sábado, 7 de julho de 2018

Momentos altos hoje em Oliveira de Frades

Em maré de despedida de seu cargo apostólico, infelizmente, por razões de saúde, o Bispo de Viseu, Dom Ilídio Leandro, passou hoje, sábado, dia 7 de Julho, todo o seu tempo na vila e concelho de Oliveira de Frades, tendo começado, pela manhã, com a inauguração do Campo Escutista e Juvenil da Paróquia local, prosseguindo com o Crisma de mais de uma centena de rapazes e raparigas, para terminar, já ao cair da tarde, início de noite, com a bênção do Monumento em homenagem a Nossa Senhora de Fátima, no Bairro do Olheirão, desta vila, construído e inaugurado há uns meses pelo Presidente da CM, Paulo Ferreira. Esta foi uma jornada de emoções duplas: por um lado, o adeus a Dom Ilídio, enquanto Bispo desta nossa diocese, tem um sabor muito amargo, por outro, a razão da sua vinda mostra a vitalidade desta terra e suas gentes. Finalmente, resta-nos a consolação de sabermos que o nosso Bispo vai continuar a sua missão noutros campos de missão. E esta é mais uma boa notícia... Sem dúvida....

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Bombeiros de Oliveira de Frades recordam S. Marçal e o seu 2º CMDT....

Bombeiros de Oliveira de Frades em festa e homenagens José Santos recebeu o crachá de ouro pelos seus 47 anos de actividade O mês de Julho iniciou-se em Oliveira de Frades com a festa de S. Marçal, padroeiro dos Bombeiros, pelo que foi a Associação local a promover, uma vez mais, este evento. Este ano contou com várias mudanças, como a da localização provisória do quartel na Escola Comendador Manuel Fernandes Gomes e o almoço-convívio em local descentralizado: Chão do Vintém, Arcozelo das Maias. Um outro dado a reter é que as cerimónias começaram em Junho, dia 30, com a procissão a levar S. Marçal da sua sede para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, tendo regressado às origens já em Julho, dia 1. Nesta mesma data, se procedeu a uma sentida homenagem aos bombeiros e seus familiares já falecidos em romagem ao Cemitério. A missa, a seguir, foi outro destes momentos altos com a corporação e as entidades oficais a marcarem presença, assim como a Fanfarra de Oliveira do Hospital que muito animou o desfile e a procissão de domingo. A sessão solene também foi objecto de alterações em relação aos anos anteriores, na medida em que se realizou em pleno almoço e já em Arcozelo das Maias. Em todo este programa, se viram o Presidente da Câmara, Paulo Ferreira, os vereadores Carlos Pereira e Clara Vieira, a representante da Assembleia Municipal, Sónia Nogueira, vários presidentes de Junta de Freguesia, bem como o 2º comandante do CODIS, Humberto Sarmento, o Vice-Presidente da Liga, Comandante Requeijo e o Presidente da Federação Distrital, José Amaro, estando ainda na mesa de honra os órgãos sociais da Associação em festa, incluindo o presidente do Conselho Fiscal, Luís Gouveia. Neste acto oficial, intervieram o Comandante Fernando Farreca, o presidente da AG, Carlos Rodrigues, o presidente da Direcção, Armando Bento, os responsáveis nacionais e distritais, encerrando o Presidente da CM, Paulo Ferreira. Entre as várias promoções e distinções conferidas, sem dúvida que o apogeu se sentiu quando foi chamado, pelo representante da Liga, o 2º Comandante José Santos para receber daquela instituição a mais alta condecoração, o crachá de ouro. A sua folha de serviço, com 47 anos de dedicação a esta causa, atesta a justiça desta homenagem. Foram para ele, por isto, as mais sonoras e sentidas palmas naquela tarde em que S. Marçal esteve sempre presente. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, Julho, 2018

