que isto só vai com o empenho de cada um de nós e de todos nós bem juntos.
Para não nos desviarmos um segundo destas ideias do Cardeal Tolentino, nem uma palavra aqui colocamos a mais, nem uma qualquer referência aos tempos conturbados que estamos a presenciar e a viver, numa doença de outra dimensão.Até porque tudo se vence se virmos em cada pessoa, em todas elas, a parte da sociedade que temos de reconstruir, que o sonho só se consegue em dura experiência e em conjunto...
Carlos Rodrigues, in “Notícias de Lafões”, Ago 2020, em virtude do atraso por causa da pandemia...
quinta-feira, 13 de agosto de 2020
Vouzela e Lafões há 50 anos...
O Notícias de Vouzela de há 50 anos
Preocupações e questões para resolver
Percorrendo os arquivos deste jornal “Notícias de Vouzela”, fazemos hoje uma viagem até ao ano de 1970, começando-se logo por referir que era de regozijo o tempo vivido pelo facto de, nessa altura, este órgão de comunicação social ter passado a trimensário, depois de ter sido publicado de 15 em 15 dias desde o seu nascimento em 1935. Logo a seguir, começavam as preocupações e uma delas relacionava-se com as questões da saúde e de uma forte onda gripal que se vivia nesta região.
Neste sentido, falava-se num Inverno rigoroso e numa gripe intensa, a ponto de se referir que ela atinge “numerosos lares, alguns dos quais tiveram já na cama todos os seus componentes”. Sendo geral, numa propagação absolutamente anormal, algumas das freguesias de Lafões eram das mais flageladas.
Sem que haja uma ligação directa e oxalá que isso não aconteça, não deixa de ser relevante, quando olhamos para a nossa actualidade, esta constatação - a de se estar perante um preocupante surto gripal, que, como se sabe, tem muito de cíclico e nos visita praticamente todos os anos, ora de uma forma mais leve, ora muito mais intensa e preocupante. Volvidas cinco décadas, num tempo em que a Covid já muito nos preocupa e assusta, se essa gripe aparecer assim em força estaremos então perante uma situação que traz indesejadas complicações de maior, a juntarem-se à pandemia que nos assola e, pelo que se sabe, não desaparecerá tão cedo quanto se deseja e espera. Fazemos votos para que a história, neste caso, se não repita.
Nessa época de 1970, estava também em cima da mesa o problema da EN 333, aquela que liga Vagos a Vouzela ( de que fizemos, pessoalmente, há uns tempos, um razoável estudo que levou a várias exposições nos concelhos por onde ela passa), protestando-se contra a sua não conclusão, havendo muitos troços por fazer e outros a melhorar. A par de muitas outras reivindicações, desde a electrificação aos telefones, passando pelas mais diversas áreas, as vias de comunicação estavam num dos lugares cimeiros dos problemas em discussão.
Ainda na área das vias de comunicação, a povoação de Varzielas mostrava o seu descontentamento porque a carreira Queirã – Viseu e Caramulo – Águeda não era obrigada a manter a ligação à aldeia em causa e isso muito afectava os passageiros dessa terra. “ o que é triste e desolador”. Porém, alguns dias após este desabafo, a empresa Oliveiras – Transporte e Turismo, SARL, vem indicar que, no horário do meio dia, essa pretensão será atendida. Do mal o menos.
Uma outra esfera de assuntos relacionava-se com as madeiras e gritava-se contra a Madeiper, que, num insulto à pobreza, assim se escrevia, acabara de “ decretar ditatorialmente o (seu) preço”. Como, muitas vezes, há aspectos colaterais a surgirem, saudava-se a ideia e o apelo “ a todos os lavradores que se sentem (...) se deverem juntar para se poderem defender em cooperativas”, quando por aqui eram, nessa altura, bons os exemplos nos campos da agricultura e da vinicultura, com sedes, respectivamente, em Vouzela e S. Pedro do Sul.
Entretanto nem tudo eram queixas, na medida em que vinha estampada uma boa iniciativa, a criação do Movimento de Promoção Social do concelho, concretizado na Associação Pró – Oliveira de Frades. Propunha-se trabalhar em diversos domínios, tendo-se, de imediato, avançado para uma Comissão de Saúde e para o debate dos temas que preocupam os agricultores.
