sábado, 8 de julho de 2023

88 anos do Notícias de Vouzela...

88 anos do meu querido Notícias de Vouzela CR Para falar de ti, meu bom amigo e querido Notícias de Vouzela, muito de ti teria que dizer. Muito mesmo, porque os teus 88 anos de vida não são apenas um monte de folhas de papel, são uma enorme escola de aprendizagem e ensinamento e uma imensa biblioteca de um rico a vasto espólio que tem muito para nos dar, como se viu, ainda há poucos dias, a propósito da apresentação do livro “Memórias” de Queirã. Tanto haveria para dizer, mas a crise, sempre a crise, obriga-nos a sermos poupados naquilo que escrevemos porque o espaço aqui vale ouro. Prometo solenemente que serei bem contido nas palavras e nas ideias. Mas não posso deixar de afirmar que és da idade da então Emissora Nacional, também nascida em 1935, que assististe à Guerra Civil de Espanha (1936-1939), à terrível 2ª Grande Guerra (1939.1945), à Guerra do Ultramar (1961.1975), à Guerra das Coreias, à Guerra do Vietname, ao desmoronar do Império Soviético, à criação da CEE/EU e do Euro, à actual e preocupante invasão da Ucrânia e tantos outros tormentos mais. Por cá, viste nascer o IP 5 e a A 25, choraste o encerramento de muitas escolas e a perda de gente nas nossas terras e o fim da Linha do Vale do Vouga. Alegraste-te com novos Centros de Saúde, mas muitas vezes criticaste a falta de médicos e o encerramento de extensões de saúde. Gritaste contra o inenarrável encerramento dos tribunais e a sua reentrada em funcionamento a meio gás. Assististe ao nascimento da democracia e suas construções políticas e sociais. Mas nunca deixaste de ser a necessária voz crítica e de a fazer ouvir sempre que tal fosse necessário. Afinal, foste tu, sempre tu. Voz do nosso povo, muita gente deste nosso povo contigo colaborou. Tantos e tantos amigos que nos deixaram nesta caminhada de 88 anos!!! Para eles, a nossa gratidão, reconhecimento e saudade. Já agora confesso um segredo: ando aqui contigo há 50 anos, precisamente desde Junho de 1973. Olhando para o lado, vejo apenas, se a memória me não falha, nesta longa jornada de tantos anos o meu Amigo e conterrâneo Álvaro Simões Ferreira, quanto à escrita activa, refira-se. Sei, meu Notícias de Vouzela, que vais continuar e é isso que desejo vivamente. Obrigado a todos quantos nos ajudam a viver e fazem de nós uma verdadeira e emotiva carta de família. Carlos Rodrigues, in “ Notícias de Vouzela”, Julho 2023