Reis e rainhas em Lafões

Monarcas em Lafões a começar por D. Afonso Henriques A história desta nossa região é rica em visitas, estadias e tomadas de posição por parte de muitos dos nossos reis e rainhas ao longo dos séculos. Território a motivar bons interesses, a dar vultos de relevo para a construção da nossa sociedade, recebia por um lado, dava pelo outro: aqui vinham os responsáveis pela monarquia, a esta fornecíamos gente de peso. Sem irmos mais atrás, muito embora haja referências a fazer ao Conde D. Henrique e sua mulher, a rainha D. Teresa, desde logo, a Lafões se dirige o nosso primeiro Rei, D. Afonso Henriques, não uma, mas várias vezes. Estão documentados vários contactos, um deles em 1152, quando concede ao Banho o seu primeiro foral. Antes, porém, declara o Cónego José Simões Pedro ( in “ A Trapa – Monografia histórica da antiga povoação e couto real do Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões, 1990”) que o citado Conde D. Henrique estivera nestas nossas terras em contacto com João Cirita, tido como um dos fundadores do Mosteiro em causa, ele que “recuperara a velha ermidinha já quase em ruínas” (p. 18). Em jeito de conclusão, refere mesmo que o próprio D. Afonso Henriques também por ali passara, mas não deixa grande margem de manobra documental. É de notar-se que, ao conceder ao Mosteiro de S. Cristóvão os Coutos da Trapa (1161), Valadares e Paçô, não se deve estranhar, assim, que por estes sítios tenha andado ainda antes das suas estadias no Banho. Sem grandes dúvidas, tal como assegura António Nazaré de Oliveira, sabe-se que nas Caldas do Banho esteve, em 1152, o rei D. Afonso Henriques, aliás, por alturas da concessão do respectivo Foral, como já dissemos. Estando muito ligado a Coimbra, a então capital do Reino, nem eram muito complicadas as vindas a estes territórios. Há ainda um outro dado a reter: a presença no seu círculo e cúria de fidalgos lafonenses como o pai do S. Frei Gil, alcaide daquela cidade, entre outras individualidades, nomeadamente D. João Peculiar (também muito ligado à fundação do nosso Mosteiro), arcebispo de Braga e uma das traves mestras da suas ligações internacionais. Se esta foi uma viagem anotada nos anais da história, mais famosa ficou, porém, a que fez (e aqui permaneceu por uns meses) no ano de 1169, após o desastre de Badajoz. De Setembro a Novembro desse ano, em Lafões lavrou importantes documentos, entre os quais se destacam: - Escritura de doação de terras em Fafe. - Carta de entrega de bens à Ordem do Templo. - Doação feita à Sé de Zamora. - Carta de Couto passada à Sé de Coimbra de metade da vila de Midões. - Uma outra carta de confirmação da doação do Couto de Oliveira de Frades a Santa Cruz de Coimbra. Adianta António Nazaré de Oliveira que com o Rei, em 1169, também estiveram nesta nossa região os seus filhos D. Sancho, seu herdeiro da coroa, e D. Teresa. Ao assinarem a tal carta, assinala-se ainda a presença nesse acto de Sancho Nunes, Governador de Lafões, do Alcaide Cerveira, fundador da Albergaria de Reigoso em 1195, de Suarez Fernandes, Juíz de Lafões, e de Mendo Pedro, arcediago e presbítero de S. Pedro do Sul. Além desta aludida presença de D. Sancho, enquanto filho do nosso primeiro Rei, tendo em conta que o testamento deste segundo monarca se encontra na Sé de Viseu, de acordo com Alexandre Herculano, na sua “História de Portugal, IV, Livro III, 1185-1211, Ulmeiro, Lisboa, 1983”, não é de se pôr de lado suas novas e possíveis vindas as estes sítios lafonenses, sobretudo depois da saga vivida a sul, no Alentejo e no Algarve. Está escrito que, em 1198, andaria por Trás-os-Montes, o que não invalida, antes consolida, estas nossas suposições. A nossa boa fonte, com uma poderosa marca de S. Pedro do Sul, aponta também a permanência por alguns tempos e talvez várias vezes, dos reis D. Dinis (ver Carta da Feira de Vouzela, 1307), de D. João I, de D. Duarte (Foral de Lafões, de 1436), de D. Pedro, do Infante D. Henrique e de D. Manuel I (Forais novos do Banho e de Lafões), sem esquecer, já em finais do século XIX, 1894 e 1895, a Rainha D. Amélia e seus filhos, D. Luís Filipe e D. Manuel, o nosso último Rei. Numa mais detalhada pesquisa, sobretudo pelos diversos itinerários reais, estamos certos que muito mais informação se poderá colher. Ficam, para já, estes breves apontamentos como aperitivo para outros estudos mais aprofundados. NOTA – Neste campo, tal como publicámos há tempos, não deve esquecer-se que em Moçâmedes e Bordonhos viveu o Rei Ramiro, de Viseu e de Leão, muito antes da nossa própria nacionalidade... Carlos Rodrigues, in “Notícias de Lafões”, Julho, 2018