Se este ano tudo pudesse correr normalmente e não existissem as restrições e cuidados a ter com a Covid 19, estaria o concelho de Vouzela em onda de grande animação com as suas Festas do Castelo. Tal como já aconteceu em Oliveira de Frades e S. Pedro do Sul, onde foram cancelados esses mesmos eventos, e como sucede em cada uma de nossas povoações e na Pedra da Broa sem a sua tradicional sardinhada, resta-nos abordar o que se dizia quanto à edição vouzelense de 1970, ao saudar-se o regesso da Banda de Palmela e o festival luso-espanhol de folclore, estando acordada a vinda dos Ranchos de Orense e Léon, da Galiza, o da Região do Vouga e o de Torredeita, além das noites na Capucha.
Ao lado, registava-se que era significativo o número de veraneantes em Oliveira de Frades, a ponto de o Correspondente assinalar que “.... Torna-se impossivel indicar totalmente todos quantos por aqui se encontram e de que nos abstemos para evitar melindres... “
Nesses tempos, o turismo estava em alta. Hoje, pelas razões que todos conhecemos, este sector vive momentos de verdadeiro sufoco com a paragem abrupta e quase total desta importante actividade económica. Felizmente que, por aqui, ao que sabemos, a recuperação começa a verificar-se e ainda bem.
Esperando-se melhores dias, que se recomece a “passar bem”, porque de tristezas temo-las tido em grande quantidade e dor...
Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, Agosto 2020
sábado, 1 de agosto de 2020
A nova Europa que se deseja...
Integramos uma Comunidade que é filha de horrores
- Pestes e guerras a marcarem todos os tempos
Desde o ano de 1986, Portugal faz parte da então Comunidade Económica Europeia, hoje UE. Essa foi a resposta encontrada para fazer face à saída do Império e aos desafios que, como portugueses, tínhamos pela frente. Fechadas as portas das terras viradas para o mar, que foram o nosso desígnio de cerca de cinco séculos, aquela foi a hora de nos virarmos para a Europa, nossa terra-mãe, que se unira em redor da defesa de um projecto comum.
Por triste coincidência, a necessidade desse reencontro de irmãos desavindos, como foram os povos europeus, sobretudo em duas terríveis e mortíferas guerras mundiais, nasceu desses mesmos conflitos. Também hoje, a uma outra escala e numa vertente bem diferente, estamos num tempo em que só unidos sairemos da crise mundial em que estamos metidos.
Para melhor enquadrarmos o que esteve na base da actual União Europeia, que tem passado por diferentes fases, uma melhores, outras piores, precisamos de recuar aos anos quarenta do século anterior, para, no meio dos destroços e muitos milhões de mortos, feridos e desalojados, descobrirmos o génio de homens de rija têmpera e verdadeiramente sonhadores que pensaram vir a conseguir uma nova plataforma de cooperação e entendimento que pudesse construir, em parcerias, um novo mundo e não destruir pela guerra a paz e a concórdia que devem sempre sobrepôr-se a tudo, em nome da vida e da dignidade da pessoa humana.
Para que nunca se esqueçam, eis alguns dos nomes que levaram por diante esses nobres objecivos; Jean Monnet, Konrad Adenauer, Winston Churchill, Alcide De Gasperi, Robert Schuman e Paul-Henri Spaak, entre muitos outros. Como na base desses trágicos conflitos, nomeadamente, o de 1939-1945, estiveram quase sempre a motivação e egoísmo económicos, opondo dois eixos, o dos aliados à Alemanha e seus apêndices, houve, de imediato, que pôr travão à luta pela posse dos minérios, o que abriu portas à constituição da CECA – Comunidade Económica do Carvão e do Aço, no ano de 1951, a abranger os esforços e a coragem da França, Alemanha, Bélgica, Itália, Luxemburgo e Países Baixos/Holanda. Estavam dados os primeiros passos para a afirmação de uma nova era.
Tudo tem uma matriz e aquela que foi a força básica para esta nova e determinante postura teve a ver com um famoso discurso, o de Robert Schumann, em 9 de Maio de 1950, o Dia da Europa, em que se incitou a que a Alemanha e a França pusessem em comum os seus recursos, o que foram os alicerces da futura CEE. Pouco tempo depois, em 1955, avançou-se para a integração de toda a economia, culminando esta caminhada com o arranque da referida CEE, através do Tratado de Roma, em 25 de Março de 1957, com os países já referidos, os pais do Mercado Comum, que haveria de revolucionar a Europa e até o mundo, na medida em que apareceu um tabuleiro diferente no xadrez global.
