quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Do entremês ao teatro em Paços de Vilharigues

Teatro em Paços de Vilharigues, da tradição à inovação CR A Sociedade Musical Cultural e Recreativa de Paços de Vilharigues, que tem na música a sua génese matricial desde1928, enveredou a certa altura por outras modalidades de que o teatro se destaca. Cultivou ainda o atletismo e com bastante sucesso. Hoje, porém, é daquela arte do palco que vamos falar. Estão na memória de muitos os célebres e populares entremeses, uma manifestação artística com uma grande raiz popular. Hoje, porém, avançou-se um pouco para algo mais moderno, mas com o povo sempre pelo meio. Numa busca pelas actuações das últimas seis décadas ou perto disso, caímos nos anos setenta do século e milénio passados. Em Outubro de 1970, assinalava este jornal que se verificou um “ Verdadeiro êxito no entremês de Paços de Vilharigues” na noite de 25 de Setembro. Num cuidado arranjo de cena e na maior enchente de todos os tempos, pôs-se em evidência a incansável competência do saudoso Dr. José Lino Pereira, que tanto deu, em cultura, a esta sua terra. De ressurreição em ressurreição, em 1978 voltava à cena mais uma edição, após 8 anos de inactividade, ensaiando-se duas peças com a mão de mestre de Afonso Bica e a presença dos veteranos Maria Luísa, Antenor, Custódio e Orlando e os novatos Ze. Emília, Telmo e Fernando. Nas marchas dançaram Clara, Anitas, Alzira, Zé e Celeste, sob a batuta de Diamantino Marques, evocando-se o Dr. Zé Lino e Amadeu Rodrigues Costa. Note-se que, neste ano, este espectáculo se inseriu nas Festas de Santa Marinha. Mais tarde, em 1986, renasce esta modalidade cultural que passa por dois altos momentos: apresentações na sua sede e uma brilhante deslocação a Lisboa para uma actuação no âmbito das comemorações dos 75 anos da Casa de Lafões, o que aconteceu no Teatro da Trindade em 8 de Novembro, numa parceria com a Banda de Música de Oliveira de Frades, sendo que a SMCR de Paços de Vilharigues partilhou esse mesmo palco com o Grupo do Entremês da ARCUSPOF – Sobreira. Nessa ocasião mostrou-se a peça “ Duas Gatas” e levou-se ali uma desfolhada típica, com milho-rei e uma boa pinga. Homenageando-se sempre o Dr. Zé Lino, que fez grande parte de sua vida naquela cidade, dançou-se e cantou-se uma sua canção ligada, curiosamente, a esta mesma tradição do milho. Se tudo isto faz parte de um passado inesquecível, por esta altura, fruto do trabalho e entusiasmo de Paula Marques, que está a adoptar estas aldeias como suas terras, depois de muito se ter dedicado à vida citadina da capital como Vereadora da Câmara Municipal de Lisboa e assoactivista, agora está na hora de se encarar o futuro com uma esperança renovada. É mais um passo em frente. Nesta nova fase, têm-se vivido novas formas de encarar estas artes, com um projecto que se iniciou com a peça “ Onde é que eu já ouvi isto?”, em resposta a uma solicitação da Direcção da SMCR de Paços de Vilharigues e que tem como âncora a ideia de memória, a tradição oral, as experiências e histórias locais e as vivências de cada geração. Por esta altura do Natal, entrou em cena uma leitura encenada de textos de João Pina Morais e António Torrado, em que intervieram, com a coordenação de Paula Marques, Andreia Lima, Carla Bica, Elisa Rebelo, Fátima Vasconcelos, Fátima Rodrigues, Isabel Rocha, Luana Quelhas, Manuela Simões, Marta Ferreira de Sá, Paula Martins, Susana Ramos, Yara Capela, Dinis Ramos e Melissa Quelhas. Notas biográficas – Paula Marques é licenciada em Teatro e pós-graduada em várias áreas. Foi vereadora da Câmara Municipal de Lisboa durante três mandatos, os dois primeiros com pelouros e o último, 2021/2025 sem quaisquer funções atribuídas. É técnica especialista naquela autarquia. Tem sido comentadora da TSF e articulista em vários jornais. Com participações em cinema, passou ainda pela ficção nacional e por outras intervenções culturais. Cidadã activa, neste momento é Professora de Teatro na Universidade Sénior de Vouzela. Entretanto, dedica-se a ressuscitar, como vimos, a secção de Teatro da SMCR de Paços de Vilharigues. Que tenha muitos sucessos são os nossos votos… Carlos Rodrigues, Notícias de Vouzela, Dezembro, 2025