Boa onda em energia geotérmica nas Termas de S. Pedro do Sul

Energia geotérmica com grande potencial em S. Pedro do Sul A água quente das Termas de S. Pedro do Sul encerra muito mais potencialidades que aquelas que, desde há milénios, delas têm vindo a ser tiradas. Sendo a saúde um de seus pratos fortes, a que se associam o lazer, o turismo e, mais recentemente, o aproveitamento comercial da Linha Aqva, o calor que sai das entranhas da terra pode ter – e isso já se iniciou – outros bons fins. A energia geotérmica é a valência que se segue. No dia 29, feriado municipal, em ambiente de festas da cidade, o Secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, e o seu Director-Geral, Mário Guedes, vieram apresentar um novo programa, o FAI – Fundo de Apoio à Inovação – no âmbito específico da “Apresentação de medidas de incentivo financeiro que promovam projectos de geotermia”, com uma dotação de 2.1 milhões de euros, quase que a dizer-nos que este é fato à medida desta terra.. Entre os muitos aspectos referidos, nomeadamente a ideia essencial de que S. Pedro do Sul tem condições de eleição para o arranque deste e doutros tipos de projectos, destaca-se o lançamento de uma brochura “ Geotermia – Energia renovável em Portugal”, da Direcção Geral de Energia e Geologia, que é um bom repositório científico desta riqueza natural. Por ser um instumento de grande importância para esta nossa zona, que possui, neste capítulo, o seu epicentro nas Termas, dele colhemos alguns tópicos que aqui tentaremos reproduzir e elencar. Em primeiro lugar, dá-se, em termos de potencialidades territoriais, a coincidência de nos situarmos numa das falhas, a que liga Penacova a Verin, passando por esta zona e pela Régua, o que permite fazer toda a diferença entre as onze que se localizam em espaço português, viabilizando 61 ocorrências geotérmicas de várias ordens de grandeza. Neste campo, o norte e o centro capitalizam a maioria desses pontos. Destas, 45 são classificadas como águas minerais naturais e apenas sete, onde se incluem as nossas Termas, abrangem uma dupla valência, a da citada água, a que se acrescenta o destaque que motiva estas linhas - o do seu uso como recurso geotérmico, o que implica o termalismo e a geotermia. Dividindo-se, de acordo com a temperaturas obtidas, este panorama em muito baixa e baixa entalpia, a primeira a situar-se entre os 20 e os 29º e a segunda no intervalo compreendido entre 30 e 73º, sendo que as Termas andam à volta dos 69º(68.7º, mais concretamente) e já com princípios do uso desta força de energia geotérmica, em balneários e e alguns projectos de climatização, incluindo da indústria hoteleira, o que se pretende é alargar a área destas fontes de calor a outros patamares. Com uma ampla “sustentabilidade ambiental e social”, como foi bem acentuado na cerimónia de apresentação das medidas que estão na calha para sair, o concelho de S. Pedro do Sul foi escolhido para este lançamento em virtude de duas variáveis, uma de cariz pessoal, a da persuasão e persistência que o Presidente da Câmara, Víctor Figueiredo, tem posto em cima da mesa, outra de feição natural, que se prende com o facto de as Termas serem mesmo um caso muito especial a merecer todo o apoio que lhe possa vir a ser oferecido. Com a fasquia colocada bem alto, agora é preciso que se passe da palavra à acção: se a geotermia é a viola que se põe na mão do tocador, que os dedos não faltem, nem ela avarie. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Lafões”, Julho, 2018

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Nódoas negras de ontem e de hoje