Numa escalada gradual, foi-se erguendo o alto prédio que estamos a coabitar, desde os seis iniciais grandes mosqueteiros até aos 28 países de há dias e aos 27 de agora, depois da saída do Reino Unido, por via do Brexit de que ainda pouco sabe em termos de feitos futuros. Bons não são eles, pensamos nós.
Pelo meio, entre avanços e recuos, sempre com a mira voltada para o aprofundamento das várias liberdades e da criação da união aduaneira, que são a pedra de toque deste projecto europeu, surgiram os diversos acordos e Tratados, como o de Lisboa, sem esquecer o de Maastricht (União Europeia – UE), o de Nice, o de Amsterdão, o Acto ìnico Europeu, o Acordo de Schengen, etc....
Num edifício complexo a todos os níveis, podemos encontrar, na sua orgânica, uma estrutura assente em pilares muitos diferentes e complementares, designadamente a Comissão Europeia, o Conselho Europeu, o Parlamento, eleito directamente desde 1979, o Tribunal de Justiça, o Tribunal de Contas, o Banco Central Europeu (BCE), desde que apareceu o Euro, o Banco Europeu de Investimento, o Comité das Regiões, as agências especializadas e outras valências e serviços. Sob o Hino da Alegria comum e uma Bandeira, em fundo azul com doze estrelas, os múltiplos interesses desta vasta união são apreciados e decididos nas instâncias que acabámos de citar, numa certa transferência de soberania que os Estados-Membros para ali transferem.
Estamos numa nova “Hora da Europa”
Perante uma crise que se abateu sobre todos nós, desde a China à América, não poupando praticamente todos os países do mundo, esta Covid 19 fez soar as campainhas de alarme por aqui e por todo o lado. A doença e seus efeitos colaterais, devastadores e imprevistos, cujo alcance ainda nem se conhece bem, têm obrigado a que se repense tudo.
Se cada estado tem pensado e agido um tanto pela sua cabeça, a União Europeia, se forem em frente os programas e os pacotes financeiros que estão arquitectados, soube mostrar que comprendeu, para melhor, velhas lições. Se, na crise de 2008/2011, deixou que tudo descambasse para a hecatombe financeira e económica, que no caso português, grego, irlandês, espanhol, italiano e outros países, a todos levou ao charco, fazendo disparar os juros e o peso das dívidas de uma forma brutal, agora parece que foram encontradas as vias que fizeram dar as mãos em vez da teoria cínica e desastrosa do “salve-se quem puder”. Em Portugal, por exemplo, ainda hoje pagamos essa dor, em virtude de uma Troika que nos amarrou da cabeça aos pés e nos deixou de rastos.
Como esta Covid 19 espalhou a morte e a destruição por todo o lado, as respostas europeias, como se pode depreender das palavras da Presidente da Comissão, quando fala numa nova “Hora da Europa”, estão a trilhar outros caminhos diferentes, em que se notam a cooperação, a solidariedade e a partilha de responsabilidades em conjunto, se os quatro países não teimarem em levar por diante as suas complicadas posições individualistas. Prevê-se a entrada em cena de fortes bazucas, uma delas de alto calibre e alcance como a que é empunhada pela CE com um pacote de 750 mil milhões de euros, grande parte em subvenções e outra fatia em empréstimos mas de pagamentos suaves e algo leves, numa espécie de mutualização da dívida. Se o último Conselho Europeu andou um pouco aos solavancos (depois de este trabalho ter sido escrito), felizmente notou-se que o bom sendo foi ainda a tónica dominante.
Devem juntar-se-lhe as verbas dos quadros normais, mais os montantes vindos do BCE e do Euro e outros fundos, podendo dizer-se que tudo isto supera o conhecido Plano Marshall dos anos quarenta e cinquenta que foi então algo de outro mundo. Desta feita, a escala nem é dessa dimensão, porque vai além de todas galáxias que se conhecem.
Impõe-se, agora, uma exigência, a que não estamos, infelizmente, muito habituados: saber usar estas “pipas de massas” em nome do bem comum, de bem conseguidas políticas de coesão, de uma transição justa a nível climático, da modernização da nossa economia, da sua digitalização, de uma criativa educação e formação, de um desenvolvimento industrial e agrícola capaz, de um comércio e serviços à altura dos desafios dos novos tempos, de um turismo que saiba ler e ver os novos sinais, do aproveitamento consciente dos nossos recursos e meios, em terra e no mar. Em suma, de uma modernização a toda a linha, que não esqueça o homem, o ambiente e o dia de amanhã, porque temos a obrigação de lutar pelo bem- estar das novas gerações, um outro dos lemas em que estes dinheiros e projectos se inserem.