Idosos isolados, um problema a ter em conta

Idosos isolados com apoio da GNR Carlos Rodrigues Em cada ano que passa nestes últimos tempos, a GNR tem vindo a realizar uma acção de proximidade com os idosos isolados, fazendo o respectivo recenseamento e, simultaneamente, levando uma palavra de conforto e um gesto de solidariedade social que importa que sejam realçados. Em 2025, no distrito de Viseu, temos mais de 3300 pessoas nesta situação, o que é deveras preocupante com as situações mais gritantes a acontecerem em Moimenta da Beira, Vila Nova de Paiva e S. João da Pesqueira tendo em conta os anos anteriores que os resultados detalhados deste ano ainda não são do domínio público. Muito embora se verifique uma ligeira queda em relação a 2024, ou seja menos 21 casos, este pequeno consolo não pode, de modo algum, fazer baixar os braços, porque ainda há muito a fazer neste domínio social. Numa espécie de balanço nacional, temos a Guarda com 5852 isolados, Vila Real com 5167, Bragança com 4192 e Faro com 3414. Olhando para estes números, lá vamos nós para a triste conclusão: é sempre, regra geral, o Interior a pagar a maior factura também neste panorama. Com 35143 visitas porta a porta no País, visou-se além da citada contagem, sensibilizar os idosos para as questões da segurança e mesmo de, em diálogo, quebrar a situação de abandono em que se encontram a maior parte deles. Tendo em conta a especial vulnerabilidade de muitas destas pessoas, estes contactos são também essenciais para despiste de necessidades de saúde e de cuidados de higiene e habitacionais entre outros factores. Esta é uma população que, na pirâmide demográfica, cresce em flecha e isso, que é altamente positivo sobre a esperança média de vida, traz consequências a implicarem atitudes positivas e pró-activas, como esta do isolamento que a GNR tanto tem vindo a combater, que importa pôr sempre na linha das nossas preocupações. Segundo alguns estudos, os idosos isolados vivem ainda problemas psicológicos e psiquiátricos que aumentam à medida que os anos passam e, com isso, apressam até a sua morte, devida a este abandono, tantas vezes mesmo por parte de seus familiares mais próximos o que dói a valer. E isto não pode ser esquecido em matéria de políticas públicas. Carlos Rodrigues, Notícias de Lafões, 2025

Ameaça da não entrega de jornais

Sem jornais, Interior mais pobre Carlos Rodrigues Aqui há uns curtos tempos, fomos tristemente surpreendidos com uma notícia ou intenção que apontava para o fim da distribuição de jornais e outras publicações em oito distritos, numa ameaça que nos chegava da empresa incumbida desse mesmo serviço. Duma só rajada matava-se uma fonte de informação e leitura numa grande faixa do nosso território nacional, aquela que vai de Bragança a Beja, incluindo o distrito de Viseu. De imediato nos insurgimos nas redes sociais e hoje aqui manifestamos, mais uma vez, o nosso veemente protesto e firme descontentamento. Vivendo entre a comunicação social regional e local, que, por norma, não usa esses equipamentos, mas sim os CTT, sabemos, no entanto, a necessidade determinante que os meios de comunicação, para chegarem, aos diversos centros, têm nessas formas de transporte. Sem estes, as notícias ficam-se apenas pelo litoral e isso é mais uma perigosa e chocante diferenciação do nosso espaço nacional. Num tempo em que grassam por todo o lado as falsas informações, espalhando-se em manchas de óleo negro em tudo quanto é sítio e em todos os sectores etários, impedir a distribuição de jornais e revistas pelos quiosques, papelarias e mesmo cafés e afins é dar uma forte contribuição à iliteracia e à letal desinformação. Tendo a noção de que aquelas funções são prestadas por uma empresa privada, não obstante isso, o Estado tem o dever de intervir ou arranjar alternativas que ponham a andar sempre pelas estradas, todas elas, do nosso Interior, os meios de comunicação social, dia a dia, sem pestanejar. Vemos com agrado que, qual bola de neve, municípios e outras entidades têm vindo a terreno reclamar o fim dessa lamentável ideia. Batemos palmas a essas reivindicações, mas queremos é que tenham sucesso e que não parem enquanto essas ameaças estejam no ar. Depois, o Governo não pode deixar de ouvir essas posições. Nem por sombras. Antes dos jornais, já se perderam as caixas multibanco, os serviços de saúde, as escolas, várias repartições públicas e privadas, já morreram aldeias, já fugiram imensas pessoas, já a desertificação e o despovoamento se impuseram por estas bandas. Em poucos anos e décadas, quase tudo nos fugiu. Teimosamente, aqui estamos nós, mas um dia também iremos desaparecer. E quando isso acontecer, os jornais e as revistas escusam de vir para aqui. Os ratos e as cobras não sabem ler. Nem saberão nunca, cremos nós. Nascemos e crescemos com o silvo dos comboios a meio da cada manhã a anunciar, a sua chegada. Entre passageiros e cargas, lá vinham os tão desejados jornais. Era assim apreciado como o comboio-correio. Agora, sem comboios, haja um outro deus que nos valha. Mas sem jornais e revistas é que não podemos ficar… Carlos Rodrigues, Notícias de Lafões, Dezembro 2025