Nódoas negras, em pano branco, por Lafões Numa região que tem tudo para se ser feliz, assim saibamos compreender o mundo e a sua marcha, Lafões ainda não é uma entidade perfeita. Mas para lá pode (continuar a) caminhar, se não se esquecerem de nós. A natureza, com um trabalho de casa muito bem feito, espalhou a sua arte por tudo quanto é sítio: fez serras, amainou os vales, sulcou estes com rios, regatos e ribeiros que nos encantam, dotou-nos de águas quentes e frias, deu-nos pedras e rochas que fazem erguer sonhos de arte e conforto, deixou crescer as árvores e a urze, o tojo e as flores. Acrescentou-lhe um mar por perto e um clima bem agradável. Vieram os homens, andaram pelos altos, esconderam-se entre penedos, construíram abrigos, aproveitaram esses cursos de água, colheram das courelas parte do seu sustento, caçaram, pescaram, até que, um dia, cansados dessa azáfama em locais de tanta tormenta, canseira e poucos proveitos, aproveitaram a deixa para descer às zonas baixas e aí fazer vida. Nasceram desta opção as nossas aldeias, vilas e a cidade de hoje. São fruto dessa civilização romana, que se sucedeu aos castros de outrora, um outro tempo ainda mais recuado, os vestígios de estradas, os marcos miliários, as pontes, a língua, talvez o vinho e muitas culturas que nos sustentam e perduraram até à actualidade. Com essa localização sólida, mostraram que era possível ter a imponente Roma e todos os outros lugarejos, por mais distantes e dispersos que estivessem. Pensando num Império e em cada uma de suas peças, tiveram então um cuidado extremo: fazer com que todo os caminhos chegassem à Capital, numa teia com marca própria e muita utilidade. Sonharam com grandes e médios centros, edificando-os, mas não esqueceram outras traves mestras de seu esquema de povoamento global. Os nossos reis dos primeiros tempos da dinastia afonsina seguiram essa mesma bíblia. E assim se construiu uma nação que ia do norte ao sul, do leste a oeste, mais ou menos com os pontinhos todos preenchidos. O litoral e o interior completavam-se, o rei tinha por hábito andar de terra em terra e esse exercício de itinerância, se era pesado em termos de custo de estadia, tornava-se compensatório por se saber que daí resultaria um certo equilíbrio territorial. Essa gente, que nos antecedeu e teve visão de estadista, deve merecer-nos todo o respeito e até inveja: a ela se deve o País que somos, melhor, que fomos. Chaves, Viseu, Egitânia, Coimbra, Lisboa, Aveiro, Braga, Bragança, Castelo Branco, Beja, Barrancos, Oliveira de Frades, Vouzela, S. Pedro do Sul, Portimão, etc, etc, tiveram nome e importância, foram locais de fixação e atracção de gentes, geraram personalidades que se passeavam pela Corte e conviviam com quem mandava. As vias de comunicação eram mais ou menos equilibradas, as valências políticas e sociais, à escala da altura, apresentavam-se com uma certa dose de bom senso. Hoje, num tempo em que tudo se mede pela velocidade da luz, em que a riqueza cresceu, mas está muito mal distribuída, somos muito mais desiguais: vemos perderem-se serviços, taxam-nos aquilo que poderia ser uma diferença positiva, deixam que as grandes metrópoles se atafulhem, enquanto por aqui se definha. Neste reino em que tudo poderia – e deveria – ser muito mais branco, transparente e ao alcance de todos, equitativamente, persistem nódoas cada vez mais negras e a do desencanto é a maior de todas. Não sabemos o que aí vem, em concreto, em sede de reorganização administrativa, mas tememos que a visão de Roma se deixe vencer pela estreiteza de vista de quem, no Terreiro do Paço, só sabe olhar para o Tejo, esquecendo os Vougas que há por todo este querido Portugal. Gostando imenso desse Rio, de onde partimos para sermos maiores num mundo que ajudámos a globalizar-se, não podemos esquecer, no entanto, que Pedro Álvares Cabral era de Belmonte e que as naus e caravelas foram erguidas com a madeira de uma nação inteira. Esta é a missão de quem nos governa: saber que somos um todo, bem espalhado por tudo quanto é sítio, e não um monte de gente num beco, mesmo que se chame Lisboa. Carlos Rodrigues, há anos, no “Notícias de Vouzela”

terça-feira, 26 de junho de 2018

Futebol e sardinha

Com a sardinha a viver em maré de festa, a nossa Selecção de Futebol, aos estremeções, lá se vai aguentando e já passou aos Oitavos. Agora, é andar em frente, jogo a jogo. As contas fazem-se no fim. E eu tenho uma espécie de meia fé. E com ela vou vivendo...

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Mais dados sobre a saúde em S. Pedro do Sul, século XIX...