S. Pedro do Sul e as Invasões Francesas e a avaliação das escolas

S. Pedro do Sul vai ficar mais conhecido em livro Carlos Rodrigues Com um profundo conhecimento da história local do concelho de S. Pedro do Sul, sector a que tem dedicado grande parte da sua vida de investigador e estudioso, Eduardo Nuno de Oliveira prepara-se para lançar uma nova obra, bem situada num certo tempo e num determinado contexto, no próximo dia 1 de Julho no Auditório do Balneário Rainha D. Amélia, nas Termas, com o título “ S. Pedro do Sul no século XIX (Franceses, liberais e outras coisas mais)”, dando sinais desta época por esta nossa zona de Lafões. Ao mostrar facetas diversas de ordem política, militar, administrativa, infraestrutural, económica, cultural, social e pessoal, mostra-nos um tempo de grandes indecisões com a corte no Brasil e o nosso país, para se ver livre do império de Napoleão a ser comandado por ingleses, fácil será compreender que essa foi uma época complicada e muito agitada. Ao pegar nestes ingredientes, Eduardo Nuno de Oliveira, imprimindo o seu cunho especial, juntou nesse mundo nacional a quadrícula sampedrense, para falar das Companhias e Ordenanças Militares, da monarquia constitucional e seus reflexos neste concelho e região, das personalidades que, entretanto, se foram destacando, assim como de tudo o que por aqui foi acontecendo. Porque é de bom som e bom tom não estragar a festa da apresentação desta sua obra, mais uma, não nos alongamos mais. O melhor é mesmo esperarmos pelo dia 1 de Julho, uma data bem breve como se pode concluir. Entretanto, anotemos mais umas curtas notas sobre Eduardo Nuno Oliveira: técnico superior da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul, exerce, neste momento, os seus altos e relevantes serviços, muito em especial, no Museu do Balneário Romano das Termas, devendo-se-lhe ainda umas outras publicações como a “Implantação da República e a Monarquia do Norte”, “ As inscricões funerárias de Valadares” e, em rádio, na Lafões, o programa “ Nas ondas da história local”, umas boas e recomendáveis ondas, por sinal. Com muitas credenciais, esperamos agora pelo seu novo livro no dia 1 de Julho… A avaliação sempre questionável das escolas Carlos Rodrigues Acabou de sair por estes dias mais um dos chamados “rankings”das escolas portuguesas, uma avaliação sempre contestada, mas que não deixa de, apesar de tais objecções, ser lida, apreciada ou não e muito replicada em tudo quanto é comunicação social e redes sociais. Sempre com uma pontinha de desconfiança, porque sabemos que estas são imagens que não espelham a realidade total, universal e diversa que por aqui vivemos, com contextos muito diversos, com quadros sociais e económicos a milhas de distância uns dos outros, com escolas privadas ditas topo de gama e públicas a receberem todos os públicos e alunos, venham eles de onde vierem, o certo é que não deixámos de bater calorosas palmas à Escola Secundária de Vouzela pela sua brilhantíssima posição a nível nacional, a primeira, se olharmos para o prisma da superação. O mesmo fizemos com a Escola Secundária de Oliveira de Frades que, em matemática, arrasou mesmo com o seu 1º lugar. Deve anotar-se que, em Vouzela, cerca de 1/3 dos alunos do 12º ano se apresentam como, de alguma forma, carenciados. Numa procura por mais dados, diz-nos o “Jornal de Notícias” que passaram de seis para doze os concelhos com média negativa nos exames feitos pelos alunos. Assim, só um, Sardoal, teve um resultado superior a 14 valores, seguindo-se, de imediato, Vouzela com 13.78 e Anadia com 13.22 valores. Focando-nos numa outra perspectiva, se Vouzela teve a citada brilhante posição na esfera do ensino público, ela apenas se situou no 58º lugar (43º no JN) da tabela nacional, que o sector privado arrebatou as posições anteriores e isto diz-nos muito acerca do nosso tecido educativo… Por sua vez, seguindo o JN, Oliveira de Frades, posiciona-se no lugar 103 e S. Pedro do Sul no 154… Em matéria de retenção, vamos dos 3 aos 13%, desta forma: 11º ano Vouzela (3%) e 13% no 10º ano em Oliveira de Frades. Como reflexão importante, nada disto se siga à risca. Mesmo que nos saiba bem vermos as nossas escolas em lugares cimeiros, desconfiemos sempre: há ali muitos dados e outros factores em falta. Essa é que é essa… In “ Noticias de Lafões”, Junho 2023

Queirã editou livro de Memórias...

