sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
Algumas notas de há tempos sobre a indústria em Oliveira de Frades...
Um mundo empresarial diversificado em Oliveira de Frades
Nestas tabelas sobre as 100 Maiores Empresas em cada um dos concelhos da região de Lafões que o nosso jornal tem vindo a trabalhar e a divulgar, nos últimos anos, o município de Oliveira de Frades apresenta uma característica que veio a consolidar nos anos oitenta e noventa do século passado e daí em diante. Antes dessa fase, era uma terra em que a indústria quase não tinha ponta por onde se lhe pegasse. Haveria, quando muito, umas serrações de madeira, umas moagens, uns lagares de azeite, uns alambiques e pouco mais. Seguindo a regra geral por estas bandas, tinha mesmo assistido à morte de uma fábrica de cerâmica em Ribeiradio e outras iniciativas diversas não tinham vivido, de igual modo, vidas prolongadas, também.
A um certo momento, fruto de intensas campanhas de divulgação das potencialidades que se passaram a vislumbrar com a vinda do IP5, em movimentos concertados, tendo como suporte e base dinamizadora os diversos executivos municipais, o milagre do monte feito unidades de produção deu-se por aqui. A serra que unia o Alto da Cumeeira a Travassós e Vilarinho, em duríssimas negociações com os Baldios de Souto de Lafões, foi o espaço então escolhido e em boa hora. Uma a uma, nasceram as unidades fabris e as empresas de toda a ordem e género.
Aparecendo desses toques de magia empreendedora, sendo que esta veia criativa se filiou, em grande grau, nos exemplos de sucesso vividos no peixe, nas madeiras, nos táxis e, sobretudo, na avicultura, a Zona Industrial de Oliveira de Frades, que se insere num vasto território então a abranger três freguesias, as de Souto e Pinheiro de Lafões e a da Sede do concelho, foi a grande construção social e económica que se solidificou, em forte capacidade concorrencial, em toda a zona centro.
Para o seu êxito, se muito trabalharam os autarcas, dentro e fora do País, nada de seu esforço tinha este visível impacto se os investidores não tivessem acreditado neste colossal projecto. Oriundos da massa crítica do município e da atracção que esta ZIOF foi demonstrando, passo a passo, ali se fez, muito também e, em especial, com a força de quem veio de fora, a gigantesca obra que hoje faz com que Oliveira de Frades esteja no lugar cimeiro deste panorama por toda a citada região centro.
Desbravado o primeiro local com a Previcon, em 1976/1977, e depois com a SOPIL (1980), conquistando terrenos para loteamentos industriais sucessivos, em planos de pormenor (o primeiro advém da Portaria 745/93, de 19 de Agosto), uns a seguir aos outros, as firmas apareceram, a antecederem mesmo as papeladas, acreditaram, fixaram-se e agarraram-se a esta terra como boas lapas, porque sentiram e viram que valia a pena investir e ir em frente. Metalurgia, plásticos, rações, vidros, malhas, madeiras tratadas, produtos fitofarmacêuticos, equipamentos medicinais, peças metálicas, maquinaria, tornearia, energia solar, fumeiro, combustíveis, oficinas mecânicas e gerais, armazéns vários, reprodução de pintos, artefactos de cimento, padarias, construção civil, granitos, mármores e serviços, nada aqui falta. Numa outra anterior esfera, a avicultura está sempre na mó de cima. Potenciadoras de emprego e riqueza, a sua garra vem desses tempos em que a tarefa de as conquistar impunha espírito de visão e missão que fizeram com que todo o esforço feito se tivesse convertido em pão para a boca de tanta gente que a essas unidades empresariais se encontra ligado. Com esse arranque, Oliveira de Frades deu saltos de gigante a nível económico e social, sobressaindo, no meio desta caldeirão de transformações, a vila e arredores.
Os fundos comunitários
Num esforço comum, houve, nesta curva ascendente, uma importância capital de fundos europeus, como o PEDIP, os QÇA I, II e III e o QREN. Mas essas verbas só aqui vieram parar porque as respectivas candidaturas foram sempre uma prioridade jamais desperdiçada. Tostão e cêntimo que viessem foram (e eram) sempre bem-vindos. Como não caíam do céu, tudo se fez para os ir buscar e a imagem, com as campanhas de publicidade e exposições, dentro e fora de fronteitas, teve um papel dinamizador que não pode ser menosprezado. Nunca.
Felizmente que, ao olharmos para a tabela que hoje vamos apresentar, se a ZIOF tem o destacadíssimo primeiro lugar do pódio, orgulhamo-nos de ver que ela abrange muitos outros espaços deste município, ou com ZI, como acontece com Reigoso, ou com empreendimentos espalhados um pouco por toda a parte. Sem grande dificuldade, vemos que cada zona do concelho aqui tem uma palavra a dizer, desde Arca a S. João da Serra.
À luz da leitura que estamos a fazer, a avicultura a agropecuária vêm mantendo a sua importância, mas as novas tecnologias surgem também neste vasto painel de iniciativas empresariais, que, resistindo a cada crise, cá vão vivendo e insuflando dinamismo na economia e na vida de nossas terras.
Há ainda um outro mundo invisível, não retratado nestes gráficos, que jamais pode ser esquecido: é aquele que é erguido, dia a dia, palmo a palmo, pelo esforço e devoção de nossos agricultores às suas courelas, que as faz entrar, ainda que de uma forma menos reconhecida, em todo este movimento de criação de riqueza e capacidade de fixação de nossas resistentes gentes às torrões onde nasceram e vivem, embora com muitas dificuldades, alguns horizontes de esperança.
Funcionando, muito em particular, este movimento empresarial como estabilizador populacional, teve como efeitos directos estancar hemorragias de saídas de habitantes, ainda que não tenha sido capaz de captar mundos novos, porque o concelho, não perdendo gente, também não cresceu muito. Verificou-se, aqui também, um mecanismo mundial: o centro, a vila e zonas limítrofes, atraíram povoadores, as periferias, perderam-nos. Essa é que é a verdade e a triste realidade.
Mas há um dado de um valor incalculável: as empresas em Oliveira de Frades são um bom sangue que irriga todo o seu corpo social e económico. Como tudo gira em volta destes eixos, é muito razoável o ar que se respira e só não é melhor porque a crise lhe coloca umas más pitadas de agentes poluentes que o vêm afectar negativamente. Como quer que seja, aqui o futuro escreve-se assim: fazer a máquina andar e ela lá vai serra acima, um dia a seguir ao outro.
Carlo Rodrigues, in “Notícias de Vouzela”...
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