De novo, a saúde em S. Pedro do Sul O tema da saúde nunca se esgota em matéria de análises e reflexões diversas, nem nos tempos idos, nem na actualidade. Dissemo-lo já que, durante milénios e mesmo nos tempos que mediaram entre a fundação de Portugal e o século XX, esta viveu uma marcha muito lenta quanto a tratamentos, meios e pessoal ao seu serviço. A ciência, enquanto tal, tardou a chegar a este sector e, quando apareceu, fê-lo timidamente e com muitas falhas, mas também não se podia exigir mais. Muito fizeram os pioneiros que agarraram no seu manancial de ensinamentos e progressos para os porem ao benefício das populações. Fazendo o que podiam, muito se lhes fica a dever. Quanto ao que a S. Pedro do Sul diz respeito, acrescentando, sobretudo, aos textos que para este jornal elaborámos mais alguns tópicos, temos vindo sempre a aprender. Com Manuel Barros Mouro fizemos uma marcha pela oferta e peripécias diversas ligadas ao velho Hospital de Nossa Senhora do Amparo; com António Nazaré de Oliveira vimos como evoluiu o Hospital Real das Caldas da Lafões e, já muito antes, com António Pires da Silva, andámos às voltas com a Cronologia Medicinal das Caldas de Alafoens, em linguagem, concretamente, do ano de 1696. Com estas fontes, escrevemos, em Dezembro de 2011, “ Um hospital que nasceu da oferta de António José de Almeida” e, por estes dias, a 7 de Junho de 2018, avançámos com “ A saúde em Lafões desde há séculos”, para além de, em trabalhos sobre as Termas e a Misericórdia de Santo António, ter havido notas várias sobre este mesmo ponto da nova vida social e assistencial. Hoje, porém, com base na sempre utilísima revista Beira Alta, vamos debruçar-nos especificamente sobre “ A influência da cultura positiva na arquitectura hospitalar: o Hospital de Nossa Senhora do Amparo de S. Pedro do Sul”, da autoria de Vera Magalhães, (Beira Alta, volume LXXIV, 2015, 1º semestre). Ao realçar que se começou a fazer uso dos “postulados higieno-sanitários e biomédicos e dos princípios da funcionalidade, racionalidade e classificação do doença”, onde começou a imperar a ciência, adianta que os planos e construções hospital vieram a reflectir essas novas exigências e normas. Vera Magalhães fala até em conceber estas instalações, a criar, como “máquinas de curar” ou “cabanas do higienista”. Aponta o médico António Augusto da Costa Simões como o grande obreiro destes recentes paradigmas que o engenheiro e militar Francisco de Figueiredo e Silva tentou aplicar à risca no projecto que concebeu para S. Pedro do Sul. Pegando-se na oferta de António José de Almeida (não confundir com o grande vulto da primeira República com o mesmo nome), antes, diversos locais foram estudados, tarefa de que se encarregaram, nos anos de 1882 e 1883, Manuel Lourenço Torres e Aureliano Pinto, por parte do Município. Vê-se assim que esta causa já era uma preocupação da Misericórdia e entidades locais. Analisadas as propostas da Cruzada, de Ansiães, da Negrosa, de dois locais distintos em Negrelos e na Quinta de Beirós e ainda da Cancela, o opção foi a de se privilegiar sítios fora dos aglomerados populacionais, para evitar possíveis e eventuais contaminações. Apesar dos estudos então feitos, em Abril de 1884, de acordo com esta nossa fonte, ainda não havia qualquer decisão tomada. Face a esse impasse, a Mesa da Misericórdia começou a pensar no Monte de S. Bernardo, mas também esse local não foi avante, incluindo-se ainda outras opiniões como aquelas que o jornal “ A Liberdade”, alguns tempos depois, em 6 Outubro de 1893, faria referências. Vieram também ao de cima a Quinta de Além da Fonte, nas Carvalhas, uns terrenos em Pouves,, mas tudo a ficar como que em águas de bacalhau, pois que, em Abril de 1887, nada surgira de concreto. Dois anos após, em 1889, olha-se então para o testamento de António José de Almeida, que falecera a três de Abril desse ano. Nesse documento se alude à “fundação e manutenção de um Hospital destinado ao tratamento de doentes, que terá a designação de Nossa Senhora do Amparo. Alega-se que este benemérito nascera em Nespereira Alta, que partira para o Brasil onde chegou em 1837, e que deveria exercer o ofício de barbeiro, o que contraria, ou completa, a nossa anterior informação de que seria médico dentista. Fica a correcção ou mais uma adenda para se aprofundar melhor este caso. Também Vera Magalhães nos diz que a opção para a construção do novo hospital recaiu sobre o Quinta da Negrosa de Cima. Com as obras a iniciarem-se em 1890, sob projecto do citado engenheiro Francisco de Oliveira e Silva, a empreitada foi entregue a José Pereira, de Santiago de Cassurrães, Mangualde, sendo Provedor da Irmandade José de Almeida Reis de Vasconcelos. Os trabalhos viriam a ficar concluídos em Fevereiro de 1898. Em conclusão, acrescenta esta autora que “ Pelo que atrás se expande, o edifício de S. Pedro do Sul integrava a moderna geração de hospitais tardo-oitocentistas, partilhando com estes características absolutamente fracturantes quanto ao modo de planificar e de administrar” (p. 97). Comparando os textos anteriores com este, constata-se que há neste uma série de novas informações e até alguns aspectos que podem colidir com algo que naqueles fora dito. É assim o mundo da investigação: nunca se pode dar nada por completo, nem por definitivo. Tanto melhor, porque da discussão nascerá a luz e é isso que pretendemos, acima de tudo. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Lafões”, 21 Junho 2018