quarta-feira, 8 de abril de 2026

Arte religiosa em Lafões

Arte e questões religiosas menos conhecidas CR Há uma boa série de publicações que nos mostram a vida religiosa e da sua arte em grande profusão. Fala-se muito nas imagens mais conhecidas e nos estilos arquitectónicos ou mesmo nas datas da construção e informações afins. Mas muita coisa está ainda por se saber. É disso e muito pela rama que hoje vamos falar quanto à nossa região de Lafões. Damos o ponto de partida com um local muito especial e cheio de significado e simbolismo que nos toca a todos. É o caso da Capela Mortuária de Oliveira de Frades, em que se vê uma arte simbólica que, pegando nos ensinamentos da Igreja, nos remete, de imediato, para problemas dos nossos tempos duma dura actualidade. Agarrando-se no Capítulo XXV do Evangelho de S. Mateus, como nos esclareceu o Padre Manuel Fernandes, pároco local, na doutrina do Juízo Final, e no seguimento da parte em que se anuncia” Vinde benditos de meu Pai para o reino que vos está preparado”, acrescenta-se, porque “destes de comer a quem tinha fome”, “de beber a quem tinha sede” e assim por aí adiante. Perguntava-se “ quando fizemos isso, meu Deus”? “ Sempre que fizestes isto a um irmão, a mim o fizestes… “. Uma a uma, citavam-se as Obras de Misericórdia. Nesta lógica e conformidade, há pelas paredes espalhados um vasto leque de painéis em arte moderna que aludem a situações que nos devem preocupar todos os dias e a cada hora. Refere-se a fome, o álcool, a droga, os cataclismos, os incêndios, os desastres, o abandono, a violência, a guerra e outras questões deveras chocantes mas pertinentes e fortemente invasivas. Doem mesmo e muito. Questionam-nos e interpelam-nos. Conclui-se quanto ao que tenhamos feito de positivo: “ Todas as vezes que fizestes isto aos meus irmãos, a Mim o fizestes”. Numa linguagem moderna, é esta a mensagem que ali se expressa. Dando agora um salto até ao Monte e a Nossa Senhora do Castelo, se muito se tem falado destes dois temas, pouco gente sabe que aquela Capela, Santuário Mariano, se ficou a dever a Vasco de Almeida, que, em virtude de um desgosto de amor, ali se refugiou em meados do século XV, vivendo numa rudimentar habitação (ele que usufruíra de todas a regalias e mordomias na Quinta da Cavalaria), mandando edificar uma pequena ermida, onde hoje existe o citado Santuário. Morreu a 10 de Fevereiro de 1510. Agora, falemos de Campia e da Virgem Milagrosa. A sua imponência física, 15 metros, condiz com a grandeza mística do milagre a que se dedicou: a cura de uma jovem, depois de todos os cuidados médicos, e a tenacidade de seus Pais, que se lembraram de tudo para a salvar. Um dos últimos passos foi o da oração e do pedido feito à Virgem Milagrosa para obterem a o seu salvamento. Como uma espécie de “ex-voto”, aquele monumento atesta a sua gratidão e eterno reconhecimento. A terminarmos, uma curiosidade: na velha Igreja de S. Miguel do Mato, outrora em ruínas e hoje restaurada, a sua torre ostentou durante décadas um pinheiro vivo e são, que nem os ventos conseguiram derrubar… Agora, desapareceu para sempre mas por uma boa causa. Carlos Rodrigues, in “ Notícias de Vouzela”

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