Queirã enriqueceu as suas memórias CR Com mais de 2000 anos de vivências sociais, a freguesia do minério, da agricultura, da avicultura e de uma intensa actividade social, económica e cultural, que, em certa fase de sua vida, teve como seu timoneiro o saudoso Professor Joaquim da Silva Mendes, acabou por apresentar muito em sua homenagem e evocação, no passado dia 17, sábado, uma enorme e bem construída obra histórica, intitulada “ Memórias de Queirã”. São 290 páginas de vida que aqui se relatam e retratam pelas palavras e pela escrita desse grande autarca e activo cidadão, que também é um dos autores deste livro, e ainda de Jorge Manuel Gomes Rocha, Maria da Glória de Oliveira Girão de Carvalho, Rita Maria Alexandrino Mendes Rocha, Rui Manuel Pereira Mendes, em edição do Grupo de Cavaquinhos e Cantares à Beira e produção gráfica de Trapézio das Ideias. Uma boa dose de temas e conteúdos transportam-nos neste trabalho para tudo quanto foi Queirã ao longo dos tempos e a sua toponímia alerta-nos, de imediato, para a importância do minério que ali se impôs desde há séculos e mesmo milénios, bastando para isso apenas citar a designação de uma de suas grandes aldeias, Carvalhal do Estanho. Mas seria redutor fixarmo-nos neste seu pormenor, mesmo que as suas Minas da Bejanca sejam de uma importância enorme no panorama nacional e europeu, infelizmente, num dos períodos mais negros do nosso passado mundial (1939/1945). É que esta terra, se já o sabíamos, agora, com este registo, melhor ficamos a conhecer todo o seu vasto alcance desde a pré-história até à actualidade. Numa tarde de sábado bem passada, em programa a integrar cultura e conhecimento, que a maestria de António Meneses bem organizou, ouvimos bons e emotivos testemunhos, muitos relatos de alto interesse, muita e natural emoção familiar ao vir ao de cima e também muita e boa informação. Com o apoio cultural do Rancho Folclórico as Capuchinhas de S. Silvestre, de Vasconha, o Grupo de Trajes e Cantares de Loumão, os Veteranos das Harmónias e o Grupo organizador, tudo ali se pautou por uma feliz conjugação entre a demonstração da investigação e as artes culturais. Presente em todos os momentos esteve o saudoso Professor Joaquim Mendes, até porque sua filha Rita teve o condão e o cuidado de nos mostrar como é que este livro foi gerado. Tudo nasceu de dois acasos: um, o da insistência que seu Pai lhe fazia para se produzir algo do género; em complemento, já depois da sua fatídica morte em 2013, ao remexer no seu vasto espólio, encontrou uma folha manuscrita que foi o alerta final de que algo disto tinha que ser feito: uma folha de papel manuscrita (ver página 10), afinal, era a campainha a tocar a que se nunca poderia dizer não, porque ali se alinhavavam os contornos e uma futura monografia, esta que aqui se tem ao nosso alcance. Num painel de apresentadores em que o nosso jornal “ Notícias de Vouzela” se veio a incluir, por insistência e deferência da Rita Mendes que não poderíamos recusar, falaram, a seu tempo e em compasso orquestrado pelo António Meneses, os respectivos autores e também Fernando Pereira, um entusiasta de sempre destas coisas da cultura e da fundação do Grupo de Cavaquinhos, que ali mostrou o seu testemunho entusiasmado. Em termos oficiais, usaram da palavra o Presidente da JF de Queirã, Paulo César Ribeiro, e a Vereadora da Cultura da CM de Vouzela, Carla Maia, vizinha daquela freguesia, que se congratularam com a edição destas “Memórias”, algo de alto valor para a freguesia e concelho. Porque estes testemunhos são importantes demais para serem esquecidos, tão diversos e complementares foram os temas abordados, desde a pré-história ao mundo actual, este é um livro que nunca pode ser lido como um romance. Em nota de leitura, que não queremos tornar fastidiosa, leia-se em diagonal de uma rajada, volte-se atrás e folheie-se cada página e regresse-se sempre aos seus temas porque elas nunca nos irão desiludir. Como nos sentimos altamente agradecidos pelo convite, temos a obrigação de aqui testemunhar a nossa gratidão pela consideração demonstrada para com o nosso NV e pelo contributo inestimável que os seus arquivos têm na história local e regional, como se atesta nas páginas 267 a 281 que se incluem nestas “Memórias de Queirâ” aquilo que por aqui se foi escrevendo, sobretudo a partir de 1939 e até aos nossos tempos actuais. Este não é mais um livro qualquer. É um testemunho de vida de uma freguesia que bem de si se pode orgulhar. Merece, por isso, uma atenção muito especial. Carlos Rodrigues, in “ Notícias de Vouzela”, Junho 2023