Para um país, uma Europa e um mundo mais responsáveis e solidários, não basta que haja dinheiro em cima da mesa. É preciso é sabermos bem o que fazer com ele. Para quê, para quem e com que meios. Ou seja: com a cabeça e o coração a funcionarem em conjunto e a pensarem na defesa das pessoas. De todas as pessoas.
Com os olhos postos na recuperação a curto prazo, muito necessária e urgente, é para o futuro que temos de apontar estas boas munições, não as das guerras que originaram a CEE, mas as da paz que nos ajudarão a criar um mundo novo, este nascido das cinzas e das devastações desta terrível Covid 19...
Carlos Rodrigues
quinta-feira, 23 de julho de 2020
As ofertas valiosas de Lafões em termos de turismo
Lafões com muito para ver
Com cuidado, andar por aqui é seguro
Este é um tempo novo. Não é diferente, sequer. É outro, um outro mesmo, sem qualquer sombra de dúvida. Depois da vinda do coronavírus, muito do que era dado como certo estilhaçou, fez-se em cacos, ou talvez até em pó. Uma certeza temos, apesar de tudo: a vida, para quem tem a sorte de dela poder desfrutar, tem de continuar, reinventada, mas sempre com o intuito de, amanhã, podermos voltar a ganhar o apetite pelo sorriso e a poder mostrá-lo, de cara aberta e sem filtros.
Sabemos, então, que tudo mudou. Só que, para bem de todos nós, as paisagens, a monumentalidade, o saber-fazer de nossas gentes e aquela ponta de um saber-receber que nos marca e que orgulhosamente ostentamos como selo do nosso ser, isso, não desapareceu. Está por aqui, incólume. Neste período de terríveis e pesadas incertezas económicas e socais, que tanto têm prejudicado a economia e as nossas carteiras, o que também afectou – e de que maneira! – este nosso “Notícias de Vouzela”, tem este jornal o gosto e o dever de puxar pelo que de melhor Lafões tem para oferecer a quem nos visita e quem aqui faz negócio, ou relaxa pelos seus recantos e encantos. Este é, assim, um contributo que damos a quem tanto nos tem apoiado ao longo destes 85 anos e, de uma forma muito especial, significativa e até emocional, nesta época de uma pandemia sem quartel.
Felizmente, o difícil é escolher o conteúdo a apresentar e a ponta por onde se lhe pegue. Desenrodilhada a linha, a meada segue em frente, brilhante como o sol. Para qualquer lado que nos viremos, logo nos aparece, como cogumelos, algo que interessa ver, observar com calma e por aqui andar com todo o tempo do mundo que possamos vir a ter. Se os motivos para as diversas deslocações são mais do que muitas, certo é que, para carregar as baterias, não faltarão os ingredientes de alta qualidade e a possibilidade de retemperadores descansos em locais de sonho, que são um paraíso à nossa espera. Com uma restauração e hotelaria de estalo, cada garfada será um mundo de novas descobertas e sabores. Por cada noite dormida nas muitas unidades de alojamente que por aqui existem, ganham-se dias e dias de vida daí em diante.
Com empresários altamente responsáveis e conhecedores do seu ofício e das exigências melindrosas da época, a nível de saúde, que atravessamos, estes cuidaram de tudo para que nada falte em higiene, conforto, segurança, distanciamento social e possibilidade de se fazer turismo sem credos na boca. Cabe, depois, a cada cidadão dar o seu inestimável contributo pessoal e de activa e consciente cidadania, pensando em si e nos outros, isto é, na comunidade como um todo.
Posto isto, a decisão de se escolher Lafões se é sempre uma boa opção em qualquer altura, agora sai reforçada, na medida em que a nossa posição geográfica e a consciência dos actores no terreno podem garantir tudo aquilo de que se precisa: a possibilidade de se veranear à vontade, se cada pessoa souber o chão que pisa, como é evidente.
Depois desta introdução, está na hora de se indicarem algumas pistas, sabendo-se que a nossa região tem de ser sempre vista e analisada como um todo natural a que o homem tem sabido imprimir a sua boa pegada. Assim, optamos por falar em motivos que se escontram espalhados pelos três concelhos, Oliveira de Frades, S. Pedro do Sul e Vouzela, interligando-os e fazendo sobressair cada uma de suas virtudes, de um modo geral e em termos de especificidades, muitas delas inalienáveis, como a água quente e sulfurosa que só a temos nas Termas de S. Pedro do Sul.