Kiko, de Cambra, mostrou a sua grande arte musical na RTP

KIko, um vencedor sem ter sido o primeiro CR Francisco Santos (KIko), o miúdo de Cambra que já passou, com sucesso, pelos palcos da TVI e da RTP, sendo que, nesta última estação pública de televisão, terminou a sua prestação no passado domingo, dia 25, bem pode orgulhar-se dos percursos efectuados e das etapas que, num e noutro caso, foi vencendo passo a passo. Neste “ The Voice Kids” de 2023, no meio de cerca de 50 concorrentes, subiu ao palco nos três primeiros lugares e, dizem, só não venceu por uma unha negra, sendo que a luso- americana Júlia Machado conquistou a posição maior, o primeiro lugar. Parabéns para ela. Já agora, felicitações também para o nosso conterrâneo distrital José Cesário, amigo da família em festa, e para a nossa amiga vouzelense, de coração partido, Ilda Pinto, que se viu metida entre duas opções, uma quase de sangue e uma outra diferente, a da enorme comunidade portuguesa, nos EUA, onde reside e onde tanto tem feito pela nossa cultura portuguesa. Por cá, Vouzela e arredores, o nosso Kiko é o “grande vencedor” e dessa fama se não livra, que o fogo de artifício das duas últimas actuações assim o atesta. Com uma comunidade que nunca o desamparou e foi crescendo sempre à medida que ele ia evoluindo nos grandes écrans, muto por força e capacidade organizativa e mobilizadora da Catarina Almeida, a sua voz, por todos ovacionada e reconhecida, já tem um assegurado lugar de destaque, assim ele e sua família sustentem essa justa ambição de uma fulgurante caminhada no mundo da música. Este nosso Kiko já não é apenas um potencial qualquer, é um rapazinho que tem tudo para fazer uma carreira de sucesso. Aquele trio que vimos aparecer no palco para dele sair um(a) vencedor(a), Júlia Machado, Francisco Santos (Kiko) e Francisco Horta, que respira Alentejo por todo o lado, foram todos dignos daquela posição maior. Quem iria subir ao topo, isso era quase indiferente para muita gente que os foi vendo e escutando. Por razões de parentesco territorial, aliada à valia de sua capacidade musical e interpretativa, desculpem, essa atitude de tanto nos faz não cola com a nossa personalidade: para nós só havia um justo e querido vencedor - o KIKO. No papel, assumamo-lo, não o foi. Mas nos nossos corações esse é o nosso entendimento. Dizem que esta posição é a antítese de um jornalismo que se quer independente e justo. Sabemos essa teoria e também defendemos tal tese. Mas, deixem que vos diga, quando se junta qualidade, proximidade e emoção, nem o jornalista resiste. É o nosso caso no relato daquilo que vimos e ouvimos com o nosso Kiko. Pedindo desculpa à ética e ao código deontológico, também temos direito a estas coisas de uma emoção controlada. Com as prestações que o Francisco Santos (Kiko) nos ofereceu, a freguesia de Cambra, o concelho de Vouzela e a região de Lafões têm razões de sobra para se sentirem nos píncaros da lua. Nós já lá estamos, de certeza. Obrigado, Kiko!... A terminar, queremos deixar duas ou três notas estilo crítica ou comentário: em primeiro lugar, queremos agradecer a Deus o dom da voz que deu ao Kiko e à sua família por isso terem reconhecido e lhe darem asas para voar; seguidamente, queremos manifestar o nosso apreço pela força e capacidade agregadora que a equipa de suporte organizativo nos proporcionou; não podemos nem devemos esquecer, por outro lado, a riqueza do suporte que foram os seus inúmeros fans… Como dica final, deixamos um forte elogio à nossa RTP por alimentar estes programas de genuína cultura popular e de “caça-talentos”. Esta é, sem dúvida, uma missão de alto nível que encaixa na perfeição na noção de serviço público que defendemos. Dizemos ainda mais: em estúdio, é alta a qualidade do desempenho de cada missão que ali vimos suceder-se minuto a minuto, horas e horas a fio. Mas no melhor pano cai a nódoa, como diz o nosso bom povo: para uma entidade televisiva pública, nossa por sinal, as condições oferecidas ao público que ali vai em apoio aos seus cantores são miseráveis, são mesmo um ultraje a todos nós. Com um estúdio de primeira classe, o pavilhão em que se localiza e os seus arredores são tudo menos aceitáveis. São a nossa vergonha nacional em acessos e serviços prestados. Em termos de higiene pública, uma miséria de todo o tamanho e uma indignidade total, para não dizermos uma ofensa ao próprio conceito de saúde pública, Que olhem para aquilo o Ministério da Saúde e tantas outras entidades. E que o Ministro da Cultura ali passe urgentemente e tome as medidas que se impõem e exigem. O Kiko, a Júlia Machado, o Francisco Horta e os outros quase 50 concorrentes e seus apoiantes do Minho ao Algarve, incluindo os EUA, merecem mais respeito e outras condições de acesso a estes e outros espectáculos. Pobretes, sim, miseráveis, nunca. Desculpa lá, Kiko, esta minha divagação, mas senti-me envergonhado com as condições que nos ofereceram para podermos usufruir e beneficiar da magia da tua voz e de teus dotes musicais. Peço-te uma só coisa: segue em frente que os palcos do mundo estão à tua espera. Sei disso e nisso creio firmemente. Muito obrigado e um forte abraço… Carlos Rodrigues, in “ Notícias de Vouzela”, Junho, 2023

Lafões canta e encanta nas televisões

Lafões com muita e boa música nas televisões portuguesas Carlos Rodrigues Ainda temos, pessoalmente, na memória, para não mais se perderem, as excelentes actuações de Francisco Santos (Kiko), de Cambra, Vouzela, que, no “The Voice Kids” da RTP 1, subiu de degrau em degrau até chegar à final onde, sendo um dos três primeiros, só não venceu, dizem-nos, por mero acaso, perdendo para Júlia Machado, luso-americana, mas, mesmo assim, ficou no pódio com Francisco Horta, do Alentejo, e ambos cantores do mentor Carlão. Ao termos acompanhado a sua carreira, quase a fundo, vimo-lo melhorar de programa para programa, tal como tinha acontecido, no ano anterior, na TVI, onde também subiu bem alto, facto que foi bem reconhecido pelo público a avaliar pelas suas votações telefónicas e, sobretudo, pelas apreciações extremamente positivas que lhe fizeram os membros do júri, todos eles. Sem qualquer formação musical de base, este Kiko, que deu os primeiros passos no Grupo Coral de sua freguesia, pode ir bem longe se optar pela carreira que se encaixa nas suas capacidades na perfeição. Agora, cabe-lhe trabalhar para se aperfeiçoar cada vez mais, sabendo nós que é essa a intenção de seus pais, familiares e amigos. Com provas dadas, resta-nos aguardar que o seu futuro seja risonho, que bem o merece. Ainda o Kiko andava nestas altas andanças e também o Grupo Vozes da Terra, de Vouzela, no mesmo canal televisivo, ainda que noutro programa, lutava com sua arte e estatuto por um dos lugares cimeiros em concurso. Não chegou lá por pouco mas ficou-nos também a alegria de vermos que, dando o seu melhor e foi muito, honraram a terra que os acolhe há largos anos e sempre os tem acarinhado, por mérito próprio e muita simpatia, diga-se a propósito. Como não há duas sem três, Lafões assistiu no passado domingo, dia 2, a mais uma actuação nos écrans da RTP, no “ The Voice Portugal”, de um grupo da nossa terra, os “Vouguinhas” de S. Pedro do Sul. Com uma participação pública que vem de há cerca de 10 anos, a sua presença em festas populares tem sido uma constante, juntando-se-lhe de momento, estas boas passagens pela TV, há dias e agora neste último programa, onde seguiu em frente na prova cega com “ Já não ouço o passarinho”. Dado o pontapé de saída, ficamos à espera de uma boa caminhada destes “ Vouguinhas” que têm vindo a mostrar o muito que valem. Sempre em frente, Amigos!... In “ Notícias de Lafões”, Julho 2023

domingo, 30 de abril de 2023

Militares lembrados na freguesia de S. Miguel do Mato/Vouzela

Militares recordados em S. Miguel do Mato CR No domingo, dia 23, a freguesia de S. Miguel do Mato virou-se para os seus militares que andaram na guerra entre os anos de 1961 e 1975, nomeadamente em Angola, na Guiné e em Moçambique, para lhes prestar um tributo de homenagem. Esta meritória acção teve na base da sua organização a Junta de Freguesia a que se associaram a Câmara Municipal de Vouzela e a Paróquia local, sem esquecer o grande contributo da Banda de Música. As cerimónias iniciaram-se na Igreja com uma Missa cantada, seguindo-se em desfile para o Cemitério Paroquial, onde, junto à placa que eterniza a gratidão da freguesia por quem já partiu ou em plena Guerra ou posteriormente pela lei da vida, foi colocada uma coroa de flores. Aqui, passamos a referir três militares que tombaram ao serviço da Pátria ( e isto não pode deixar de assim ser dito) naqueles três territórios lá longe, mas que repousam junto da comunidade de S. Miguel do Mato. Foram eles, por quem nos curvamos com imenso pesar e respeito: José dos Santos Ferreira, 1969, em Moçambique, natural de Caria e filho de Maria dos Santos e António Ferreira; António Marques Francisco, 1970, Guiné, de Vila Pouca, filho de Margarida Marques e de António Francisco Pereira; Eduardo Francisco dos Santos, 1971, Angola, filho de Maria Laurinda e José dos Santos. Que descansem em paz. No parque frente à sede da Junta da Freguesia e onde, desde 2017, se encontra um monumento com esta mesma enorme finalidade, prestou-se homenagem pública a todos os militares da freguesia, por parte do Presidente da Junta, Daniel Meneses, e do Vice-Presidente da Câmara, Carlos Oliveira. Viram-se ainda ali outros vereadores e o Adjunto do Comando dos Bombeiros Voluntários de Vouzela, Pedro Mateus. Dirigiu a Banda, dentro e fora da Igreja, o Maestro Filipe Almeida. Momento alto e emotivo foi aquele em que, chamando um a um os militares ali presentes, estes foram receber simbólicas lembranças, finalizando-se este acto com a colocação de uma outra coroa de flores junto ao citado monumento e com a entoação musical do Hino Nacional, sendo que, antes, já se fizera ouvir, em pleno templo, o Hino do Combatente. Carlos Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”, 2023