Há, porém, muitos outros locais que se podem analisar de uma certa forma comparada e complementar, como, por exemplo, as antas, os castros, os solares, as matas, as igrejas e quantas coisas mais. Umas não anulam as outras, antes acrescentam algo de saber e conhecimento que, no seu conjunto, mais enriquecem quem as procura, as encontra e com elas estabelece contacto e, podemos dizê-lo, um diálogo especial e único.
Duas ou três notas
Nestas saídas, é impossível deixar de lado as serras e as suas maravilhas, o S. Macário, a Gralheira, a Penoita, o Monte Castelo, o Ladário, o Caramulo e por aí fora. Para levar tudo a eito e por uns dias, que Lafões não se esgota numas breves passagens, o ideal é estabelecer-se um roteiro, um caderno de apontamentos, umas dicas no telemóvel e ir avançando, devagarinho e com olhos de ver. Não faltarão, como dissemos, os pontos onde petiscar, comer e pernoitar, nem o que ver, fotografar e filmar, para mostrar aos amigos e os aconselharem a virem também.
Nos vales dos rios, do Vouga, do Sul, do Zela, do Teixeira, do Alfusqueiro, do Águeda, em cada ribeiro ou regato, há sempre um aspecto a reter, uma sombra a absorver, um mergulho a dar, uma sesta à fresca, ou um piquenique na natureza pura, ou nos equipamentos que os poderes públicos e associativos vão construindo, cirurgicamente, nos espaços mais agradáveis e apetecíveis.
Estando agora na moda correrem-se algumas das estradas mais icónicas, como a EN 2, de Chaves a Faro, por aqui também as temos carregadas de beleza e atracções. Que o digam (se falassem) a EN 16, a 333, a 230, a 227 e várias outras, nunca esquecendo as municipais e até as florestais. Já que abordamos este ponto, aproveitamos estas linhas para relançar uma ideia que tanto as embelezava em tempos idos, os chafarizes ao longo dos seus percursos, pedindo que venham a ser renovados e valorizados, quanto antes.
Seria falha grave, ainda que estes sejam, por hoje, apontamentos genéricos, não referirmos os monumentos que existem por todo o lado, quer no seu exterior, quer nos respectivos interiores, onde há maravilhas imortais que valem a pena ser observadas com atenção e paciência.
Para quem quiser aproveitar as gratificantes estadias por estas nossas paragens para, numa outra esfera, contactar o tecido social, cultural e económico, fique a saber que em Lafões são variadas as respostas, desde o artesanato à indústria de alto gabarito, sem esquecer os ofícios que ainda se vão mantendo. São ainda muitas as associações culurais, desportivas e recreativas, as quais permitem actividades de lazer que são sempre bem vindas. Com um comércio diversificado e serviços públicos modernos, nada aqui falta...
Em suma, Lafões tem tudo para fazer toda a gente feliz e a querer voltar de novo. É isso que se pretende e se deseja.
Carlos Rodrigues, in “ Notícias de Vouzela”, 23 Jul 2020
terça-feira, 21 de julho de 2020
Um Eureka saltando de Bruxelas...
Em parto altamente complicado e longo, o Conselho Europeu, a ferros, lá conseguiu aceitar um arrojado Plano de Recuperação Económica, que anda pelos 750 mil milhões de euros, a nível global. Numa corda puxada em sentidos opostos por 22 e 5 países membros, estes designados como frugais ( e há quem os apelide de forretas), inverteu-se a lógica inicial proposta pela Comissão que, a nosso ver e em nosso proveito, dividia muito melhor o bolo: mais subvencões, isto é, apoios a fundo perdido, e menos em termos de empréstimos. Com muita pedra partida, o resultado final andou bem mais por baixo. Mas, enfim, lá se conseguiram desbloquear os vários impasses surgidos. É muita massa que vem aí até 2027: cerca de 45 mil milhões de euros. Importa agora é saber aplicar a preceito essas verbas. NOTA muito pessoal: ontem dia 20, ao comemorar 45 anos de casamento, senti uma imensa alegria de ver a minha Susana a ter escolhido esta data para o seu matrimónio com o Márcio, cujos pais também tinham casado no mesmo dia, 20 de Julho de 1975. Há dias assim: felizes...
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