IVA zero com pouco peso em Lafões

IVA zero pouco conta mas é alguma coisa CR Com a Lei 17/2023, deste mês de Abril, consagra-se a abolição da taxa de IVA em certos produtos do cabaz alimentar, que assim passam a IVA zero, quando antes a tinham em 6% ou ainda mais agravada. Com esta legislação, que foi fruto de vários acertos e discussões, uma parte dos cereais, os tubérculos, o pão, a massa e o arroz nem todo, os legumes e produtos hortícolas, as frutas e apenas as maçãs, as bananas, as laranjas, as peras e os melões, o feijão vermelho e o frade, o grão de bico, os lacticínios, as carnes de porco, frango, peru e vaca e alguns peixes inserem-se neste pacote que, para já, vai durar de 18 de Abril a 31 de Outubro. Numa partida para o terreno para tentarmos compreender a sua aplicação prática, falámos com alguns comerciantes e um gabinete de contabilidade. Neste sentido, Celso Costa, da Touça, Paços de Vilharigues, com uma grande e diversificada casa comercial, contou-nos que passaram um dia a mudar etiquetas, sendo que o software, por ter um contrato global e alargado, foi tratado pela empresa informática com que trabalha. De um dia para o outro, teve de fazer cerca de 300 alterações uma a uma e isso não se faz de um momento para o outro. Este empresário estranha ainda que tenha havido pouco cuidado em evitar confusões, apontando, por exemplo, o facto de nem todo o feijão ter passado para essa taxa zero, assim como a fruta. Adivinha já outra trabalheira para o mês de Outubro e isto gera instabilidade. Para João Silva da Eurozela, Vouzela, tudo isto dá um “bocadão”, de trabalho, tendo que actualizar cerca de 1000 referências, que só nos iogurtes são mais que muitas. Com IVAs diferentes, com IVAs zero, com couves a 6% e outras sem qualquer taxa, vive-se no reino da confusão. E o mesmo se passa na fruta e no feijão. Com uma vasta clientela, nela nota um certo cepticismo e até desilusão, quando num normal cabaz alimentar a redução é mínima, quase invisível. Desabafa mesmo: isto é uma vergonha. Nota-se algum impacto positivo, por exemplo, nos óleos que desceram de 23 % para zero. No resto, uma ninharia. Numa perspectiva de enquadramento geral de toda esta problemática, entrámos em contacto com Armando Bento, da GAPMEC, empresa de contabilidade e consultoria, que nos disse o seguinte em linhas muito gerais: até ao momento, ainda não receberam nem grandes pedidos de informação e ou de ajuda, a não ser num ou noutro caso. Acrescenta que esta prática não é nova, porque, por várias ocasiões, o mundo empresarial tem sido levado a alterações diversas, nomeadamente nos tempos da Covid 19 e noutras variações de taxas ao longo dos tempos. Se aos comerciantes se exige mudanças em loja, regra geral, os sistemas informáticos, na rectaguarda, operam essas modificações automaticamente, bastando utilizar as bases de dados. Indica também que, quanto a cafés e serviços, muita da actual legislação se não aplica por estar de fora da área do comércio directo. Como quer que seja, os bolsos dos consumidores não ficam muito mais leves, antes pelo contrário: apenas se sente que uma pequena pena de ave deixou de pesar. E em Outubro se verá o que irá acontecer de novo… Carlos Rodrigues, in “ Notícias de Viuzela”, Abril 2023